A inserção da figura humana na paisagem

Retratos
     Em Roque Gameiro, a representação da figura humana obedece a intenções diversas. A figura feminina surge frequentemente captada numa perspectiva individual, integrada no seu espaço social, ou, então, é incluída em grupos compósitos; o artista observa-a em tarefas do quotidiano, em contextos rurais e citadinos, ou prestando a sua ajuda na faina da pesca. Nestas circunstâncias, não existe a intenção de retratar, de modo específico, as suas feições, e ele limita-se a esboçar uma silhueta que pode apresentar um delineamento mais ou me­nos pormenorizado, sendo traço comum uma acentuada graciosidade e elegância, nas for­mas corporais. O elemento masculino é menos usual no universo imagético do aguarelista, ainda que por vezes surja, secundariamente, ilustrando o tema do quadro.
 
     Do legado do artista faz parte um elevado número de retratos de familiares, de ami­gos ou de pessoas que solicitaram servir-lhe de modelo. O seu talento patenteia-se no modo como procedeu à delineação dos traços fisionómicos e das atitudes da figura retratada, não se limitando a estabelecer uma semelhança física, através de um desenho fiel. Os seus retra­tos reflectem muito da personalidade do seu modelo, da sua expressão e personalidade; daí que ocupem um lugar importante na sua produção artística.
     Não existe propriamente uma norma específica na representação da personagem; dir-se-ia que depende da intenção do pintor de a incluir, ou não, num local determinado. Por vezes, os fundos são vazios, basicamente assinalados por manchas escurecidas de acen­tuada diluição, assinalando contrastes lumínicos, ou, então, surgem espaços cénicos, cora um composto de mobiliário. O posicionamento da figura também não obedece a normas regulares, mas, em geral, o artista focaliza a personagem a meio corpo.
Maria Lucília Abreu
in A Aguarela na Arte Portuguesa, ACD Editores, 2008

 

O Retrato
     A representação da figura humana surge frequentemente na obra do pintor. Roque Gameiro tem o talento de reproduzir os seus modelos não estaticamente estereotipados, mas expressando sentimentos e emoções, revelando através dos seus traços fisionómicos muito da respectiva personalidade.
     Os seus retratos denotam grande atenção e espírito de observação relativamente aos pormenores físicos da pessoa retratada, chegando a assinalar pequenos defeitos físicos. A este propósito conta-se que um médico, ao observar o retrato de J. Henriques que o artista pintou em 1905, constatou uma pequena deformação do maxilar inferior. Na realidade, a pessoa em causa tinha sofrido, em jovem, um acidente que lhe provocara fractura dessa parte do rosto. O pintor detectou essa ligeira anomalia e assinalou-a.
     Não parece que o artista tenha seguido uma norma específica na representação do modelo. Por vezes, o rosto é captado numa postura frontal, outras vezes a três quartos; o corpo aparece seccionado pelo busto, ou ainda, logo abaixo da cintura. É raro surgir a pessoa de corpo inteiro.
     Será conveniente salientarmos o facto de o mérito do pintor ser tanto maior quanto é extraordinariamente difícil, no retrato, expressar não só traços fisionómicos e corporais, como ainda fazer uma caracterização psicológica do modelo, utilizando-se a aguarela, dada a complexidade da aplicação desta técnica. Além disso, face à recusa sistemática de se servir da fotografia como processo auxiliar, o artista pintava do natural, tendo exclusivamente, como recurso, as suas extraordinárias capacidades de observação e de compreensão humana e o seu invulgar talento.
Maria Lucília Abreu
in Roque Gameiro - O Homen e a Obra, ACD Editores, 2005

 

A inserção da figura humana na Paisagem
     A focalização da figura humana na sua inserção na paisagem campesina ou na orla marítima nem sempre obedece aos mesmos cânones conceptuais. Surge frequentemente despojada de uma interinfluência determinante entre o homem e o espaço. Está "ali", naquele momento, fortuitamente, não imprime características especiais à paisagem, nem tão pouco a influencia. Torna-se um motivo ornamental que, caso fosse omitido, não deixaria qualquer vazio. O inverso também acontece. Certos enquadramentos naturais funcionam como um cenário, pano de fundo por onde perpassam ou onde se inserem frisos de personagens (por vezes, uma só figura destaca-se em primeiro plano), sendo elas a polarizar a atenção do pintor. Noutros contextos, o elemento humano surge enquadrado na paisagem, ocupando um lugar próprio, podendo mesmo contribuir para introduzir uma nota de dinamismo.
     Já nas aguarelas que se reportam ao espaço urbano, a figura reveste-se de primordial importância. São os variados tipos humanos que dão uma vida própria à fisionomia citadina.
Maria Lucília Abreu
in Roque Gameiro - O Homen e a Obra, ACD Editores, 2005

 

Auto retrato
 
Aguarela sobre cartão
40 x 29,5 cm
Retrato da esposa do artista
Maria da Assunção Carvalho Forte
 
Aguarela sobre papel
71,5 x 46 cm
1891
Ver:
Exposições de 1946
MAMB
 
Retrato da esposa do artista:
Maria da Assunção
 
Grafite sobre papel
18 x 12 cm
1896
Retrato da esposa do artista:
Maria da Assunção
 
Grafite sobre papel
32 x 25 cm
A Epístola
Retrata o pai do artista
 
Aguarela
47 x 33 cm
1895
Esta aguarela esteve exposta em Lisboa, no Porto, e na Exposição Internacional de Paris de 1900. Todas as suas obras aí expostas, perderam-se para sempre no naufrágio do barco "Vapor de Santo André", que naufragou no trajecto de Paris para Lisboa, em frente a Espinho. Ver carta de 1901-04-06
Imagem obtida aqui
Ver:
Exposição de 1896, 1898 e 1900
Retrato da mãe do artista:
Ana de Jesus e Silva
 
Aguarela sobre papel
73 x 53 cm
1904
     Ao contrário do óleo e outras técnicas de pintura, é impossível raspar ou tapar um erro em aguarela. Neste sentido, pintar em aguarela é como saltar no trapézio sem rede protectora: o primeiro erro do artista é também o último. Pintar em aguarela um retrato com as dimensões de ”Mãe do Artista” é um desafio a que muito poucos podem corresponder.
Ver:
Diário de Notícias de 1904-04-05
   (1ª Página), por Eduardo de Noronha
Exposições de 1904, 1911, 1920, 1923, 1937, 1946, 1951, 1982, 1985, 2014, 2017
   de Fernando de Pamplona (1943)
Retrato da filha do artista: Raquel
 
Aguarela sobre papel
40 x 30 cm
1890
Retrato da filha do artista: Raquel
 
Aguarela sobre papel
72 x 51 cm
1904
Ver:
Diário de Notícias de 1904-04-05
  (1ª Página), por Eduardo de Noronha
♦ Exposição de 1904, 1908 (DN), 1908 (RJ) e 1920
 
Aguarela sobre papel
24,5 x 18 cm
1919
JPMB
     De todos os filhos de Roque Gameiro, Màmía foi o modelo mais retratado, quer pelo pai Alfredo, quer pelas irmãs Raquel e Helena, quer pelo noivo (depois marido) Jaime.
Retrato da filha do artista: Màmía
(Quadro inacabado)
 
Aguarela e grafite sobre cartão
49,5 x 35 cm
1921
JPMB
(Ver pequeno estudo

 

Retrato da filha do artista: Màmía
(estudo)
 
Tinta da China
18 x 9 cm
1911c
Retrato da filha do artista: Màmía
(estudo)
 
Grafite sobre papel
18,5 x 14 cm
1919c
Retrato da Tia Teodora Guedes
(estudo)
 
Aguarela sobre papel
24,5 x 17,5 cm
D. Carlos I
 
Litografia
90 x 66 cm
1902
Ver:
Exposição de 1903
Retrato de Homem
 
Aguarela sobre papel
51 x 41,5 cm
 
Retrato do Sr. J. Henriques
73 x 53 cm
1905
Ver:
♦ Exposição de 1905 e 1946
♦ 1905-04-16 - Mala da Europa
 
Senhora no jardim
 
 
Retrato de Júlio Dinis
 
 
Actriz Rosa Damasceno
(Gelatinografia)
 
Ver:
Branco e Negro de 1898-02-06
A Voz da Amadora de 1982-05-07
 
 
 
Aguarela a grisaille sobre papel
26,5 x 18 cm
Ver em:
Bocage
 
Aguarela a grisaille sobre papel
17 x 15,5 cm
 
 
Marquês de Montebelo
Retrato do Dr. Joaquim Salgueiro de Almeida
 
Ver em
Museu José Malhoa
Retrato de homem
 
Ver em
Museu do Chiado
Museu Nacional de Arte Contemporânea
Retrato de homem
 
Ver em
Museu do Chiado
Museu Nacional de Arte Contemporânea
Retrato de homem
 
Ver em
Museu do Chiado
Museu Nacional de Arte Contemporânea
Retrato de Henrique Marques
(Editor do Jornal O Século)
 
Camilo Castelo Branco
 
Ver Revista da Semana de 1925-03-14