Quadros da História de Portugal (1917)

                Título: Quadros da História de Portugal
             Autores: Chagas Franco
                            João Soares
        Publicação: Lisboa : Pap. Guedes, 1917
   Ilustrações de: Alfredo Roque Gameiro (1864-1935)
                            Alberto de Sousa (1880-1961)
Descrição física: 138, [6] p. : il. ; 46 x 37 cm
        Informação: Biblioteca Nacional de Portugal
 
Artigos de jornal: 1916-09-15 - Atlântida, por Jaime Cortesão
                            1921-01-00 - Eu Sei Tudo
                            1921-01-15 - Revista da Semana
                            1921-05-26 - A Scena Muda
 
     Roque Gameiro, de parceria com Alberto de Sousa, participou na ilustração dos Quadros da História de Portugal, editada em 1917. Pode avaliar-se o sucesso que teve este álbum, pois logo em 1932, foi objecto de uma segunda edição. O texto é da autoria de Chagas Franco e João Soares.
     Podemos ler no prefácio da 1a edição: "As páginas que vão ler-se não constituem, no sentido vulgar da palavra, a História de Portugal. Com efeito, elas não foram esboçadas sobre um plano sintético ou dramático, erudito ou disciplinado  (...),  numa hora brilhante de inspiração, ou laboriosamente decalcado à força de meditações e de esforços; não as coordena a cronológica sucessão dos acontecimentos, nem as liga e correlaciona outro vinculo que não seja a evolução da Pátria - a evolução do seu pulcro idealismo, da sua consciência iluminada de clarões, do seu génio aventureiro, do seu esforço, por vezes delirante de sublimidade, sempre heróico - romantizada sobre os homens que mais flagrantemente a simbolizaram, apreciada através dos episódios históricos mais em relevo (...). destinadas a servirem como que de comentário ou judiciosa apresentação ás palavras em que dois dos maiores artistas da nossa terra reconstituíram e animaram de uma vida ardente e nobre a História de Portugal, estas páginas deviam refulgir de todo o heroísmo de toda a beleza moral da raça".1
     Publicada numa época de angústia e de ansiedade, durante a Primeira Grande Guerra, sentimos que um certo sopro patriótico percorre as páginas desta obra, tendência, aliás, já patente no prefácio.
     Num artigo de 1915, anuncia-se o aparecimento do livro e o jornalista considera que se trata de uma obra notável. "Quadros da História de Portugal se intitula um criterioso trabalho dos srs. Chagas Franco, professor de História do Colégio Militar, e João Soares, também antigo professor, que os srs. Paulo Guedes & saraiva, da rua Áurea, 80, vão editar com primorosas ilustrações de Roque Gameiro e de Alberto de Sousa. O plano explicativo desta obra diz bem do seu patriótico intuito. A ideia de vulgarisar quanto possível pela gravura todas as cenas mais importantes da historia do nosso paiz, levou-nos a editar os trabalhos de dois ilustres professores do ensino secundário que pensaram, pela primeira vez, entre nós, em dotar as nossas aulas de historia com um material verdadeiramente notável pela sua intenção patriotica e pela sua soberba execução artística. Esse material, composto de oito esplendidos quadros parietaes, evocando n'uma colecção soberba os mais belos factos da nacionalidade e as mais lídimas proezas dos seus heroes, será executado pelos nossos melhores artistas como Roque Gameiro e Alberto de Sousa, reproduzido pelas mais belas tricromias que se teem conseguido em Portugal".3
     Tratava-se de um trabalho com propósitos didácticos, contudo, no seu conjunto, reveste-se de um extraordinário interesse histórico e artístico. As imagens criadas por Roque Gameiro e Alberto de Sousa induzem a uma melhor compreensão do texto narrativo e consolidam as descrições, permitindo uma perfeita visualização das situações e aumentando o dinamismo das cenas de intenção bélica.
     A constituição desta obra obedecia à seguinte ordem: oito quadros parietais que correspondiam a oito ciclos históricos. Cada um deles abrangia um determinado número de matérias: A constituição da nacionalidade; Aljubarrota e o sonho das conquistas; A realização das conquistas; Período da indecisão até 1640; O período da magnificência; O período pombalino; O tempo dos Franceses até ao constitucionalismo; A actualidade.
     São admiráveis de expressividade as aguarelas que Roque Gameiro pintou. Muitas delas perspectivam situações que exigiram uma grande concentração de figuras. É o caso das cenas de intenção bélica ou daquelas em que se descrevem momentos vividos durante o período das Descobertas. O pintor sugere, com uma espantosa realidade, o dinamismo do mais aceso das batalhas, individualizando animais e combatentes, ou a aglomeração compacta das pessoas que assistem à partida dos marinheiros. O registo das imagens revela o objectivo que se pretendia atingir. Não se trata de simples apontamentos registados por meio de manchas difusas. Mesmo em situações em que se justifica essa diluição, pelo afastamento do primeiro plano, o pintor consegue que visualizemos as silhuetas esbatidas pela distância. As personagens parecem animadas de vida própria e traduzem sentimentos e emoções, através das suas expressões fisionómicas ou pelos gestos esboçados.
     Em todos os quadros revela-se o observador atento e o investigador criterioso que foi Roque Gameiro. A exactidão da reconstituição temporal é patente nos mais ínfimos pormenores desde a reprodução das máquinas de guerra, das naus das descobertas, até aos detalhes do vestuário, adequado às diferentes épocas evocadas.
Maria Lucília Abreu
in Roque Gameiro - O Homen e a Obra, ACD Editores, 2005
1 CHAGAS. Franco e SOARES. Joio. Prefácio de Quadros da História de Portugal. 1ª edição. 1917.
2 Século. 29 de Novembro de 1915.
 
 
1º Ciclo - Constituição da Nacionalidade até D. Fernando - Ilustrações de Roque gameiro
  Cap 01 - As origens
 
2º Ciclo - Aljubarrota e o sonho das conquistas - Ilustrações de Alberto de Sousa
 
3º Ciclo - A realização das conquistas - Ilustrações de Roque gameiro
  Cap 17 - A Viagem da Índia
 
4º Ciclo - O período da indecisão - Ilustrações de Alberto de Sousa
 
5º Ciclo - O período da magnificência - Ilustrações de Roque gameiro
 
6º Ciclo - O período Pombalino - Ilustrações de Alberto de Sousa
 
7º Ciclo - O tempo dos franceses até ao constitucionalismo - Ilustrações de Roque gameiro
 
8º Ciclo - A actualidade - Ilustrações de Alberto de Sousa
 
QHP
 
QHP
 
 
Ver também: Memento dos quadros da história de Portugal

 

 
 
1º Ciclo - Constituição da Nacionalidade até D. Fernando - Ilustrações de Roque gameiro
 
Cap 01 - As origens
 
1-1
 
ARMAS E UTENSÍLIOS PREHISTÓRICOS
     Chama-se IDADE DA PEDRA àquela em que o homem se servia da pedra como matéria prima para armas e utensílios; à IDADE DA PEDRA seguiu-se a do BRONZE e a DO FERRO. ·
     A ilustração mostra um capacete, vasos, machados e lança da IDADE DO BRONZE.
 
1-2
 
IBEROS E CELTAS
     O território da península como o de toda a Europa foi habitado nos tempos pré-históricos, por vários povos entre os quais se destaca o homem do Cro-Magnon como o tipo mais definido.
     Esses homens pré-históricos travaram entre si lutas sanguinosas e permanentes até que os Iberos vieram estabelecer-se na península.
     Os Iberos fundaram cidades, estabeleceram federações e tinham já um comércio e uma agricultura importantes quando a Ibéria foi invadida pelos Celtas.
     Assim se originou a raça Celtibérica com os seus cinco grupos principais - os Cantabros, os Astures, os Vasconios, os Caláicos e os Lusitanos.
     Dentre todos estes povos os Lusitanos interessam-nos de uma maneira especial por terem ocupado uma grande parte do território onde havia de mais tarde desenvolver-se a nacionalidade portuguesa.
 
OS  MOUROS
     Nos princípios do século VIII o império Visigótico estava em plena decadência e por isso Tarique, na batalha de Guadalete, desbaratou o último rei dos godos.
     Tarique e Musa em 710 conquistaram rapidamente uma grande parte da península; Abde-Alaziz filho de Musa submeteu o resto da península e casou por amor com Egilona viuva de Roderico, o último rei dos Visigodos.
     Os Muçulmanos tinham-se apoderado de toda a Ibéria; só nos mais alcantilados píncaros das Astúrias Pelaio e os seus bravos companheiros resistiam ainda aos invasores.
     Foi muito duradora a permanência dos Muçulmanos na península; mas passada a crise violenta dos combates os árabes e os mouros dilaceram-se em sanguinolentas lutas habilmente aproveitadas pelos reconquistadores cristãos.
     Assim aconteceu que os continuadores de Pelaio foram dilatando os seus domínios, para o sul e para o oriente, e emquanto a Espanha Árabe se retalhava em cinco emirados principais, já em 1085 Afonso VI conseguia apoderar-se de Toledo e de outras localidades importantes.
     Os Árabes foram na península geralmente tolerantes deixando às populações cristãs a liberdade de viverem segundo as suas leis civis e a sua religião, e de conservarem os seus municípios e a sua hierarquia eclesiástica.
     Além disso eles fizeram ecludir na península todas as maravilhas da sua brilhante civilização, fazendo progredir de maneira deveras notável a agricultura, as ciências, as indústrias e deixando-nos nas maravilhas de Málaga, de Córdova e de Granada alguns dos mais perfeitos modelos da sua arquitectura.
 
1-3
 
OS  ROMANOS E OS LUSITANOS
     Eram os Lusitanos muito ciosos da sua liberdade e possuíam uma indomável coragem vivendo uma vida rude, sóbria e heróica que os tornava iminentemente próprios para as aventuras e a guerra.
     Aníbal tinha levado muitos deles no seu exército quando fora invadir a Itália e por isso em determinado momento a Lusitânia foi invadida pelos Romanos.
     Já por esse tempo os povos navegadores do mediterrâneo os Fenícios, os Cartagineses e os Gregos se tinham estabelecido em colónias pelo litoral, numa penetração pacífica em que o comércio progrediu e as populações a pouco e pouco se civilizavam.
     Os Romanos porém, vindo em tom de guerra absolatamenfe resolvidos à conquista não podiam ser bem acolhidos pelas altivas populações Luzitanas — a epopeia de Viriato, a longa resistência de Sertório duramente o provaram aos invasores.
     Mas Sertório, romano foragido em consequência das lutas civis de Mário e Scilla conseguira a pouco e pouco pelas suas qualidades de atracção, pela suprema habilidade do seu governo romanizar as principais povoações da Luzitânia de maneira tão notável e profunda que toda essa parte da península se apaixonou pelas letras, pelos costumes, pela jurisprudência e pelas instituições de Roma.
     Nos princípios do século V o império Romano começou a ser assaltado pelos bárbaros, e Jerôncio o general romano que governava a Espanha deixou passar para cá dos Pireneus os Vândalos, os Alanos e os Suevos.
     Essas ordas ferozes devastaram a península, mas. os Visigodos que vieram pouco depois exterminaram-nas quási por completo.
     Estabelecidos na península, os Visigodos tinham já na segunda metade do século V um grande poder; nos séculos VI e VII esse poder tornava-se formidável; os Visigodos começavam a assimilar a florescente civilização Romana.
     Assim, os Visigodos abandonavam os seus costumes tradicionais e adoptavam os usos e as leis Romanas promulgando nos meados do século VII o Código Visigótico.
     Era este um sistema de leis gerais aplicadas a todos em igualdade de circunstâncias baseada no direito latino e nas antigas tradições Visigodas.
     O Código Visigótico marca um grande progresso no seu tempo, não havia então por toda a Europa leis escritas; só a vindicta a wergheld, remissão das penas a dinheiro e o Juízo de Deus eram práticas seguidas para se fazer justiça e por isso o Código nos prova que a Espanha era no século VII um país de adiantada civilização.
 
1-4
O TEMPLO DE DIANA EM ÉVORA
     Os Romanos deram a Évora o título de Liberalitas Júlia e fiizeram-na município do direito latino, isto é: consideravam os seus habitantes como tendo os direitos de cidadãos romanos.
     Pela sua importância, Évora mereceu dos romanos, e principalmente de Sertório, o ser dotada de importantes monumentos como o Arco triunfal erigido por Sertório na sua melhor praça, e destruído no tempo do Cardeal D. Henrique para com os seus restos se ornamentar o Colégio dos Jesuítas, como o aqueduto de Sertório contemporâneo daquele, e o templo de Diana, cujas elegantes ruínas a gravura representa.
     Julga-se que o templo de Diana tenha sido fundado pelo ano 75 antes de Cristo, com a frente ornamentada por seis colunas de ordem corintia e os lados por oito, sendo o mais bem conservado monumento daquela época que existe na península.
     O monumento escapou à. füria dos godos, foi transformado pelos árabes em mesquita e convertido em 1166 pelos cristãos, em igreja cristã.
     Depois através dos séculos sofreu várias inclemências: no século XVI serviu de celeiro, nos séculos XVII e XVIII estabeleceram nele o matadouro; em 1836 foi entregue à câmara e salvo do esquecimento e desprezo em que podia de todo aniquilar-se.
 
1-5
A CAVALARIA MEDIEVAL
     A gravura representa um cavaleiro do século XIII com a armadura: o cavaleiro sobraça o escudo, está coberto com a servilheira de ferro, vestido com a loriga ou lorigão, tem os braços protegidos pelos braçais e as pernas pelos coxotes.
     As origens da cavalaria são um complicado problema para o historiador; sabe-se contudo que nos fins do século XI ela se desenvolveu por toda a Europa, e que pelos princípios de lealdade dos seus membros pelo seu generoso heroísmo, pela sua protecção aos infelizes, concorrem
para adoçar os sentimentos brutais que depois das invasões dos bárbaros tinham prodominado em toda a Europa.
 
1-6
 
OURIVESARIA MEDIEVAL
     A ourivesaria medieval foi na sua quási totalidade consagrada a assuntos religiosos; muitos dos ourives viveram mesmo e trabalharam dentro dos conventos.
     Nos séculos XI e XII fizeram-se verdadeiras maravilhas de ourivesaria em varias pontos da península; a protecção do alto clero e a das ordens religiosas contribuiu poderosamente para o desenvolvimento desta arte que entre nós deixou produtos tão dignos de apreço como os representados na gravura que são cofre-relicário bizantino, cruz processional em bronze, cálice de prata dourada, báculo, mitra, coroa e vaso.
     A França abasteceu durante largo período os mais países por encomendas dos soberanos, bispos, magnates. Essas influências ligam-se com as tradições dos joalheiros, dos bisantinos e sobretudo dos visigodos e dos árabes. Ora estas correntes foram comuns às nacionalidades
da Península Ibérica; e estudar a ounvearía espanhola neste período, antes do gótico português, equivale a estudar a nossa.
     Assim cá, como em Espanha, a ourivesaria do século XII tem dois caracteres: os lavores, a filigrana, aplicação de pedras preciosas dão-lhe o carácter visigótico; os esmaltes denotam a intluência bisantina.
     No século XIII, para o termo, incide já na ourivearia o estilo agival em pináculos, florões, etc., a .mistura de cinzelado com figurações humanas e fantásticas, e os refiexo de gótico, denotam o período de transformação. No século XIV acentuam-se os caracteres góticos, modificam-se as linhas, as obras tomam um aspecto arquitecturial.
     Houve um esmaltador célebre, foi o português Frei Teófilo, mestre esmaltador de Limoges.
 
1-7
O CASTELO DE ALMOUROL
     Êste Castelo situado a 5 quilómetros da confluência do Zezere e do Tejo, a 15 quilómetros de Tomar e junto de Tancos, parece ter sido construído pelos Romanos ou pelos antigos Lusitanos.
     Foi reconstruído por Gualdim Pais grão-mestre dos templários em 1160 e pertenceu àquela ordem militar.
     Tem quatro tôrres circulares, uma porta em ogiva, e uma torre de menagem coroada de ameias.
     E um dos nossos mais interessantes monumentos nacionais; foi outrora cenário de muitos dramas de amor, e por isso é um dos lugares consagrados para essas poéticas lendas de cavaleiros andantes e trovadores de mouras encantadas e gigantes enraivecidos.
 
1-8
A SALA MOURISCA EM SINTRA
     A paradisíaca Sintra, cujo abençoado encanto cativou em todos os tempos os sucessivos dominadores da península, era já notável no tempo dos mouros que lhe chamavam Chintra ou Zintira.
     Dos mouros, restam ainda hoje em Sintra copiosas recordacões, e uma das mais interessantes é incontestavelmente, o palácio.
     Dentro desse edifício verdadeiramente privilegiado se desenrolaram muitas das cenas mais palpitantes da história nacional: D. Afonso Henriques viveu nêle depois da conquista ; D. João I deixou ligado a uma das suas salas a recordação de um galante episódio.
     D. Afonso V, D. João II e D. Manuel melhoraram-no com obras importantes, o infeliz Afonso VI gemeu nele oito anos de cativeiro.
     Construído sôbre as ruínas de um antigo palácio árabe, o paço de Sintra conserva ainda da sua primitiva a capela e a sala que a gravura representa.
     Julga-se ter sido esta a antiga sala de jantar dos árabes, e nela se vê ainda da primitiva o tanque central destinado às abluções e os azulejos, tendo como motivo ornamental a maçaroca de milho e a flor de lis.
 
1-9
EGAS MONIZ EM LEÃO
     A gravura representa o episódio tão admirável em que Egas Moniz assombrou a côrte de Leão pelo seu cavalheirismo e lealdade.
     Andava Afonso Henriques em guerra com Afonso VII rei de Castela, Leão e Galisa, e não só não queria reconhecê-lo como suserano como ainda pretendia apoderar-se das cidades de Tui e Orense.
     Em vista disso, Afonso VII cercára-o em Guimarães no ano de 1127, e para o levantar, Egas Moniz prometera solenemente em nome do seu pupilo que êste confirmaria a submissão de D. Teresa ao rei Lionês.
     Pouco depois quando Egas Moniz se convenceu de que Afonso Henriques não queria submeter-se a Afonso VII, dirigiu-se a Leão com sua mulher e filhos, vestindo todos a alva dos condenados e entregou-se à vingança do rei.
     Este louvou encarecidamente a fidelidade do velho à sua palavra, e em vez de o castigar apresentou-o aos seus fidalgos como um exemplo digno de ser imitado exclamando: - «Que grandes obras ha-de realizar o pupilo de um tão grande cavaleiro».
   
 
 
Cap 02 - A Conquista do Território até ao Tejo
 
 
2-2
 
TOMADA DE SANTARÉM
     Já Afonso Henriques firmara em Leiria o seu poder e o sonho de dilatar os seus domínios para o sul tentava-o imensamente.
     No caminho de Lisboa e Santarém seria um formidável progresso mas a vila era difícil acometer, quási enexpugnável.
     Contudo, nos princípios de 1147, Afonso Henriques mandou de Coimbra Mem Ramires para estudar a topografia de Santarém e o sítio onde as muralhas permitiriam mais facilmente o assalto.
     Depois, a 2 de Março partiu de Coimbra, avançou até Pernes e fez intimar os mouros de Santarém de que ficavam rôtas as tréguas que com êles tinha celebrado.
     Essa intimacão era um ardil: fatalmente os mouros rodobrando de vigilância durante êsses três dias descuidar-se-iam depois; e Afonso Henriques dispunha-se a aproveitar êsse descuido para o assalto.
     Finalmente, na noite de 14 de Março, um trôço de 120 homens dos mais denodados, munidos de dez escadas de mão dirigidos por Mem Ramires e acompanhados pelo rei aproximaram-se do lanço do muro escolhido para a escalada.
     Julgavam que êsse sítio não estaria guardado; mas enganaram-se, e êste primeiro desalento logo foi agravado ao reconhecerem que as escadas eram curtas e não poderiam alcançar as ameias.
     Valeu-lhes a casa de um oleiro construída junto à muralha; do telhado dessa casa Mem Ramires pôde erguer uma das escadas e logo trepar por ela à frente dos mais bravos.
     Debalde as sentinelas tentam gritar: «Nazarenos!»; as últimas sílabas morrem-lhes nas gargantas trespassadas - e logo os cristãos vão abrir a porta mais próxima ao audacioso Afonso Henriques.
 
2-3
SÉ VELHA DE COIMBRA
     É este um dos mais interessantes monumentos de Portugal, julga-se ter sido fundado no século VI ou VII e é de arquitectura gótica em forma de um castelo com ameias.
     Mesquita durante a dominação dos mouros sofrera todas as vicissitudes das lutas de reconquista sendo pela primeira vez purificado quando Fernando Magno, tomou Coimbra em 1064.
     Nela foram armados nessa ocasião vários cavaleiros cristãos entre os quais o bravo Cid.
     Todos os reis portugueses da primeira dinastia lhe fizeram várias obras; nela se encontra arquitectura de várias épocas.
 
2-4
 
A CONQUISTA DE LISBOA
     Tomada Santarém, Afonso Henriques obstinou-se no seu sonho querido da conquista de Lisboa ; e nesse mesmo verão de 1147 aproveitando o auxilio de uma importante armada de cruzados que tinha arribado ao Porto, veio cercar a famosa Ulíssipo.
     Eram os cruzados Alemães, Flamengos e lbanhêses de Arnulfo Arsechot e Cristiano de Gistell, os normandos comandados pelos irmãos Wilhelm e Saudolf Vitulo e os inglêses comandados por quatro condestáveis.
     Convidados em nome do rei pelo bispo do Porto e atraídos por grandes promessas e pela ância do saque os cruzados acampavam agora em torno das muralhas da cidade dispostos a tudo para a fazer capitular.
     Afonso Henriques e os portugueses tinham-se estabelecido no lugar onde hoje é a Graça, os Alemães ficavam para o oriente à esquerda do rei até ao rio, os inglêses fechavam o cêrco para o ocidente até ao rio, também.
     A explêndida gravura de Roque Gameiro representa o acampamento dos inglêses com as mas complicadas máquinas de guerra: a tôrre volante com uma ponte levadiça destinada ao assalto toda ela revestida de ramos e peles de boi, para que o pez e as outras matérias infiamáveis atiradas pelos defensores a não podessem incendiar, os aríetes, as catapultas, os abrigos para se poderem aproximar a salvo das muralhas.
     Durava o cêrco havia meses; já os sitiados sofrendo as mais rudes inclemências eram incapazes quási de resistência, já os alemães o os flamengos cavando uma vasta mina tentavam fazer brecha na muralha.
     Por fim, os sitiados discutiram as condições da rendição e a cidade foi tomada e saqueada no dia 21 de Outubro, sofrendo os habitantes dos insaciáveis cruzados -- a quem o rei teve grande dificuldade em conter - as maiores atrocidades.
     Notam-se na gravura os pequenos navios dos cruzados com as proas, lembrando animais fabulosos ancorado na praia; e à esquerda da muralha vê-se o reflexo do incêndio na mina, praticado pelos alemães.
 
Ver:
Original em Evocação histórica  
O Domingo Ilustrado de 1927-10-23 (1ª Página)
Ilustração Portuguesa de 1916-01-31
O Rio Tejo - Livro de António Carmona Rodrigues
Estudo em Peregrinações em Lisboa 
 
2-5
CASTELO DE GUIMARÃES
     Este antiquíssimo castelo onde a 25 de Julho de 1109 nasceu D. Afonso Henriques foi fundado com suas muralhas e maciças torres pelos meados do século X pela célebre Condessa Mumadona tia do rei de Leão, Ramiro II, para defesa de um mosteiro duplo de frades e freiras - que ficava na baixa da colina.
     Notabilíssimo no ponto de vista histórico serviu de paço ao Conde D. Henrique e sua mulher D. Teresa, e nêle de desenrolaram muitas das principais cenas dos primeiros tempos da nacionalidade
 
 
 
Cap 03 - A conquista do Algarve
 
3-1
MARTIM DE FREITAS EM TOLEDO
     Na conjura tão perversa e complicada de que resultou a deposição de Sancho II, a grande maioria dos nobres tinham, como se sabe, tomado o partido de seu irmão o Conde de Bolonha.
     Na defecção quási geral da fidalguia a história regista apenas os nobilíssimos casos da defesa do Castelo de Celorico, da representacão feita a Sancho II pelos fidalgos de Trancoso e do rasgo de lealdade de Martim de Freitas.
     A valentíssima defesa de Celorico foi dirigida pelo seu alcaide Fernão Rodrigues Pacheco contra as hostes pessoalmente dirigidas pelo Conde de Bolonha; os fidalgos de Trancoso mandaram um emissário a Sancho II quando este, na guerra com seu irmão, estava quási vencido, significando-lhe a sua lealdade e homenagem; o célebre acto de Martim de Freitas Alcaide de Coimbra, foi um dos que em todos os tempos mais altamente afirmaram as virtudes da alma portuguesa.
     Perdida a causa do rei, o Conde de Bolonha aproximara-se de Coimbra exigindo do Alcaide que lhe entregasse a cidade; o Alcaide respondeu que honrando o seu dever só reconhecia como soberano o príncipe a quem jurara obediência.
     Logo o Conde de Bolonha investiu a Cidade, mas esta defendeu-se valentemente, e embora Sancho II estivesse então já desterrado em Espanha, o denodado alcaide preserverou no seu intento declarando que Sancho II não tinha perdido os seus direitos pelo facto de de ser desafortunado.
     Debalde a guarnição se revoltou, debalde o novo rei quis captar o honrado alcaide, com promessas e oferecimentos vários; tudo Martim de Freitas dignamente repeliu.
     De súbito chega a notícia de que o rei deposto tinha morrido em Toledo e logo Afonso II transmitíu essa notícia ao alcaide de Coimbra dizendo-lhe que não havia já nenhum motivo para a sua heróica resistência.
     É então que Martim de Freiras vai a Toledo verificar pessoalmente na admiravel cena que a gravura representa a morte do seu rei; é então que para sempre deixa à posteridade o mais nobre exemplo de inquebrantável intrepidez, de respeito pelo infortúnio de austeridade e de honra inolvidável.
 
 
 
Cap 04 - O Reinado de D. Deniz
 
4-1
CRUZADO E TEMPLÁRIO
     Os cruzados usavam a cruz no peito e no ombro, e foi justamente do facto de terem adoptado êsse sinal que, quando Pedro, o Ermita, pregou a primeira expedição a Jerusalém que derivou o seu nome.
     A gravura representa um cavaleiro cruzado revestido da armadura empunhando o bolsão onde se ostenta também a cruz.
     Ao lado do Cruzado figura o cavaleiro do Templo ou Templário com seu manto alvacento adornado também da cruz.
     Tomada a cidade de Jerusalém pelos primeiros cruzados fundou-se em 1118 a ordem de cavalaria dos Templários destinada à guarda e conservação do Templo.
     Essa ordem foi introduzida em Portugal em 1125 e logo D. Teresa lhe deu várias terras e castelos, tornando-se os Templários portugueses, dentro em pouco, muito ricos e poderosos.
     Em 1169 Afonso Henriques concedeu-lhes a terça parte de todos os territórios que conquistassem aos mouros no Alentejo, e com efoto os Templários foram tão bravos e contribuiram tão poderosamente para a conquista do território português aos mouros, que quando em 1311 o Papa Clemente V extinguiu a ordem, D. Dinis defende-os dedicadamente, evitou que aos Templários portugueses fossem confiscados os bens, e criando a nova Ordem de Cristo, admitiu nela todos os Templários existentes em Portugal, declarando terminantemente que a ordem de Cristo se fazia em substituição da dos Templários.
     A ordem do Templo tinha em Portugal, onde abravura dos seus cavaleiros se afirmou com tanto relevo, vários castelos e vilas importantes, como Pombal, Mogadouro, Soure, Cardiga, Pinheiro e Tomar.
 
4-2
 
A RAINHA SANTA EM ALVALADE
     O próspero reinado de D. Dinis foi várias vezes perturbado pelas revoltas do príncipe D. Afonso por causa dos ciúmes que êste tinha aos seus irmãos bastardos e nomeadamente a Afonso Sanches.
     Várias vezes o país foi agitado pelas truculentas hostes do príncipe e a bela gravura tricromia de Roque Gameiro, representa precisamente um dos aspectos dessas lutas: quando em Alvalade, o Campo Pequeno dos nossos dias, as hostes do rei e do príncipe D. Afonso se iam travar em renhida peleja, Isabel de Aragão acorreu do castelo entre clérigos e pagens e santamente acalma os contendores dizendo ao marido e ao filho os suaves conselhos de amor e de paz.
 
4-3
FRADE
     Os frades representaram um papel deveras importante na antiga vida portuguesa, até à extinção das ordens religiosas em 1834, por Joaquim Antonio de Aguiar.
     Tão ricos eram a grande maioria dos mosteiros e conventos que mais de uma terça parte do país pertencia às comunidades.
     Já em Lisboa havia à data da extinção, trinta conventos de frades: gracianos, dominicanos, capuchos, loios, torneiras, trinos, paulistas, irlandêses, inglêses, caetanos, marianos, arrábidos, bentos, congregados, e dezassete conventos de freiras: freiras de Santana, de Santa Clara, de Santa Marta, da Esperança, da Nazare, do Mocambo, do Sacramento, da Porcimenta, etc.
 
TROVADOR
     Os trovadores foram os poetas líricos da Idade Média. Foi na provença pelas suas condições geográficas e políticas que a poesia dos trovadores se desenvolveu e atingiu o mais alto explendor.
     Nessas províncias do sul do Loire onde se falava a língua do OC as qualidades e o génio amoroso da raça contribuiram poderosamente para que as canções revestissem os característicos mais apaixonados do amor aos mais acerados epigramas em que se combatia a truculência dos senhores feudais.

     Entre as várias espécies que os trovadores cultivavam destacavam-se o plant em que se lastimava a perda da amante ou dum herói, as tensões em forma de diálogo para a discussão de pontos de amor ou de moral, o tonzeio ou tensão com mais de dois interlocutores, as serranilhas, as baladas, as epístolas e novelas composições bucólicas, religiosas ou morais, e as cantigas de escárneo e maldizer.
     Havia entre os trovadores uma solidariedade tão íntima como se todos fossem irmãos; e com efeito, embora pertencendo às mais diferentes classes sociais, todos assim se consideravam: todos os trovadores, eram entre si iguais.
     O lirismo tinha irradiado da Provença para tudo o sul da Europa; nos meados do século XII, Portugal foi visitado por muitos trovadores célebres que acompanhavam na nota, antigo instrumento de corda, as suas canções.
     D. Afonso III protegeu muito os trovadores do seu tempo; D. Dinís cultivou pessoalmente a poesia provençal com tanto brilho que foi um dos mais admiráveis poetas líricos da Espanha Medieva.
 
 
 
Cap 05 - A batalha do Salado
 
5-1
 
BATALHA DO SALADO
     Andava o rei de Castela Afonso XI em luta com os Granadinos a quem o rei de Marrocos Abú Alhaçane viera reforçar com um poderoso exército.
     Tamanha era a força dos mouros que Afonso XI mandou a rainha D. Maria pedir a seu sogro o rei de Portugal, que lhe valesse com todas as suas forças; e Afonso IV esquecendo as antigas dissensões entre ele e o seu genro passou logo à Andaluzia com os cavaleiros portugueses emquanto a infantaria se concentrava com mais lentidáo.
     A batalha travada próximo de Tarifa nas margens do rio Salado foi para os portugueses uma verdadeira epopeia.;. D. Afonso IV cobriu-se nela de glória - e essa glória autingiu a verdadeira sublimidade quando o rei português se recusou a partilhar dos despojos dos vencidos.
 
 
 
Cap 06 - No tempo de D. Pedro o Cru
 
6-1
D. PEDRO CASTIGA O BISPO DO PORTO
     O singular carácter de D. Pedro I, a sua singular justiça teve uma das suas crises mais interessantes no episódio que a gravura representa.
     Vexara o bispo do Porto - que era então dos mais poderosos e privilegiados senhores de Portugal - os habiante daquela cidade e tendo roubado a mulher de um deles, ameaçara-o de morte.
     Pouco depois desse facto D. Pedro entrara de visita ao Porto, chamara ao Paço o bispo e despojando-o das suas inignias, acusando-o dos seus crimes, erguera contra êle o chicote que sempre trazia à cinta.
     Estavam no paço os dois a sós, e já o bispo humildemente tremia quando o escrivão da puridade, Pedro de Alcáçova Carneiro, pretextando negócios urgentes com Castela conseguiu entrar a aplacar depois dos maiores esforços a fúria do severíssimo rei.
 
6-2
O TÚMULO DE INÊS DE CASTRO
     É bem conhecida a extraordinária paixão de D. Pedro por D. Inês de Castro, e o seu mortal desgosto quando soube da morte da gentil senhora.
     Logo que subiu ao trono D. Pedro procede à célebre transladação de Inês para o mosteiro de Alcobaça, onde tinha já feito esculpir o túmulo que é das mais lindas obras do cinzel em Portugal.
     Esse túmulo de Inês - que actualmente se encontra ao lado do de D. Pedro, numa capela expressamente preparada pelo ilustre antiquário de Alcobaça, o sr. Natividade - é, com efeito, dividido em edículos com episódios religiosos, tendo num dos tipos a cena do juízo final em que os precitos baixam ao inferno, e os bemaventurados ascendem todos em glória ao paraíso.
     Circunda todo o túmulo um friso de escudos heráldicos e no alto vê-se a estátua de Inês com a coroa de de rainha e o baldaquino de santa cercado de anjos com as asas entreabertas.
 
 
 
Cap 07 - Moedas, selos e bandeiras de Portugal durante a Idade-Média
 
7-1
MOEDAS
     A primeira gravura representa um dinheiro em bilhão do tempo de Afonso IV.
     D. Fernando I usou as moedas do reinado anterior e mandou cunhar moedas em oiro, prata e bilhão. A gravura representa uma barbuda em prata e pesava cada uma quase 87 gramas; tem a legenda: SI DOMJNI NIHI ADJUTOR NON TIMEBO, um escudo com as quinas, tem a figura em meio corpo representando o rei com coroa e capacete de viseira caída.
     A letra L indica que foi lavrada em Lisboa.
     D. Sancho I, maravedi Áureo ou soldo de ouro, tem a legenda de SANCIUS RESC PORTUGALIS, e no anverso IN NOMIME PATRIS ET FILU SPIRITUS SANTI AMEN, no reverso; tem no campo o rei coroado, a cavalo, segurando uma espada na mão, e uma pequena cruz, e no reverso cinco escudos de 4 arruelas em cruz, intercaladas de quatro estrelas de seis bicos. Tiveram curso de 1185 a 1212, substitmram os antigos soldos romanos e valiam 2 libras e meia.
     D. Afonso IV fez cunhar em prata os dinheros novos ou dinheiros Alfonsi.
 
2-1 7-2
SELOS
     O selo que se atribui a D. Afonso Henriques é de cera vermelha abetumada, e encontra-se numa doação feita no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, do couto de Quiayos, Lavaos e Eymde, em Junho de 1133.
     O selo de D. Afonso II está numa escritura feita em 1210 em Coimbra à Rainha D. Urraca e tem alegenda: SIGILLUM DOMINI ALPHONSI REGIS PORTUGALENSIS.
 
7-3
BANDEIRAS
     Ao tempo em que foi fundada a nacionalidade portuguesa não havia bandeiras nacionais propriamente ditas, isto é, bandeiras que representassem o estado político da nação. Datam estas últmas, do fim do século XVIII e princípios do século XIX. Até então as tropas eram conduzidas ao combate sob a bandeira pessoal dos seus chefes militares.
     Estas bandeiras pessoais tinham as mesmas côres e a mesma disposição dos atributos heráldicos representados nos escudos dêsses chefes.
     Assim a bandeira de D Afonso Henriques era branca com a cruz azul, como branco com a cruz azul era o seu escudo.
     Há documentos pelos quais se prova que no reinado de D. Sancho I tanto na bandeira real como no respectivo escudo pessoal, foi substituída a cruz lisa e direita por uma outra também de cor azul, formada por cinco escudetes separados entre si, cada um deles ornado de onze pontos brancos, dispostos em cinco carreiras horizontais, a primeira e terceira das quais, com três pontos brancos, a segunda e quarta com dois e a última com um só. Destes cinco escudetes os três centrais eram dispostos verticalmente e os dois laterais horizontalrnente com as pontas voltadas para o centro.
     A tradição afirma que no tempo de D. Afonso Henriques já esta modificação fôra feita.
     D. Afonso II e D. Sancho II usaram esta mesma bandeira. D. Afonso III, porém, para celebrar o seu casamento com uma princesa castelhana, juntou ao seu escudo, e portanto à sua bandeira, uma orla ou bordadura encarnada com castelos de ouro, por ser encarnada com um castelo de ouro a insígnia heráldica dos reis de Castela. Desta mesma bandeira usaram os seus
sucessores até D. Fernando.
     Na conquista de Portugal sobre o domínio árabe e ainda nas guerras que se lhe seguiram, tiveram os portugueses por poderosos auxiliares os mestres das ordens do Templo, de S. João de Jerusalém, de Évora (depois chamada de Aviz) e de S. Tiago. As bandeiras destes chefes, unidas à bandeira real, tremulavam igualmente vitoriosas nos nossos campos de batalha medievais até ao reinado de D. Fernando.
 
2º Ciclo - Aljubarrota e o sonho das conquistas - Ilustrações de Alberto de Sousa
 
3º Ciclo - A realização das conquistas - Ilustrações de Roque gameiro
 
Cap 15 - Os planos de D. João II 
 
15-1
COFRE RENASCENÇA
     É de bronze dourado com lavores de prata.
     Os ornatos e o estilo são de plena renascença influenciado pela escola alemã de Flöttner.
     Pertencem ao convento dos Jerónimos e encontra-se actualmente no Museu Nacional de Arte Antiga.
     Tem o comprimento de 34 cm, assenta sobre 4 leões, tem dois baixos relevos de prata representando a vida de Cristo, separados por pilastras que apoiam arcos de volta redonda; na tampa estão seis estatuetas dos guardas do sepulcro e é rematada com uma cruz alçada ladeada por dois anjos em atitude adotativa.
 
15-2
TRAJOS DO SÉCULO XV
     No século XV, depois das ordenanças de D. João II contra o luxo, em que decretava que ninguem podesse vestir sedas, brocados ou canotilhos, que os homens apenas podiam usar gibões, carapuços e pantufos de seda, e as mulheres sainhos, cintos e bordados de seus vestidos, reduziu-se muito a ostentação do tempo de Afonso V. ·
     Em todo o caso, da simplicidade e da modéstia não resultou a deselegância, provam-no os interessantíssimos trajos representados na gravura.
     É verdadeiramente esbelta a dama com seu corpinho justo acabando em ponta, a manga de ombreiras, a saia comprida graciosamente soerguida por uma faixa de seda vermelha, a touca da holanda bordada, sobre a moldura do cabelo negro, deixando a face num relevo admirável.
     Ao lado, o trajo do caçador com a gorra vermelha, o gibão, a calça muito justa, é ainda realçado pela aljava com as frechas, a besta e a trompa de caça.
 
15-3
 
PADRÃO ERGUIDO PELOS PORTUGUESES NA FOZ DO ZAIRE
     A expansão portuguesa pelo mar tenebroso tornou-se de dia para dia mais notável; já depois da morte do infante D. Henrique, Gonçalo de Sintra tinha descoberto numa extensão de mais de 600 milhas da costa os cabos das Vergas da Guiné, de S. Vicente, o rio Verde, Serra Leôa, o rio das Palmas e o cabo Mesuredo; já Pedro de Escobar e João de Santarém tinham descoberto o regato do ouro a que chamavam a mina; e entre os anos de 1469 a 1471 descobria-se o cabo de Lopo Gonçalves e as ilhas de Fernando Pó, Ano Bom, S. Tomé e Príncipe.
     Logo no começo do seu reinado apesar das tremendas lutas que travou com a nobreza, D. João II mandou Diogo da Azambuja com dez caravelas e duas urcas construir o Castelo de S. Jorge da Mina.
     Depois ao mesmo tempo que a administração interna do reino o preocupava, mandou prosseguir as viagens ao longo da costa africana, e assim Diogo Cão descobriu o rio Zaire e o reino do Congo.
     Diogo Cão conseguiu suscitar no Congo as maiores simpatias pelos portugueses, e assim pôde trazer consigo para Lisboa alguns negros congueses que em Portugal aprenderam, as primeiras letras e voltaram para a sua pátria em 1490.
     Nas margens do Zaire, próximo da foz, levantou o primeiro padrão português nas terras de além-mar e é interessante notar na deliciosa gravura de Roque Gameiro a expressão feliz e altiva do grande navegador quando o padrao é erguio pelos embacadiços na pitoresca moldura da guarda dos arcabuzeiros e dos gigantescos nbondos ou baobahs africanos.
 
15-4
 
D. JOÃO II EXAMINA A CONSTRUÇÃO DAS CARAVELAS
     As emprêsas marítimas dos portugueses estavam em plena expansão, depois que Bartolomeu Dias dobrara o Cabo da Boa Esperança a India parecia mais próxima, os sonhos tão queridos do infante D. Henrique quase que foram realizados já.
     É então que D. João II manda por terra, primeiro António de Lisboa e Peres de Montearrois, depois Pedro da Covilhã e Afonso de Paiva, para passarem o Egipto e a Ásia, afim de conseguiram saber notícias mais positivas do caminho marítimo para a Índia.
     Ao mesmo tempo tratava D. João II da construção dos navios que destinava à viagem da índia; as madeiras tinham sido escolhidas e arrecadadas com particular cuidado e a construção era feita de maneira absolutamente sólida com a pregaria bem atacada, os mastros, o cordame e as velas tudo em triplícado.
     A gravura representa uma das minuciosas visitas feitas por D. João II aos estaleiros da Ribeira e é deveras interessante notar no cenário das naus meio construídas já, entre os calafates que um momento suspendem o trabalho, a figura grave preocupada do rei com o rosto já transido da fatal doença, examinando cuidadosamente os planos da construção.
 
 
 
Cap 16 - As perseguições aos judeus
 
16-1
 
EXPULSÃO DOS JUDEUS
     Logo que subiu ao trono, D. Manuel pensou em casar com D. Isabel, a viuva do malogrado filho de D. João II, por quem desde que a vira estava perdidamente enamorado.
     Nada faria recuar D. Manuel ante o desejo desse casamento; mas a viuva de D. Afonso resistiu-lhe durante muito tempo, e por fim impôs-lhe como condição o expulsar de Portugal os judeus.
     Não queria D. Manuel pensar nos inconvenientes que dessa expulsão resultariam para o país, nem da crueldade com que ia perseguir milhares de famíhas; apesar da opinião em contrário de muitos dos do seu conselho, marcou logo um curto prazo para que os judeus e os mouros saíssem de Portugal.
     Depois requintando na opressão e na preversidade, mandou que no domingo de Pascoela de 1496 fossem arrancados aos judeus os filhos e as filhas com menos de 14 anos, com o protexto de serem baptizados e instruídos na religião cristã.
     Desenrolaram-se então por todo o país essas horríveis cenas de dor e de desespero em que muitos dos pobres israelitas chegaram a matar os próprios filhos para não se separarem deles violentamente.
     O fanatismo tornava a perseguição horrivelmente feroz: D. Manuel ordenava aos judeus não convertidos ao cristianismo que saíssem imediatamente de Portugal deixando-lhes apenas três portos para o embarque.
     Depois obrigou-os todos a embarcarem em Lisboa e os desgraçados tiveram de afluir à capital em número superior a vinte mil, concentrando-se miseravelmente no palácio dos Estáos, e em barracas erguidas em vários pontos da cidade.
     A gravura representa uma das cenas da bárbara perseguição: quando as justiças vão arrancar violentemente os filhos dos judeus dum dos bairros populares tão pitorescos da antiga Lisboa.
     A maior parte dos judeus saíram, outros converteram-se à religião cristã, e muitos destes haviam ainda de ser vítimas do mais feroz fanatismo nesse terrível ano de 1506 em que por um fútil motivo as ruas de Lisboa foram teatro da mais selvática carnificina.
 
16-2
TRAJOS DO SÉCULO XVI
     No tempo de D. Manuel o luxo da côrte e do país atingiu tais proporções que constituía o assombro dos estrangeiros.
     O palácio da Ribeira tornou-se o mais magestoso de toda a Europa; neles, sob a feliz simbolização da esfera armilar, reuniu o rei venturoso essa verdadeira inundação de riquezas em que o seu capricho se deleitava.
     Assim o luxo de trajar atingiu as soberbas proporções que Roque Gameiro tão admiravelmente soube reproduzir na gravura: o vestido da dama é todo ele em guarnições e golpeados, a manga dupla, aberta em parte, é elegantíssima, prolongando-se quase até à fímbria da saia que uma barra de peles opulenta ainda, o cinto lavrado, o toucado delicadíssimo todo em enfeitos e delicadas guarnições, acabando um longo véu caído em pregas; e ao lado o fidalgo com o largo saio carmezim apertado na cinta, sob o tabardo debruado a peles.
 
 
 
Cap 17 - A Viagem da Índia
 
17-1
 
PARTIDA DE VASCO DA GAMA PARA A ÍNDIA
     É demasiadamente conhecida a capitalíssima cena que o pincel de Gameiro, tão magistralmente reconsutuiu.
     Na praia do Restelo a que a piedade do povo tinha posto já anteriormente o sugest1vo norne da praia das lágrimas, a população de Lisboa tinha-se reunido na histórica manhã da partida; o rei D. Manuel viera em procissão debaixo do pálio dizer o último adeus aos novos argonautas.
     O batel conduzindo Vasco da Gama afasta-se já da praia; por sôbre a multidão perpassa um sôpro de ansiedade quase sublime, e um velho, de longas. barbas alvejante diz talvez em torno as proféttcas palavras dos Lusíadas.
 
 
 
Cap 18 - Depois da viagem do Gama
 
18-1
A TORRE DE BELÉM
     É um dos mais perfeitos monumentos da arquitectura manoelina e foi mandado construir pelo rei venturoso no meio das ondas para defesa da barra de Lisboa.
     Actualmente está ligada à terra pela muralha das obras do porto de Lisboa, o que não acontecia no tempo da sua construção.
     Foi concluída no ano de 1520 e o seu primeiro governador foi Gaspar de Paiva.
     E muito interessante a sala régia, quadrada com o teto elíptico de maneira que duas pessoas colocadas uma a cada canto e falando baixo se ouvem distintamente sem serem ouvidas pelos que estão no meio delas.
 
 
MOSTEIRO DOS JERÓNIMOS
     Este grandioso monumento foi mandado construir por D. Manuel em comemoração da viagem de Vasco da Gama à Índia.
     No lugar onde se encontra havia antigamente uma capela da Senhora do Restelo ou Senhora dos Navegantes, fundada pelo infante D. Henrique, e muito da devoção dos nossos antigos marinheiros.
     Foi no lugar dessa Capela que se construiu o maravilhoso templo actual em três naves com oito colunas de mármore todo em abóboda lavrada, e de tão elegantes proporções que verdadeiramente fascina o visitante.
     O arquiteto da igreja foi o célebre Boitaca, mas a capela mor de estilo completamente diferente e péssimo gosto arquitectónico, só foi construída no tempo de D. Catarina, mulher de D. João III.
     Os Jerónimos são um verdadeiro monumento erguido ao patriotismo dos nossos antepassados, uma verdadeira epopeia de pedra, exuberante e gloriosa, e o magnífico pórtico que defronta o Tejo dividido ao meio por uma coluna onde o infante D. Henrique se ergue com o montante, simboliza bem toda a nossa grandeza, todo o heróico esfôrço dos portugueses dos séculos XV e XVI.
Mosteiro dos Jerónimos
(Fachada sul)
Aguarela sobre papel
9 x 14 cm
 
 
 
 
Cap 19 - O Governo da Índia - Francisco de Almeida, Afonso de Albuquerque e João de Castro
 
19-1
ESTÁTUA DE PEDRO ALVARES CABRAL NO BRASIL
     O Brasil consagrou a glória do seu imortal descobridor erguendo-lhe uma magnífica estátua que a gravura reproduz.
     Sobre o pedestal a figura de Pedro Álvares Cabral é verdadeiramente dominadora e audaz. Acompanha-o João da Nova, um outro destemido guerreiro e navegador.
     Esta bela estátua encontra-se na Largo da Glória no Rio de Janeiro.
 
19-2
ARTE MANUELINA - CUSTÓDIA DE BELÉM
     Esta obra prima de arte nacional foi feita com o ouro da Mina e foi oferecida pelo rei D. Manuel ao mosteiro dos Jerónimos.
     O seu autor foi um ourives de nome Gíl Vicente, que muitos têm confundido com o ser omónimo dos autos.
     Verdadeiramente maravilhosa toda a Custódia, a sua parte mais cuidadosamente trabalhada é acima do nó, o hostiário com os apóstolos em adoração, e por cima deles a pomba representativa do Espírito Santo.
     As figuras dos apóstolos são em esmaltes policromos do mais surpreendente efeito, a parte superior da Custódia é toda ornamentada de motivos religiosos e a peanha tem gravada a branco uma inscrição: O MVITO ALTO PRINCEPE E PODEROSO SENOR REI DO MANVEL I A MDOU FAZER DE OURO DAS PARIAS DE QILVA AQVABOV E CCCCCVI;
de ouro esmaltado, com a base ovalada, dividida em quadrinhos de flores e aves em alto relêvo esmaltados; o nó compõe-se de 6 esferas; o corpo central tem nos dois grupos de colunas diferentes nichos onde estão anjos tocando instrumentos; o ostiário está cercado pelos doze apóstolos em adoração, é corvado por serafins agrupados; a cúpula rendilhada tem a imagem do Padre Eterno com uma esfera na mão esquerda e abençoando com a mão direita. Pesa 7.342 gramas e meia e mede 83 centímetros de altura,.
 
19-3
ALBUQUERQUE E OS EMISSÁRIOS DO REI DE ORMUZ
     Em 1506 Afonso de Albuquerque partiu para a Índia na esquadra de Tristão da Cunha, mas ao chegar ao Mar vermelho separou-se deste com alguns navios com o fim de perseguir as armadas turcas que passavam no estreito.
     Logo Albuquerque aproveitou a sua independência para realizar uma parte do plano que havia muito o preocupava, tomando à entrada do golfo pérsico a rica ctdade de Ormuz, à qual impôs um pesado tributo.
     Conquistado Ormuz, logo Afonso de Albuquerque tratou de construir uma fortaleza que firmasse nela o domínio português, mas como pouco depois alguns emissános do rei da Pérsia, de quem o governador de Ormuz era vassalo, mandasse pedir a êste o costumado tributo, Albuquerque teve ocasião de aterrar os orientais com uma das suas mais celebradas arrogâncias.
     Tinha o governador da cidade de pagar tributo ao rei de Portugal, tinha de fazê-lo desde muito ao rei dos persas e não lhe parecendo legítimo pagar ao mesmo tempo dois tributos, mandou os emissários a Albuquerque.
     Foi então que o grande conquistador fez reunir na tolda do navio, onde se encontrava, um grande número de armas e outros apetrechos de guerra, e quando os enviados persas esboçaram a sua insólita reclamação, deu-lhes a tão conhecida e tão épica resposta: «É esta a moeda com que el-rei de Portugal paga os seus tributos»
Ver outra ilustração  
.
 
 
 
Cap 20 - Gil Vicente na Côrte de D. Manuel
 
20-1
CÁLICE E PATENA
     É outro belo espécimen de arte manuelina.
     E feito de prata dourada, sendo o cálice todo adornado de motivos religiosos.
     A patena é ornamentada também e tem gravada uma inscrição que diz: D. MANOEL POR GRACA DE DEUS REI DE PORTUGAL.
     São de prata dourada; o cálice mede 33 cm de altura; a copa emisférica é adornada com seis figuras de anjos sustentando a efige da Paixão; e outros tantos sustentando seis tintinábulos; o nó é em estilo gótigo com as seis figuras dos apóstolos; a base é dividida em doze gomos tendo no maior, entre figuras religiosas, as armas do Arcebispo D. Diogo de Sousa, e a data de 1509, tem vários ornatos esmaltados; no bordo exterior da capa lê-se: HIC EST CALIX SANGUINIS MEI NOIR ET ETER.
     A patena tem esmaltado ao meio a figura de cordeiro; na face superior S. João Baptista; tendo a legenda em caracteres góticos: DO VOBIS PACEM RELINCO VO PACEN MEAM.
 
20-2
SALVA MANUELINA
     Verdadeiramente primorosa esta salva do mais puro estilo manuelino.
     A salva está dividida em quatro círculos concêntricos e é ornamentada de motivos religiosos, marítimos, e de cavalaria.
     É de prata dourada e levantada: o primeiro circulo é dividido por 8 pilastras, tendo também 8 baixos relevos representando naus com a cruz da ordem de Cristo nas velas desfraldadas, uma praça sitiada, combate de cavaleiros à espada e à lança, embarque para a armada, morticinios, cenas diabólicas, guerreiros a cavalo com a lança em riste, e um medalhão com dois cavaleiros em duelo no campo. Tem 52 cm de diâmetro.
  
20-3
JANELA DO CONVENTO DE TOMAR
     Existia na pitoresca cidade de Tomar o bailiado da ordem do Templo que depois se transformou na ordem de Cristo.
     Para esse célebre convento mandou Gualdim Pais construir a Capela-Mor.
     O edifício do convento é vasto, com oito claustros, mas em razão das diferentes épocas em que foi construído tem vários tipos de arquitectura.
     A igreja muito vasta também apresenta igualmente vários aspectos arquitectónicos, mas a parte mais bela de todo o convento é a incomparável janela da casa do capitulo, que a gravura representa.
     Encimada pela cruz de Crtsto e pela esfera armilar, símbolos da época em que foi construída, a janela reúne tôdos os motivos ornamentais do século XVI em Portugal, predominando as esferas armilares, os escudos heráldicos, os cordoalhos dos navios e outros motivos marítimos.
 
20-4
GIL VICENTE NA CÔRTE DE D. MANUEL
     Na sumptuosa côrte de D. Manuel, que os poetas e os escritores tão graciosamente espiritualízavam, Gil Vicente representou por vezes os seus autos de uma veia cómica, tão original tão portuguesa. Eram encantadores esses serões que a gravura representa no cenário dos panos de Arrâs e dos preciosos tapetes persas, à luz dos lustres e dos tocheiros suspensos, quando o mimoso sorrir dos açafatos enchia de mais prestígio os pagens e os moços fidalgos.
     No primeiro plano da gravura, Gil Vicente é bem o pastor do seu auto e o verdadeiro rei do génio que pode orgulhosamente defrontar aqueles que o acaso do nascimento fez príncipes ou reis.
 
 
 
Cap 21 - As moedas, os selos e as bandeiras de D. Manuel I
 
21-1
 
MOEDAS
     Apresentamos o verso e anverso do Português de D. João III, em ouro de 24 quilates, tem a legenda de: JOANES 3 R. PORTUGALIE AL. C. VL. lN A. D. G. C. ETI ARABIA PSI E I em dois círculos; e no reverso IN HOC SIGNO VINCES.
     Tem no campo as armas deste rei e a marca R L do moedeiro.
     Valia quatro mil reis e teve curso em 1560.
     Reproduzimos na segunda gravura o tostão ou quarto de português de prata. Foi criado por D. Manuel «com a mesma divisa, escudo e letreiro dos portugueses de ouro, de que cada qual tostão valia cinco vintes, e cada vinte vinte riais brancos».
 
21-2
 
SELOS
     As tricromias reproduzem um selo de D. João II, dois de D. Manuel l e outro de D. João III.
     O de chumbo de D. Manuel tem a seguinte inscrição: SIGILLUM SERENISSIMI EMMANUELIS REGIS PORTUGALIS ALGARBIORUN, CITRA ET ULTRA MARE INR AFRICA, DOMINUS GUINAE; e o de cêra vermelha está conservado numa
interessante carta que El-Rei D. Manuel, a 12 de Abril de 1500, mandou passar a D. Jaime, Duque de Bragança e Guimarães, e a seu irmão D. Denís restituindo-lhe a fama e declarando que nunca mais a perderão.
 
21-3
 
BANDEIRAS
     A bandeira Real aqui representada foi conservada por D. Duarte e D. Afonso V.
     No período abrangido pelos reinados de D. João II e D. Manuel desapareceram da bandeira as flores de liz representativas do Mestrado de Aviz, voltando a sua bordadura encarnada à sua primitiva disposição. O número de castelos foi reduzido a sete, e os dois escudetes azuis laterais foram postos a direito, ficando todos os cinco verticalmente dispostos.
     O desenvolvimento da navegação deu origem a novas bandeiras. A bandeira da Ordem de Cristo foi especialmente destinada à armada da Índia; a da Esfera (divisa pessoal de D. Manuel) e a das quinas à navegação das conquistas. Nota-se que a bandeira das quinas com cincos pontos brancos é a representação de um dos cinco escudetes da bandeira real.
 
 
4º Ciclo - O período da indecisão - Ilustrações de Alberto de Sousa
 
5º Ciclo - O período da magnificência - Ilustrações de Roque gameiro
 
 
Cap 28 - A Tragi-comédia de D. Afonso VI, o Vitorioso
 
28-1
CADEIRINHA
     Diferente da liteira e muito mais simples do que ela; a cadeirinha destinava-se a pequenos percursos nas ruas das cidades e era transportada por dois lacáios que a suspendiam pelos varais.
     Em Portugal ainda na segunda metade do século XIX eram utilizadas, mas só para condução de doentes.
 
28-2
 
DISTÚRBIOS DE AFONSO VI EM LISBOA
     A péssima educação dada pela viuva de D. João IV a seu filho mais velho, a funestíssima influência dos Conti, os grosseiros apetites do príncipe D. Afonso haviam de produzir essas cenas de desordem e degradação moral como as que a gravura representa.
     Com efeito a mocidade de D. Afonso VI havia de decorrer entre as mais suezes fanfarronadas dos dísculos que constantemente acompanhavam o rei; os seus dias passavam-se nas estrebarias do palácio com os lacaios, e os Conti assolando as matilhas dos lebréis atirando pedras aos transeúntes ou exercitando-se no jogo da navalha; as noites empregava-as muitas vezes em correrias pela cidade cercado dos seus favoritos e dos seus mulatos semi-selvagens, aterrando os habitantes pacíficos, procedendo em tudo como um dejenerado, ou um covarde a quem a truculência dos companheiros dava ousadias violentas de espadechim.
     A soberba reconstituição de Gameiro é bem uma dessas scenas nocturnas em que nada era respeitado, e a figura do rel a cavalo, o chicote erguido afirma verdadeiramente o doido a quem as infelicidades postenores tornariam um dia quase simpático.
 
28-3
 
BATALHA DE MONTES-CLAROS
     A soberba criação em que o pincel de Gameiro tão patrioticamente se esmerou diz-nos tudo o que de épico e de grande foi a vitoria de Montes-Claros depois da qual definitivamente se consolidou a independência de Portugal.
     A batalha de Montes-Claros trava-se no Alentejo entre Extremoz e Vila Viçosa, combatendo de um lado as tropas do marquês de Caracena, do outro o exército português sob as ordens de Schamberg e do marquês de Marialva.
     Foi a luta sanguinolenta deveras; na primeira arremetida ficaram desbaratados alguns têrços portugueses da primeira linha, mas logo o marquês de Marialva acorre, e apesar da bravura da cavalaria espanhola impetuosíssima nas cargas, apesar do denôdo da infantaria contrária que mesmo na derrota se cobriu de glória as tropas que Marialva pessoalmente comandava e a cavalaria comandada pelo General Denís de Melo e Castro destroçava por completo o inimigo.
     Quando este retirava, a guarnição de Vila Viçosa que até então estivera cercada, fez uma sortida feliz e sob o comando do governador da praça Cristóvão de Brito Pereira, contribuía poderosamente para a perseguição dos castelhanos que perderam todas as bagagens, tendo quatro mil mortos e seis mil prisioneiros, entre eles oito generais.
Ver original em Evocação histórica 
 
28-4
 
lSABEL DE SAMBÓIA NO CONVENTO DA ESPERANÇA
     A vergonhosa tragi-comédia que havia de ter como desenlace a deposição de Afonso VI desenrolava-se já amplamente.
     O Conde de Castelo Melhor nobilíssimo organizador das vitórias militares vira-se forçado a abandonar o paço e a côrte.
     As maquinações do infante D. Pedro tornavam-se dia a dia mais audazes; já o rei não tinha em tôrno de si quem o defendesse com lealdade, já se esperava da reünião das côrtes convocadas para o 1.º de Janeiro de 1668 resultasse a deposição do rei e a elevação do infante D. Pedro.
     As intrigas e os planos verdadeiramente maquiavélicos atingiam o auge do impudor quando a 21 de Novembro de 1667 a rainha abandonou inesperadamente o paço e se recolheu ao convento da Esperança, de onde mandou ao marido a carta seguinte: «Deixei a pátria, a casa, os parentes e vendi a minha fazenda para vir acompanhar a vossa magestade; e com o desejo de o fazer muito à vossa satisfação e tendo sentido muito a desgraça de o não puder conseguir por mais que o procurei; obrigada da minha consciência me resolvi a tornar para França nos navios de guerra que aqui chegaram».
     «Peço a vossa magestade me faça mercê dar-me licença para isso e de mandar-me entregar o meu dote; pois voissa magestade sabe muito bem que não estou casada consigo e espero da grandeza de vossa magestade me mande fazer assim a entrega do meu dote, corno em todo o mais o favor que merece uma príncesa estrangeira e desamparada nestes reinos, e que veio buscar a vossa magestade de tão longe».
     Quando o rei leu esta carta teve um tão violento ataque de fúria que correu à Esperança e quis atirar-se às portas do convento às machadadas; foram precisas as maiores instâncias para o demover.
 
28-5
D. AFONSO VI PRESO EM SINTRA
     Depois da rainha se ter recolhido no convento da Esperança a obra preversa do infante D. Pedro cresceu em audácia.
     Um dia estava o rei ainda recolhido quando o marquês de Cascais à frente do Conselho de Estado entrou violentamente na sua câmara gritando «Isto já não são horas de dormir». Depois iniimaram-no a entregar o governo ao infante, e quando este chegou fecharam no paço o pobre Afonso VI, agora idiota de todo, que começou a gritar de uma janela que lhe acudissem.
     A realeza de Afonso VI pode dizer-se que acabou assim; a 22 de Novembro desistia ele de todos os seus direitos em favor de seu irmão; e enquanto o processo do divórcio promovido pela rainha ia seguindo os seus escandalosos trâmites, Afonso VI, oficialmente deposto pelas côrtes, era primeiro desterrado para Angra e depois encarcerado no paço de Sintra pelo irmão e pela impúdica rainha.
 
28-6  28-8
OURIVESARIA
     A ourivesaria portuguesa atingiu uma pujante exuberância no século XVIII quando o ouro, a prata e as pedras preciosas das Minas Gerais e de Goeaz vinham ao Tejo em verdadeiras avalanches.
     Com essas admiráveis matérias primas, D. João V enriqueceu os tesouros das catedrais, das confrarias, dos conventos; nelas executaram os nossos ourives verdadeiras maravilhas sagradas e profanas como as que as gravuras representam.
 
28-7
CONTADOR E CADEIRA DE D. JOÃO V
     Entre os modelos de mobiliário que caracterizam o reinado de D. João V podemos destacar o contador e a cadeira qua o pincel de Roque Gameiro tão maravilhosamente reproduziu.
     O contador é elegantíssimo, com os seus torneados, os seus embutidos e ferragens, e a cadeira que, como aquele, se encontra actualmente no Museu de Arte Antiga, é muito bela também; toda em madeira dourada com o fundo e o espaldar em magnífico damasco vermelho.
    
28-9
CAMA . DE D. JOÃO V
     É um admiravel artigo de mobiliário dos melhores que a indústria nacional produziu.
     Verdadeiramente primorosa a obra de talha da cabeceira encimada por vários ornatos.
     As colunas que sustentam o dossel, admiravelmente torneadas, também acabam igualmente em maravilhosos ornatos.

 

28-10
 
LUXO DA CÔRTE DE D. JOÃO V
     Extraordinariamente impressionante e quase indiscritivel o luxo que a gravura representa.
     As sêdas, as valiosas rendas e matizes multiplicam-se nas tufadas saias, nas amplas mangas, nos corpinhos tão estreitos e gentis.
     Por seu lado os trajos masculinos, os gibões, os coletes, as casacas enfeitadas a telilhas de ouro, todas em rendilhas, espiguilhas e turchados, as tranças dos chapéus de elevado preço eram, como se pode ver na gravura, deveras magnificentes também.
 
 
 
Cap 29 - No Tempo de D. João V
 
29-1
 
CONSTRUÇÃO DO CONVENTO DE MAFRA
     A triste prodigalidade de D. João V produziu em Mafra essa tremenda sensaboria de pedra e cal que há-de eternamente assombrar as gerações.
     Dois anos depois do seu casamento com D. Mariana de Austria, como não tivessem ainda filhos, D. João V prometeu a Santo António construir-lhe um convento se a rainha desse herdeiros à coroa.
     Em 1717, tendo já cinco filhos lançou-se a primeira pedra do faustoso monumento cujo plano definitivo tão pesado e estalido foi traçado pelo alemão João Frederico Ludovice.
     A construção do mosteiro durou 13 anos, trabalhando nele diariamente vinte a vinte cinco mil homens e mil e trezentos bois para acarretarem a pedra.
     Um exército de sete mil soldados de todas as armas garantia a ordem, exercia sobre os trabalhadores as maiores violências quando eles se mostravam descontentes pelo enorme atraso em que andavam os jornais.
     Muitos operários morriam de fome, muitos outros adoeciam em massa, só nos anos de 1729 a 1733 entraram no hospital mais de 17.000 doentes - e a forca sempre erguida diante da fachada monumentalissima era o pesadelo constante de todos.
     Tem o edifício 5.200 portas e janelas e duas torres com 70 metros de alto e 48 sinos cada uma, que tocam por dois carrilhões, fazendo em cada torre 15.000 arrobas de metal.
     Tem 886 salas e quartos, muitos pátios e jardins,
     O sino maior de cada um dos carrilhões tem 700 arrobas e parece que o custo total da obra orçou por 48 milhões de cruzados, ou sejam desanove mi e duzentos contos.
 
29-2
CAPELA DE S. ROQUE
     A capela de S. João Baptista na igreja de S. Roque que a gravura representa foi mandada construir em Roma por D. João V que gastou nela quinhentos contos além do custo dos paramentos e alfaias.
     A capela chegou a Lisboa em 1747, e depois de armada com os seus preciosos quartzos, os seus finos mosaicos, as magníficas colunas de lapis-lazuli, os capitéis de alabastro, os retábulos de jaspe, os grandes tocheiros de prata dourada, encantou todos como uma formosíssima obra de arte religiosa que em nenhum país estrangeiro foi ainda suplantada.
 
29-3
CÔCHE DE D. JOÃO V
     A gravura representa um dos opulentos côches deste rei que se encontram actualmente no museu de Belém.
     Maravilhoso no exemplar reproduzido, a obra de talha dourada do jogo trazeiro provando mais uma vez as quase fantásticas dissipações do rei.
     É um dos três carros de belíssima e arrojada concepção, primorosamente ematizada em obra de talha, foi construído em Roma, por artistas italianos e ajudados, segundo parece, por portugueses que ali se encontravam fazendo a sua educacão artística.
     Foi planeado por D. Rodrigo de Menezes, marquês de Fontes e a seu mando executado em 1716 a fim de lhe servirem, quando da parte de D. João V, fossem participar ao Papa Clemente XI o nascimento do filho primogénito.
     Algum reflexo têve em Portugal, na arte de entalhador, esta notabilíssima obra de arte, única atenuante para tão criminoso esbanjamento, é o mais insignificante, aliás, dos perpetrados por D. João V.
 
29-4
TÔRRE DOS CLÉRIGOS
     A construcão da torre dos Clérigos começou em 1748 e acabou em 1763 sendo o seu arquiteto o italiano Nicolau Maroni.
     É a torre mais alta de todo o país, mais alta que muitas das mais celebradas da Europa, e entre elas as de Hamburgo, Bolonha, Riga, Ultreckc e Bristol.
     É toda de cantaria lavrada assente num bloco de granito que lhe tem permitido resistir a todas as convulsões da crosta, vê-se do mar a 60 quilometros de distância, servindo de guia aos navegantes que demandam a barra do Porto.
     Mede 80 metros de altura até à cruz; possui oito campanários que pesam 7.990,372 quilos.
 
29-5
 
MISÉRIA NO SECULO XVII (UMA PENHORA)
     Ao lado da alucinadora prodigalidade no tempo de D. João V, os tributos constantemente se agravavam.
     Alguns destes como as cizas, ou imposto de 10% sobre todos os artigos comprados, vendidos ou trocados, a portagem, a açougagem, a alcavala ou imposto sobre toda a carne vendida no mercado, eram ainda de origem medieval; e tanto esses a meia annata, equivalentes aos modernos direitos de mercê, pela qual todos os possuidores de cargos públicos deviam pagar metade dos ordenados de um ano; os disimos, primícias e as abloções para o clero se cobravam de maneira tão caótica que os abusos enraizados, já se complicavam a cada passo, de novos subterfúgios, novas ciladas, e novas delapidações.
     O país extenuado estava bem próximo da mais completa ruína; acontecia que a par das espectaculosas prodigalidades da nobreza, o povo penava na mais extrema miséria, e as antigas contribuições constantemente cresciam, e outras novas se criavam, exacerbando essa miséria, arruinando o comércio e a agricultura, oprimindo os camponeses e os artifiçes em vexames sem fim, em inenarráveis torturas, e em atrocíssimas execuções fiscais.
 
29-6
 
REVOLTA DAS FREIRAS DE ODIVELAS
     A gravura reconstitui esse pitoresco caso das freiras de Odivelas que durante alguns dias tanto divertiu a côrte.
     Uma dessas formosas criaturinhas que com as suas inefáveis ternuras faziam do convento uma espécie de paraíso mahometano, tinha sido condenada pela inquisicão, e cumprida a penitênciaiía retinir-se à comumdade, quando as doces irmãs indignadamente protestaram.
     A questão chegou a ponto que todas as freiras saíram em procissão de cruz alçada a caminho de Lisboa onde esperavam do rei a complacência natural no místico e apaixonado frequentador do seu convento; mas o rei receando o escândalo mandou a cavalaria sair-lhes ao caminho para as fazer voltar a Odivelas.
     As freiras recolheram-se então na casa da condessa do Rio, entrincheiraram-se e resistiram durante três dias aos dragões, defendendo-se com todos os mais singulares e inesperados projécteis.
     Por fim renderam-se, deixaram-se docemente conduzir pelos seus captores para o tépido ninho de Odivelas.
 
29-7
BIBLIOTECA DA UNIVERSIDADE
     Entre as faustosas medidas realizadas no tempo de D. João V, a da reforma da biblioteca da universilade dotada nesse tempo com a magnífica decoração que ainda hoje tanto admiramos, foi decerto uma das mais úteis.
     As sumptuosíssimas obras foram começadas em 1728 e concluídas em 1733.
     A pureza rica do seu estilo faz com que seja a parte dominante da universidade.
 
29-8
 
AQUEDUTO DAS AGUAS LIVRES
     É uma das poucas obras de reconhecida utilidade pública feita no tempo de D. João V.
     Para as despesas delas contribuiu principalmente a Câmara Municipal de Lisboa.
     O grandioso aqueduto foi projectado pelo engenheiro Manuel da Maia, e tem por vezes trechos verdadeiramente magestosos.
     O seu principal manancial, é a nascente da Água Livre que brota no vale de Carenque, próximo de Belas, e da qual tomou o nome; captando, contudo, água em mais 58 nascentes, das quais, por serem de maior importância, se destacam as seguintes: Vale do Broco, Vale de Figueira, Vale de Lobos, Amadora, Caneças, D. Maria, Francesas, Quintã, Miães e Carnaxide.
     O comprimento na parte principal é de. 72.337 metros, mas tem muitos mais ainda nas ramificações de menor importância.
     Ao todo tem 118 arcos, tendo 37 no vale de Alcântara, onde está o mais elevado de todos: o que se ergue sobre a ribeira, tem 62 metros desde o seu leito até à chave do arco, 71 metros até aos passeios, e 80,50 até à espiga da clarabóia. Este arco na máxima largura de vão, mede 32,50 metros.
     Acompanha tôda a sua extensão de arcadas, túneis e trincheiras, uma galeria interior com duas caleiras laterais de 35 centímetros de largo, e um passeio central de 66 centímetros.
     Por cima de toda a arcaria que vai de Campolide à Serra de Monsanto, na extensão de 941 metros e largura máxima de 7,85, há 2 passeios laterais com 1,55 de largura cada, e que antigamente eram aproveitados para o trânsito tanto de peões como de cavaleiros que de Lisboa seguiam para Damáia, Amadora, e outras povoações.
     O aqueduto termina no magestoso reservatorto das Águas Livres em Lisboa, rua das Amoreiras, chamado vulgarmente Mãe d'Agua, para onde a água se despenha por uma gigantesca cascata.
     É uma elevada torre quadrilátera de 37 metros de comprimento, 33. de largo e 29 de alto; tendo no interior um vastíssimo despósito que comporta 5.460 metros cúbicos de água. É de 2,62 metros a grossura das suas paredes exteriores.
     As Águas Livres forneciam água para 30 chafarizes, sendo 18 em Lisboa e 12 fora da cidade.
 
Aqueduto das Aguas Livres
Aguarela sobre papel
9 x 13,8cm
Museu da Cidade de Lisboa
 
29-9
 
D. JOÃO V EM VIAGEM À FRONTEIRA
     A gravura representa essa célebre viagem feita à fronteira no ano de 1728 a propósito dos casamentos da infanta portuguesa D. Maria Bárbara com o príncipe das Astúrias D. Fernando, e da infanta de Espanha D. Maria Ana Vitória com o príncipe herdeiro de Portugal, D. José.
     A troca das duas infantas devia realizar-se nas margens do Caia, e fez-se em tais condições de magnificência, com uma tão tresloucada dissipação que devia deixar de si eterna memória.
     Para descanso das duas comitivas durante uma noite, D. João V mandou construir nada menos do que um palácio, o célebre palácio de Vendas Novas, que ornamentou com tôdo o luxo que poude fantasiar.
     Adquiriu para ostentar nessa ocasião centenas de seges, de urcas, de cavalos de sela e de liteiras, comprou librés para mais de novecentos criados; mas incapaz de praticar qualquer acto de que resultasse a menor utilidade para o país, esqueceu-se da reparação ou da construção das estradas e por isso, através dos caminhos transformados em atoleiros, a viagem foi tão tormentosa que, como se vê na gravura, os cavalos morriam de cansaço, e só as Juntas de bois podiam arrancar o pesadíssimo côche.
 
 
 
Cap 30 - Moedas, selos e bandeiras de D. Afonso VI a D. João V
 
30-1
MOEDAS
     Apresentamos seis, sendo a primeira os dez réis em cobre do tempo do príncipe D. Pedro, e tem a legenda: PETRUS D. G. P. PORTUGALIAE; a segunda em ouro de 22 quilates de quatro mil e quatrocentos reis, com a legenda: PETRUS D. G. P. PORTUGALIAE ET. A. à esquerda do escudo a data de 1668 e à direita o n.º 4.400 representativo do valor; a terceira moeda é o víntém em prata do tempo de D. João V, e pesa um pouco mais de 12 gramas; a quarta moeda é de ouro de 22 quilates, é a chamada dobra de oito escudos ou dobrão de duas peças, valia
doze mil e oitecentos reis, tem a legenda: JOANES V D. G. PORT. ET. ALG. REX e a data de 1732; a quinta moeda é a de cinco reis em cobre, tem a legenda: QUARTO ANNO REIGNE 1688, e no campo, entre ornatos, um V representativo do seu valor, foi lavrado no Brazil; a sexta moeda é o meio tostão em prata, também do tempo de D. João V, e pesava um pouco mais de 30 gramas.

 

SELOS
     O selo de D. Pedro II é anterior à morte de Afonso VI; e tem a legenda: PETRUS D. G. PRINCEPS, GUBERNADOR E REGENS PORTUGAL & ALGARBIORUM, CITRA & ULTRA MARE IN AFRICA, DOMINUS GUINAE & CONQUISTAE, NAVIGANTIONIS, CORNERTIR ETHIOPIAE, ARABIAE, PERSIA, INDIA, ETC.
     O de D. João V tem a inscrição semelhante, começando por: JOANNES V D. GRATIA REX DE PORTUGALJAE, ETC.

 

30-4
 
BANDEIRAS
     Por ocasião da Restauração de 1640 suprimiram-se os ramos verdes na bandeira da Armada Real.
     No tempo de D. Pedro II adoptou-se no exército a bandeira de faixas horizontais, encarnadas, brancas e azuis (cores da casa de Bragança), sendo com esta bandeira que se fizeram as guerras chamadas da sucessão de Espanha.
     Tambem em seguida à restauração a bandeira da esfera se tornou peculiar da navegação e comércio do Brasil.
     Os galeões da Índia uzavam a bandeira da Armada Real com o escudo das armas sobreposto à Cruz de Cristo.
     A bandeira verde com a cruz encarnada da ordem de Cristo foi uzada pelo exército de terra e com ela foi feita a guerra da Independência.
     No tempo de D. João V começou a adoptar-se o sistema de bandeiras militares diferentes para cada regimento ou mesmo companhia, onde só podiam entrar as cores azul, encarnado e branco. A disposição destas 3 cores era livre, e podiam variar até ao infinito a disposição dos seus desenhos.
 
6º Ciclo - O período Pombalino - Ilustrações de Alberto de Sousa
 
7º Ciclo - O tempo dos franceses até ao constitucionalismo - Ilustrações de Roque gameiro
 
Cap 33 - A Primeira Invasão Francesa
 
33-1
CAPOTE E LENÇO
     O característico capote e lenço - o capote de pano côr de pinhão e o fino lenço de cambraia todo retesado de goma - não esqueceram a Gameiro entre os mais curiosos modelos do trajar português na primeira metade do século XIX.
 
33-2
 
OS FRANCESES NA PRIMEIRA INVASÃO
     A gravura representa bem o estado de verdadeira fadiga em que os soldados de Junot entraram em Portugal, e dela se depreende como teria sido fácil ao governo resistir aos invasores se por ventura o tivessem norteado as indispensáveis qualidades de patriotismo e de energia.
     Nota-se na gravura o uniforme dos militares franceses filhos da revolução.
     A calça branca, o capote azul debruado a vermelho, os generais com as golas e os canhões dourados e os grandes chapéus bicomes.

 

33-3
 
A FAMÍLIA REAL EMBARCA PARA O BRASIL
     À aproximação dos franceses, D. João VI que recomendara aos governadores que os tratassem como a amigos toma, emfim, no meio das suas eternas hesitações, um grande partido para ele e para os membros da sua família - o partido de fugir.
     Durante um dia e uma noite inteiras carregam-se no cais de Belém todas as riquezas do rei e dos cortezãos, entrava nos escaleres milhares de pessoas transidas de terror - e o rei chega, em fim, quando o Junot vinha já perto de Lisboa - para embarcar também.
     É interessante observar a ridícula figura de D. João VI, e à direita do quadro a atitude da rainha doida, toda em esgares, em grandes gritos furiosos - «mais devagar! dir-se-ia que fugimos!».
 
 
 
Cap 34 - No tempo dos Franceses
 
34-1
LITEIRA
     Deveras interessante a clássica liteira com as suas cortinas vermelhas, os seus machos de chocalhos telintantes ricamente ajaezados, os seus liteireiros de uma tão pitoresca garrolice que eram o encanto dos nossos avós.
     As liteiras, um dos mais antigos meios de locomoção, fora usada em Portugal, ainda até meados do século XIX.
     Suspensas nos silhões que dois possantes machos suportavam, conduziam passageiros através barrancos e caminhos tortuosos, dando aos mortais que as utilisavam hipotética comodidade, não eram, porem, unicamente um objecto útil. Na província serviam também de pretexto para fidalgos e autoridades prelatícias fazerem ostentação de riquezas e poderio.
 
34-2
 
AS GUERRILHAS NA GUERRA PENINSULAR
     As atrocidades praticadas pelos franceses em todo o país, o facto de Junot ter arreado no dia 13 de Dezembro de 1807 a bandeira portuguesa do Castelo de S. Jorge, as pesadíssimas contribuições de guerra impostas à população, a crueldade dos generais entre os quais Loison, deixou uma atroz memória, a revolta da Espanha contra as hostes de Napoleão, levaram o povo português a insurreccionar-se contra o domínio estrangeiro.
     O primeiro grito de revolta propagou-se e ecoou freneticamente por todo o país.
     A oito de Junho sublevou-se Braga, e logo Melgaço, Vila Pouca de Aguiar e Chaves lhe seguiram o exemplo, logo de Trás-os-Montes ao Algarve o fogo da insurreição ateou com rapidez.
     Debalde Loison atravessa as Beiras sublevadas levando a toda a parte o incêndio, o saque, e o morticínio; debalde Kellermann destroi Beja, a insurreição é por toda a parte mais ameaçadora - e já a esquadra inglêsa de sir Charles Cotton pairando na Costa esperava o ensejo favorável ao desembarque.
     A junta do Porto dirigia a revolta de todo o norte; já o conde de Castro Marim orientava os revolucionários do Algarve - e o mestre Manuel Martins Garrocho e o piloto Manuel de Oliveira Nobre partiam de Olhão num pequeno caíque para levarem ao pávido D. João VI a notícia de que a revolução rebentara em Portugal.
     Entretanto, os incêndios, as violações, os roubos, as verdadeiras infâmias que os franceses praticavam revoltavam por todo o país os corações intrépidos e puros, e, na reacção fulminante do ódio sem disciplina nem direcção, as primeiras guerrilhas iam surgindo, incomodando seriamente as forças francesas.

 

34-3
 
1810: A BATALHA DO BUSSACO
     Portugal tornara-se o magnífico campo para os inglêses poderem combater Napoleão; e tanto os inglêses apreciavam a bravura dos seus naturais e as magnificas condições estratégicas das suas montanhas que o governo britânico mandou aumentar o subsídio de guerra que lhe concedia, e a Wellington mandou fortificar as célebres linhas de Torres Vedras, para defender Lisboa e ter sempre garantida a sua retirada pelo mar.
     Em Setembro, o glorioso general Massena, depois de ter obrigado a praça de Almeida a capitular, avançou com o seu exército pela Beira Alta, entrou em Viseu e dirigiu-se a Coimbra seguindo a margem direita do Mondego.
     Dispunha de 60.000 homens, muitos veteranos cobertos dos louros das grandes batalhas napoliónicas, mas Wellington tinha habilmente concentrado o exército Anglo-Luso nas alturas do Bussaco onde o general francês, pouco conhecedor dos terrenos, devia ir esbarrar.
     Debalde Massena tenta conquistar à viva força as quase inacessíveis eminências, a divisão Pictou; o regimento 8 de infantaria portuguesa recebe o primeiro choque das suas colunas; e os regimentos 9 e 21 despenham pelas fragas a brigada Fory, o 7 de infantaria e o bravo regimento de Cascais carregava brilhantemente à baioneta a divisão de Marchand: Massena, vê-se obrigado a retirar - e a batalha do Bussaco é um dos mais gloriosos titulos da história portuguesa.

 

34-4
TRAJOS FEMININOS
     A linha geral do trajo feminino desta época era: elegante; sobrecarregavam-na, porém, demasiadamente: a profusão de enfeites, laços, flores, fitas, etc.
     Muito interessante o penteado de uma das figuras com o seu ornamento de grandes plumas, e bem assim o tipo da velha de capote vermelho e o impecável lenço de cambraia.
 
 
 
Cap 35 - A Revolução de 1820
 
35-1
EPISÓDIO DA REVOLUÇÃO DE 1820 NO PORTO
     A revolução de 1820 foi feita contra o absolutismo do rei, e principalmente contra a tirania da regência e as brutalidades tarimbeiras de Beresford.
     O famoso sinédrio eniciado no Porto por Manuel Fernandes Tomás e José da Silva Carvalho tinha atraído um grande número de oficiais anciosos por libertarem a sua pátria dos estranhos. Os coronéis Sepúlveda, Cabreira, Pinto da Fonseca e outros oficiais de elevada graduação entravam no conlúio.
     A revolução rebentando no Porto a 24 de Agosto alastrou rapidamente por todo o país; a 15 de Setembro Lisboa aclamava entre galas e frenesis de alegria as heróicas tropas revolucionárias do norte.
     A gravura representa um dos episódios da revolução no Porto - quando o capitão Sousa Magalhães e o tenente Paulo Correia não permitem a entrada do coronel Grant no regimento de ínfanteria 6.
 
35-2
 
EXECUÇÃO DE GOMES FREIRE DE ANDRADE
     Expulsos os franceses, derrubado Napoleão, a familia de Bragança continuou ainda no Brasil, e os inglêses em Portugal, reduzindo o país quase a uma colónia, dispunham de tudo a seu talento humilhando e indignando os verdadeiros patriotas.
     Andava o povo descontente porque quase todos os rendimentos do país seguiam para o Rio de Janeiro, andavam descontentes as classes mais cultas porque as tdeas liberais se tinham espalhado já por toda a Europa; impacientavam os corações em ardentes frémitos revolucionários.
     Assim, suspeito de conspirar contra o domínio dos ingleses e contra o absolutismo do rei, Gomes Freire foi preso com vários companheiros no dia 25 de Maio de 1817, e depois de um processo indigno caracterizado pelas mais espantosas irregularidades, o valente general foi condenado à morte.
     A sentença foi publicada dois dias depois da execução, e o ódio de Beresford nem permitiu ao herói de tantas batalhas o fusilamento digno de um soldado fê-lo enforcar ignominiosamente como a um sicário.
     A execução de Gomes Freire realizou·se às 9 horas da manhã do dia 18 de Outubro de 1817, e deve notar-se na gravura a bela figura do general vestindo a alva, muito sereno apesar do frio e das pedras que lhe magoavam os pés, a face horrorosa do carrasco, e a pira de lenha destinada à incineração do cadáver cujos restos foram depois atirados ao mar.

 

35-3
 
AS CÔRTES CONSTITUINTES DE 1820
     A gravura mostra-nos uma sessão das célebres côrtes que se reuniram depois da revolução de 1820.
     A sala das sessões ficava numa dependência do palácio das Necessidades, na parte hoje ocupada pelo quartel general, e está actualmente bastante modificaqa.
     É interessante vêr na gravura a modesta instalação dos deputados, a. bancada dos taquígrafos, os lugares destinados ao ministério, e notar ao fundo atrás da mesa da presidência o retrato de D. João VI sob o docel.
 
 
 
Cap 36 - As lutas da liberdade
 
36-1
TRAJOS MASCULINOS
     Encontramos hoje já bastante curiosos e muito diferentes dos dos nossos dias, os trajos dos elegantes da primeira metade do século XIX com as casacas de largas golas, os coletes de vistosas sedas, as camisas de bofe, as capas bandadas de veludo, os colarinhos muito altos, erguidos até às românticas cabeleiras.
     Ao lado dos dois trajos elegantes vê-se na gravura o popular bolieiro com as suas altas botas de bezerro a jaqueta de briche e o grande chapéu bicorne.
 
36-2
SEGE
     A gravura representa um exemplar curioso das carruagens dos princípios do século XIX que serviam para o transporte de pessoas de qualidade.
     É um veículo de duas rodas, puchado por duas alimárias, servindo, a de sela de montada, ao condutor (bolieiro); é muito parecida com a traquitana que linha quatro rodas.
     Estão hoje quase em desuso, vendo-se apenas nos préstitos fúnebres.
 
36-3
 
O TERROR MIGUELISTA: OS CACETEIROS
     A gravura dá bem idea da canibalesca fúria dos partidários de D. Miguel; estigmatizaram uma época e um regime.
     Os caceteiros eram muito do agrado de D. Miguel, o qual gostava que os seus homens zurzissem os adversários - e os bandidos da última espécie que tinham por chefes, o Sedvem, o Leonardo, o José Veríssimo entregues durante anos às mais desvairadas paixões, fazendo a vontade. ao seu rei, ao seu Deus, varriam à cacetada, aos gritos de - «mata que é malhado» - as ruas da capital.

 

36-4
 
DESEMBARQUE DOS LIBERAIS NO MINDELO EM 1832
     Em 8 de Julho de l832 o exército de D. Pedro desembarcou em um pequeno vasadouro chamado praia dos ladrões, próximo ao lugar de Arenosa de Pompelido, entre as freguesias de Lavra e Perapita.
     Foi nesse lugar que desembarcou o exército liberal, foi nele que se levantou depois o monumento comemorativo do desembarque, mudando-se-lhe o nome de praia dos ladrões para o de Memória.
     A expedição saíra de Ponta Delgada a 27 de Junho sob o comando do conde de Vila Flor, e compunha-se de tres batalhões de caçadores, de duas divisões de infantaria, de cinquenta e quatro oficiais de cavalaria e a companhia de artilheiros académicos com cento e trinta homens.
     A gravura representa a formatura das tropas liberais pouco depois do desembarque, na ocasião em que D. Pedro IV se preparava para lhes passar revista.
     E entre as tropas já desembarcadas destacam-se as fardas escuras e as altas barretinas dos caçadores.

 

36-5
 
REVOLTAS DO MINHO EM 1846: MARIA DA FONTE
     O reinado de D. Maria II foi abundante de discórdias e revoltas, e logo em 1836 por ocasião da chegada de Passos Manuel e dos outros deputados oposicionistas do Porto a Lisboa, tinha-se feito a revolução de Setembro e proclamado a constituição de 1823; depois fizera-se a belemzada, uma tentativa de golpe de estado em que colaboraram as tropas da esquadra inglesa surta no Teio, contra a constituicão; depois a revolta dos marechais até que restaurada a carta em 1842, Costa Cabral entra triunfalmente em Lisboa e entra no governo como ministro do reino.
     Mas logo em 1844 José Estêvão revolta-se em Torres Novas, logo a violência da reacção cartista e a tirania de Costa Cabral forneciam como inevitável resultado a revolução.
     Em Maio de 1847 o Minho começou a agitar-se pelos patuleas, e como as mulheres tivessem um importaníssimo papel nessa agitação, em que o saque e o incêndio das repartições públicas era parte obrigatória, logo os paluleas criaram esse lendário tipo da Maria da Fonte que havia de simbolizar a revolução.
  
Ver original
Aguarela, 9 x 14 cm
Fotografia e colecção particulares

 
 
 
Cap 37 - Moedas, selos e bandeiras de D. João VI a D. Maria II 
 

37-2  37-1

MOEDAS
     A primeira gravura da esquerda e a primeira da direita representam o verso e o anverso do Pataco em cobre, valia quarenta reis; a legenda do verso é UTILIDADE PUBLICA, 40, e escudos das armas; no anverso JOANNES D. G. ET ALG. P. REGENS busto de D. João VI e no enxêrgo a data de 1811.
     A segunda gravura da direita e da esquerda representa o anverso e o verso da Peça em ouro de 22 quilates, pesava 288 gramas e valia seis mil e quatrocentos reis. No anverso tem a legenda JOANNES D. G. ET ALG. P. REGENS 1802, e o custo do reis, no verso os escudos das armas do reino.
     A terceira moeda da esquerda e da direita representa um crusado novo em prata, pesava um pouco mais de 294 gramas e valia quatro mil e oitecentos reis. No anverso tem a coroa real no campo, 480 indicativo do valor e o ano de 1834 indicando o ano em que foram lavrados; MARIA II D. G. PORTUG. ET ALG. REGINA. No verso a cruz de Cristo circundada pela legenda lN HOC. SIGNO VINCES.
     A última gravura da esquerda e da direita representam o meio crusado novo em prata e correram com o valor de dois mil e quatrocentos reis, tem legenda igual ao crusado novo e foram lavrados em 1806.

 

37-3
SELOS
     Dos selos de cera, chumbo e obreia usados de 1133 a 1585 passou nesta época ao de lacre, e não havia nenhuma família nobre que não caprichasse nos selos das suas armas, procurando conquistar o primeiro lugar pela arte e pelo luxo que os revestiam.
     O nosso Imperador Rei ordenou o uso da coroa imperial em todas as repartições públicas, legações e consulados, destacando-se o selo do consulado de Portugal no Império da Rússia usado em 1756 e que é a primeira gravura de selo.
     A segunda gravura de selo representa o selo usado na marcação dos livros e outros papéis da Real Biblioteca Pública da Côrte e que é hoje a Biblioteca Nacional de Lisboa.

 

37-4
 
BANDEIRAS
     Durante o reinado de D. João VI conservaram-se as bandeiras da época anterior, com ligeiras modificações
     A bandeira da Armada Real desde 1818 a 1825 teve o escudo de armas assente sobre uma esfera terrestre, que era a insígnia heráldica do Brasil.
     Para todos os navios mercantes contínuou a bandeira de listas horisontais, verdes e brancas.
     Nas bandeiras militares foi mandado adoptar o escudo encimado pela coroa real.
     Apareceu na mesma época, pela primeira vez, o chamado laço nacional azul e encarnado, salvo nos anos de 1821 a 1823, em que foi azul e branco por determinação das Côrtes Gerais.

     

 
8º Ciclo - A actualidade - Ilustrações de Alberto de Sousa