Volume 4

Vol. 4
 
História de Portugal, popular e ilustrada - Volume 4:
De Vasco da Gama até D. António, Prior do Crato
 
Pag. 5 - Túmulo de D. Vasco da Gama
Existe no templo dos Jeronymos, em Belém, con­sagrado como pantheon dos heroes portuguezes, o túmulo do grande descobridor da Índia representado pela nossa gravura; o túmulo, que obedece á architectura manuelina, é de recente construcção e para elle foram transportados os ossos do heróico navega­dor por occasião do centenário camoniano, em 8 de junho de 1880. Como n'esta mesma Historia se diz, Vasco da Gama fallecêra em Cochim a 24 de dezem­bro de 1526 sendo sepultado no mosteiro de S. Fran­cisco d'aquella cidade da Índia. D'ahi foram trans­portados os seus ossos para a villa da Vidigueira, por disposição testamentaria do próprio descobridor das Índias, sendo depositados na egreja de Nossa Senhora das Relíquias, do padroado de sua casa. Ja­zia o grande almirante na capella mor do lado da epistola, em uma sepultura, onde se lia a seguinte inscripção: Aqvi iaz o grand Argonavta Dom Vasco da GamA pr. conde da VidigveIra almirante dAs Índias OrIÊTAIS E SEV FAMOSO DESCOBRIDOR. D'aqui é que elles foram trasladados, como acima dissemos, para o Pantheon dos Jeronymos e para o túmulo que a nossa gravura representa.
Pag. 8 - Lopo Soares de Albergaria
É calcado sobre o retrato que vem nos Retraio e Elogios de Varões e Donas, o que aqui damos do terceiro governador da Índia. Acerca da sua authenticidade, leia-se o que se diz na biographia que acom­panha esse retrato n'aquella collecção biographica : «Damos o seu retrato conforme o traz Manuel de Faria na sua Ásia Portugueza, tom. I, e da mesma sorte nos Commentarios a Camões.»
Pag. 9 - D. Francisco de Almeida recebendo a bordo a noticia da morte de seu filho
Mostra esta gravura a dolorosa scena magistral­mente descripta por Manuel Pinheiro Chagas, a pag. 242  do  3.º volume d'esta nossa edição da Historia de Portugal.
Pag. 13 - Restos do Convento e egreja dos Capuchos em Caparica
Fora fundado em 1564 por D. Lourenço Pires de Tavora, quarto senhor de Caparica, o convento de capuchos arrabidos, cujas ruinas a nossa gravura re­produz. Na egreja d'este convento está o túmulo do seu fundador, que falleceu a 15 de fevereiro de 1573. D. Lourenço Pires de Tavora fora embaixador de Portugal em Hespanha, sendo imperador Carlos V. Caparica é povoação situada em frente de Lisboa, na margem esquerda do Tejo. É de fundação muito an­tiga, dando-se ao nome que ella tem, de Caparica, duas tradições muito curiosas, segundo refere Pinho Leal, no seu Portugal antigo e moderno. Uns dizem  que morrendo aqui um velho, declarou no testamento que deixava a sua capa para ser vendida e com o producto da venda se fazer uma capella a Nossa Senhora do Monte. Fez isto rir bastante; mas, sabidas as contas, a boa da capa estava recheiada de bellos dobrões de ouro, que chegaram de sobra para a fundação da capella. A segunda versão é que, sen­do a Senhora do Monte de muita devoção para estes povos e limitrophes, concorreram todos para se lhe fazer uma esplendida capa, pelo que a Senhora ficou d'ahi em deante sendo conhecida por Nossa Senhora da Capa Rica.
Pag. 16 - Pia baptismal em S. João de Almedina
É a primeira vez, que nos conste, que apparece publicada a gravura d'esta formosíssima peça esculptural, que, não obstante a sua belleza artística, ne­nhum interesse tem despertado aos amadores de antigualhas e da arte portugueza. E tanto que o sr. Si­mões de Castro, no seu curioso livro, por nós tantas vezes consultado, Guia histórico do viajante em Coimbra, embora se empenhasse em compilar n'elle o maior numero de noticias relativas á cidade e seus monumentos, não lhe fez a mais pequena referencia. Pelo contrario, referindo-se á egreja de S. João de Almedina, onde existe a pia em questão, diz que esta egreja «só offerece de notável ao exame do observa­dor curioso algumas pinturas de Paschoal Parente, que floresceu no meado do século XVIII.» Ora não é preciso ter muitos conhecimentos sobre arte para se reconhecer que essa pia baptismal é uma peça ca­pital, a melhor coisa que possue aquelle templo, e muito superior, em concepção artística, á pia baptis­mal da Sé Cathedral, mandada fazer pelo ínclito pre­lado D. Jorge de Almeida aos irmãos Henriques, co­mo se vê da inscripção: P. Ariques e seu irmão a fez. A pia baptismal de S. João de Almedina pertence ao estylo ogival que predominou no nosso paiz em Hespanha durante o século XV e primeiro quartel do século XVI, formando durante esta ultima epocha um typo de estylo gothico, que é bem nosso e se denominou manuelino. Esta pia baptismal devia ter sido executada por um dos melhores artistas da epocha em que o estylo ogival attingiu o maior es­plendor e perfeição, attenta a sua elegância e o bello acabamento das figuras e motivos ornamentaes. As figuras representando o baptismo de Christo são bem gothicas, assim como os anjos que sustentam as ar­mas de D. Jorge de Almeida, que se divisam em volta da bacia da pia. A sua factura deve datar de tempo anterior á da pia da Sé Cathedral, muito antes da vinda para Coimbra de quatro artistas francezes que D. Manuel chamou para executar algumas das mais notáveis obras do paiz. Do que acabamos de dizer sobre a pia baptismal de S. João de Almedina, pode­mos concluir, como diz o grande archeologo dr. Philippe Simões : «que antes da vinda dos artistas fran­cezes, já a arte da esculptura em pedra era cultivada em Coimbra com grande gosto e desenvolvimento, o que decerto se ha de attribuir em boa parte á pre­ciosidade das pedreiras de Ançã e ás qualidades d’es­ta pedra, que a tornam muito própria para toda a sorte de lavores ainda os mais delicados». Como o indicam as armas que se vêem ao lado do grupo bíblico, foi esta pia mandada fazer pelo bispo de Coimbra, D. Jorge de Almeida, de cujas rarissimas Constituições existe um único exemplar na Bibliotheca da Universidade. D. Jorge de Almeida foi um dos mais munificentes dos prelados que se sentaram na cadeira episcopal de Coimbra, sendo elle que man­dou fazer o bello retábulo de talha da Sé Velha, attribuido a mestre Vliner e a João Dipri e a respeito do qual se pode ler um artigo do sr. dr. Valle e Sou­sa publicado em a Mala da Europa. A gravura d'este retábulo, publicámol-a pags. 301 do 2.º volume da Historia, que o apresenta antes da restauração ha pouco realizada. D. Jorge de Almeida jaz na Sé velha na capella absidal de S. Pedro, sob uma lapide com inscripção orlada d'uma deliciosa tarja em estylo Renascença. Ha annos, abrindo-se esta sepultura, recolheu-se o annel pontifical d'este erudito prelado, que é adornado com uma graciosa cabeça de mulher. Finalmente foi D. Jorge de Almeida quem mandou fazer a celebre custodia (século XVI) que existe nos thesouros da Sé.
Pag. 17 - Cerco de Cananor
A pags. 283 e seguintes do 5.º volume d'esta edi­ção encontrará o leitor a descripção pormenorizada do  episódio  guerreiro representado pela nossa gra­vura.
Pag. 21 - Leão X
Foi copiado de um grande mappa contendo os re­tratos de todos os prelados que se teem sentado no sólio pontifical o que damos agora aqui, e que repro­duzimos por ter este pontífice intervindo de algum modo nas questões de Portugal
Pag. 24 - Seminário de Rachol e Praça de Rachol, na Índia
Existiu outrora na aldeia de Margão, que se ele­vou á categoria de villa por alvará de 12 de julho de 1779, um importante hospital denominado do padre Paulo Camerte, seu fundador. Em 17 de maio de 1574 a Companhia de Jesus construiu na referida aldeia um collegio, tomando para este fim posse dos namoxins e deussunos, ou terrenos dos pagodes, e uniu ao mesmo collegio o hospital dos pobres, ou do padre Camerte, o seminário das meninas pobres, a casa dos cathecumenos, uma eschola de instrucção prima­ria e de doutrina christã, uma de theologia moral, e outra de lingua concany. Annos depois, foram o col­legio e o hospital incendiados pelos Mouros; porém os padres da companhia substituiram este collegio pelo seminário de Rachol, que construíram em 1580. Este collegio, em virtude da ordem do visitador Nicolau Pimenta, voltou de novo a Margão em 1597, e em 1606 foi novamente estabelecido em Rachol, e mais tarde convertido em seminário de estudos ecclesiasticos, titulo pelo qual ainda hoje é conhecido. A pequena distancia do seminário, está a antiga Pra­ça de Rachol. Esta praça dos mouros, hoje reduzida em parte a um montão de ruinas, está situada na margem esquerda do rio Zuary, que banha a provín­cia de Salcete pelo lado oriental, e fronteira á pro­víncia de Pondá. Foi cedida aos Portuguezes sendo vice-rei da Índia Diogo Lopes de Sequeira, pelos an­nos de 1518 a 1521, por Crisná Ráu, descendente do imperador Rama Rajah, que a tomou ao Hidal-Khan. Sobre a porta do antigo castello ainda se lê a seguin­te inscripção : Sendo o conde de Alvor vice-rEi da Índia, mandou kefoRmar esta fortaleza dEtpoIs de se defender do ceRco do sambagy, Em 22 dE abril de 1684. O marquez de Alorna em 1745 também alli man­dou fazer varias obras, entre as quaes muito avultava o fosso aquático, e um açude, que inundava o terreno adjacente, quando a praça era atacada. Figu­ra na historia da Índia como praça fortíssima, que viu mais de uma vez ante as suas muralhas exercitos numerosos, que debalde a investiram. Dentro dos seus muros havia uma bella povoação, e nobres Casas de fidalgos da província de Salcete, que alli re­sidiam com o general da mesma província, para se acobertarem das incursões e rapinas dos inimigos que desciam dos Gattes, pela província de Pondu, e assolavam os nossos campos. Tornando-se insalubre pelo estado pantanoso e emanações mephiticas do fosso que se obstruíra, foram os habitantes obrigados a emigrar para a aldeia de Margão. Por portaria do governador geral, conde das Antas, de 30 de no­vembro de 1841, passou o presidio que n'ella havia para a fortaleza dos Reis Magos, dando-se então bai­xa a esta praça, hoje quasi toda reduzida a palmares e várzeas de arroz. A freguezia de Rachol conta actualmente 1419 habitantes. A Índia Portuguesa, por A. Lopes Mendes, vol. 2.º, pag. 173 e seg.
Pag. 25 - Fr. Bartholomeu dos Martyres
Não ha aqui que fazer a noticia biographica do va­rão íllustre que a nossa gravura representa, e que o citado mais de uma vez no decurso da nossa Historia; lá está para o fazer o grande estylista Fr. Luiz de Sousa. Aqui apenas vamos justificando a autheticidade do seu retrato que é reproduzido do que vem nos Retratos e Elogios de Varões e Donas, retrato que é acompanhado das seguintes palavras: «A mui­ta devoção, com que era, e foi sempre, venerado por todos, fez com que o arcebispo D. Fr. Agostinho de Castro lhe mandasse tirar o retrato pouco antes da sua morte, como refere o mesmo Sousa, em ima­gem mui parecida em tudo ao natural, do qual se copiou um para o arcebispo de Évora, D. Theotonio de Bragança. Está entre os outros Prelados d'aquella Igreja em Braga no Palácio Arcebispal; no Convento de Santa Cruz da Villa de Vianna; no de Bemfica; e na Portaria do de S. Domingos de Lisboa; deste nos servimos para esta sua estampa, e que é o mesmo e mui semelhante ao que vem na sua vida impressa em Vianna pela mesmo Sousa em 1019 em fol., e as­sim nas outras edições que a esta se seguiram. Al­guns vimos também em nada similhantes, em que se deve desculpar serem tirados fora do Reino, como o que acompanha a traducção de sua Vida em Francez, e em italiano; e o que traz na sua Collecção Franceza de Retratos o Advogado Dreux du Radier, e vem no tomo V da sua Europa lllustrada, etc.»
Pag.  29 - Egreja de Santa Cruz (S. Domingos) em Vianna do Castello
Esta egreja, que era a do convento de frades da Ordem de S. Domingos, foi mandada construir pelo arcebispo D. Fr. Bartholomeu dos Martyres, sendo a primeira pedra do mosteiro lançada em abril de 1563, e construído o edifício em 1576. Em uma cella d'este mosteiro passou os últimos annos da sua vida o seu fundador, que alli falleceu em 16 de julho de 1590, e alli está sepultado na capella-mór. Os alicer­ces da egreja foram abertos em 1566, lançando o santo arcebispo por sua própria mão a 1.ª pedra, em 22 de janeiro, festa que se realizou com grande pompa. Em 1872 foi transferida para esta egreja a parochia de Nossa Senhora de Monserrate, por se achar em mau estado a egreja matriz d'esta denominação. No edificio do mosteiro estão estabelecidos desde ha bas­tantes annos as repartições do governo civil do districto, administração do concelho, recebedoria, pagadoria, obras publicas, districtaes, fazenda e telegraphos.
Pag. 32 - Custodia da Sardoura
É typica esta obra de arte da ourivesaria portugueza, e mereceu as seguintes palavras do sr. Joaquim de Vasconcellos no texto que acompanha as phototypias que representam as relíquias de arte nacio­nal apresentadas na exposição districtal de Aveiro, em 1882 É lavrada no estylo chamado manuelino, mas soffreu uma recomposição porque a urna da haste é da segunda metade do século XVI; em seu logar estava decerto um castello de maçonaria, que foi substituído por um membro mais solido e mais con­forme ás funções a que elle é destinado nas peças d'este género. As substituições são frequentes nas peças antigas, precisamente n'este logar, porque os novos artistas, preoccupados quasi sempre só com a idéa do effeito, poucas vezes reflectiam sobre as condições da existência das suas obras, trocando ele­mentos constructivos por decorativos e viceversa. Ha ainda outras pequenas emendas, como o crucifi­xo que remata a custodia, etc. É de prata dourada esta custodia, pertence, como dissemos, á Junta de Parochia de Sardoura, e mede 0,55 de alto por 0,19 de largura.
Pag. 33 - A embaixada de D. Manuel ao papa
Foi para dar uma idea do que seria essa magnficente festa tão bem descripta por Pinheiro Chagas a pag. 340 e seguintes do 3.º vol. d'esta Historia, que o artista esboçou esta composição
Pag. 37 - Affonso de Albuquerque, o Grande
Mais uma vez recorremos aos Retratos e Elogios de Varões e Donas, etc. para a reproducção do re­trato do mais heróico dos vice reis da Índia, o gran­de Affonso de Albuquerque. Avalia-se da sua fideli­dade pelas seguintes palavras com que fecha a biographia do extraordinário capitão, n'aquelle livro: «Para o seu retrato não buscámos os de pintura a óleo, que se vêem nos conventos de Thomar, e Alcobaça; preferimos-lhes os que vimos na Casado Arce­bispo de Gôa D. Fr. Francisco de Brito, também a óleo, por ser copiado fielmente, segundo elle nos affirmou, da Casa dos retratos dos Vice-reis em Gôa. O que traz o livro de Thevet é muito differente; os que modernamente tem sahido são tirados do que vem em Faria e Sousa.»
Pag. 40 - Monumento a Affonso de Albuquerque em Belém
É á benemerência do fallecido historiador Simão José da Luz Soriano que se deve a idéa e até a rea­lização d'esse famoso padrão de nossas glorias. O de­nodado investigador deixara, ao morrer, consignado em seu testamento que da sua fortuna fossem tira­dos 35 contos de réis para com elles se levantar um monumento a Affonso de Albuquerque, o formidá­vel capitão das Índias, e que para isso se abrisse concurso. Aberto elle, foram apresentados oito pro­jectos que o publico concorreu a visitar, e d'esses oito todos grandiosos, o que o jury escolheu por mais harmónico e mais bello foi o que tinha por di­visa Flor de la Mar, do sr. António da Costa Mona, que a gravura representa. O envasamento do pedes­tal é o que pode haver de mais bello, de mais opu­lento, de mais justo, de mais artístico e de mais pu­ro em matéria de architectura ornamental. A linha do seu perfil sobe fácil e harmoniosa, a um tempo elegante e solida, sem demasias nem resaltos; as fi­guras pousam naturalmente; a decoração dos frisos é modelar, a concepção admirável. Os baixos relevos, que ornamentam as quatro faces do monumento e que representam quatro episódios dos mais salientes da vida do illustre vice-rei da Índia, é o que de mais completo se pode imaginar no género e nada melhor se fez ainda entre nós. Adeante damos a reproducção d'essas quatro maravilhosas creações. A estatua que deve encimar o monumento, e que ha de ser fundida em bronze, é de uma imponência  extraordinária e representa o grande capitão no momento em que , está respondendo aos embaixadores da Pérsia, apon­tando armas e pelouros: Esta é a moeda com que el-rei de Portugal costuma pagar a quem exige tributos de seus vassallos. Está por concluir o monumento, mas pelo aspecto do que ha já feito bem se pôde avaliar do esplendido conjuncto de toda a obra.
Pag. 41 - Rua Affonso de Albuquerque em Pangim
Não porque se torne notável pela sua belleza ou harmoniosa architectura de seus edifícios, mas simplesmente porque recorda um grande nome, mandá­mos reproduzir a photographia que d'esta rua á mão nos veiu parar. Pangim, chamado também Nova Gôa, que é actualmente a capital da Índia Portugueza, era um bairro da aldeia de Taleigão, elevado á categoria de cidade por alvará de 22 de março de 1843. Situada na margem esquerda do rio Mandovy, tem edifícios grandiosos, entre os quaes avultam o Palácio do Governo, que fora nos primitivos tempos uma fortaleza de Hidalcão, e que D. António de No­ronha, sobrinho de Affonso de Albuquerque, con­quistou pela primeira vez em 15 de fevereiro de 1510.
Pag. 45 - Monumento a Affonso de Albuquerque em Pangim
Foi este monumento mandado construir por so­licitação do sr. Cláudio Lagrange Monteiro de Bar­buda, para n'elle se collocar a estatua de Affonso de Albuquerque que, tendo sido transferida do Arco dos vice-reis para o frontispício do recolhimento da Ser­ra, e ficando envolvida nas ruinas, a que o tempo re­duziu este edifício, foi depois transportada para Pan­gim. A solemnidade e o auto da abertura do alicerce do monumento realizou-se em 17 de fevereiro de 1843, sendo governador geral o conde das Antas, e a inauguração da estatua em 29 de outubro de 1847, governando então o estado o conselheiro José Fer­reira Pestana. As columnas de granito e algumas tra­ves de ferro empregadas na construcção do monu­mento pertenciam ao convento de S. Domingos da cidade de Goa. Índia Portuguesa, de Lopes Mendes.
Pag. 48 - Túmulo de Affonso de Albuquerque
Fallecido na Índia em 1515, o grande capitão foi sepultado na egreja de Nossa Senhora da Serra, em Malaca, por elle mandada construir no anno antece­dente, ficando os seus ossos depositados no túmulo que a nossa gravura representa até ao anno de 1566, em que foi trazido para Portugal e depositadas as suas relíquias na egreja do convento da Graça, em Lisboa. O seu túmulo, de pedra, foi ainda ha bem poucos annos trazido egualmente da Índia, e trans­portado para o Museu da Sociedade de Geographia em Lisboa, da qual constitue um dos melhores pa­drões.
Pag. 49 - Fernão de Magalhães
O retrato que do primeiro circumnavegador do mundo publicamos é copiado do que Ferdinand Denis apresenta no seu Portugal, e cuja authenticidade elle justifica por estas palavras : "O curioso retrato que aqui damos é tirado da magnifica collecção con­servada no Louvre; o desenho original apresenta, de resto, grande similhança com um retrato que se mos­tra em Toledo, mas que se nos afigura ter menos ca­racter.»
Pags. 53, 56, 57, 61 - Baixos relevos do Monumento a Affonso de Albuquerque em Lisboa
Nada temos que dizer acerca d'estes baixos rele­vos, trabalho do illustre esculptor Motta, depois do que ficou dito com respeito ao monumento em geral; apenas que elles representam, magistralmente tractados, quatro dos mais característicos episódios da vida do grande heroe a cuja memória o monumento é levantado, e que todos vem descriptos no decorrer da nossa Historia. A titulo de curiosidade devemos indicar, aos que o não sabem ainda, que Costa Motta quiz perpetuar a imagem do mais lyrico dos poetas do século XIX, João de Deus, na 1.ª figura á esquer­da do primeiro dos baixos relevos. Chamamos para este facto a attenção dos nossos leitores.
Pag. 64 - Imagem de Nossa Senhora do Restello
Vamos tirar do precioso livro do sr. Filippe Nery Faria e Silva, A egreja da Conceição Velha e varias noticias de Lisboa, os apontamentos para esclarecer os leitores acerca d'esta interessante imagem, actualmente existente na egreja da Conceição Velha : «A imagem de pedra de Nossa Senhora venerada com o titulo de Belém ou do Restello acompanhou os frei­res da Ordem de Christo desde a sua primeira capella até á extincção das ordens religiosas, conser­vando-se depois d'isso a ter culto na egreja aonde os mesmos freires se deixaram ficar. A imagem é mui­to mais vulgar que a data da descoberta do caminho da Índia, commemorada ha pouco no seu IV cente­nário. A ermida do Restello foi dada aos freires em 1450,... e o infante D. Henrique mandou vir de Sa­gres, segundo resa a Historia quando fundou a er­mida do Restello, tudo quanto guarnecia o sanctuario, que alli tinha mandado construir. Portanto, é de suppor que aquella preciosa relíquia tivesse vindo de Sagres, e mesmo que tivesse acompanhado o in­fante em alguma das suas viagens. Não deve ter, ao que se vê, menos de 450 annos. Para ter tanto tem­po, ter passado, posto o seu grande peso, para uns poucos de logares, ter ficado em 1735 debaixo das ruinas de um templo, d'onde foi tirada inteira, está, relativamente, bem conservada. Do lado que se en­contra voltada para a parede e que não está pintada nem envernizada, é que se conhece bem a sua muita antiguidade. Basta raspar com a unha na pedra, para esta se desfazer no sitio da fricção como se fosse feita de argila, simplesmente amassada com agua! Tivémos em 1880 occasião de fazer esta experiência, quando a imagem passou para o camarim onde hoje está. Deu esta por signal bastante trabalho, posto o serviço fosse levado a effeito por muitos operários e a elevação effectuada por meio de um guincho e de cabos de grande grossura. Por vezes se julgou que a imagem se desfazia antes de chegarão sitio onde de­via ser collocada, tanta era a argila que de si lança­va! Chegou ainda a despegar se um pedaço d'um dos lados, o que foi logo reparado. Estava antiga­mente em cima do altar e era alli coberta por occa­sião da Semana Santa, pois ninguém se atrevia a pe­gar-lhe para a levar para outro ponto, mas a madeira do altar tinha vergado e portanto houve necessidade de mudança para se não dar o caso de algum desas­tre. O espaldar e os braços da cadeira são de madeira entalhada e dourada e é obra moderna comparativa­mente com a antiguidade da imagem. Tanto o espal­dar como os braços são de pôr e tirar, e ha muitos annos que não estão no seu logar. A imagem tem de altura um metro e vinte centímetros, e com a peanha eleva-se a um metro e noventa e cinco centíme­tros; o espaldar da cadeira passa da cabeça da ima­gem noventa centímetros. Tem a mesma de frente, na sua maior largura, no sitio dos joelhos setenta e dois centímetros, e de espessura quarenta e cinco. A coroa é de prata e pesa 919 grammas. O man­to é pintado de azul ferrete com cercaduras e flo­rões dourados e o vestido de côr magenta egualmente com dourados. Na peanha encontra-se, logo na frente, a cruz da Ordem de Christo em obra de talha. O povo dá a esta imagem diversas denomina­ções. Não é somente conhecida por Senhora do Res­tello ou de Belém; também o é por Senhora do Par­to, por ter o Menino nú sobre os joelhos; é também conhecida pela Senhora    da Cadeira, por estar assentada.»
Pag.  65 - D. João III
O retrato que aqui damos é reproducção do authentico retrato contemporâneo d'aquelle monarcha, existente no coro da egreja da Madre de Deus, ao Beato.
Pag. 69 - Egreja dos Carmelitas em Gôa
Encontram-se estas ruinas para a parte oriental da cidade de Velha Gôa. Tanto a egreja como o convento eram de uma grandeza e magnificência superiores como se pode inferir das ruinas que a nossa gravura representa. Em virtude da carta regia de 2 de abril de 1707, mandou-se entregar ao proposto da congre­gação do oratório o convento denominado do Monte de Nossa Senhora do Carmo, que d'elle tomou posse em 21 de dezembro de 1700.
Pag. 73 - Morte de D. Fernando Coutinho
A pags. 286 do 3.° volume da Historia encontra o leitor a narração da morte heróica d'este tão leviano como arrojado fidalgo portuguez, um dos muitos que lá ficaram pela Índia.
Pag. 77 - Fr. Luiz de Granada
É bem cabido na Historia, nos parece, o retrato d'este varão, porque, apezar de haver nascido em Hespanha em 1504, passou muito novo a Portugal, por que entre nós viveu, ensinou e morreu, na phrase de João Baptista de Castro. Foi auctor de vários li­vros mysticos (Veja-se Innocencio vol. 5.°), e falleceu em Lisboa em 1588. O seu retrato que aqui dâmos é reproduzido do que vem nos Retratos e Elo­gios dos Varões e Donas, onde se lê o seguinte: «O seu retrato venerou-se por muito tempo, e se con­servava na Portaria do mesmo convento de S. Domingos, onde, como traz o Agiol. Lus. Tom. 2, dia 3 de Abril, todas as vezes que n'ella entrava o grande servo de Deus e célebre pintor Luiz Alvares de An­drade, seu filho espiritual, o beijava devotamente, e como a Santo. Muitos vimos em vários logares de estampa, mas pareceu melhor entre todos o que acompanha a sua Vida escripta em Castelhano pelo licenciado Luiz Munos, e tal é o que damos nesta sua Memória.»
Pag. 80 - Calice de D. Dulce
Esta preciosidade archeologica pertence hoje á ir­mandade das Almas da freguezia da Costa, concelho de Guimarães, que a recebeu dos frades Jeronymos em pagamento de uma divida. Foi offerecido na era de 1225, por el-rei Sancho e pela rainha D. Dulce, a Santa Marinha da Costa, conforme esta inscripçáo que tem gravada em toda a volta: E M. cc xx.v, REx Sanci. et Regina. Dulcia, offerunt calicem istum Sce MarinE de CostA.»
Pag. 81 - Assassínio de Bas-Ahmed
A descripção da scena  aqui representada encon­tra se  na pag. 313 do vol  3.° d'esta nossa edição da Historia de Portugal.
Pag. 85 - D. Catharina, mulher de D. João III
É desconhecido o auctor do quadro que se encontra no coro da egreja da Madre de Deus em Lisboa, e d'onde foi copiado o retrato que aqui damos de D. Catharina de Áustria; o que se sabe é que é contemporâneo e, portanto, tanto quanto possivel authentico. Com este retrato se parece outro que se encontra na egreja de S. Roque, também em Lisboa, e bem assim outro no quarto n.° 7 da Casa Pia de Belém, do qual foi reproduzido o que se encontra no livro do sr. Benevides Rainhas de Portugal.
Pag. 88 - Andor das Candeias e um trecho do Claustro de S. Domingos de Guimarães
A titulo de curiosidade damos a reproducção d'este andor, que é uma das cousas características do norte de Portugal, não pelo lado artístico, mas sim pelo lado pittoresco. Quanto ao convento de S. Do­mingos, a que esse andor pertence, veja-se o que a seu respeito dizemos a pag. 628 do 3.º volume d'esta Historia.
Pag. 89 - Fr. Balthasar Limpo
Foi dos prelados mais auctorizados por virtudes e lettras que viveu em Portugal no século XVI, tendo nascido na villa de Moura em 1478. Foi confessor de D. Catharina, mulher de D. João III e pregador d'este monarcha. Foi mais tarde nomeado arcebispo de Braga, onde falleceu em 31 de março de 1558. Dos Retratos e Elogios de Varões e Donas mandamos reproduzir o que o leitor tem á vista, e na Memória que o acompanha é assim justificada a sua authenticidade: «Damos o seu retrato fielmente copiado de um quadro, que se conserva no Collegio do Carmo de Coimbra devido á generosidade do Reverendo Cónego Luiz Duarte Villela da Silva, Thesoureiro-mór da insigne Collegiada de Alcáçova, em Santa­rém».
Pag. 93 - Ruinas de Santo Agostinho e capella de Santo António em Velha Gôa
Remonta aos primeiros tempos da conquista a fundação do soberbo convento de Santo Agostinho, de cuja sumptuosidade se pôde ainda avaliar pelas ruinas reproduzidas pela nossa gravura. A egreja de Santo António, que se vê á direita, foi doada em 1600 aos religiosos de Santo Agostinho pelo arce­bispo D Fr. Aleixo de Menezes, sendo a doação confirmada por el-rei e pelo pontífice Paulo V. Em 9 de fevereiro de 1679 foi erecta n'esta egreja a ir­mandade de Santo António, composta dos officiaes e soldados de mar e de terra, e confirmada pelo ar­cebispo primaz D. Fr. António Brandão.
Pag. 96 - Recanto de abobada no convento dos Jeronymos em Belém
Damos esta gravura como mais um specimen da architectura do século XVI em Portugal. Tão artístico é esse trabalho architectural, que lá o foi descobrir para o reproduzir no seu famoso livro A Renascença em Portugal, o estudioso e erudito escriptor allemão, Haupt.
Pag. 97 - Assassínio de Firme-Fé
Illustra esta gravura a cruel mas justificada scena do assassínio d'esse renegado Henrique Nunes, que se encontra descripta a pag. 418 do 3.º volume d'esta edição da nossa Historia.
Pag. 101 - Diogo Lopes de Sequeira
O retrato d'este insigne capitão, quarto governa­dor da Índia, foi, como um grande numero dos que damos n'esta Historia, reproduzido do que vem nos Retratos e Elogios de Varões e Donas, que já é copiado d'aquelles que Faria e Sousa publica em a sua Ásia Portugueza e nos Commentarios de Ca­mões.
Pag. 104 - Primitiva Capella de S. Fructuoso
Nos subúrbios da cidade de Braga e próximo da freguezia de Dume, existe a egreja e extincto convento de S Fructuoso, cuja construcção da­ta do primeiro quartel do século XVII. Ao lado direito de quem entra existe a preciosíssima ca­pella que a nossa gravura representa e que se suppõe ter sido um templo pagão que os Romanos dedi­caram a Esculápio. A sua architectura é anterior ao século X.
Pag. 105 - Fr. Gaspar do Casal
Foi sucessivamente bispo do Funchal, de Leiria e de Coimbra, e viu a luz do dia em Santarém, on­de nasceu em 1510. Foi frade augustiniano, e no seu convento da Graça falleceu, com 74 annos de edade, em 1584. Da sua vida se encontra noticia des­envolvida na Memória que acompanha o seu retra­to na collecção dos Retratos e Elogios de Varões e Donas, d'onde foi copiado o que apresentamos, e de cuja authenticidade se pôde avaliar pelas seguintes palavras que se lêem na sobredita Memória: «Seu re­trato copiou-se fielmente de um quadro antigo, que se guarda no claustro grande do Convento de Nossa Senhora da Graça, de Lisboa».
Pag. 109 - Altar da capella de Varziella, Cantanhede
Fica a dois kilometros de Cantanhede a capella particular em que se admira o altar que a nossa gra­vura representa. Parece ser obra de algum artista d'essa admirável eschola de esculptura, em Coimbra, nos meados do século XVI, e em que floresceram os Castilhos, que, segundo Raczynski, são quatro, Antó­nio, Diogo, João e Jeronymo, João de Ruão, Diogo Pires, o Velho e Mestre Nicolau, a quem um docu­mento da epocha chama imaginário. Este retábulo é muito similhante ao que existia no convento de S. Thomaz, de Coimbra, e a respeito do qual já Ramalho Ortigão escreveu em tempo um artigo n'uma re­vista lisbonense.
Pag. 112 - Pórtico da Sacristia da Misericórdia nas Caldas da Rainha
Pela sua curiosidade e antiguidade mandamos re­produzir na nossa Historia o pórtico que a nossa gravura representa; é evidentemente contemporâneo da fundação do magnifico edifício das Caldas da Rai­nha e encontra-se em perfeito estado de conservação.
Pag. 113 - Morte de Fernão de Magalhães
A pag. 514 do volume 3.º da Historia se lê a des­cripção do desastrado fim d'um dos mais audazes navegadores que deu esta boa terra de Portugal.
Pag. 117 - Lopo Vaz de Sampaio, Governador da Índia
É copiado do retrato que vem no tomo I da Ásia Portuguesa e nos Commentarios a Camões, de Ma­nuel de Faria e Sousa, o que damos n'este logar da nossa Historia, e que foi o que serviu egualmente de modelo para o que vém nos Retratos e Elogios de Varões e Donas.
Pag. 120 - Solar dos Bezerras e Couto de Paredes na Meadella (Vianna do Castello)
Meadella é uma freguezia do Minho, no districto e concelho de Vianna do Castello, arcebispado de Braga. Foi até ao reinado de D. Diniz do padroado real; mas este monarcha trocou-a por outras com D. João Fernandes Sotto Maior, bispo de Tuy, a cuja diocese esta freguezia pertencia. É, pois, n'esta fre­guezia, a quinta e torre de Paredes, que a nossa gra­vura representa. O primeiro senhor d'esta casa, en­tão coutada, foi D. Pedro Henriques de Paredes. Foi herdeiro d'esta casa seu filho Martim Cabeça, pae de Maria Martins, que casou com Lourenço Paes Gue­des. Ou por extincção d'esta família, ou por outras razões que hoje se ignoram, passou esta propriedade para a coroa, e D. João I a deu a um collateral de appellido Martins, em prémio dos seus serviços na guerra contra Castella e sempre com privilegio de couto. Passou depois para os frades Bernardos, de Oia, na Galliza, com outros bens e a torre de Pérre. Fernão Gonçalves Bezerra, fidalgo gallego, commettendo certos crimes na Galliza, fugiu com a sua familia para Portugal, e tomou conta da casa e rendas de Paredes, que houve dos frades, dando-lhes em tro­ca as suas propriedades de Galliza e fazendo aqui o seu solar. Este fidalgo era parente dos condes de Altamira e dos Moscosos, príncipes de sangue e gran­des de Hespanha. As armas dos Bezerras são: Em campo verde duas bezerras de ouro; timbre, uma das bezerras das armas, sem pontas. Portugal Anti­go e Moderno.
Pag. 121 - Gregorio Lopes
O Solitário das Índias, como o povo lhe chama­va, nascera em 1542. Foi um dos mais activos após­tolos do Christianismo nas remotas regiões da Índia, e escreveu varias obras, algumas das quaes de defi­nida utilidade practica, como foi a Chronologia dos Tempos e a Medicina e propriedade das plantas. «O seu retrato, lê se nos Retratos e Elogios de Varões e Donas, d'onde reproduzimos o que adorna a nossa edição da Historia, foi fielmente copiado d'aquelle que vem na vida do Santo, traduzida do Castelhano por Pedro Lobo Corrêa, aonde diz que era de boa estatura, proporcionado de membros, o temperamen­to delicado, cabello castanho, a barba um tanto gran­de, e sabida, sobrancelhas arqueadas, olhos negros, tirantes a verde, nariz pequeno, beiços delgados, den­tes alvos, cara comprida, côr do rosto e mãos um tanto amarella, procedida das abstinencias, e perpe­tua maceração».
Pag. 125 - Nave central da Sé de Braga
Acerca  do vetusto monumento christão de Bra­ga já em notas de volumes precedentes dissemos al­guma coisa. Agora damos a palavra a Ignacio de Vilhena Barbosa, um antiquário emérito, cuja memória é ainda muito querida de quantos se dedicam a este improbo trabalho de vêr, estudar e apreciar antigualhas: «Quem atravessar pela primeira vez o gothico vestíbulo e transpozer a porta do templo, formado por delgadas columnas com seus capiteis ornados de phantasiosos arabescos, e servindo de apoio a ele­gantes arcos ogivaes mal pode imaginar que vae entrar em uma egreja do século passado. Os desassisados reformadores por tal modo usaram das modernices, que não ficou parte alguma do corpo da egreja e do cruzeiro, que podesse dar testemunho da antiguidade do monumento. Rasgando os arcos, que dividem o templo em três naves, trocaram-lhes a forma ogival pela de volta redonda. Rebocaram com estuque as columnas de pedra que as sustentam, des­pojando-as de suas bellas proporções. Empastaram e doiraram os capiteis, cobrindo-lhes os lavores, de variada invenção, com a folhagem e volutas da ordem corinthia... Emfim, abriram grandes janellas para que o templo ficasse mais alegre, e caiaram-lhe bem as paredes para que mais augmentassem os reflexos da luz. Não sei que bellezas perdeu o templo n'esta transformação, e em outras por que tem passado. Posso dizer, porém, affoitamente, que em taes reconstrucções não foi consultado o bom gosto, nem a arte tem n'ellas de que se honrar. O corpo da egreja tem oito capellas nas duas naves lateraes, e o cruzeiro conta seis, duas nas extremidades, e as outras collateraes da capella-mór. A capella-mór corresponde em capacidade á grandeza do templo, mas excede o muito na elegância e belleza da architectura, porque se tem conservado tal qual a reedificou desde os ali­cerces o arcebispo D Diogo de Sousa... Aos lados do altar-mór acham-se os mausoléus do conde D. Henrique de Borgonha e de sua mulher a rainha D. Thereza.»
Pag.  128 - Cofre de prata  com relíquias pertencente á collegiada de Guimarães
Constitue este cofre também uma das grandes preciosidades em que é rico o thesouro da celebra­da Collegiada. É todo de prata macissa, guarnecido de lavores em relevo, com o brazão de armas dos Cunhas. Foi offerecido a esta collegiada pelo seu dom prior Ruy da Cunha. E n'elle depositaram algumas relíquias de differentes santos, as quaes trouxe de Roma para esta egreja o arcipreste Fernando Gonçalves. Tem de peso 27 marcos e duas onça». É costume ser conduzido em algumas procissões.
Pag. 129 - Tomada de Calecut
Vem a paginas 285 e seguintes do 3.° volume  desta  nossa  edição   da Historia a descripção d'este interessante episódio da nossa gloriosa epopéa da Índia.
Pag. 133 - Padre José de Anchieta
O retrato d'este famoso apostolo do christianismo no Brazil, é feito sobre o que nos dá a interessantíssima collecção de Retratos e Elogios de Varões e Donas, por nós tantas vezes citado n'estas notas. O famoso padre nascera em Teneriffe, em 7 de abril de 1534 e fallecera no Estado do Espirito Santo no Brazil em 9 de junho de 1597.
Pag. 136 - Altar da egreja do Mosteiro de S. Marcos
Tantas vezes nos temos referido ao convento de S. Marcos, juncto a Coimbra, de que se acha distante duas léguas, que não podemos deixar de lhe dedicar algumas linhas, ao publicarmos a gravura do seu famoso  retábulo que não pode comparar-se a ne­nhum do paiz, sendo muito superior ao retábulo da Pena. O convento de S. Marcos foi edificado por ordem de D. Brites de Menezes, cujo retrato e túmulo já publicámos (pag. 121 e 128 do 3.º vol. da Historia), sobre uma ermida de S. Marcos, mandada construir no logar por seu sogro João Gomes da Silva, o Rico-Homem, começando as obras em 1452, sob a direcção do Mestre Gil de Sousa. O convento de S Marcos, tão ignorado de muitos críticos da nossa ar­te, é uma das mais assombrosas creações da Renas­cença nacional, d'essa admirável eschola de Coimbra, em que floresceram João de Ruão, Diogo  Pires, Dio­go de Castilho, etc. Além do seu esplendido retábu­lo, representado na gravura, encerra  entre outras coisas de primeira ordem, sete túmulos com estatuas jacentes que são uma verdadeira maravilha, podendo equiparal-os aos seus congéneres, em Santa Clara de Coimbra, na Batalha e em Alcobaça - As melhores obras de arte  são  devidas ao camareiro-mór de D. João II, Ayres da Silva  neto da fundadora D. Brite de Menezes - Foi elle que mandou fazer os túmulos de D. Brites, de seu pae João da Silva (O Galindo), o seu e o retábulo. - A nossa Historia publicou já a pag. 73 e 141 do terceiro volume os retratos d'estes personagens desenhados sobre as suas estatuas tumu­lares pelo nosso collaborador artístico Dr.  António Júlio do Valle e Sousa, de Coimbra. - O retábulo é, porém, obra mais importante. Vamos por  isso dizer alguma coisa a seu respeito. - Consta que, a pedido de D. Manuel e de D. João III, viera a este reino o mestre Nicolau  (francez  ou italiano, o que não está bem averiguado) afim de retocar o mosteiro de San­ta Cruz de Coimbra, formar o de Belém e fazer o re­tábulo do mosteiro da Pena. Ayres da Silva, regedor de Lisboa, e filho do fundador d'este convento, alcan­çando licença de El Rei, mandou mestre Nicolau fa­zer o retábulo d'este mosteiro. - O primeiro banco d'este retábulo consta só de vários brutescos, bem trabalhados e de grande effeito. - Tem o primeiro friso quatro nichos representando todos quatro scenas da vida e morte de S. Jeronymo. - O primeiro, da parte do Evangelho, figura o santo em oração e um leão arquejando junto d'elle, como a pedir-lhe remédio para  esse mal, ao que a imagem do santo parece corresponder com   caridade e compaixão. No segundo representa-se os mercadores que, obri­gados da fereza do leão, vem ajoelhar-se aos pés do santo substituindo o jumento que tinham roubado. O assumpto do terceiro é S. Jeronymo despido no deserto, fazendo penitencia. No quarto finalmente está representado o passamento e a morte do santo, ao que assistem seus filhos religiosos. - No meio des­tes quatro nichos está um sudário feito da mesma pedra de Ançã, em forma de custodia sustentada por dois anjos. - O segundo friso compõe-se de três tribunas, de notável artificio, tanto no lavor como no bem executado das imagens que n'ellas estão collocadas. A tribuna do meio, a maior e. sobranceira ao sacrário, representa o mysterio da paixão de Christo e descendimento da Cruz, havendo alli para admirar figuras muito perfeitas e expressivas da Vir­gem com seu filho nos braços, do discípulo amado, das Marias, prophetas, etc. - Na tribuna do lado do evangelho vê-se uma imagem de S. Jeronymo, em pé, nú da cinta para cima, com as roupas cahidas, voltado para a tribuna do meio, onde st vê o Salva­dor, a quem está offerecendo (ou talvez antes pedin­do a protecção divina. O regedor Ayres da Silva que, como já ficou dicto, mandou fazer as principaes obras da capella-mór, está de joelhos e com as mãos er­guidas. - Na tribuna do lado da Epistola representa-se S. Marcos, em pé, voltado também para a tribu­na do meio, e á similhança da do outro lado, offere­cendo D. Guiomar de Castro, mulher do dito rege­dor Ayres da Silva, a qual também está de joelhos e mãos erguidas. - Infelizmente esta obra preciosíssi­ma foi ha annos pintada (oh vandalismo!) a cores berrantes por um pinta monos, de Coimbra, o que produz uma cruel decepção em quem vae a S. Mar­cos, por lhe ouvir apregoar as suas bellezas artísticas.
Pag. 137 - Mem Cerveira
Este Mem Cerveira foi um nobre cavalleiro da creação dos reis D. Affonso V, D. João II e D. Ma­nuel, que viveu no século XVI, e que mereceu d'aquelles monarchas grandes ovações e honras. Este retrato o mandámos reproduzir dos Retratos e Elo­gios de Varões e Donas, em cuja memória se justi­fica pelas seguintes palavras a authenticidade: «O seu retrato houvemos do moimento, que existe na egreja de S. Domingos de Santarém, na capella de S. Bartholomeu, de obra mosaica, embebido na pa­rede, em que está vestido de armas como cavalleiro em figura de relevo em pedra conforme o costume d'aquelles tempos. Mas é de advertir o erro do auctor da Historia de Santarém, t. 2.º 1. 1, cap. 6.º em que deu alli enterrado a Francisco de Faria. Mem Cerveira supposto haver mandado erigir alli o mo­numento, jaz na egreja de S. João de Riomaior, e deu occasião ao engano, vêr alli sepultado naquella mesma capella a Francisco de Faria, seu genro, co­mo leu no epitaphio no pavimento em sepultura ra­sa, que morreu a 9 de junho de 1528».
Pag. 141 - Veneranda relíquia de S. Torquato nos subúrbios de Guimarães
A uma legoa de distancia da cidade de Guima­rães, venera-se o corpo incorrupto de S. Torquato, bispo de Braga, martyrizado a 26 de fevereiro de 719, na freguezia que d'elle tomou o nome, construindo-se uma pequena capella da sua invocação no lo­cal onde appareceu a veneranda relíquia, entre pe­dras e silvas. Os frades benedictinos que alli havia conduziram o santo para a egreja do seu convento, hoje sede da parochia, encerrando-o em túmulo de mármore. Actualmente é muito venerada na capella-mór da sua egreja para onde foi trasladado pelo car­deal arcebispo de Braga D. Pedro Paulo de Figuei­redo da Costa e Mello, no dia 4 de julho de 1852 - Fazem-lhe annualmente duas romarias: uma (a pe­quena) a 15 de maio; a outra, a mais concorrida da província do Minho, no primeiro domingo de julho. - Em 1857 tiveram principio as obras do novo tempio, ainda agora em construcção. É um monumento architectonico de belleza rara, que não se concluirá nos mais próximos vinte annos, apezar de não para­rem as obras.
Pag. 144 - Primeiro túmulo de S. Torquato
O túmulo em que primeiro se encerrou o corpo incorrupto do bispo S. Torquato acha-se dentro do que a nossa gravura representa sendo assim re­forçado, para maior segurança, com grades de ferro e novas paredes, no anno de 1637, como se lê na se­guinte inscripção que tem na frente: Hoc tumulo illesis conduntur carnibus ossa Torquati d. pignora chara. - Anno de 1637 se guarneceu esta sepultura e abriu-se e achou se o corpo e carne inteiro, vestido de ponti­fical, com báculo.» - Este túmulo ainda se conserva de­voluto na antiga egreja da parochia.
Pag. 145 - Affonso Mexia ferindo Pêro de Mascarenhas
Illustra esta gravura a vergonhosa scena narrada por M. Pinheiro Chagas em paginas 555 e seguintes do 3.° volume da nossa edição da Historia de Por­tugal, em que Affonso Mexia aproveita o ensejo para cevar os seus ódios, na sympathica figura do legiti­mo governador da Índia.
Pag. 149 - D. João de Castro
Reproduziu se este retrato do que adorna a ma­gnifica collecção de Retratos e Elogios de Varões e Donas, e na memória que o acompanha se lê o seguin­te justificando a sua authenticidade: «Seu retrato ti­rou-se de um quadro de bom pincel, antigo, e em corpo inteiro, que possue João Maria Rafael de Sal­danha, por se reputar o mais verdadeiro transumpto e condiz muito com o que acompanha a primeira edi­ção da sua Vida por Jacintho Freire de Andrada.»
Pag. 152 - Fortaleza de Peniche
A primeira fortaleza de Peniche de que ha noticia é a cidadella que a nossa gravura representa, que é bastante forte e foi principiada por ordem de D João III no começo do anno de 1537. Com a morte d'este monarcha, ficaram interrompidas as suas obras que só se concluíram no reinado de D. Sebastião, pelos annos de 1570. No tempo de Philippe III foram con­tinuadas, concluindo-se no tempo de D. João IV, que a mandou artilhar. D. Affonso VI e D. Pedro II tam­bém para lá mandaram algumas peças de artilheria; mas a maior parte da artilheria de bronze foi con­struída por ordem do Marquez de Pombal. Junot mandou fazer alguns reparos ás fortificações de Pe­niche em 1808; o mesmo fez o marechal Beresford n'aquelle anno e no anno seguinte. Esta cidadella é, das fortificações portuguezas, a que se acha em me­lhor estado de conservação depois da de Elvas.
Pag. 153 - Fr. Thomé de Jesus
Foi este frade augustiniano um dos primeiros escriptores mysticos portuguezes,e floresceu nos sé­culos XVI e XVII. O seu livro, que lhe creou a repu­tação que tem de escriptor vernáculo e elegante, é o que se intitula Trabalhos de Jesus, do qual ha va­rias edições. O retrato que d'elle damos é a reproducção do que vem nos Retratos e Elogios de Varões e Donas, de cuja memória destacamos as seguintes pa­lavras que explicam a sua origem : «Os religiosos augustinianos descalços, instituto que elles reforma­ram, em lembrança e agradecimento a Fr. Thomé de Jesus mandaram pintar o seu retrato, e abrir por elle estampas. Enviando-se-nos uma d'estas para perpe­tuar a memória d'este venerável e illustre Portuguez, quizémos copiai a tão pontualmente, que até o da­mos com o habito da mesma reforma, que elle nun­ca vestiu; pois não tivemos outro, de que nos podessemos aproveitar.»
Pag. 157 - Portal da Egreja de Sant'Anna em Coimbra
O que de mais synthetico e, ao mesmo tempo com maior copia de noticia, em poucas palavras en­contramos acerca d'esta egreja e do seu mosteiro, é o que nos diz o sr. Augusto Mendes Simões de Cas­tro no seu apreciabilissimo livrinho Guia histórico do viajante em Coimbra e arredores: «O primitivo Mos­teiro de Sant'Anna era situado na margem esquerda do Mondego, da parte de cima e próximo da ponte. Residia no mosteiro de S. João das Donas D. Joanna Paes, sobrinha do bispo D. Miguel, a qual, sendo muito devota de Sant'Anna, emprehendeu fundar um mosteiro dedicado a esta santa. Communicou D. Joan­na este seu intento ao bispo, e elle não só o approvou, mas até tomou á sua conta a fundação do mos­teiro, e no dia 26 de julho de 1174 inaugurou a sua fabrica benzendo e assentando a sua pedra. Fallecendo d'ahi a seis annos, o bispo D. Miguel deixou recommendada a conclusão da obra a um sobrinho seu, o qual se chamava Mestre Martinho, e era cónego de Santa Cruz. Martinho proseguiu na edificação, e, concluído o edifício, havendo breve do papa Lúcio III e licença do prior-mór de Santa Cruz, levou em 1183 do mosteiro de S. João das Donas para o de Sant'Anna D. Joanna Paes para prioreza e mais duas se­nhoras, uma para mestra, outra para vigaria. É isto em resumo o que, acerca da origem do mosteiro de Sant'Anna, refere D. Timotheo dos Martyres nas Me­mórias de Santa Cruç, e o que também refere com pouca differença D. Nicolau de Santa Maria na Chronica dos Cónegos Regrantes. Ha, porém, quem te­nha o referido por inexacto, seguindo como mais auctorizada a opinião de Fr. António Brandão, que só attribue a fundação do mosteiro a Mestre Martinho. Miguel Ribeiro de Vasconcellos affirma que na doa­ção que em 1561 fez D. João Soares, da quinta de S. Martinho ao convento de Sant'Anna, para n'ella se recolherem as freiras, por causa das ruinas do seu convento e das cheias do rio, que já então o alaga­vam, se diz que este mosteiro fora fundado pelo bis­po D. Martinho, que tinha sido cónego regular de Santa Cruz, e o instituirá e fundara pertencendo á mesma ordem de Santo Agostinho. D'aqui se infere que as religiosas não se mudaram, como affirma D. Thimoteo dos Martyres e D. Nicolau de Santa Maria, para a quinta da Várzea, não obstante a licença que para isso lhes passou em 1285 o bispo D. Aymerico. Na quinta de S. Martinho permaneceram as religiosas até que o bispo D. Affonso de Castello Branco lhes fundou o sumptuoso mosteiro de Sant'Anna que hoje existe próximo do Jardim Botânico. As freiras entraram no novo mosteiro no dia 13 de fevereiro de 1610. O bis­po D. Affonso de Castello Branco tentou supprimir o mosteiro de Semede, mudando as suas religiosas para o de Sant'Anna; porém, por provisão do mes­mo bispo, de 5 de abril de 1612, voltaram quasi to­das para o seu berço. O mosteiro de Sant'Anna é magestoso e assenta em logar aprazível. Na frente principal tem dois pórticos grandiosos com columnas e ornatos elegantes trabalhados com delicadeza. Um d'elles dá entrada para um retiro e pateo, outro (que é o que a nossa gravura representa) para a egreja, que é bastante ampla e bem decorada. Na sua abo­bada, que é de cantaria, vêem-se as armas do bispo fundador, que constam de um leão rompante, e são rematadas pelo chapéu e cordões episcopaes. O coro é magnifico, e resplandecente com os dourados que em grande profusão o adornam. Realça muito a sua belleza grande copia de pinturas a óleo que o guar­necem. Por cima das grades do coro está o retrato do grande bispo D. Affonso Castello Branco e o seu túmulo acha-se na capella-mór do lado do Evangelho. É formado por uma grande lapide sustentada por quatro leões, na qual se vê um gracioso silvado, o brazão e este lettreiro: VT PARCAE VITA RAPV IT DIADEMA SEPVLCHRVM IN AVLA SI DESIT CAELICA REGNA TENENS GRANDAE VI POST QVAM COMPLEST NESTORIS ANNOS DE MÍSERA IN CAELVM SEDE TRIVMPHVS ERIT. Proximamente está embebida na parede uma pedra que tem gravada com muitas abbreviaturas a seguinte inscripção: «Sepultura de D. Affonso de Calstello Branco de boa memória, que foi collegial do collegio real, esmoler-mór do cardeal rei Dom Henrique, bispo do Algarve, de Coimbra, conde de Argani, viso-rei de Portugal, o qual entre muitas obras illustres com que honrou esta cidade fundou e dotou com grande magnificência este mosteiro insigne. Esta obra se fez em 2 de junho de 1635 sendo prioresa a madre Dona Maria de Meneses sua sobrinha.»
Pag. 160 - Entrada da fortaleza de Peniche
Com os seguintes dados completamos a noticia que publicamos linhas acima acerca da velha cidadella de Peniche. Os Francezes, apossando-se da pra­ça de Peniche, no fim do anno de 1807, mandaram picar as armas portuguezas que estavam sobre a por­ta principal do castello. Depois da restauração, man­daram-se, sobre o escudo, embutir os sete castellos e os cinco escudêtes, postiços; mas parte d'elles, fican­do mal seguros, cahiram. Esta porta está no baluarte da estrada da cidadella, ao qual, pela sua forma, se dá o nome de Redondo. Por baixo das armas reaes estão duas inscripções, ou, para melhor dizer, uma inscripção dividida em duas partes. Principia do lado esquerdo de quem entra e diz: ARCEM HANC JVSSV  SERENISSIMI REGIS JOANNIS III AB INVICTISSSIMO COMITE  LVDOVICO BIS  INDIAE PRO REGE IN CHOATAM ET GRASSANTE CASTELLA TYRANNI DE PER LUS­TRA XII NTERMISSAM. Do lado direito continua do modo seguinte: SUB AVGVSTISSIMO JOANNE IIII REGNI ASSERTORE A CONTE HIERONIMO PRONEPOTE AMPLE  ET MINACITER ABSOLUTAM LAPIS HIC POSTERITATI COMMENDAT. ANNO DOMINI MDCXLV. Na porta exterior do revelim lê-se gravada em uma pedra, esta inscripção: J. IV 1645.
Pag. 161 - O feito do galeão de Sancho Henriques
Encontra-se a paginas 525 do 3.º volume, d'esta nossa edição da Historia, a descripção d'este notabilissimo episódio, em que relampeja ainda o génio he­róico de sangue portuguez.
Pag. 165 - Santo Ignaoio de Loyola
Anda tão ligado o nome do fundador da ordem dos Jesuítas á historia do nosso paiz, para cujo progredimento nos primeiros tempos, e para a sua deca­dência mais tarde, tanto concorreu, que não podia-mos deixar de reproduzir nas columnas d'esta nossa edição o retrato d'este vulto, copiado d'um dos me­lhores quadros existentes na Bibliotheca Nacional de Lisboa.
Pag. 168 - Túmulo de Fernão Gomes de Góes, em Oliveira do Conde
Apezar de todos os esforços empregados, não po­demos apurar nem qual a data da fundação d'este túmulo, nem quem era o personagem n'elle sepulta­do. A gravura foi feita sobre uma bella photographia do sr. A. Sartoris, de Coimbra.
Pag. 169 - D. Fr. Sebastião de Menezes
O retrato d'este notável arcebispo de Carthago e patriarcha de África, que nasceu em Santarém, e vi­veu no século XV, é copiado do que vem nos Retra­tos e Elogios de Varões e Donas, de cuja memória extrahimos as seguintes palavras justificativas da sua authenticidade: «O seu retrato é o mesmo que vimos na casa do de profundis, no convento de Santarém, d'onde o fizemos copiar. O painel era de pintura an­tiga, e n'elle se lia por titulo: O V. D. Fr. Sebastião de Meneses, natural de Santarém, embaixador d'el-Rei D. João 1 ao Papa João XXIII, o qual o cons­tituiu Patriarcha de África, morreu em Roma no anno de 1416.» N'este titulo, o que não é verdadeiro é a data da morte do patriarcha em questão, pois que, segundo o epitaphio do seu túmulo em Roma, elle morreu mas foi em 1419.
Pag. 173 - Local e ruinas do arsenal de Velha Goa
D'esse importante edifício, d'onde sahiram tantos navios de guerra que fizeram tremer de espanto os indígenas da velha Índia, só restam as tristes relíquias que a nossa gravura representa, apenas uns desbo­tados lanços de muralha, que já não poderão durar muito, e que hão de desapparecer, como desappareceu a nossa passada grandeza.
Pag. 176 - Gonvento de S. Bento de Castris
Pouco depois da tomada de Évora, por Geraldo Sem Pavor, fez-se da Torre da Atalaya, onde, se­gundo a lenda, elle degolara o mouro e a filha, uma casa forte para recolher em noites tempestuosas os esculcas do campo. A esta casa chamavam Castris, nome dado então a esta casta de edifícios, derivado da palavra latina castra (arraial). Com a total expul­são dos Mouros do Alemtejo, cessou a precisão de tal casa, que se foi desmoronando pelo abandono, e apenas servia de abrigo aos pastores, quando chovia. D. Payo, primeiro bispo de Évora, mandou limpar esta crasta e desentulhal-a, e no centro fundou uma capella, dedicada a S. Bento, na qual se fazia uma grande romaria todos os annos no dia do santo. D. Urraca Ximenes, nobre viuva d'um fidalgo da cor­te de Affonso I, com uma sua irmã, duas filhas e três sobrinhos, e com licença do bispo, aqui fizeram uma casa em que viveram conventualmente. Algumas se­nhoras de Évora se lhes reuniram, doando á casa quanto possuíam, e este exemplo foi seguido por ou trás senhoras do reino. Em 1169 tomaram estas re­clusas o habito de Cister, sob a regra de S. Bento, sendo sua primeira abbadessa D. Urraca Ximenes, sua fundadora. Foi o primeiro convento de freiras benedictinas que houve no reino, fundado desde o tempo do conde D. Henrique. Principiou muito po­bre, mas foi crescendo em riqueza, com as doações de varias pessoas, e com o que traziam para o con­vento as que n'elle professavam, de modo que che­gou a ser uma casa rica. Fundaram então uma nova e mais ampla egreja no sitio da ermida, na era de 1366 (1328 de Jesus Christo). Em 1383 era abbades­sa D. Joanna Peres Ferreirim, prima de D. Leonor Telles, mulher de D. Fernando. Quiz ella mudar o convento para dentro dos muros da cidade, para umas casas que eram do convento, emquanto dura­vam as guerras com Castella; mas o povo de Évora fazia-lhe muitos insultos, á abbadessa e aos seus creados, por a julgarem parcial de Castella. Estando ella um dia na Sé, e vendo tractar cruelmente um homem aceusado de não seguir o partido do Mestre de Avis, ralhou com os seus perseguidores que se soltaram também a ella. Os cónegos a esconderam atraz d’umas relíquias, mas o povo lá foi encontral-a e a trou­xe de rastos para a rua, onde a assassinou a pan­cadas, rasgando lhe depois os vestidos e lançando-a nua sobre um monturo. Os frades franciscanos a fo­ram buscar de noite, em segredo, e a enterraram na casa do capitulo do seu convento, onde jaz com fa­ma de santa. O povo, não satisfeito com aquella atro­cidade (diz Pinho Leal, d'onde estamos extrahindo esta noticia) foi a casa onde estavam provisoriamen­te as outras freiras, para lhes fazer o mesmo; não achando, porém, mais do que duas, as despiram e amarraram com as mãos atraz das costas, para as violarem e assassinarem. Valeu-lhes, porém, Mi­guel Godinho, nobre cidadão de Évora, strenuo de­fensor do Mestre, e por isto muito querido do povo. Elias, em prémio d'esta protecção, quando regressa­ram ao seu convento extra-muros, lhe doaram a casa em que viveram na cidade, por doação de 1392. O edifício nada tem de notável; mas é muito bem si­tuado e tem dilatados horizontes. A egreja está or­nada com magnificência e as cadeiras do coro são construídas de ricas e custosas madeiras; estão na capella-mór ao lado do Evangelho. O sitio é ameno e pittoresco, pelo que é muito concorrido.
Pag. 177 - Atrocidades dos Portuguezes nas Molucas
Lê-se em paginas 522 e seguintes do 3.º volume a descripção d'estas scenas, que são das paginas mais vergonhosas da Historia do domínio portuguez em terras de alem-mar.
Pag. 181 - Casa de João Velho, em Vianna do Castello
Não conhecemos ao norte do Rio Douro exem­plar mais completo que represente a nossa arte architectural civil da edade media. Ostenta sobre o arco de sarapanel o brazão dos Velhos de Vianna, que, por irem á descoberta do Congo, tiveram escudo es­pecial, sendo sustentado por dois selvagens ou ethiopes. As janellas recruzetadas e os arcos ogivaes dos lidos certificam que a obra ascende aos primeiros quartéis do século XV, sendo, portanto, contemporânea da egreja matriz que a defronta.
Pag. 184 - P. Luiz Infante de Portugal, filho de D. Manuel
Bastantes vezes e sempre com louvor, se refere a Historia a este benemérito cultor das sciencias e das lettras, cujo retrato reproduzimos do que vem no li­vro Retratos e Elogios de Varões e Donas, em cuja Memória se lê : «Era de estatura mediana, cabello louro, olhos vivos, de gentil e agradável presença. O seu retrato verdadeiro conserva-se com grande ve­neração no convento dos religiosos da província da Arrábida, que fundou entre Benavente e Salvaterra, e d'elle se lembra Cardoso no seu Diccionario Geographico, t. 2.°, a pag. 159; o que aqui se offerece é o da sua Vida, pelo sobredito Marquez de Valença, no qual se lêem os três dísticos seguintes: Pictorem videor, Princeps, aequare peritum, Et tua, ni fallor, vivit imago duplex. Scilicet effingit vultus pictura decoros; Egregios mores exprimit historia. Depingunt umbrae meglius, meliora libellus; Haec est effigies Principis, illa hominis.
Pag. 185 - Pia baptismal na Sé de Coimbra
É trabalho de uma epocha posterior á da pia de S. João de Almedina, já publicada a pag. 16 d'este 4.º volume  da Historia, sendo  porém  menos elegante nas suas linhas fundamentaes. - Foi mandada fazer pelo insigne prelado D. Jorge de Almeida aos irmãos Henriques, que faziam parte d'essa plêiade de esculptores que no século XV, trabalhavam em Coimbra e seus arredores. - No pé que sustinha a bacia, onde se divisam as armas de D. Jorge de Almeida, lê-se em caracteres gothicos: P. Ariques e seu irmão a fez.
Pag. 189 - Antigo  convento de Nossa Senhora do Cabo
Actualmente está transformado n'um palácio, on­de os governadores geraes da Índia costumam pas­sar a estação calmosa, e fica a uns 8 kilometros a O. de Pangim, entre a praça de Aguada e a de Mormugão. Tinha sido convento de franciscanos reforma­dos e está situado no extremo occidental do pro­montório de N. S. do Cabo, sobre grandes massas de rocha lateritica, n'um sitio aprazível e fresco. Foi mandado edificar pelo vice-rei Mathias de Albuquer­que no anno de 1594. O governador geral conde de Torres Novas é que transformou o convento em ca­sa de campo, substituindo as cellas por amplas ca­sas, etc. A egreja também foi concertada pela mes­ma epocha. A egreja, o palácio e a sua extensa cerca eram ainda ha poucos annos administradas por um frade do antigo convento, que fixara alli a sua resi­dência. Foi n'esta cerca que os Inglezes, em 1799 e 1808, sem requisição ou pedido do governo portuguez, a pretexto de nos auxiliarem contra os Francezes, occuparam os portos militares de Gôa e edi­ficaram uns quartéis, dos quaes nem minas existem. Os Inglezes só depois do tractado de Amiens e de muitas instancias do governo portuguez, é que lar­garam as nossas fortalezas da Índia, no dia 2 de abril de 1813. Índia Portuguesa.
Pag. 192 - D. António Pinheiro, bispo de Miranda e de Leiria
É reproduzido da celebrada collecção Retratos e Elogios de Varões e Donas, cujos directores tão escrupulosos eram na publicação dos retratos com que enriqueceram essa preciosa galeria, o retrato que aqui damos do famoso prelado, contemporâneo de D. Sebastião.
Pag. 195 - Primeiro cerco de Diu
Veja-se em pag. 595 e seguintes do 3.º volume da nossa Historia a descripção d'este glorioso feito das armas portuguezas na Índia.
Pag. 197 - Chafariz de Víanna do Castello
É um bello modelo do celebre canteiro portu­guez João Lopes este chafariz, que é o principal da velha cidade de Vianna, e que se levanta em frente do edifício da Camara. Na garganta inferior da ar­vore lê-se a data de 1554, que tem authentíca a sua antiguidade.
Pag. 200 - A casa dos bicos
É esta uma das curiosidades de Lisboa, o que nos obriga a relatar tudo quanto acerca della está apurado e que se encontra no Portugal antigo e Mo­derno. Segundo a tradição, esta casa foi mandada edificar por um homem rico, que tencionava cravar um diamante no vértice de cada uma das pedras bi­cudas que lhe erriçam a frontaria. Que estando a ca­sa no primeiro andar, o governo embargara a obra, não querendo que em Lisboa houvesse uma casa particular mais rica e falada do que o paço real; mas que, apezar disso, se lhe ficou chamando casa dos diamantes, e que com este nome era conhecida no tempo dos Philippes. Dizem outros que no século XVI, reinando D. Manuel, estivera hospedado n'esta casa uma rainha preta, que trazia muitos diamantes, e que d'aqui lhe provem o nome e a fama de casa riquíssima,  que ficou em provérbio até a actualidade. - Ainda outros dizem que a casa foi construida segundo o risco do senhorio, sem impedimento algum por parte do governo, e que, do primeiro andar para cima, lhe mandou pôr em cada bico um diamante falso; mas que toda aquella pedraria brilhava muito com os raios  do sol, que lhe dava de lado, porque  antigamente esta casa deitava para a praia da Ribeira, e até nas aguas vivas chegavam os barcos mesmo á porta. - O terremoto de 1755 damnificou-lhe os andares superiores, deixando-a reduzida ao primeiro andar e  sobreloja, tal como ainda existe. Até aqui a lenda. - Deixando a tradição popular, sempre propensa ao maravilhoso, sigamos as investigações dos nossos actuaes antiquários. - Quasi a meio da  antiga Villa Nova  de Gibraltar ou  Judiaria Grande (povoação ou bairro judaico, fora do lanço do sul e sueste das muralhas que cercavam Lisboa antes do  reinado de  D. Fernando), foi edificada a Casa dos Bicos. Á casa da esnóga (synagoga dos Judeus) transformada  por D. Manuel, em 1502, em templo christão, suecedeu em celebridade a casa dos bicos, que lhe  fica próxima, e ambas dentro dos li­mites da antiga judiaria. - Expulsos os Judeus   e Mouros de Portugal (1497) e purificada a Judiaria, vieram estabelecer-se n'este bairro muitos fidalgos que regressavam da Índia, riquíssimos com os roubos e extorsões que lá faziam, fundando aqui sumptuosos palácios; e os negociantes  aqui edificavam grandes casas de commeicio. Não foi, porém, o grande Affonso de Albuquerque o fundador da casa dos bicos, nem  é verdade que n'ella residisse... Albuqueeque morreu solteiro deixando um filho bastardo, Braz de Albuquerque, de quem D  Manuel tomou conta mandando-o educar, fazendo-o chrismar para que ficasse com o glorioso nome  de seu pae, e casando-o| com uma  filha  do primeiro conde de Linhares, dotando-o com 20:000 cruzados, fazendo-lhe mercê de 300$000 reis de juro e mandando lhe pagar os 80:000 cruzados de soldos que ficaram devendo a seu pae e as qhintaladas de pimenta que lhe pertenciam, o que tudo montava a grandes cabedaes.  Braz ou  Affonso de Albuquerque seguiu a  moda dos fidalgos do seu tempo, fazendo o seu palácio na Ribeira, no bairro da antiga judiaria em  1523 e como tinha muito di­nheiro e para fazer desesperar os emulos de seu pae, que eram todos os fidalgos  poltrões e intrigantes d'esse tempo, protestou que havia de  fazer uma casa forrada de diamantes... Não consta de documen­to algum que a casa dos bicos fosse embargada quan­do andava em obras, e ha a certeza de que se um cluiu segundo o risco. - Existe uma escriptura feita 69 annos depois da morte de Braz de Albuquerque, pela qual se vê que não moravam na casa dos bicos os Albuquerques, mas que a teriam arrendado por 464$ reis, o que prova que esta casa era então muito mais vasta e tinha mais andares do que a actual, e em 1745 tomou posse, por successão, da casa dos bicos Francisco Xavier de Mello Albuquerque  Brito Freire, e no auto se lhe chama casa nobre com loja por baixo, onde se vendem bebidas. - Segundo o tombo geral das  propriedades de Lisboa, mandado fazer pelo marquez de Pombal, depois do terremoto, consta que a casa dos bicos tinha de frente 93 palmos e dois terços (2o,m60) e de fundo até á rua do Albuquerque (hoje do alnargem) 96 palmos (21,m12) com loja, sobreloja e dois andares. Suppõe-se, com boas razões, que a frente da casa dos bicos era para o lado do norte, não só porque deitava para a rua do Albuquerque, mas porque era d'esse lado que estavam as armas do fundador, e ainda alli se vê uma larga porta, no gosto das do lado do sul, que decerto era a entrada principal do edifício. Demais a mais, esta porta é muito maior do que a do sul, o que mais convence que estas eram das trazeiras, que deitavam para o Tejo, que chegava até ellas. Esta porta da rua do Albuquerque é a única que ha d'este lado; o resto é um muro d'uns três metros de alto. - Não é ponto incontestavelmente resolvido se n'esta casa houve em algum tempo, diamantes a rematar os bi­cos. Parece mais provável que se lhe desse o nome de casa dos diamantes (simultaneamente com o de casa dos bicos) em razão da configuração, em forma de diamante faceado, que têem as pedras da sua pa­rede. É verdade que alguns dizem que, por morte do fundador, estando os diamantes em partilha, cada co-herdeiro levou os seus; mas o que também é cer­to é que em todos os documentos concernentes a esta casa singular, se lhe dá o nome de casa dos bi­cos e nunca dos diamantes. - Em 1827 foi posta em praça pela fazenda publica, por estar penhorada pela quantia de 14:800$000 réis, que o proprietário devia de decimas por este e outros prédios seus. Era inquilino o rico negociante de bacalhau, Caetano Lopes da Silva. Em 1838, Francisco António Marques Geraldes Barba, tutor do menor Pedro Telles de Mello, suecessor do antigo senhor d'esta casa, citou o arrematante para lha restituir, com o fundamento de que, sendo vinculada, não podia ser vendida, em­bora com execução fiscal. Caetano Lopes, homem honrado e inimigo de demandas, reconhecendo por conselho de lettrados, que a casa fora illegalmente posta em praça, confessou a acção, e fez ao senhorio um arrendamento a largo praso pelo alu­guer annual de 500$000 réis. Podia demandar a fa­zenda nacional pelos 14:800$000 réis e sisa; mas sa­bendo o que são demandas com o estado, nem elle nem seus filhos se atreveram a tentar a acção, prefe­rindo perder aquella quantia. - Era ha pouco tempo proprietário da casa Pedro de Mello, um dos descen­dentes de Aftonso de Albuquerque.
Pag. 201 - Padre Simão Rodrigues
A meudo vem citado o nome d'este padre na nos­sa Historia, quando seu auctor tracta da introducção dos jesuítas em Portugal, sendo Simão Rodrigues um dos companheiros de Loyola ; por isso bem cabido é n'esta obra o seu retrato, o qual é ampliado d'uma pequena gravura que ornamenta o pórtico d'um bom livro, bastante raro já, do padre Balthazar Telles: Chronica da Companhia de Jesus na provinda de Portugal e do que fizeram nas conquistas d'este Rei­no os religiosos que na mesma província entraram nos annos em que viveu Santo Ignacto de Loyola, Lisboa, 1645-1647, 2 vol. in f.°
Pag. 205 - Tympano da Porta Principal da Egreja da Conceição Velha
Por cima da porta principal da Conceição Velha, foi, em 1880, collocado um quadro de figuras esculpi­das em pedra, que d'alli tinha sido tirado pelos Frei­res, em 1818, para dar mais claridade ao coro, sen­do em seu logar posta uma grade de ferro, como se vê da gravura publicada no volume 3.° da nossa His­toria. - O quadro representa a imagem de Nossa Se­nhora da Misericórdia, de manto aberto sustido por dois anjos, e a seus pés, de um lado, el-rei D. Ma­noel, a rainha D. Leonor, sua irmã, viuva d'el-rei D. João II e príncipes d'aquelle tempo, todos de joelhos; e do outro lado o pontífice Leão X, o instituidor frei Miguel de Contreiras, cardeaes e bispos, que conce­deram a estes reinos e fundação de hospitaes, mise­ricórdias e albergarias. Tem 4m,40 de comprido por 9m,10 de largura, e é composta de sete pedras. Diz Vilhena Barbosa no Archivo Pituresco, que aquelle grupo, como objecto histórico e archeologico, é de alto valor e de interesse, pois que é a chronica em pedra da mais religiosa e caridosa instituição que os homens teem creado. É um quadro authentico dos costumes da epocha.
Pag. 208 - Diogo Paiva d'Andrade
Este insigne theologo que viveu no século XVI, pois nasceu em 1528 e falleceu em 1575, foi um dos bons escriptores do seu tempo, pelo que merece que aqui lhe perpetuemos a memória, publicando lhe o retrato que reproduzimos do que acompanha o que vem no tomo 1.° dos seus sermões, que vem egualmente nos Retratos e Elogios de Varões e Donas, e que é muito parecido ao de uma medalha de bronze, que foi dos Padres Eremitas de Santo Agostinho do convento da Graça, e pertenceu mais tarde á casa do Marquez de Pombal.
Pag. 213 - S. Francisco Xavier
Este retrato que aqui damos do famoso apostolo das Índias é reproducção do que se suppõe ser o ver­dadeiro retrato de S. Francisco; existe elle n'um quadro a óleo collocado por detraz da capella do mesmo santo na egreja do Bom Jesus, de Velha Gôa. A nos­sa photogravura é feita sobre uma photographia tira­da d'esse quadro.
Pag. 216 - Túmulo de S. Francisco Xavier em Velha Gôa
O que ao mundo catholico mais attrahe a attenção dos visitantes da cidade velha de Gôa é o famo­so túmulo de prata, que a nossa gravura representa, onde repousa o maior conquistador do Oriente, S. Francisco Xavier. Este esplendido mausoléu, de fi­níssimos mármores de Itália, de differentes cores, é um trabalho artístico primoroso e uma magnifica offerta de um grão duque de Toscana, como refere o Padre Francisco de Sousa no seu Oriente Conquista­do. Compõe-se de três partes distinctas, além do cai­xão da prata que encerra o corpo mumificado do glorioso apostolo das Índias. Tem approximadamente 6 metros de altura desde a base ate á parte superior da cruz que remata o caixão, 3 metros de compri­mento e 2,5 de largura. A primeira parte representa os quatro altares em forma de urna, um em cada fa­ce do túmulo. Esta parte, que constitue actualmente a base do sarcophago, é de bellissimo mármore encar­nado raiado de branco, com os resaltos de mármore branco, e raios alaranjados. Os ornatos em alto relevo, assim como os cherubins dos ângulos, são de jaspe e alabastro puríssimo. No centro do frontal de cada um dos altares tem differentes emblemas em alto relevo, representando no altar da face norte o sol com dois circulos concêntricos radiosos; no altar que olha para o occidente, mostra um livro e differentes cruzes descen­do sobre elle; no do sul, um coração exhalando chammas entre dois círculos radiosos; e, finalmente, no da cabeceira, representa o céu nebuloso, despedindo raios que derribam uma mesquita coroada de meia lua. A segunda parte é um parallelipipedo de excellente mármore verde, salpicado de pintas brancas, pretas e cinzentas, com resaltos e frisos de mármore amarellado com veios brancos e côr de sepia. No cen­tro de cada uma das quatro faces está uma grande lamina de bronze escuro de elevado mérito artístico, representando em alto relevo, e em figuras quasi destacadas do fundo, as mais notáveis passagens da vi­da do Santo. Na lamina da face do túmulo que fica voltada ao norte está representado o glorioso aposto­lo doutrinando os povos da Índia. Superior a este quadro existe um medalhão de bronze, sustentado por dois anjos de grandes dimensões e de alvissimo ala­bastro, o qual representa o sol nascente, e é remata­do por uma fita também de bronze, onde está escripta a seguinte legenda: Nox inimica fugat. A lamina da parte occidental representa S. Francisco Xavier baptisando. S. Francisco está descalço, com roupeta, sobrepeliz e estola, tendo na mão esquerda a imagem do crucificado, e baptisando com a direita uma mul­tidão de indígenas nas Molucas. Ao lado esquerdo do apostolo e entre a multidão vê-se um padre que a catechisa. Na parte superior d'este quadro esta um me­dalhão, também de bronze, representando o sol no zenith, e na parte sustentada pelos anjos lê-se Ut vitam habeam. Na lamina da face meridional vê-se o de­fensor do Oriente procurando atravessar um rio so­bre um madeiro, para fugir á perseguição dos jávaros da ilha de Moro. No medalhão sobreposto a este quadro vê-se um leão no meio de uma medonha tem­pestade, e lêem-se as seguintes palavras: Nihil horum vertor. Finalmente o quadro do lado oriental ou da cabeceira mostra o Santo na hora do passamento abraçado estreitamente a um crucifixo, na praia de Sanchoão. Está recostado sobre uma esteira na chou­pana do portuguez Jorge Alvares, entre os seus dis­cípulos António e Christovam, e assistido de anjos. Alli morre, exclamando: In te Domine speravi. O medalhão sobreposto ao quadro representa o sol no occaso e n'elle se lê o seguinte: Maior in occasu. Atraz dos medalhões está a balaustrada, que forma a ter­ceira parte do túmulo. É de mármore roxo com manchas brancas. Os frisos e resaltos das quatro columnas dos ângulos são de mármore escuro raiado de branco, e de mármore amarello os plintos superiores e inferiores. Sobre esta balaustrada assenta o caixão, guarnecido exteriormente de prata rendilhada sobre velludo carmim e cravejada de differentes pedras pre­ciosas. É este caixão que conserva o precioso depo­sito do corpo de S. Francisco Xavier. Nas quatro fa­ces do caixão existem trinta e dois quadros ou lami­nas de prata, que illustram a vida e representam em relevo os passos e milagres do astro brilhante que diffundiu por todo o Oriente os raios fecundos do Evangelho. Na parte superior do caixão ha dezeseis anjos de prata, e n'outras posições seis pinhas gran­des e outros pequenas também de prata lavrada e com flores douradas guarnecidas de pedras preciosas. A peanha da cruz que remata o caixão apresenta, nos lados oriental e occidental, dois anjos com emblemas na mão. O anjo do lado oriental tem uma mão no co­ração em labaredas, e o do lado occidental ou dos pés este dístico: Satis est Domine, satis est, palavras que S. Francisco Xavier costumava repetir, quando sentia aquelles extasis de amor divino, que o torna­vam um verdadeiro inspirado. Índia Portuguesa.
Pag. 217 - Coge-Cofar
É este retrato reproduzido do que illustra algu­mas das edições do celebrado livro de Jacintho Freire de Andrade, Vida de D. João de Castro, tantas vezes e tão aproposito citado na Historia, por M. Pinheiro Chagas.
Pags. 221 - Egreja matriz de Vianna do Castello
Tinha antigamente a egreja matriz de Vianna do Castello a invocação do Salvador, cujos passos principaes se acham representados no portal da fachada principal, no estylo do século XIV, mas construído no século XV. Numa das torres que ladeiam o frontispí­cio, na da esquerda, como o leitor facilmente verá pela gravura que lhe apresentamos, ostenta o brazão de D. Justo Balduino, bispo de Ceuta. O exterior apresenta ainda todo o seu magestoso e monumental aspecto de vetustez; mas o interior foi completamente deturpado na ultima reforma; apenas, do antigo, se conserva de notável duas capellas gothicas, e algu­mas estatuas jacentes dos séculos XV e XVI.
Pag. 224 - Peça de Diu
Porque é uma curiosidade histórica, digna de fi­gurar na nossa edição, por isso a mandámos repro­duzir. Como bem nos conta Pinheiro Chagas, é ella a celebre colubrina tomada pelos Portuguezes aos Turcos, quando da campanha de Diu, a famosa praça de guerra da Índia. Existe no Museu  de Artilheria em Lisboa.
Pag. 225 - Explosão da fortaleza de Calicut
Enche de pavor a descripção d'esta scena, não sabemos bem se de canibalismo, se motivada por des­cuido dos nossos, que M. Pinheiro Chagas nos dá com todas as minúcias do horrível n'este volume da nossa Historia.
Pag. 229 - Luiz de Camões
Reservamo-nos para justificarmos a apresentação d'este retrato, quando falarmos do que mais adeantc publicamos.
Pag. 232 - Porta dos curraes em Extremoz
As fortificações d'esta villa alemtejana datam do tempo de D. Affonso III, que as mandou levantar, em virtude de ter visto que a sua posição era importante para defender a fronteira do Alemtejo. Pouco depois da restauração de 1640, tractou D. João IV de augmentar as fortificações, e ainda que as primeiras obras de defesa, que então se fizeram, fossem frágeis, passados poucos annos se construíram com solidez e segundo as regras da arte, ficando a villa cingida de muralhas, defendida por dois baluartes e um reducto, além dos revelins e mais obras exteriores. O antigo castello foi reparado, passando a ser a cidadella da praça. Os muros de circumvallação tinham nove por­tas. Uma d'ellas, em melhor estado de conservação, é a que a nossa gravura representa.
Pag. 233 - O retrato authentico deVasco da Gama
Não se admire o leitor de publicarmos aqui um novo retrato de Vasco da Gama, depois de havermos dado outro a Pag. 281 do 3.º volume, e que se suppõe ainda authentico. Foi o apparecimento d'um novo re­trato, reproduzido n'uma revista illustrada de Lisboa, O Brazil Portugal, que nos levou a reproduzil-o no nosso 4.º volume da Historia, e aqui o trecho da carta do sr. conde da Vidigueira que o acompanha n'aquella mesma revista: «Entre vários quadros sem moldura nem grades, encontrei em minha casa o retrato de D. Vasquo da Gama, em tela que, pela sua urdidura, se reconhecia ser do principio  do século XV,  rala e gasta. Submetti-a á apreciação de entendedores dos mais competentes e auctorizados; entre elles o meu amigo o sr. Zacharias d'Aça fez-me o favor de vêr a admirar o quadro, ficando enleado por não poder es­tabelecer comparação com o retrato que via e aquella que existe no Museu de Bellas Artes, retrato que, como todos sabemos, foi pintado na Hollanda, por indi­cações fornecidas de Portugal. Dias depois o sr. Aça conversou com o sr. Gabriel Pereira, o erudito dire­ctor da Bibliotheca Nacional de Lisboa, archeologo a critico insigne, a respeito do quadro que vira em mi­nha casa, e antes do sr. Zacharias d'Aça ter dado  a menor indicação, o sr. Gabriel Pereira, de  pergunta em pergunta, de inducção em inducção, concluiu, não só pela  tradição popular como pelas indicações que temos de retratos  que existem na  nossa  Índia, que era aquelle sem duvida o authentico retrato de D. Vasquo da Gama. Em confirmação d'esta, outras opiniões auctorizadas vieram depois, não restando a menor duvida de que o authentico retrato do grande almirante era aquelle que  a  minha casa possuía, O mesmo que a Sociedade de Geographia apresenta hoje em uma das suas salas».
Pag. 237 - Porta d'Evora
Por lapso se não indicou em a epigraphe d'esta gravura que era em Extremoz que esta porta se encontrava, chamando-se entretanto porta d'Evora, talvez, porque seja por ahi o caminho para esta cidade; fica aqui reparado esse lapso. Era decerto esta uma das nove portas que se abriam nos muros da circumvalação que cingiam a villa de Extremoz. Para mais comprehensão e para nos não repetirmos, leia-se o que poucas linhas acima dizemos acerca da Porta dos Curraes, na mesma villa.
Pag. 240 - Armário na egreja do Seminário em Portalegre
Como obra de talha, é um dos melhores trabalhos conhecidos d'aquelle século, em que o mobiliário ar­tístico quasi só se encontrava nas egrejas. É digno de lêr-se a tal respeito, os artigos do sr. Leite de Vasconcellos na Exposição districtal de Aveiro, em 1882, impresso em Aveiro.
Pag. 241 - Defeza de Malaca
N'este mesmo volume se encontra a descripção de mais este feito heróico dos nossos antepassados na Índia.
Pag. 245 - Martim Affonso de Sousa
É copia d'uma lithographia do chamado Livro dos Brancos, existente na Bibliotheca Nacional de Lisboa, o retrato que aqui apresentamos d'este notá­vel governador da Índia e fundador da capitania de S. Vicente, no Brazil.
Pag. 248 - Claustro de Lorvão
Já nas notas com que fechámos o vol 3.º d'esta nossa edição da Historia dêmos as indicações sufficientes acerca d'este notável mosteiro, pelo que nos abstemos de nos alargarmos mais n'este ponto.
Pag. 249 - Planta da cidade e fortaleza de Diu
Vem na edição da Imprensa Nacional de 1804, da Vida de D. João de Castro quarto viso-rei da Índia, por Jacintho Freire de Andrade, a gravura que ser­viu de original á planta de Diu por nós aqui apresen­tada.
Pag. 253 - Portal de S. Thiago
A egreja de S. Thiago é uma das mais antigas de Coimbra, pois que, segundo testemunha Gasco, foi erigida depois de 1064 em louvor d'aquelle apostolo, a cujo soe corro D. Fernando Mayor attribuiu a con­quista da cidade. O sr. R. de Gusmão, escrevendo d'esta egreja diz: «É certo que no século XIV ainda a parochia de S. Thiago de Coimbra era sujeita ao Arcebispo de Compostella, que a visitava ou manda­va visitar; não o é menos que sob o titulo de basílica se sagrara no principio do XIII a sua egreja. N'ella foi que o infante D. Pedro, Duque de Coimbra, e D. Alvaro Vaz de Almada, Conde de Abranches, jura­ram, pondo as mãos sobre uma hóstia consagrada, não sobreviver um ao outro no esperado recontro com seus inimigos; e poucos dias depois d'este facto solemne e fatal “Ingrato e feio Caso, digno das torres de Bysancio, Viram de Alfarrobeira infames plainos Roxos do sangue das civis discórdias.” Tinha esta collegiada, em 1757, 300 fogos. Hoje está annexada á parochia de S Bartholomeu O prior tinha de rendimento 250$000 réis. O frontispício do templo, hoje arrebicado pelos caiadores, bem como o seu interior, apezar de muito alterados no século passado, apresentam ainda o cu­nho da sua vetustez. A porta principal e a lateral, formadas por varias columnas em que se apoiam ar­cos de cintro pleno, que diminuem progressivamente em altura e largura, com diversos lavores e folhagens em relevo, offerecem um bom specimen do estylo architectonico do XI século. O templo é de três na­ves. Tem quatro capellas, uma das quaes é dedicada a Santo Eloy, patrono dos ourives, que tinham o privi­legio de n'ella serem enterrados. Em uma das suas paredes vê-se uma pequena pedra com esta inscripção: EN HESTA SEPOLTURA JASEM OS HOSOS DAFFONS O DOMIGEZ DAVEJRO PRIMEIRO IMSTITUIDOR DESTA CAPELLA OS QUAES FORAM AQUJ POSTOS PER PÊRO DALLPOI SEU TRESNETO QUE ORA HE ADMJNISTRADOR DA DITA CAPELLA NO ANO DO NASCIMENTO DE NOSSO SENOR JHU XPO DE MILL E QUJNHENTOS E QUATORZE ANOS. Quando para se alargar a antiga rua de Coruche se cortou um pedaço a esta egreja, tivemos occasião de ver a architectura da capella-mór (até então enco­berta pelo retábulo de madeira), que denotava a sua muita antiguidade. Guia histórico do Viajante em Coimbra.
Pag. 256 - Milagre do padrão de Oliveira
Esta esculptura em madeira representa el-rei D. João I ajoelhado a render graças á Virgem pelo ven­cimento da batalha de Aljubarrota, e o advogado Pe­dro de Oliva, inimigo dos privilégios do Cabido e dos seus caseiros, cahido por terra com a lingua fora da bocca, aos pés dos cónegos Luiz Gonçalves e Abbade de Freitas, na occasião em que o reprehendiam das ameaças contra os referidos privilégios do Cabido.
Pag. 257 - Morte de S. Francisco Xavier
Consagra-se esta aguarella a recordar o passamen­to d'um dos maiores vultos do christianismo no sé­culo XVI, o famigerado S. Francisco Xavier, o apos­tolo das Índias, onde morreu, e onde tem seu túmu­lo, que vem reproduzido a pag. 105 d'este mesmo volume da Historia.
Pag. 261 - S. Francisco de Borja
Porque tomou parte activa nos negócios políticos de Portugal, que por três vezes visitou, aqui damos o retrato d'este vulto do agiologio catholico, copiado d'um retrato a óleo do fim do século XVI existente nos depósitos do Museu Nacional de Bellas Artes, ás Janellas Verdes, em Lisboa.
Pag. 264 - Portal da egreja de S. Salvador
De bem modesta apparencia é o templo que se encontra na rua do Salvador em Coimbra. Não se faz recommendavel por elegância, grandeza ou primo­res d'arte; todavia o seu aspecto de ancianidade e al­guns interessantes monumentos que n'elle se encon­tram, o tornam muito digno da attenção dos que presam as antiguidades - Comquanto se não saiba ao certo a epocha da sua fundação, parece indical-a uma inscripção lapidar que no frontispício do templo se encontra ao lado das columnas do portal, á direi­ta de quem entra. No numero 7 do Antiquário Conimbricense vem o fac símile d'esta inscripção de ca­racteres de exquisitas formas, e esta sua traducção: Estevam Mates de sua livre vontade fez esta porta e frontispico. Era de 1207 (anno de 1169). Era Millessima. - O interior do templo está dividido em três na­ves por duas fileiras de columnas cylindricas de can­taria, muito delgadas relativamente á sua altura. Do lado direito encontra-se uma pequena capella, e de­baixo de um arco aberto n'uma das suas paredes um grande túmulo com esta inscripção, cuja máxima parte é de caracteres gothicos; ESTA CAPELLA E ESTA SEPULTURA MADOU FAZER GVIMAR DE SSAA PA DEITAR HO MUITO HONRADO A.º DE BARROS CAVALEIRO DA CASA DEL REY SEU MARIDO HO QVAL AQVI JAZ E ELLA MÃDA A SEU TESTAMETERO QUADO ELLA FALECER Q ALACE CÕ ELLE HO QLL FALEOCE AOS XVIII DE F.° DE MILL 5l5 ANOS AQVAL GVIOMAR DE SAIAS AQVI FALECEO A XI... DOVTVBRO DE I. S. XXXII. No mesmo túmulo se vêem as armas das famílias Barros e Sás; mas em ambos os seus escudos faltam os timbres: no d'aquelles a aspa com cinco estrellas e no d'estes o meio búfalo. - Na parede da capella de S. Marcos, na face exterior que olha para um pe­queno quintal, está embutida uma pedra de palmo e meio de comprido e um palmo de largo em que se vê uma cruz da ordem dos templários e uma inscripção que no n.º 6 do Antiquário do Conimbricense vem interpretado da maneira seguinte: EGO. VERMUDUS. VERMUDI. ACCEPI ISTUM. MONUMENTUM. X II. DIES. TRANSACTIS. DE. APRILIS ERA. M. CC. XX. II. Eu Vermudo Vermudez acceitei este monumen­to doze dias andados de Abril. Era de 1224 (anno de 1186). - O local que a lapide hoje occupa não parece ser o primitivo porque nem juncto da parede se encontra signal algum de alli ter havido monu­mento sepulchral, nem a sua pouca grossura o podia conter... Defronte da Inscripção, e a poucos passos d'ella, na base da torre dos sinos se descobre quasi entallado uma espécie de carneiro de abobada. Era n'estas cavidades abertas nas paredes das egrejas, que n'aquelles tempos a Religião costumava dar eter­no descanço aos despojos mortaes das pessoas illustres; até que a devoção, em tempos mais próximos de nós, os foi trazendo para dentro dos templos. Existe uma relação tão intima entre estes dois monu­mentos, e a rudeza da inscripção que não se pode duvidar, que o gosto do século doze ainda alli domi­na, e que a lapida por algum incidente deslocada do seu primitivo assento, seria transportada, mais tarde, para o lagar que hoje occupa. Guia histórico do Viajante em Coimbra.
Pag. 265 - Lado Norte da Sé Velha
Dos dois pórticos da fachada lateral do vetusto convento, que ambos se attribuem ao tempo do bispo D. Jorge de Almeida, torna-se muito apreciável o maior, representado pela nossa gravura, que é de fa­brica excellente e decorado com grande profusão de miudezas e lavores de notável primor e elegância. Fez este pórtico o grande architecio João de Casti­lho, que tão celebre se tornou pelo esmero e bom gosto das suas construcçôes. Assim o affirma o sr. Francisco Varnhagen, que, falando d'este insigne ar­tista, no seu interessante opúsculo Noticia histórica e descriptiva do Mosteiro de Belém, diz o seguinte: «Também esteve em Coimbra, pois sem duvida de seu tempo e suas são as portas excrescentes de pe­dra de Ançã da Sé Velha. Os bustos em meda­lhões, os arabescos ao divino, os nichos de concha, os balaustres, os vasos, as pilastras estriadas, a par de um arremedo das renascentes ordens dorica e corinthia, como tudo ahi se vê, não podem deixar de ser obra de Castilho, já meio convertido ás dou­trinas de Vitruvio.» - Acerca d'este velho monumento da antiguidade christã já em outros volumes antece­dentes dêmos alguns dados interessantes e curiosos.
Pag. 269 - D. Jayme 5.° duque de Bragança
Existe na Bibliotheca Nacional de Lisboa o retrato d'este personagem illustre. É uma gravura em co­bre da collecção dos retratos do duque de Bragança.
Pag. 272 - Chafariz da Praça da Rainha em Vianna do Castello
É uma das três magnificas obras de arte que, no género, ornamentam as praças e largos da linda cidade de Vianna do Castello, rica em obras archeológicas e de reconhecido mérito artístico. N'este mesmo volume damos em estampa os outros dois chafarizes monumentaes da encantadora povoação.
Pag. 273 - Rodrigo de Lima
É ampliado d'uma das figuras representando este personagem, que vem no grupo que adorna a portada do celebre Livro de Alvares, o retrato que aqui damos do famigerado D. Rodrigo de Lima.
Pag. 277 - Porta principal da Sé de Braga
Não podendo no espaço de que dispomos dar notícia desenvolvida de cada um dos monumentos representados pelas nossas gravuras, vamos limitar-nos a dar, apenas a largos traços, noticia d'este vetusto monumento, para o que nos soccorremos d'um velho artigo sobre o assumpto escripto por I. Vilhena Barboza: «Sendo Braccara Augusta uma cidade fortificada ao tempo que o apostolo S. Thiago n'ella pregou a lei de Christo, deve-se suppor com muita plassibilidade que a sua primitiva sé fora fundada dentro dos seus muros. O seu primeiro prelado, S. Pedro de Rates, foi martyrizado no anno 44 do nascimento de Christo. Por conseguinte baseia-se na mesma plausível conjectura a supposição de que o actual edificio de cathedral de Braga foi edificado depois da mudança da cidade para o sitio em que se acha. Em que epocha se realizou esta mudança? quem foram os fundadores da nova cidade e da nova sé? São mysterios que se occultam na escuridão dos tempos. As opiniões emittidas pelos archeologos a esse respeito, não passam de simples conjecturas. Pondo de parte essas opiniões controversas e faltas de fundamento, direi que as noticias mais antigas que tenho achado relativamente ao edifício da Sé de Braga, são do século XI. Consta, de documentos authenticos, que esta chatedral fora reedificada pelo conde D. Henrique de Borgonha e sua mulher, a Rainha D. Thereza, nos fins d’aquelle século. Não dizem, porém, os documentos se a reedificação foi geral ou parcial... Julgo todavia que não restam vestígios das obras do conde e da rainha D. Thereza, a não serem, talvez, as parede exteriores do cruzeiro e as da capella da Annunciação ou S Thomaz, onde foram enterrados aquelles soberanos logo depois da sua morte. Se existem outros vestígios, serão lanços de parede sem feições caracteristicas... Não é preciso recorrer aos docummentos que existem,  para se saber a epocha da reconstrução e o nome do reedificador d'estas partes importantes do templo. O seu estylo gothico florido revela com exactidão a epocha. Porém, ainda para  maior clareza, o brazão d'armas que  se vê sobre a porta principal da egreja, e ao lado exterior da capella-mor, dizem que o reedificador foi o arcebispo D. Diogo de Sousa, elevado da cadeira episcopal do Porto á metropolitana de Braga no principio do século XVI, e fallecido n'esta cidade em 1532. Na frontaría da egreja, na parte superior do retábulo está estampado o gosto pezado e triste que presidiu, em geral, á architetura portugueza no século XVIII. Reedificou-a o aecebispo primaz D. José de Bragança, filho legitimado de el-rei D. Pedro II. Como timbre da regia fundação, 1á avulta sobre as duas janellas, resaltando muito da parede, um immenso escudo das armas reaes.» A frontaria, á qual pertence o pórtico que a nossa gravura representa, tem 37 metros de altura desde o pavi­mento da rua até á cruz episcopal das torres.
Pag. 280 - Convento da Cartuxa
A paginas 408 do 1.º volume d'esta nossa edição da Historia dêmos uma gravura representando o portico do adro d'este magnifico edifício eborense. A gravura que ora apresentamos completa aquella. Quanto á descripção, leia-se o que a respeito do con­vento da Cartuxa dissemos a pag. 621 desse mesmo 3.º volume.
Pag. 281 - Naufrágio de Manuel de Sepulveda
Quiz o nosso illustrador representar n'esta aguarella o epílogo da famosa e trágica historia do nau­frágio de Sepulveda, com tanta maestria descripta por M. Pinheiro Chagas, e immortalizada por Camões n'aquella celebrada prophecia posta na bocca do fe­ro Adamastor e que começa pelos seguintes versos: Outro também virá de honrada fama Liberal, cavalleiro, enamorado... (Lusíadas, canto V, est. 46 e segs).
Pag. 285 - Castello d'Elvas
Elvas é a primeira praça d'armas de Portugal, tanto pela sua posição como pela solidez e vastidão das suas fortificações. A parte mais alta é occupada por um castello antiquíssimo (suppõe-se ser obra dos mouros) cercado de robustas muralhas, e flanqueado por torres ameiadas; nas collinas que lhe ficam so­branceiras e que a cercam, estão construídos differentes fortes, entre os quaes é considerado como principal o de Nossa Senhora da Graça ou Forte de Lippe, que é tido como modelo de architectura militar, e que tem este nome por ter sido princi­piado em julho de 1765, por ordem do conde inglez Guilherme de Schomburgo Lippe, commandante em chefe do exercito portuguez, sendo engenheiro construetor Luiz António Valleré, francez, que foi depois general do Alemtejo.
Pag. 288 - Manuel de Faria e Sousa
É copiado do notável livro de que é auctor, Commentarios a Camões, o retrato que aqui damos d'este notável critico e poeta do século XVI.
Pag. 289 - Defeza de Mazagão
A descripção da scena representada pela gravura mostra-se a pags. 195 e seguintes d'este 4° volume da nossa edição da Historia.
Pag. 293 - António d'Abreu
Illustra a decima Memória da Collecção de Me­mórias relativas ás façanhas dos Portugueses na Índia, de António Patrício, o retrato d'este governador da Índia, que serviu de modelo para o que aqui apre­sentamos.
Pag. 296 - Túmulos e inscripções na egreja de S. Christovam
Encontra-se na sacristia do vetusto templo de S. Christovam, em Lisboa, o arco onde se vêem os túmulos e inscripções representadas pela nossa gra­vura. O túmulo alli reproduzido é do século XII e foi fundação de um bispo, como se deduz de vários em­blemas que n'elle se vêem; mas os caracteres do epitaphio estão de tal modo gastos, que se torna impos­sível decifral-os. Ha, porém, duas inscripções, de tú­mulos evidentemente mais modernos, que facilmente se podem lêr e que dizem, o do lado da epistola: «Aqui jazem as ossos de Fernão Gonçalves de Miran­da e de sua mulher D. Branca de Sousa, que se fina­ram em 1466»; o do lado do evangelho: «Aqui jazem os ossos de Mathias de Miranda e de sua mulher D. Genebra Pereira, que se finaram na era de 1463.»
Pag. 297 - Vitraes da sala capitular, na Batalha
São admiráveis de belleza, perfeição, arte e aca­bamento todos os vitraes que ornamentam as janelIas do monumental edifício da Batalha, ao qual já nos referimos sufficientemente no volume 2.º d'esta nos­sa edição da Historia. O que a nossa gravura re­produz, e que representa o Calvário, é talvez o mais notável e grandioso d'esses vitraes.
Pag. 301 - André Furtado de Mendonça
Bem como o retrato de António de Abreu, o d'este novo governador da Índia é também copiado do que adorna as paginas da Collecção de Memórias re­lativas ás façanhas dos Portugueses na Índia, por An­tónio Patrício.
Pag. 304 - Múmia de S. Francisco Xavier
Como este grande missionario tenha sido um dos maiores fautores da civilização no Oriente, mal andaríamos se não consagrássemos uma ou mais illustrações á sua gloriosa memória. O desenho que aqui damos representa S. Francisco Xavier no estado em que se achou aos 12 de outubro de 1859, em que foi aberto o seu túmulo.
Pag. 305 - A peste em Lisboa no anno de 1069
Leiam-se os horrorosos episódios d'esta peste que assolou Lisboa, em paginas 218 do 4.º vol. da nossa Historia, para bem se comprehender toda a verdade representada pela gravura que aqui damos.
Pag. 309 - Fr. Heitor Pinto
O retrato d'este famoso escriptor, auctor do no­tável livro mystico Imagem da Vida Christã, é copia­do dum quadro em tela em péssimo estado de con­servação, existente na Bibliotheca Publica de Lisboa, onde o fomos encontrar por indicação achada em um pequeno opúsculo de Gabriel Pereira, Noticia dos Retratos em tela, existentes n'aquella Bibliotheca.
Pag. 312 - Claustro do Convento do Varatojo
Á distancia proximamente de dois kilometros para oeste de Torres Vedras, subindo a encosta d'um monte, descobre-se, do lado opposto, entre as que­bradas, o convento de Santo António do Varatojo. Situado próximo da pequena aldeia do mesmo nome, este convento, de singela construcção, foi, no anno de 1470, fundado por D. Affonso V com a intenção de n'elle acabar os seus dias. Tornou-se celebre pelo grande numero de missionários que, para todas as partes do mundo, enviava á pregação do evangelho. Conserva ainda algumas memórias históricas, que lhe attrahem o olhar do viajante, e entre ellas uma janella no angulo externo do coro, d'onde a tradição diz que D. Affonso V dava por vezes audiência ao povo. No adro, na parede do lado esquerdo da porta principal da egreja, acha-se gravado n'uma pedra, o rodízio que fazia o timbre d'aquelle monarcha, e o mesmo serve de ornato á pintura dos painéis que for­mam o forro da varanda do claustro, que a nossa gravura representa, e também á dos que preenchem o mesmo fim no coro. N'outra lapide, que está do lado direito da porta da egreja, vêem-se abertas as armas portuguezas coroadas e seguras por dois an­jos de joelhos. Por cima da mesma porta principal está escripta a palavra Silencio. A egreja é pequena e modesta, mas está bem conservada e fazem-lhe orna­mento alguns bons quadros antigos. Quando foram extinctas as ordens religiosas, foi o convento do Va­ratojo vendido ao visconde de Moncorvo, por morte do qual passou a novo possuidor, um egresso do mesmo convento, que, associando-se com alguns outros padres, alli foi viver em communidade. Como é sabido, ainda lá se conservam continuando a observância da vida monástica, e sahindo a missionar em diversas partes do paiz.
Pag. 313 - Altar de graphite imitando mosaico
Constitue este altar uma das maravilhosas obras de arte em que é rica egreja do real convento de Nossa Senhora da Conceição, em Beja, a que n'outro logar nos referimos mais minuciosamente.
Pag. 317 - António da Silveira
Conservou-nos o retrato d'este denodado heroe da Índia, o poeta e critico Manuel de Faria e Sou­sa, nos seus Commentarios a Camões, onde o illustrador foi copiar o que o leitor tem em sua presença.
Pag. 320 - Torre da Roquéta e Castello de Santiago era Vianna do Castello
O castello de Santiago da Barra de Vianna do Castello deve se aos Philippes; desde el-rei D. Ma­nuel guardava a foz do Rio-Lima uma torre, chamada Roquêta, augmentada em 1572 com um fortim. Nos reinados de D. João IV, D. Pedro II e D. Maria I re­cebeu importantes melhoramentos. Actualmente aquartella-se alli um grupo de baterias de artilheria de montanha.
Pag. 321 - D. Sebastião ante o cadáver de D. Pedro I, em Alcobaça
Encontra-se a pag. 219 d'este 4.º volume da nossa edição da Historia a descripção d'este episódio da vida do monarcha desejado.
Pag. 325 - Mestre Boutaca
D'este notabilissimo architecto do mosteiro dos Jeronymos foi copiado o retrato que aqui damos do que existe no tecto da Camara Municipal de Lis­boa, retrato reproduzido, por sua vez, do busto em baixo-relevo em pedra, existente no claustro do con­vento, de que elle foi architecto.
Pag. 328 - Porta da Misericórdia de Lousa
A Misericórdia da Lousa foi uma das primeiras casas de beneficência que houve, graças ao animo piedoso da bondosa D. Leonor de Lencastre, esposa do Príncipe Perfeito, D. João II. - Ha, porém, quem assevere que foi capella particular. - A porta é um interessante specimen da arte do século XVI, divisan­do-se ao lado uma escadaria de pedra com alpendre e campanário, accessorios que são do século XVII. A porta tem a data de 1568, isto é, 70 annos depois da creação das Misericórdias em o nosso paiz, pela princeza a que acabamos de referir-nos.
Pag. 329 - Luiz da Camara
É copiado este retrato do celebrado jesuíta mi­nistro de D. Sebastião, de um excellente quadro de Freire, que ornamenta uma das salas da Camara Mu­nicipal de Lisboa.
Pag.  333 - Casa onde habitou Vasco da Gama em Monte-Mór-o-Novo
É uma das casas mais antigas da villa, e n'ella, segundo é tradição, habitou o grande almirante das Índias. Não nos consta que até agora esta casa tenha apparecido reproduzida em publicação alguma illustrada. Foi o director artístico d'esta publicação que, passando por aquella villa, se lembrou de d'ella tirar um croquis, que depois completou e aguarellou para com ella illustrar esta nossa edição da Historia de Portugal.
Pag. 336 - Antiga pia de pedra existente no museu do Carmo
Será a um bello trabalho do exímio escriptor e erudito antiquário, sr. Dr. Sousa Viterbo, Trabalhos náuticos dos Portugueses nos séculos XVI e XVII, que iremos buscar os apontamentos acerca d'esta elegante bacia: «Simão Correia é uma das figuras que mere­cem logar distincto na galeria dos fronteiros d'Africa. Foi governador de Azamor e d'alli mandou trazer ao reino uma grande e elegante pia de pedra, que hoje se conserva no Museu Archeologico do Carmo. No rebordo da face interna, em duas linhas e em caracteres gothicos, tem a seguinte inscripção, cujo começo é indicado por uma fivela e uma cruz de hastes eguaes: SYMAO COREA SENDO  CAPYTAM E GOVERNADOR EM A CYDADE DAZAMOK ESTA PYA QUE FOY ACHADA ANTRE  OS MOUROS MANDOU TRAZER A ESTE MOSTEYRO QUE ELLE fundou A SUA PROPYA CUSTA. A palavra que vae em gripho está lascada, como que cortada a escopro, vendo-se só a primeira inicial e parte da segunda, mas por estas e pelo espaço que as outras lettras deviam oceupar, verifica-se que não ha outra palavra que dê melhor sentido. O respectivo Catalogo, sob o n.º 3880, descreve assim, absurdamente, com vários anachronismos, este interessante objecto: «Grande bacia de pedra, estylo arabe, trazida de Azamor (Barbaria) em 1462, na conquista feita pelo general Simão Correia e que foi oferecida ao Infante D. Henrique do Algarve, o qual a deu á Sé de Faro para ter agua benta; passados muitos anos foi abandonada no cemitério da egreja! Esta antiguidade é histórica para Portugal; foi adquirida em 1869 pelo sr. Possidonio da Silva, para ser conservada no museu.» Por esta indicação parece que a bacia viera do cemitério da Sé de Faro, o que se nos affigura pouco verosímil, attendendo a que ella, como declara a inscripção, foi offertada a um mosteiro. Declarou-nos o nosso amigo e illustre confrade dr. Teixeira de Aragão, que a vira em tempos no convento de Santo António em Faro. Na sua face externa é dividida em diversos gomos, cavados, oblíquos, tendo na face larga e superior de cada cavidade um ornatosinho esculptural, alguns bem curiosos: brazões d'armas, cabeças, florões, a fivela, cruzes de Christo, etc. O convento, fundado por Simão Correia, era o de Nossa Senhora da Esperança em Portimão. Dizem os chronitas, Belém e Esperança, que o começara a edificar em 1530, depois de regressar de Saboya, onde acompanhára a infanta D. Beatriz, de quem era aio, Damião de Góes, enumerando as pessoas da comitiva diz que elle ia por veador da casa da infanta. Não encontramos a carta que nomeou Simão Correia capitão d'Azamor, mas sabe-se que exercera este cargo em 1516, pois em dezembro d'este anno passava D. Manuel uma carta auctorizando-o a construir  casas dentro da fortaleza, de que os moradores lhe dariam aluguer ou foro.»
Pag. 337 - Assalto à nau de Martim Lopes Carrasco
Veja-se, a paginas 227 d'este volume da nossa Historia, a descripção de mais este feito glorioso dos nossos nas regiões longínquas da Índia.
Pag. 341 - D. Fernando, 2.° duque de Bragança
É copiado da collecção dos retratos dos duques de Bragança, existente na Bibliotheca Nacional de Lisboa, o que aqui damos d'este personagem histórico. Apezar de vestido á romana, este retrato é conside­rado authentico, pois era vulgar inspirarem-se os pin­tores nos modelos gregos e romanos, e adornarem com as roupagens dos antigos heroes os personagem que retratavam.
Pag. 344 - Retábulo de S. Silvestre, junto a Coimbra
Este delicioso specimen de estylo Renascença existe em S. Silvestre (e não Silverio, como erradamente sahiu na epigraphe da gravura) na capella particular do proprietário actual do sumptuoso convento de S. Mar­cos, a que, por diversas vezes, temos alludido na nos­sa Historia. A capella, porém, possue condições de luz taes, que é impossível obter uma photographia, rasão esta que nos levou a fazer a presente aguarella para dar na Historia um bello documento da arte portugueza no século XVI, que até hoje tem passado despercebido a quantos se dedicam a estes estudos. O retábulo, em mármore de delicada esculptura, é o pórtico formosíssimo do grandioso edifício de S Marcos, que os fanáticos pela arte vão admirar a S. Silvestre.
Pag. 345 - Palácio (aliás Praça) de Mormugão
A praça de Mormugão, cuja entrada a nossa gra­vura representa, começou a construir-se em abril de 1624, governando a Índia D. Francisco da Gama, 3.º conde da Vidigueira, conforme resa a lapide que se acha sobre o pórtico da entrada, á custa da Camara geral ou agraria de Salcete, a quem Philippe III man­dou agradecer por carta regia de 10 dê Março de 1640. Actualmente acham-se bastante arruinados tan­to a praça como o palácio e a maioria das construcções e edifícios públicos de Mormugão.
Pag. 349 - D. Duarte de Menezes governador da Índia
Bem como outros retratos aqui reproduzidos, este é copiado dos retratos de todos os governadores da Índia, desenhados em um livro manuscripto, existen­te na Bibliotheca Nacional de Lisboa.
Pag. 352 - Convento da Conceição em Beja
Ao bello livro de Luciano Cordeiro, Soror Marianna, vamos emprestar os apontamentos para a his­toria e descripção d'este soberbo monumento da pie­dade christã do século XV. O convento da Conceição de Beja, ou mais propriamente o Real Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição, da Ordem de Santa Cla­ra e jurisdicção franciscana, foi fundado em 1467 pe­los infantes D. Fernando e D. Brites, pães do rei D. Manuel junto dos seus Paços, que n'elles vieram a encorporar se e com os quaes communicava por um passadiço coberto, que subsiste, sobre a estreita rua dos Infantes. Dá esse passadiço para o coro de cima do convento, e diz a tradição que de uma espécie de tribuna ou janella saliente na sua juncção com elle, hoje emparedada, e mascarada pela implacável caiadura alemtejana, apparecia e falava (sic) ao povo a piedosa princeza. Successivamente acariciado e favo­recido pela devoção realenga e particular, chegou a ser uma das instituições mais grandiosas e ricas do seu género entre nós. O edifício, muito arruinado, é vastíssimo e bastante irregular, como quasi todos o são, por acerescentamentos suecessivos á primeira traça. A egreja, ampla e formosa, conserva na facha­da o aspecto primitivo destacando-se, soberbo e tris­te, da estúpida caiação moderna, n'uma porta ogival magestosa e elegante, no rendilhado friso e nas figuras e brazões da sua fidalga origem. A porta do convento fica ao lado da egreja, na rua da Conceição, que desce do largo de S. João e da velha rua do Forno, na pró­xima esquina da qual era o solar dos Alcoforados. É uma velha porta manuelina, a que roubaram, apenas por emquanto, as espheras armillares, que, aliás, se multiplicam interna e externamente no enorme edi­fício, e acerescentaram, no século XVII, umas lapides de inscripção devota, muito em moda então e que egualmente se repete, de louvor ao Santíssimo Sacra­mento e á Immaculada Conceição da Virgem «conce­bida sem peccado original». - Dá esta porta para uma pequena casa pouco menos que lobrega, de paredes e abobadas pintadas com varias figuras, entre ellas as dos fundadores, e ao fundo da qual ficam as peque­nas grades e a roda de serviço commum. Á esquer­da, duas escadas, das quaes uma relativamente moder­na, conduzem aos locutórios de grades duplas, bas­tante largas, e á direita uma porta construída ou res­taurada em 1742 abre para a pequena sala da portei­ra, também de restauração moderna (1803), que é hoje o verdadeiro locutório e que dá immediatamente para o claustro. Este e o capitulo, que abre também para elle, são notavelmente originaes e pittorescos, de feição manuelina que se consorcia formosamente com a tradição árabe, architectural e decorativa, tão pronunciada em muitas construcções d'além Tejo. Como é natural, predomina o azulejo e o tijollo. Sob a arcada ha diversas capellas, algumas muito alindadas e ricas, e a abobada e os intervallos das paredes estão cobertos de arabescos e episódios em pintura gracio­sa e quente. Toda esta decoração que cobre alegre­mente muitos restos da architectura primitiva e do século XVII e tem um certo ar feminilmente elegante e artístico, que não é vulgar n'estes edifícios. Uma das alas da arcada, ou mais exactamente a sua decoração é de 1657. A capella do Evangelista é de 1601. A do Baptista, - a do «grande Baptista», como diziam as freiras, é de 1614. - O Capitulo foi reconstruído em 1657 e renovado em 1727. Limpo e cuidado, com a sua Capella de Christo Crucificado ao fundo, cheio de sombras e scintillações phantasticas, parece aguar­dar teimosamente, n'uma tranquillidade mystica, as suas queridas religiosas. O antigo refeitório, que co­meçou por ser dormitório também, segundo uma inscripção que diz tel-o mandado fazer D. Manuel, em 1506, foi, segundo outra, que alli existe, refeito «de abobada na era de 1629, sendo abbadeça Madre Dona Marianna Henriques». É um vasto salão térreo, á entrada do convento, a um dos lados do claustro, que foi modernamente applicado a celleiro. A porta ogival é formosíssima. Impressão análoga á do Capi­tulo, produzem os coros. São dois, como de ordinário, um ao nível do pavimento da egreja, outro por cima, a meia altura d'ella.
Pag. 353 - D. Sebastião assistindo aos exercícios do exercito de Alcácer Kibir
Illustra esta composição a scena descripta por M. Pinheiro Chagas a paginas 267 d'este quarto volume da nossa edição da Historia de Portugal.
Pag. 357 - D. Henrique de Menezes, VII governador da Índia
Applique-se a este retrato o que acerca do de D. Duarte de Menezes dizemos na columna precedente.
Pag. 360 - Uma casa manuelina, hoje demolida, em Leiria
Foi decalcada sobre uma gravura d'uma excellen­te publicação estrangeira pouco conhecida em Por­tugal, a aguarella que aqui damos d'uma bella casa que tinha todo o cunho seiscentista, existente em Leiria e demolida ha bem poucos annos ainda.
Pag. 361 - D. Constantino de Bragança, governador da Índia
Acerca d'este retrato leia-se o que dissemos ao tractar do de D. Duarte de Menezes, n'esta pagina.
Pag. 365 - Castello de Arrayollos
Apresentam ainda um pittoresco aspecto as ve­tustas ruínas d'este castello, um dos muitos que D. Diniz fundou. Este foi edificado por aquelle monar­cha em 1310, e tinha seis torres. Tem duas portas, a da Villa e a de Santarém, e encerrava dentro em seus muros muitas casas que os Castelhanos incen­diaram em 1386, durante aquellas luetas em que an­davam empenhados com o Mestre de Aviz.
Pag. 368 - Exterior da capella de S. Martinho Óbidos
A capella de S. Martinho, fronteira á egreja de S. Pedro, na villa de Óbidos, era solar da antiga família fidalga portugueza, Lafetá Aranha, oriunda de Castella. Foi fundada em 1320 por Pêro Fernandes, na­tural de  Óbidos, que foi prior de S. Thiago, de Torres Vedras, vigário da egreja da Lourinhã e be­neficiado da Sé de Lisboa. A sua construcção é gothica, de, abonada de pedra de forma ogival, dividida por arcos assentes em seis columnatas com ornatos encravados nas paredes lateraes do interior da capella, onde também estão, em ni­chos, três túmulos sem inscripções; apenas n'um d'elles está esculpida, em relevo, uma espada com copos em cruz, mettida na bainha e esta entrelaçada de uma fita entremeada de estrellas. Sobre os dois primeiros túmulos, por cima do arco do nicho, está uma figura, de cerca de 8 centímetros, representan­do uma mulher lacrimosa. A capella recebe a luz por três estreitas frestas verticaes, medindo cada uma 2 decimetros de largo e 1m,70 de alto; uma d'estas fres­tas fica por cima da porta de entrada, e as outras duas, uma de cada lado da porta. Esta, que é a única que dá entrada para a capella, é formada em arcos de estylo gothico assentes sobre seis columnas com ornatos. Para a porta sobe-se por dois degraus, e aos lados d’ella vêem-se dois túmulos eguaes aos que se acham dentro da capella, estando n'um d'elles escul­pidos quatro escudêtes. Per cima da porta ha uma lapide com uma inscripção em caracteres gothicos, que mal se percebem, devido á acção do tempo. A ultima representante da família Lafetá Aranha era D. Casimira Maximiana de Lafetá Aranha, casada com José Maria Duarte, moradora no logar do Bombarral, concelho de Óbidos, onde falleceu em janeiro de 1699, com 86 annos de edade.
Pag. 369 - D Sebastião na batalha de Alcácer Kibir
A phantasiada composição artística que o leitor ahi vê representa D. Sebastião no momento, em que, adeantando-se ou afastando-se dos seus leaes solda­dos se embrenhou nas fileiras do exercito inimigo, onde por completo desappareceu, situação brilhan­temente descripta por M. Pinheiro Chagas, em pagi­nas 291 e seguintes d'este 4.º vol. da nossa Historia.
Pag. 373 - Logar em Penha Verde,  onde se diz jazer o coração de D. João de Castro
Mui bem andámos, quando epigraphámos esta gravura, onde se diz jazer o coração de D. João de Castro, porque é isto o que geralmente se julga. Na realidade o que jaz sepultado debaixo daquella pe­dra é o coração de D. António de Saldanha, fallecido em 1723, como se deduz da seguinte historia da ca­pella etc, que se encontra no curioso livro do vis­conde de Jorumenha, Cintra Pittoresca: «Em frente da porta d'esta ermida (de N. S. do Monte, em Penha Verde, mandada fazer por D. João de Castro para sua sepultura) está uma lapide a prumo com as armas dos Castros e Saldanhas, e sobre o chão uma pedra raza, debaixo da qual está sepultado o coração de Antó­nio de Saldanha, a cuja memória, por agradecimento, mandou gravar António de Andrade este epitaphio que compoz Paulo de Carvalho: Cor sublime capax et Olimpi montis ad instar  / Amplius orbe ipso cor brevis urna tegit: / Cor consanguini concors comparque Joanni / Indiae cui palmas súbdita mille dedit: / Cor virtutis amans cor victima virginis almae / Corque ex corde pium nobile forte valens / Non pars sed totus latet Saldanhae sepulchro / In corde est totus; cor quia totus erat. / Obiit anno domini 1723. / AEtatis suas 55 / Die vero 12 Augusti.
Pag. 376 - D. Fr. Aleixo de Menezes
Este venerando prelado recebeu o habito em 24 de fevereiro de 1574. A sua affabilidade, prudência e zelo d'observancía religiosa o recommendaram para o elegerem prelado do convento da Graça, quando ainda contava poucos annos de professo. Acceitou com muita  repugnância o arcebispado de Goa, que Philippe II lhe deu, fazendo-o vice-rei d'aquelle estado. Tendo obtido licença para renunciar, voltou a Lisboa, onde foi eleito pelo mesmo monarcha arcebispo de  Braga, vice-rei de Portugal, presidente do conselho de Madrid, logares que sempre exerceu com summa proficiência. Morreu em 3 de maio de 1617 em Madrid, d'onde foi trasladado o seu cadáver para o collegio augustiniano em Braga. O retrato que d’elle aqui damos é copiado d'um quadro a óleo, con­temporâneo, que o representa, existente ainda hoje no convento da Graça em Lisboa.
Pag. 377 - Portal do convento de S. Thomaz, em Coimbra, visto de frente
Já a paginas 117 do ..º volume d'esta nossa edição da Historia demos uma  gravura representativa d'este portal; mas como alcançámos uma photographia mais minuciosa, e como o monumento em questão é realmente digno do ser admirado, não pozemos duvida em reproduzir novamente um tão bello traba­lho da Renascença.
Pag. 381 - Francisco Sá, de Miranda
É o único retrato authentico existente do remodelador da poesia portugueza, que se conhece. Appareceu na edição das suas Satyras de 1626, livrinho bastante raro, e d'alli foi reproduzido nos diversos logares onde depois appareceu. A senhora D. Carolina Michaelis não conseguiu ver essa edição; nós vimol-a e até temos uma reproducção fac-similica do retrato que a acompanha, pelo qual se vê que foi elle o que serviu de modelo para os outros que sob o seu nome apparecem. Apezar, porém, de não podermos dispor de grande espaço, achámos tão curiosas e tão eruditas as observações de que aquella illustre escriptora cerca no seu livro - Poesias de Francisco de Sá de Miranda - a noticia d'esse retrato, que não re­sistimos á tentação de para aqui as transcrevermos: «Foi homem grosso do corpo; de meã estatura, muito alvo de mãos e de rosto; com pouca cor nelle; o cabello preto e corredio; a barba muito povoada e de seu natural crecida; os olhos verdes, bem assombra­dos; o nariz comprido mas com cavalto; grave na pes­soa, melancholico na apparencia, mas fácil e humano na conversação, engraçado nella, com bom tom de fal­la, e menos parco em fallar que em rir. Eis o retrato de Miranda como o delineou D. Gonçalo Cominho (1634), o qual, comtudo, não conhecera pessoalmen­te o eremita da Tapada. Fica-se, pois, em duvida, se nos descreveu a physionomia do poeta conforme a caracterisavam os seus informadores (Gomes Macha­do de Azevedo, e Jeronymo Pereira de Sá, seus so­brinhos; Henrique de Sousa, o Commendador de Rendufe; Diogo Bernardes e D. Manuel de Portugal, seus íntimos amigos e discípulos, que lhe sobreviveram de meio século) ou se o esboçou deante de um re­trato qualquer, conservado na quinta da Tapada. É muito possível, que se servisse de ambos os meios de informação isto é, que as conversas com os ami­gos illustrassem e reavivassem os traços de uma ve­lha pintura, rejuvenescendo a physionomia. Em todo o caso a descripção que D. Gonçalo Coutinho esbo­çou, tem apparencias de fidedigna e não discorda muito de uma gravura, de medíocre valor, que Varnhagen mandou abrir em I841, para o Panorama. Lá vemos o cabello preto e crescido, as barbas muito bastas, o nariz aquilino, os olhos grandes, a apparen­cia melancholica! Mas o que não encontrámos é a  indispensável declaração sobre à origem e procedên­cia da gravura, que ficou sendo até hoje a única conhecida e que teríamos reproduzido n'esta edição, se não encontrássemos outra mais antiga. - Estudá­mos a questão do retrato, e, felizmente não procuramos debalde. - As notas bibliographicas de Innocencio da Silva, sobre as edições da Miranda, asseveram como o leitor sabe, que a rarissima edição das Satyras (1626) contém um retrato do poeta, grossei­ramente gradado em chapa de metal, noticia que o sr. visconde de Juromenha nos confirmou. Mas as Satyras não apparecíam! Restava-nos porém, a espe­rança de encontrarmos a gravura, avulsa, n'uma das grandes collecções iconographicas do paiz ou das bibliothecas estrangeiras. - Tres circumstancias fortale­ciam esta supposição. Em primeiro logar sabíamos que o sr. Visconde vira em tempos um exemplar das comedias (de 1622), acompanhado do mesmo retra­to. Em segundo logar presumimos que Varnhagen, o qual nunca conheceu as Satyras, encontrara a gra­vura solta. Em terceiro logar notámos que o poeta, que os contemporâneos diziam «grosso de corpo» apparecia na gravura do Panorama muito reduzido na sua estruetura, magro e extremamente estreito de hombros -incongruência que podia ter uma explica­ção nas dimensões apertadas do volume das Satyras. O editor mandaria accommodar o formato do retrato ao formato da edição, e um gravador menos perito executaria mal a reducção. Examinámos bastantes collecções iconographicas existentes no paiz, e o sr. Ferdinand Denis teve a fineza de percorrer as de Pa­ris, na parte relativa a Portugal, sem resultado. Afi­nal lembrámo-nos da collecção Barbosa Machado, offerecida pelo proprietário a El-Rei D. José e con­servada hoje na Bibliotheca Nacional do Rio de Ja­neiro. Consultámos o artigo que lnnocencio da Silva consagra aos 715 Retratos de Varões Portugueses insignes em Santidade, Litteratura, Sciencia militar e politica», e logo no principio debaixo do n.º 1 de­mos com o retrato de Sá de Miranda. É á compla­cência do Br. dr. B. Franklin Ramos Galvão, antigo e digníssimo chefe da Bibliotheca do Rio de Janeiro, e hoje perceptor dos Príncipes Imperiaes que; Por­tugal deve o achado da velha gravura. Numa carta particular recebemos uma descripção exacta do re­trato, e mais tarde uma fidelíssima reproducção photographica que não discrepa senão pequena cousa do original emquanto ás dimensões. Esta photographia, dadiva valiosa do feliz descobridor, foi entregue pelo nossa prestante editor á afamada casa Bruchmann, de Munich, que se imcumbiu da phototypia. A copia tirada no Brazil sobre uma gravura antiga e já gasta, não permittiu á celebre officina fornecer uma obra mais perfeita e apurada... Sobre a procedência da gravura da collecçào Barbosa Machado (cujo auctor ficou incógnito porque não assignou) nada se sabe ao certo.»
Pag. 384 - Túmulo de D. J. de Albuquerque
Existe no convento de Nossa Senhora da Miseri­córdia, em Aveiro, onde existe também um túmulo que durante muito tempo passou por ser o da de­cantada Catharina de Athayde a amante de Camões, averiguando-se mais tarde ser de uma dama também chamada Catharina de Athayde, mas cujos pães eram D. Álvaro de Sousa e D. Philippa de Athayde, em­quanto os pães de Nathercia eram D. António de Lima e D. Maria Boca Negra. O túmulo da nossa gravura existe na capella do Senhor Jesus e contém os restos de João de Albuquerque, senhor de Angeja e Canellas, fidalgo de illustre estirpe, que legou gran­de parte de seus bens a este convento. As differentes remoções d'este túmulo tornaram completamente illegivel o epitaphio que n'elle está gravado em cara­cteres gothicos.
Pag. 385 - Epílogo da batalha de Alcácer Kibir
N'esta composição quiz o auctor representar a scena de desolação e de morte, apresentada pelos campos de Alcácer Kibir depois da cruel derrota em que ficaram sepultadas as melhores relíquias da nobreza portugueza, e com ellas, e por largo tempo, a velha nacionalidade portugueza. A paginas 292 dá o auctor conta da terrível derrota.
Pag. 389 - Torre do Relógio em Montemór-o Novo
É uma das três torres que ainda se conservam de pé das quatro que tinha a muralha que cercava o alto d'aquella importante villa do Alemtejo. Tinha essa muralha a forma triangular, 1617 metros de circumferencia e 3m,30 de espessura. Tinha quatro tor­res, como dissemos, a eguaes distancias, um torreão, dezenove cubellos e quatro portas. Tudo isto está re­duzido a ruinas; apenas se levanta esta torre chama­da do Relógio, do N., a da má hora, carcomida pelo tempo e a de O., que é a do Anjo. Ainda no centro da cerca, em um alto, se vêem as ruinas dos paços dos alcaides-móres, junto da muralha. Do muro que ligava os paços com a torre do Anjo e do que o prendia com a torre da má hora, poucos ves­tígios restam.
Pag. 392 - D. João de Mascarenhas
Reproduzimos este retrato d'um dos grandes heroes de Diu que vem em uma pagina oval ao alto e ao centro da planta de Diu que illustra uma das antigas edições da Vida de D. João de Castro, por Jacintho Freire de Andrade.
Pag. 393 - Ponte junto da qual se deu a batalha de Alcácer Kibir
Pertence á casa real portugueza e existe no seu paço real, em Lisboa, o quadro que serviu de mo­delo á nossa photogravura. É esse quadro uma ma­gnifica aguarella, do natural, feita pelo sr. José Da­niel  Collaço.
Pag. 397 - Miguel do Valle
Foi contemporâneo de Affonso de Albuquerque, e feitor da alfândega de Ormuz, o personagem que a nossa gravura representa; e o seu retrato foi copiado de um medalhão existente na capella por elle funda­da na egreja de Santa Iria, em Thomar, onde está sepultado. Como já explicámos, quando reproduzi­mos o retrato do duque de Bragança D. Fernando, Miguel do Valle é assim representado em trajes gre­gos, por ser costume da epocha inspirarem-se os ar­tistas, para a reproducção esculptural ou pictórica dos seus heroes, nas vidas dos Homens Illustres de Plutarcho.
Pag. 400 - Túmulo do bispo D. Egas Fafes na Sé Velha de Coimbra
Esta Sé Velha é talvez um dos nossos primeiros monumentos para o estudo da arte nacional nos pri­meiros tempos da monarchia. Possue nada menos de cinco túmulos de figuras episcopaes e o de D. Bataça que é já um bello documento da arle do século XIV. Já em tempo publicámos, em o volume 2.º da da nossa Historia, a pgs. 437, o túmulo do bispo D. Tiburcio, que foi um dos prelados que foram a Paris contractar com D. Alfonso III a deposição de D Sancho II. A D. Tiburcio suecedeu na cadeira episcopal de Coimbra D. Domingos, e, após a morte deste, os cónegos de Coimbra, tendo-se ausentado da cidade, por causa da guerra civil, tractaram de eleger por bis­po a D Egas Fafes, cujo túmulo aqui reproduzimos. D. Egas Fafes era filho de D. Fafes Godim, neto de D. Godinho Fafes, bisneto do bravo D. Fafes Luz. Tendo ido a Roma, foi elevado pelo papa a arcebis­po de Compostella; mas, dingindo-se para a Sé Me­tropolitana da Galliza, falleceu em Montpellier a 9 de março de 1268 (era de 1300), segundo constado epi­taphio, sendo o seu cadáver transportado para o tú­mulo que para si havia sido construído na Sé de Coim­bra, juncto do altar de Santa Clara, erecto por elle logo depois da canonização d'esta Sancta. Sendo sepultado a 17 de abril do mesmo armo da sua morte, ainda hoje o seu túmulo lá se acha entre a porta de Santa Clara e o altar, com a estatua jacente do illustre prelado magestosamente revestido de pontifical, sobraçando o báculo e calcando aos pés o dragão, symbolo da heresia. É um documento interessantís­simo que o desenhador reproduziu empenhando-se em apresentar a rudeza do cinzel do artista com a maior fidelidade.
Pag. 401 - O jesuíta Alexandre de Mattos erguendo o crucifixo, incitando ao combate na batalha de Alcácer Kibir
É na soberba descripção d'esta fatal derrota (pag. 286) que se encontra a peripécia, que bem lembra a do jesuíta Bobadilha na batalha Muhlberg, em que Alexandre de Mattos incitava á batalha os nossos de­nodados batalhadores, que foram encontrar n'esses ardentes areaes da África, a mais horrorosa e tremen­da derrota dos feitos guerreiros em Portugal.
Pag. 405 - Santa Maria da Feira, Beja
É esta a mais antiga das egrejas matrizes de Beja. Segundo a tradição, foi mesquita de Mouros; acha-se memória d'ella de 1282. É de três naves esta egreja. Em uma pedra que está servindo de degrau da escada da torre dos sinos existe uma inscripção que diz: IN COCHLEA SUMI TEMPLI / A. + O. / SEVERUS PRESBYT. FAMULUS / CHRISTI VIXIT AN.  LV. / REQUÍEVIT IN PACE DOMINI / XI KAL. NOVEMBRIS. ERA / DCXXll. O prior d'esta egreja era freire da Ordem de Aviz, e apresentado pelo rei, como grão-mestre da Ordem. Tinha de renda 250$000 réis. Este rendimento con­sistia em 180 alqueires de trigo, 180 de cevada, réis 15$000 em dinheiro, e o pé de altar.
Pag. 408 - D. Estevam da Gama, XI governador da Índia
Para nos não repetirmos enviamos o leitor que dese­je saber a proveniência d'este retrato, para o que ficou dito quando tractámos dos retratos de D. Constantino de Bragança, D. Henrique de Menezes, etc.
Pag. 409 - Castello de Almada
Da antiguidade da villa d'Almada, apenas se conser­vam as memórias escriptas e as tradições e nem um só monumento. Do castello mourisco, reedificado pe­los Inglezes em 1148 já não ha vestígios. É provável que fosse demolido para se construir o actual que se julga ser obra de D. Manuel e foi reedificado no reinado de D. Affonso VI, pelo anno de 1666.
Pag. 413 - Luiz de Camões, segundo Manuel Severim de Faria
Para justificarmos o apparecimento de dois retra­tos de Camões n'esta Historia, um em que é repre­sentado como cego do olho direito, e outro como do olho esquerdo, para aqui reproduzimos o artigo do sr. dr. Sousa Viterbo, que, pelo mesmo motivo, precede a nossa monumental edição de Os Luzíadas: «Com a primeira caderneta d'esta obra foi distribuído o re­trato de Camões, executado em presença do que Fa­ria e Sousa deu em 1630 nos seus Luzíadas commentados. Este retrato parece ser transcripco do que annos antes sahira estampado na vida do poeta entre os Discursos vários de Manuel Severim de Faria, impresso em Évora em 1624. Ha, todavia, uma differença notável e que se pretende attribuir a erro ou equivoco do gravador: no retrato de Faria e Sousa a cegueira do poeta é do olho esquerdo, ao passo que no de Severim de Faria, é do olho direito. A hypothese explicativa d'este engano é muito acceitavel, tendo a confirmal-a um documento  da alta valia. N'um manuscripto autographo existente na bibliotheca da Ajuda e contendo os Commentários vê-se também, n'uma oval, o retrato do poeta feito á penna por Faria e Sousa e ahi apparecce cego do olho direito. - U retrato de Manuel Severim de Faria tem como todos os visos de ser mais convencional do que cópia do natural, todavia é o que tem sido á falta de outro  mais authentico e melhor, considerado como verdadeiro. Até n'isto a sorte se obstinou em cercar de obscuridade e de incerteza a vida do poeta! Julgamos do nosso dever reproduzir o retrato de Severim...»
Pag. 416 - Fachada do Lyceu de Evora com as tres portas da sala dos actos
Está installado este lyceu no antigo edifício da universidade, e que foi primitivamente o collegio da Purificação, do Espirito Santo, fundado em 1551 pelo cardeal D. Henrique para o offerecer aos jesuitas. O lyceu occupa, como dissemos, as casas que serviram da universidade, sendo as mesmas aulas antigas aquellas em que hoje se ensina. O pateo da universidade é uma vasta quadra com 49 columnas de  finíssimo mármore com capiteis e bases do mesmo, sobre que assentam os arcos que sustentam o segundo corpo do edifício. O corpo que dá entrada para esta quadra é de custoso mármore. A sala dos actos é modelada pela de Coimbra, somente mais pequena, mas muito mais rica pelos mármores de que é construída. Estão-lhe a desabar os tectos.
Pag. 417 - Entrevista do cardeal D. Henrique com D. Catharina de Bragança
A pag. 344. e segs d'este volume se encontra a descripção d'este interessante episódio da nossa História.
Pag. 421 - Pedro d'Alcáçova Carneiro
Do tecto da Camara Municipal de Lisboa foi copiado este retrato do singular personagem que se chamou Pedro d'Alcáçova Carneiro.
Pag. 424 - Portal do Convento de Santa Clara em Pinhel
Foi fundador d'este convento de franciscano Luíz de Figueiredo Falcão, que, casando e não tendo filhos, mandou edificar nas próprias casas em que habitava o grandioso mosteiro. As primeiras freiras entraram para elle em 1607. No Portugal Antigo e Moderno de Pinho Leal, artigo Pinhel, vem desenvolvida notícia acerca da historia da fundação d'este mosteiro.
Pag. 425 - Porta exterior da Capella Mor da egreja matriz de Caminha
A egreja matriz da villa de Caminha é o mais bello templo de architectura gothica das provincial do norte; lançou-se-lhe a primeira pedra no dia 4 d'abril de 1488, reinando D. João II. Foi principiada á custa da camara e com esmolas do povo da villa; mas estando as obras muito atrazadas, quando D. Manuel subiu ao throno, este monarcha contribuiu muito para a sua conclusão que teve logar em 1504. É este templo todo de robusta cantaria, descreve Pinto Leal e tendo a porta principal e travessa janellas, cimalha e torres coroadas de muitas esculpturas e arabescos. Tem uma platibanda formada por um primoroso ren­dilhado, com embornaes ou goteiras esculpidas, representando os dois do lado do norte que olham para a Galliza dois rapazes de cócoras, deitando a água da chuva por um grande buraco que têem no recto. O tecto de toda a egreja, apainelado, é formado de madeira de muitas qualidades e cores naturaes. Tem uma primorosa imagem de Jesus Ecce Homo de primorosa esculptura, que se diz ter vindo de lnglaterra, quando Henrique VIII alli aboliu o catholicismo.
Pag. 429 - D. António Prior do Crato
D'uma eicellente gravura antiga, que encontrá­mos reproduzida em fac-simile, n'um interessante li­vro de D. António de Portugal e Faria intitulado Por­tugal e Itália, copiámos o retrato d'este pretendente á coroa portugueza.
Pag. 432 - Porta do refeitório do convento da Conceição, de Beja
Acerca d'este grandioso mosteiro, veja-se o que fica dito a pag. 627 deste mesmo volume.
Pag. 433 - As caçadas do cardeal-rei
A ridícula scena que esta composição representa, encontra-se a pag. 330 d'este mesmo volume da nossa Historia.
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Pag. 437 - D. Sebastião
É copiado d'uma bella gravura que se acha na Bibliotheca Publica de Lisboa, o retrato que aqui da­mos do tão valente quanto infeliz monarcha.
Pag. 440 - Claustro do convento da Conceição em Beja
Veja-se acerca d'este convento o que acima fica dito (pag. 627).
Pag. 441 - Francisco de Hollanda
É ainda de um retrato existente no tecto da Camara Municipal de Lisboa, que reproduzimos o d'este notável illuminador portuguez.
Pag. 445 - Exterior do castello de Beja
É obra de D. Diniz este castello, bem como a torre de menagem e a cerca de muralhas, que, com as suas 40 torres, rodeava a antiga villa do Alemtejo. D'essas 40 torres, apenas restam vestígios de 30, todas em ruinas, excepto a torre de menagem, que ainda lá se vê a grande altura. As fortificações do lado do N. ain­da existem e são susceptíveis de reparação, mas as do sul teem sido a pouco e pouco demolidas, para abertura de novas ruas para o alargamento necessário da população. No tempo dos Romanos era Beja circumvallada de muros; D. Affonso III porém reedifi­cou-os, e seu filho D. Diniz ampliou-os dando-lhes nova forma.
Pag. 448 - Palácio dos Viscondes da Carreira em Vianna do Castello
O palácio dos Viscondes da Carreira, cujos pri­mórdios sobem ao reinado de D. João III, tal qual está, é obra de Luiz Alvares de Tavora, nos primei­ros annos do século XVIII. Aqui nasceu o hábil diplo­mata Luiz António de Abreu e Lima, primeiro vis­conde e primeiro conde da Carreira, titulo que lhe proveiu d'esta casa estar localizada na carreira de Vianna do Castello.
Pag. 449 - Assassinio de Fernão de Pina
Em pag. 374 d'este volume da Historia, vem no­ticia do  assassinio d'este traidor fidalgo portuguez por um creado do prior do Crato.
Pag. 453 - O cardeal D. Henrique
É calcado sobre um excellente retrato existente na Bibliotheca Nacional de Lisboa, o que na nossa Historia produzimos d'este monarcha portuguez.
Pag. 456 - Vista da porta principal da egreja de Santa Maria, em Bragança
Existe na parte mais antiga de Bragança, isto é, na villa, esta egreja, conhecida vulgarmente pela denominação de Santa Maria do Castello, por existir dentro do castello, que, ao que se diz, era obra do fim do século XIII. O prior de Santa Maria tinha réis 130$000 e quatro ecónomos, cada um com 40$000 réis.
Pag. 457 - Portal da egreja do Seminário em Portalegre
É o edifício da Sé, no qual está installado o se­minário episcopal de Portalegre, um templo magestoso, fundado pelo primeiro bispo d'esta diocese D. Julião de Alva, no sitio onde estava a egreja chamada de Santa Maria do Castello; a capella-mór, porém, é obra do prelado Dom Frei Amador Arraes. A egreja é de três naves sustentadas por columnas gothicas. A fachada actual já não é a primitiva: tem duas torres e ornamentam a porta principal duas columnas de mármore.
Pag. 461 - Christovam de Moura
N'um bello livro ultimamente publicado em Madrid acerca de D. Christovam de Moura, monographia notável em que se estuda a vida d'este estadista, que, apezar dos ódios justificados que Portugal lhe votou, foi muito  illustre, vem a photographia d'um excellen­te busto em bronze d'esse notável vulto da historia, pertencente á família dos Marquezes de Castello Ro­drigo, de que elle foi o fundador. É d'essa excellente gravura que mandámos copiar o retrato que adorna a nossa publicação.
Pag. 464 - Sé episcopal de Damão
O templo que a nossa gravura representa era a mesquita que no dia 2 de fevereiro de 1559 o vice-rei D. Constantino de Bragança mandou consagrar sob a invocação das Onze mil virgens e em que disse mis­sa n'esse dia o jesuíta Gonçalo da Silveira. Não se lhe pode, pois, attribuir data de fundação, que deve ser talvez anterior á descoberta do novo caminho da Índia pelos Portuguezes.
Pag. 465 - Insurreição dos monges de Belém
Veja-se a pag. 375 d'este volume a descripção da ridícula scena qne a nossa gravura representa.
Pag. 469 - Duque d'Alba
Da celebrada Iconographia de Carderera, que tão excellentes subsídios tem dado para a illustração de esta nossa edição da Historia, copiámos o retrato d'este general hespanhol, ao qual Filippe I deveu em gran­de parte a conquista de Portugal e a sua annexação á coroa de Hespanha.
Pag. 472 - Janella da Rua de S. Pedro em Vianna do Castello
Como não nos chegassem a tempo as indicações acerca d'esta lindíssima janella, que é uma das curio­sidades que se mostra ao viajante, em Vianna do Cas­tello, reservâmo-nos para dar os apontamentos sobre ella no ultimo volume da nossa Historia, em que fa­remos mesmo algumas rectificações neccessarias ás notas que temos dado.
Pag. 473 - Santo António dos Olivaes
Eis como se conta a origem d'este interessante convento. A rainha D. Urraca, mulher de D. Affonso II, tinha uma capella da invocação de Santo Antão, abbade, que em 1217 ou 1218 doou aos frades franciscanos, os quaes junto á capella fundaram um pobre hospício e alli vieram pousar fr. Otho e seus quatro companheiros, vulgarmente conhecidos pela denomi­nação dos cinco martyres de Marrocos. - Depois do supplicio dos religiosos, Santo Antonio de Lisboa, que era então cruzio de Coimbra, vendo chegar á cidade as relíquias dos referidos martyres, o quiz ser também, e, sahindo da ordem de Santa Cruz, se metteu franciscano n'este convento, para mais facilmen­te poder obter o que desejava. Foi em memória d'este thaumaturgo que a invocação do convento se mudou para o de Santo António. - Em 1247 deixaram os frades o seu humilde convento dos Olivaes, assim chamado por estar situado entre olivêdos, e fo­ram habitar o convento que haviam acabado de fun­dar junto á ponte, e que depois veiu a chamar-se S. Francisco Velho. - Em 1539 emprehendeu-se alli uma nova edificação. Ajudados por D. João III e por D. Álvaro da Gosta, fundaram alli os frades franciscanos, da província da Piedade, um novo convento, que depois veiu a pertencer á da Soledade, que se separou d'aquella em 1679. Por occasião d'esta nova fundação, se reedificou a veneranda cella, que foi transformada em casa de capitulo. - Com a extincção das ordens religiosas foi, em 1835, este convento ven­dido ao padre Manuel António Coelho da Rocha, doutor em leis, lente de prima e vice-reitor da uni­versidade. - Na noite de 10 para 11 de novembro de 1831, ardeu quasi tudo, ficando apenas intactas a egreja, a sacristia e pouco mais. - Já então tinha morrido o doutor Coelho da Rocha e pertencia este convento a sua sobrinha e herdeira, a sr.ª D. Luiza Augusta Coelho da Rocha, que tendo-o segurado em 6oo$ooo réis, preferiu receber esta quantia a exigir que a companhia lh'o reedificasse. Apezar d'este si­nistro, ainda a egreja e cerca dos Olivaes é digna de ser vista e admirada. A entrada, por uma larga es­cadaria que tem ao fundo três arcos e um de cada lado, é guarnecida de capellinhas com os passos da Paixão. - Dá entrada para egreja, que foi logo concertada depois do incêndio, um pórtico de architectura antiga, de volta ogival, que se suppõe ter pertencido ao primitivo convento. De um e outro lado d'este pórtico se lê um elegante elogio que compoz, e fez gravar, a Santo António, o bispo de Cochim D. Frei António de Serpa. A sacristia é pequena, mas tem vistosos pinturas a fresco representando passagens da vida do santo. - A cerca tem varias capellinhas e do alto d'ella se disfructa um magnifico panorama.
Pag. 477 - Garcia de Sà governador da Índia
Á mesma fonte a que recorremos para os retra­tos de D. Henrique de Menezes e outros governado­res da Índia cujos retratos aqui temos reproduzido, fomos mais uma vez pedir subsidio para a publicação do de D. Garcia de Sá.
Pag. 480 - Porta da egreja da Madre de Deus
Em 1508, intentou a rainha D. Leonor mulher de D. João II fundar um mosteiro de religiosas e esco­lheu para isso umas casas que possuía entre Santo Eloy e a freguezia de S. Bartholomeu, na costa do Castello. Mais tarde, porém, talvez porque o sitio não lhe pareceu accommodado, fez eleição de umas casas que, no sitio de Xabregas, edificara um Álvaro da Cunha, e onde vivia recolhida a sua viuva D. Ignez. Comprou a rainha as sobreditas casas, com as hortas adjacentes, a que chamavam da Concha. Obtidas as indispensáveis licenças de Roma para a fundação do seu mosteiro, e tão apressada andou na construcção que a 23 de junho de 1509, entraram as primeiras re­ligiosas, e a 18 de julho seguinte o arcebispo de Lis­boa, D. Martinho da Costa, benzeu a egreja. Era o mosteiro destinado para vinte religiosas, que deviam seguir a primeira regra de Santa Clara, a mais aper­tada. Em 8 de outubro de 1508, pôz a rainha funda­dora o mosteiro na obediência da ordem de S. Fran­cisco. D. João III, uns trinta ou quarenta annos depois da fundação, augmentou o mosteiro, fez nova egreja e novo claustro com muitas capellas. É tradição que a nova egreja se construiu por­que as aguas do Tejo, nas grandes marés, chegavam até ás paredes do templo, ou as salpicavam, com grande incommodo dos fieis, e por isso se lhe fez uma elevada escadaria para lhe dar accesso da rua. A egreja antiga  transformou-se em casa de capitulo; a porta que dava para a rua foi entaipada, e assim esteve talvez mais de três séculos, até que, ahí por 1868, tractando-se de se fazer alli umas obras, para aproveitar as casas contíguas á egreja, e abrir nova porta de entrada para o edifício, visto que só tinha uma, como era de uso nos mosteiros franciscanos de mais apertada clausura, se descobriu o portal da primitiva egreja, no melhor estado de conservação apenas com o fuste de uma das pilastras que sustentam o arco, mutilado, e mais alguns pequenos estragos. Como se tractava de restaurar a egreja, assim como as casas contíguas, o architecto sr. Nepomuceno resolveu aproveitar o primitivo portal, afim de o substituir ao portal que existia e cremos ser do tempo de D. João III, ou, porventura mais moderno, posto que não haja repugnância em o attribuir á segunda metade do século XVI, visto o seu estylo. Cuidadosamente foi arrancado o portal, e posto no logar onde agora está, fazendo-se-lhe a necessária restauração. Como se vê pela photogravura que apresentamos é de um estylo singelo, accommodado á humildade do edifício para que foi fabricado. Lá estão as divisas de D. João II e de sua esposa, a rainha fundadora, isto é o pelicano alimentando os filhos com o seu próprio sangue, e a rede de pescador, divisa da rainha, em memória da catastrophe acontecida a seu filho, de que veiu a morrer na casa de um pescador na Ribeira de Santarém, como a seu tempo foi contado no texto da nossa Historia. Cumpre também dizer que a restauração do portal, não a fez ao acaso o architecto Napomuceno; na sacristia existe um quadro no qual está representada a procissão da vinda do corpo de Santa Auta, a 12 de setembro de 1512, no acto de chegar á egreja; ahi se vê a frontaria do templo como d'antes era, porque o quadro é contemporaneo. Para lastimar é que não tenha sido possível fazer-se a restauração conforme em tudo ao que vê se no alludido quadro. O architecto Nepomuceno ainda se approximou quanto poude, nas janellas bai­xas, que são de ponto subido; mas nas altas teve de seguir outro risco, por falta de meios, e por isso são á moderna.
Pag. 481 - Exeoução de Diogo de Menezed
Em pags. 395 d'este 4.º volume da Historia se allude á infame scena representada pela nossa gravura.
Pag. 485 - Interior da Capella de S. Pedro em Arganil
É de architectura gothica e é tradição que foi mesquita de mouros esta egreja, que fica um pouco antes de se entrar na villa, á esquerda e no sitio onde estão as ruinas de uma antiga povoação.
Pag. 488 - Miguel Leitão de Andrade
Foi este Miguel Leitão de Andrade commendudor da ordem de Christo, cursou na Universidade de Coimbra a faculdade de cânones, não chegando, po­rém, a formar-se, porque partiu para a jornada do África com D. Sebastião, e lá ficou captivo dos Mou­ros, conseguindo evadir-se passado algum tempo. Se­guiu depois o partido do prior do Crato, pelo que foi perseguido e esteve preso durante muitos annos por ordem de Philippe II. Nascera em Pedrogam cm 1555, e ainda vivia em Lisboa em 1629. O seu retrato é copiado do que precede o seu livro Miscellanea do sitio de Nossa Senhora, etc, impresso em Lisboa n'aquelle anno de 1629.
Pag. 489 - Torre de S. Julião na Barra de Lisboa
A esta fortaleza muito bem construída, situada na foz do Tejo lançou os alicerces D. João III pelos annos de 1556, e seu irmão o cardeal D. Henrique, de­pois rei, fez continuar as obras durante a sua gerencia, na menoridade do seu sobrinho D. Sebastião, desde 1509 até 1568. Ainda lá se vê a porta chamada do Cardeal, que era então a principal da fortaleza. Tem sobre o escudo das quinas as settas, de que usava D. Sebastião. Os Philippes também deram impul­so ás obras de fortificação d'este castello por cau­sa das guerras que traziam ao tempo com outras nações da Europa. D. João IV concluiu estas fortifi­cações em 1650. Este monarcha ampliou o recinto da praça, para o lado meridional, e concluiu o revelim, como declara a seguinte lapide que está por baixo do escudo d'aquelle monarcha: O Sereníssimo Rei de Portugal D. João IV de gloriosa memória, mandou fazer esta fortificação, à ordem do Conde de Cantanhede, D. António Luiz de Meneses sendo dos seus conselhos do estado e da guer­ra, veador da fazenda e governador das armas de Cascaes, a cuja cargo esta a fortificação da barra de Lisboa. Anno de 1650. Estava muito descurada depois d'aquella epocha esta fortificação, até aos primeiros annos do século XIV em que o governador da praça o general Ca­breira, restaurou a maior parte d'ella, reparando os baluartes, desentulhando os terrapleno e avivando as memórias e lapides antigas.
Pag. 493 - D. Jorge Cabral, XV governador da Índia
Tem a mesma origem que a maior parte dos re­tratos dos governadores da Índia, publicados n'este volume, o que ora aqui damos de D. Jorge Cabral.
Pag. 496 - Ruinas do Convento do Carmo
Foi fundado pelo magnânimo condestavel D. Nuno Alvares Pereira, em 1389, concluindo-se em 1422, em cumprimento do voto que fez pela victoria de Aljubarrota em 14 de agosto de 1385. A egreja foi sa­grada em 1523. D'este famoso, vasto e magestoso edifício não restam senão ruinas. Era um dos mais bellos exemplares da architectura gothica de Portu­gal, e, sem contestação, o primeiro de Lisboa. Quasi tudo foi destruído pelo terremoto de 1755. A este templo deu o seu fundador a invocação de N. S.ª do Vencimento, e n'este mosteiro, depois de uma vida rude de combates, victorias e boas obras, se recolheu o grande condestavel, tomando o habito carmelita, e ahi falleceu com 70 annos de edade. Ahi estava o seu túmulo, de que já dêmos a estampa e a descripção no segundo volume d'esta nossa edição da Historia. O terremoto de 1755 arruinou o convento e deitou por terra a egreja, da qual apenas ficaram de pé as paredes exteriores. O frontispício da egreja, que ainda existe, pertence á construcção primitiva; po­rém as columnas e arcos interiores, que dividem as naves, mostram que, depois do terremoto, tentaram os frades reedificar este bello e magestoso templo, conservando-lhe a ordem architectonica e elegância primitiva. Era o templo de três naves e muito claro, tendo oito capellas, quatro de cada lado. A capella-mór era allumiada por grandes janellas na ordem in­ferior, tendo mais onze na superior. Por cima dos altares lateraes, nas naves, mettida nas paredes, até ao cruzeiro, havia uma galeria com entrada pelo in­terior do convento e pelo coro, deitando para a egre­ja uma tribuna sobre cada um dos altares. O com­primento do templo, desde a porta principal da entrada, até ao altar-mór, é de 327 palmos (71m,94), e a largura das três naves de 100 (22 metros). A sua altura é de 112 palmos (23m,04). O vão dos arcos que separam as naves tem 27 palmos (5m,94). Durante a construcção d'esta egreja, por duas vezes abateu a capella-mór, sendo preciso, da terceira vez, abrirem-se os caboucos para assentar os alicerces abaixo do nivel do valle onde está o Rocio. Pouco depois do terremoto, os religiosos reconstruíram o convento, e foram habitar n'elle, até 1833, anno em que foram extinctas as ordens religiosas. Quanto á egreja, tentou fr. José Pereira de Sant'Anna, que então era provincial, reedificar o convento, que poucos annos antes descrevera com tanta miudeza na sua Chronica dos carmelitas calçados. Mas isto era superior ás for­ças de um prelado e de uma communidade. Decidiu-se, pois, que se construísse uma nova egreja juncto á antiga, em harmonia com os escassos meios que ha­via para essa obra. No antigo templo arruinado, depois de muitos annos de completo abandono, durante os quaes serviu de deposito de lixo e estrume dos cavallos da guarda municipal, cujos quarteis foram es­tabelecidos no convento, installou se em 1864 a Real Associação dos Architectos Civis e dos Archeologos portuguezes. Operara-se então, no venerando monu­mento do século XIV uma grande transformação, de­vida á intelligente, patriótica e incançavel actividade de Joaquim Possidonio Narcizo da Silva, architecto civil muito distincto, e fundador d'aquella esclareci­da e benemérita Associação. Desobstruiu-se o tem­plo do immenso entulho que lhe cobria o solo primi­tivo, elevando se a oito mil as carradas de terra que d'alli se tiraram. Nas quatro amplas capellas collateraes da capella-mór, devidamente resguardadas, es­tabeleceram-se as salas das sessões da sociedade, do seu archivo, das suas collecções archeologicas, que demandam mais recato. No corpo da egreja, no cruzeiro e na capella-mór estão dispostos os objectos em pedra do museu archeologico: estatuas, túmulos, inscripções lapidares, pelourinhos, altos e baixos re­levos, columnas, capiteis, fragmentos ornamentaes de edifícios antigos, etc. Também foi desentulhado o adro do templo, ficando inteiramente descoberto o seu esbelto portal.
Pag. 497 - Batalha de Alcântara
Em pag. 379 e seguintes d'este 3.º volume vem a narração d'esta tristíssimo episódio da nossa historia, do qual dependeu a dominação philippina, que duran­te sessenta annos esmagou as aspirações e os heroismos do  altivo povo portuguez.
Pag. 501 - Phoebus Moniz
Do retrato que vem estampado na Historia da Revolução de 1820, do Dr. José de Arriaga mandá­mos copiar o que o leitor ahi vê, do benemérito de­fensor dos direitos do povo durante o angustioso periodo que vae da morte de D. Sebastião a dominação philippina.
Pág. 504 - Capella de N. S. da Piedade e S. João da Louzã
A Louzã possue aspectos formosíssimos, um dos quaes é o representado em a nossa gravura, que re­produz o que se chama penhasco das ernidas, cingi­do pela capellinha de Nossa Senhora da Piedade, co­mo diadema sacrosanto. - Fica situado na encosta fronteira ao castello e é aformoseado por três capel­linhas cuja alvura destaca do verdenegro da serra. - A primeira capella que se encontra ao subir os de­graus d'uma longa escadaria é a de S. João, de sim­ples architectura, que podemos attribuir aos fins do século XV, o que é corroborado por uma licença de D. João III, que em 1537 permittiu que alli se fizes­se o bodo do costume. -Esta capella, a maior de to­das, tem alpendre e as portas são ogivaes. Não tem adornos, mas possúe algumas imagens antigas. - Su­bindo alguns lanços de escadas encontra-se a capel­linha do Senhor da Agonia, vendo-se n'um dos para­peitos do pequeno alpendre, que lhe fica próximo, uma cruz de pedra, onde se lê: «Estas obras mandou fazer o capitão Francisco Barbosa, natural d'esta vil­la. Era de 1624». - Sobem-se mais 32 degrau e che­ga-se ao cume do rochedo que termina o penhasco, onde se encontra a capella de Nossa Senhora da Pie­dade, construída nos fins do século XVI e que logo e até hoje tem sido objecto de grande devoção para o singelo povo daquelles arredores. - A tranquillidade magestosa d'aquelle ermo, o silencio augusto d'essa cathedral de verdura, onde a capellinha se ergue co­mo sanctuario recôndito, como tabernáculo mysterioso, como custodia de pedra onde habita a cândida Maria, contribuiu de certo muito para inspirar ás po­pulações campestres, cujos instinctos são tão natural­mente poéticos, seus devotos pensamentos. - Esta capella acha-se hoje reformada e ampliada, para o que contribuiu a sr.ª viscondessa do Espinhal. Em volta construiu-se um paredão, que prejudicou immenso a enorme belleza natural do logar.
Pag. 505 - Porta lateral da Egreja de Caminha
É um bello specimen da arte portugueza este do século XV. A descripção do edifício a que ella per­tence, vem um pouco acima, quando tractâmos da egreja matriz de Caminha.
Pag. 509 - Frei António dos Santos (ou Netto)
Oriundo de uma família muito illustre do Algar­ve, foi elle o primeiro prior do convento de S. Agos­tinho na villa de S. Miguel. D. Fr. Aleixo de Mene­zes, arcebispo de Braga, escolheu-o em 1616 para seu coadjutor, e foi confirmado com o titulo de bispo de Nicomedia. Falleceu no anno de 1641 e jaz sepultado na sacristia de N. S. do Populo em Braga. O seu retrato mandámol o reproduzir de um quadro a óleo contemporâneo, existente no convento da Graça em Lisboa.
Pag. 512 - Mausoléu, na egreja de Santo António d'Obidos
Não podemos aqui accrescentar nota alguma ás indicações de que é acompanhada a gravura, isto é que o túmulo pertencia a D. João de Mello, pois que nos não chegaram a tempo os apontamentos que de Óbidos solicitáramos para completar esta noticia.
Pag. 513 - Castigo do rei de Penamacor
Veja-se em pags. 427 d'este volume a descripção da ridícula scena em que os Philippes quizeram cas­tigar um dos filhos de D. Sebastião, que em Portugal appareceram logo em seguida á dominação philippina.
Pag. 517 - Chriatovam da Silveira
Foi muitas vezes prelado nos conventos augustinianos da província de Portugal, e ultimamente no convento da Graça em Lisboa, onde existe o seu retrato a óleo, d'onde foi copiado o que aqui damos em photogravura. Foi arcebispo primeiro das Índias Orientaes, e falleceu em 1617.
Pag. 520 - Memória de Nossa Senhora da Piedade
Apezar de cuidadosamente havermos pedido para Óbidos indicações para completarmos a noticia acer­ca d'esta memória levantada por D. Affonso Henriques, pela acção heróica da tomada de Castello de Vide, em janeiro de 1148, não nos mandaram sobre o assumpto os apontamentos solicitados, o que nos obriga a deixar em aberto mais esta lacuna, que ten­taremos preencher, logo que se nos offereça ensejo.
Pag. 521 - Torre do convento de Sant'Anna, em Vianna do Castello
A torre dos sinos da egreja do extincto convento de Sant'Anna,|de freiras benedictinas, remata por uma pyramide quadrangular com arestas crossadas ou baculadas, para pedaes: foi o que escapou da antiga capella oitavada, de estylo gothico, cujo portal, ainda existente no mirante, tem esculpida numa fita a era de 1533. O mosteiro vae desapparecendo, levantan­do-se em seu logar o novo edifício do Hospital de Caridade, para velhos entrevados, mas conservam as relíquias da architectura pátria.
Pag. 525 - João Botto Pimentel
É feito sobre a estatua jacente que se vê sobre o túmulo d'este personagem na egreja da Espessandeira, em Alemquer, e que reproduzimos completo a pags. 528, o retrato aqui reproduzido d'este fidalgo portuguez do século XVII, e que foi commendador de Malta.
Pag. 528 - Túmulo de Fr. João Botto Pimentel
Existe na egreja na Espessandeira, próximo de Alemquer, este túmulo, do qual foi egualmente copiado o retrato de João Botto Pimentel por nós apresentado em pags. 525 d'este 4.º volume da História.
Pag. 529 - O cardeal D. Henrique recebendo a noticia da morte de D. Sebastião
Descreve-se a pags. 296 d'este 4.º volume o episódio representado por esta composição d'um dos nossos collaboradores artísticos.
Pag. 533 - D. Affonso de Noronha, vice-rei da Índia
É da mesma origem da maior parte dos retratos de governadores da Índia publicados n'este quarto volume da Historia, o retrato que aqui dâmos de D. Affonso de Noronha.
Pag. 536 - Pelourinho d'Arrayolos
Constitue este pelourinho uma das curiosidades archeologicas que se mostra n'esta tão interessante quanto antiga villa do Alemtejo. Arrayollos, cuja data da fundação se ignora, arruinou-se muito com as fre­quentes guerras de árabes e romanos, e foi reedificada em 1310 por D. Diniz, que lhe deu foral e ennobreceu com um soberbo castello. D. Manuel deu-lhe novo foral em Lisboa. Tinha voto em cortes, com assento no banco n.º 15.
Pag. 537 - Antiga casa da Torre de Lanhellas
Lanhellas é uma risonha freguezia do Minho, a uns 20 kilometros de Vianna do Castello, e esta casa constitue uma das suas mais curiosas antiqualhas. É de pequenas dimensões, tem uma torre ameiada, d'onda lhe vem o nome da casa da Torre, e é toda de cantaria. Era o solar dos Abreus, de Merufe, mas passou depois á família de Gamillo de Sá Pinto Abreu de SottoMayor, fidalgo já fallecido. A quinta é uma das mais bellas e mais bem situadas de todo o Alto Minho. D. Frei Bartholomeu dos Martyres ia lá pas­sar alguns verões, e ainda lá se mostram duas larangeiras mandadas plantar pelo venerando prelado.
Pag. 541 - Francisco d'Andrada
O personagem cujo retrato aqui damos serviu em Arzilla, onde foi armado cavalleiro. Partindo para a Índia como capitão-tenente d'uma nau, combateu em prol da pátria, sendo nomeado governador da praça de Salsete em substituição de D. Affonso de Castro. Este retrato é copia fiel d'uma miniatura em pergaminho do começo do século XVII, que se acha. em poder dos actuaes representantes de Francisco d'Andrada.
Pag. 544 - Cadeira de D. Affonso V existente no convento do Varatojo
Está lá mettida para um canto d'uma das casas do claustro do Varatojo, esta curiosa cadeira, em que costumava sentar-se o fundador do mosteiro, D. Affonso V, e é uma das curiosidades que os fra­des varatojanos costumam mostrar aos seus visitan­tes. Quanto á historia do convento veja-se o que fi­cou dito a pag. 625 d'este mesmo volume.
Pag. 545 - A volta do romeiro
Existe no Museu das Bellas-Artes este magnifico quadro de Lupi, representativo d'aquella scena final do immortal drama de Garrett, Frei Luiz de Sousa. Fizémol-o para aqui transportar, por alludir elle a um dos episódios d'aquella fatal jornada de Alcacer-Kibir, da qual dependeu toda a decadência da velha pátria portugueza.
Pag. 549 - D. Fr. Agostinho de Castro
Sobrinho do conde de Monsanto. Foi prior do convento da Graça em Lisboa, onde existe o retrato a óleo d'onde mandámos copiar o que aqui apresen­tamos, e por duas vezes provincial. Vindo de Roma, de assistir ao Capitulo Geral, recebeu particulares estimações do imperador Rodolpho II de Allemanha que o fez seu pregador. Philippe II elegeu-o arcebis­po de Braga, sendo sagrado ainda no convento da Graça em Lisboa por D. Miguel de Castro. Fundou o collegio do Populo em Braga, onde está sepultado e morreu em 25 de novembro de 1609.
Pag. 552 - Egreja de S. Francisco em Guimarães
É o mais vasto templo da cidade de Guimarães. A sua construcção data do ultimo quartel do século XIV. Conserva intacta a capella-mór, uma das melho­res do reino, e a porta principal, estylo joannino mui­tíssimo apreciável. Alguns historiadores têem dito que a largura do corpo d'esta egreja não podia obe­decer ao plano de uma nave, como ora tem; mas ao de três, como a de S. Domingos, da mesma epocha. O coro é sustentado por um arco de pedra tão aba­tido que faz a admiração dos visitantes. O cruzeiro, que a nossa gravura representa, acaba de ser removi­do para junto da parede exterior norte. A cruz latina, que encima a fachada, foi ha dois annos substituída pela actual joannina, por indicação do nosso amigo Albano Belhno, um antiquário emérito, a quem de­vemos magníficos dados acerca de diversos monu­mentos especialmente de Braga, Guimarães e Vianna do Castello, apresentados n'esta nossa edição da Historia.
Pag. 553 - Chafariz de S. Domingos
No Largo de S. Domingos, em Vianna do Castel­lo, existiu até 1867 um grande chafariz, que era o deposito d'onde se alimentava todo o bairro da Ri­beira. A casa nobre que lhe fica ao norte, mandada construir para hospedar o arcebispo D. Rodrigo de Moura Telles, pertence desde então á illustre família Barbosa Teixeira Macieis.
Pag. 557 - D. Garcia de Noronha
Afim de nos não repetirmos, diremos apenas que a origem d'este retrato é a mesma da maioria dos retratos de governadores da Índia que se encontram espalhados por todo o decurso d'este 4.º volume da Historia de Portugal.
Pag. 560 - Antiga capella de S. Fructuoso vista do altar-mór
Nada temos a accrescentar, aqui, ao que já ficou dito a paginas 615 deste nosso volume, acerca da ca­pella de S. Fructuoso, em Braga.
Pag. 561 - Os martyres de Conculim
A composição que aqui damos é reproducção do quadro de Salv. Nobili feito em Roma por occasião da beatificação dos cinco jesuítas mortos na Índia nos primeiros tempos das missões jesuíticas. Eram esses jesuítas os padres Rodolpho Aquaviva, Affonso Pacheco, António Francisco, Pedro Berni e Fran­cisco Aranha, três dos quaes, Affonso Pacheco, An­tónio Francisco e Francisco Aranha, eram portuguezes. Como complemento a esta ligeira noticia, de­vemos dizer que no condado de Conculim existe uma celebre capella dedicada  a esses martyres, que foi construída para commemorar o facto de terem sido alli mortos esses cinco jesuítas e mais cinco seculares, em 15 de julho de 1593, sendo depois lançados n'um cabouco, sobre o qual, em memória d'esse facto, se collocou uma cruz firmada em arcos cruzados.
Pag. 565 - João da Silva, o dos Alcaides
Este retrato é feito sobre a sua estatua tumular existente no convento de S. Marcos, perto de Coim­bra. - Era filho de Ayres da Silva e de D. Guiomar de Castro. De seu pae já publicámos o retrato a pa­ginas 76 do tomo 3.º da Historia. Os seus feitos mi­litares passaram-se todos em África, onde gastou o melhor da vida. Em 1510, esteve na defeza de Arzil­la; em 1513 com o duque D. Jayme na tomada de Azamor, onde foi um dos primeiros no assalto. D João III distinguiu-o com o cargo de regedor das justiças em 1322 por renuncia de seu pae e n'elle continuou até 1557, em que falleceu, a 10 de junho com 75 annos de edade. Foi um magistrado exem­plar, segundo o dizer dos contemporâneos.
Pag. 568 - Nossa Senhora da Oliveira, em Guimarães
Apezar de já nas primeiras paginas do primeiro volume d'esta nossa edição da Historia havermos dado uma gravura representativa d'este edifício, não resistimos ao prazer de dar esta nova gravura, por que ella representa a egreja vista por outro aspecto, podendo-se admirar á vontade o magnifico pórtico, do vetusto templo. É a primeira vez que apparece em gravura esta vista da fachada do monumental edi­fício.
Pag. 569 - Egreja de Rachol - Parochia da Praça
A antiga praça de Rachol, onde existe a egreja que a nossa gravura representa, hoje reduzida em parte a um montão de ruinas, está situada na mar­gem esquerda do rio Zuary, que banha a província de Salsete, pelo lado oriental e fronteira á província de Pondá. Foi cedida aos Portuguezes sendo vice-rei da Índia Diogo Lopes de Sequeira, pelos annos de 1518 a 1521, por Crisná Ráu, descendente do impe­rador Rama Rajah, que a tomou ao HidalKhan. Fi­gura na historia da Índia como praça fortíssima. Den­tro de seus muros havia uma bella povoação e nobres casas de fidalgos de Salsete, que alli residiam com o general da mesma província, para se acobertarem das incursões e rapinas dos inimigos, que desciam dos Gattes pela província de Pondá, e assolavam os cam­pos. Como se tornasse insalubre esta praça, foi-lhe dada baixa em 1841, ficando quasi toda reduzida a palmares e várzeas de arroz.
Pag. 573 - Gil Vicente
No largo estudo sobre a litteratura portugueza explanado n'este quarto volume da Historia, encon­trará o leitor noticia da vida e obras do remodelador do theatro portuguez, o grande Gil Vicente, cujo re­trato é feito sobre a sua estatua que encima o frontão do theatro de D. Maria II, em Lisboa.

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Pag. 576 - Cruz de S. Gonçalo
Data, sem duvida, do século XIII esta preciosa re­líquia que se diz ter assistido ao baptismo de S. Gon­çalo d'Amarante, natural da freguezia de Tagilde, onde ainda se conserva este objecto de arte sacra. Nas exposições de ourivesaria do Palácio de Crystal é de arte ornamental de Lisboa, sobresahiu aos de­mais objectos expostos.
Pag. 577 - Tortura de Fr. Miguel dos Santos
Veja-se a paginas 438 d'este volume a noticia dos tormentos pelos quaes o governo dos Philippes fez passar este cúmplice de outro falso D. Sebastião, o segundo dos quatro que appareceram depois da fatal derrota de Alcacer-Kibir.
Pag. 581 - D, João Manuel
O retrato d'este celebrado hispo de Vizeu e de Coimbra, descendente de D. Duarte, que viveu do século XVI para o XVII, pois que falleceu em 1631, foi co­piado do que vem no por nós tantas vezes citado livro Retratos e Elogios de Varões e Donas, etc, onde, na memória que o acompanha, vem assim justificada a sua authenticidade: «O seu retrato está na casa do excellentissimo marquez de lanços, d'onde com be­neplácito seu foi copiado o que acompanha esta Me­mória, em Marvilia na Quinta da Mitra, e na portaria do convento dos Religiosos de Jesus, d'esta cidade.»
Pags. 584 e 585 - Castello de Diu
À praça e cidade de Diu, outr'ora considerada inexpugnável por estar rodeada de grandes fossos cheios de agua do mar, e se achar defendida com muitos baluartes, construídos sobre rochedos que se elevam até 26 metros acima do nivel do mar, e guar­necidos de peças de artilheria, é hoje de pouca im­portância. Recolhidas no castello existiam, ha pou­cos annos, 34 peças de bronze e 33 de ferro de diver­sos calibres. No baluarte de S. Martinho ou de S. Jorge (no castello) está uma grande bombarda, de 2m,00 de comprido e 0m,66 de diâmetro de bocca, em cuja borda tem este lettreiro: REGIS LUSITANI FAMULUS. No terço anterior tem as armas reaes portuguezas entre quatro espheras, e por baixo das ditas armas ao meio da peça: NONNI DA CUNHA / PRESIDIS JUSSU / CONFLATUM  ET / ABSOLUUM AN / MD. XXXIII / REINOU / ME FECIT. No terço posterior um tigre em relevo, rodeado d'este lettreiro: EU SOU O TIGRE ESFORÇADO / QUE POR DO MEMORANDUM / PAN. No mesmo baluarte está outra bombarda de bron­ze com o lettreiro: FERNANDO ARES ME FEZ / EU ETOR FORTE AMOR (?) OS DA / REI MORTE. Ainda existe no mesmo baluarte um grande pe­dreiro de bronze com três inscripções turcas. Na cou­raça pequena sobre o mar está outra peça de bronze com a roda de Santa Catharina e o lettreiro: FOI FUNDIDO ESTE TIRO NA ERA / DE 1537 POR MANDCADO / DO GOVERNADOR NUNO DA CUNHA. A sua força publica em 1865 compunha-se do estado-maior da praça, de uma companhia de caçado­res, um destacamento do regimento de artilheria de Gôa e de alguns officiaes da 4.ª secção empregados nos differentes commandos da ilhas. Segundo o re­censeamento de 1681, tinha 169 militares e 187 ma­rinheiros. Ha n'esta praça um grande material de guerra, cujo commando recáe no official do destaca­mento da mesma arma. Este material estava em péssimo estado de arranjo quando tomou conta do governo o general D. Jorge Augusto de Mello que mandou separar o que estava em bom estadodo que se julgou incapaz e tomou as necessárias providencias para evitar a deterioração do que podia ainda ser conservado. Grande parte das fortificações, quarteis e edifícios públicos carecem de muitos e dispendiosos reparos. Devido á solicitude d'esse governador, reconstruiu-se no tempo do seu governo o grande edifício denominado casa de Luiz José, pertencente á fazenda nacional, que se achava em completa ruina. Construíram-se n'ella as accommodações  precisas para o tribunal de justiça, que, até áquelle tempo, fazia as suas audiências nos corredores do claustro do antigo convento de S. Paulo, e edificaram-se ainda os paços da Camara municipal e a conservatoria. Concertou-se na mesma epocha um dos baluartes do castello, denominado o baluarte do Chato, e fabricou-se de novo uma parte da muralha da praça, que estava inteiramente arruinada, na margem do rio. Além d'estas obras  procedeu-se aos reparos precisos na casa da residência dos governadores em Malála, na couraça, no arsenal e no cães do castello, ao qual se deu nova forma, collocando-se alli uma bateria de 21 bocas de fogo. Tem a praça e cidade de Diu um hospital militar estabelecido no antigo convento de S. Francisco, em muito bom estado, com excellentes condições hygienicas e suficientes accomnodações para os doentes. Todos estes apontamentos os extrahimos nós do tão excellente como curioso livro de Lopes Mendes, A Índia Portuguesa.
Pag. 589 - Francisco de Sâ de Menezes
Este retrato do inspirado auctor da Malaca Con­quistada é feito sobre a estatua do mesmo poeta que ornamenta o monumento a Luiz de Camões em Lisboa. É obra do insigne esculptor portuguez Vicior Bastos.
Pag. 592 -Túmulo de João Teixeira de Macedo, em Villa Real
Existe este túmulo na capella de S. Braz, um dos mais antigos monumentos de Villa Real de Traz-os-Montes, e era ella o jazigo da nobre família dos Teixeiras de Macedo, pela qual fora fundada no tempo de D. Diniz. É ornado este jazigo por columnas triangulares com seus capiteis pyramidaes, frisos e folhas em relevo, tudo muito bem trabalhado em granito e tem na parte superior, de um lado um brazão de ar­mas em quartéis: no 1.º a cruz de Christo vasia; no 2.º cinco flores de liz; e assim os contrários: do lado opposto um elmo com plumagens em alto relevo, e no cavallete a inscripção seguinte em lettra gothica: AQUI JAZ JOÃO TEIXEIRA DE MACEDO, DO CONSE­LHO D'EL-REI ; O QUAL, ENTRE OUTROS MUITOS ASSIGNALADOS SERVIÇOS QUE FEZ, TOMOU VILVESTRE POR COMBATE E O SUSTEVE TRES ANNOS, ESTANDO MUITO TEMPO CERCADO, PELEJANDO MUITAS VEZES, GANHANDO MUITA HONRA E GRAN­DE MEMÓRIA. FALLECEU AOS 6 DIAS DE JULHO DE 506 ANNOS.
Pag. 593 - Execução de Gabriel Espinosa
Em pags. 439 a descripção do apparecimento de este novo D. Sebastião, que teve por epílogo a execu­ção do seu triste heroe, scena que a nossa estampa representa.
Pag. 597 - D. Luiz de Athayde
Ao livro existente na Bibliotheca Nacional de Lis­boa, d'onde foram copiados os retratos de D. Henri­que de Menezes, de Garcia de Sá, e de outros gover­nadores da Índia que apparecem no decurso d'este 4.º volume da Historia, mandámos copiar o de D. Luiz de Athayde, que o leitor tem presente.
Pag. 600 - Frente da egreja matriz de Santa Maria da villa d'Obidos
É um formoso templo de três naves. Teve sempre priores, homens muito qualificados e alguns com ca­racter de bispos. Consta que esta egreja foi fundada por D. Affonso Henriques que a doou a S. Theotonio 1.º prior de S. Cruz de Coimbra. S. Cruz continuou de posse da egreja até D. João V, que restituiu o pa­droado a sua mulher D Catharina, ficando desde en­tão na casa das rainhas até 1855. O primeiro prior feito por esta rainha foi Rodrigo Sanches, varão insigne em lettras e virtudes. Gastou grandes quantias em aformosear a sua egreja depois de a reedificar inteira­mente em 1571. Em 4 de outubro de 1604 principia­ram as beneficiadas a cantar dentro da egreja de manhã e á tarde a antiphona Stella Coeli.
Pag. 601 - Jeronymo Corte-Real
Também da estatua feita por Victor Bastos, que ornamenta o monumento a Luiz de Camões em Lis­boa, mandámos copiar este retrato do insigne can­tor de Cerco de Diu e do Naufrágio de Sepulveda.
Pag. 605 - Casa em que viveu a família de Diogo Cão
É conhecida pela Casa do Arco, e tem sido sem­pre habitada por nobres famílias, e, como diz a epigraphe, suppõese que viveu n'ella Diogo Cão que foi também appellido de uma das nobres famílias de Villa Real de Traz os Montes. Mostra-se esta casa como uma das mais curiosas antigualhas da vetusta povoação transmontana.
Pag. 608 - Capella do Castello de Góes
Não tem importância militar o castello a que nos referimos e que fica collocado não mesmo na villa de Góes, que  fica  situada no fundo de um valle, mas n'um dos montes sobranceiros a esse valle. O mere­cimento da capella está unicamente na sua relativa ancianidade.
Pag. 609 - Camões na Gruta de Macau
Foi o primeiro monumento levantado á memória do immortal cantor dos Lusíadas. A gruta de Macau é um dos sitios que se dizia predilecto do grande épico e parece que foi alli que elle compoz algumas das inspiradas estancias do seu poema; pelo me­nos é esta a tradição, que já inspirou mais de um pintor. Foi o proprietário da gruta quem, diz a tra­dição, pediu a Mr. de Chalae, vice-consul de Fran­ça em Macau, que mandasse executar em bronze um busto, para mandar collocar sobre um pedestal de pedra que, para o mesmo fim, elle mandou erguer ao centro da gruta. Mr. de Chalaye encarregou Mr. Jules Droz de executar o busto, e foi Ferdinand Denis quem forneceu ao artista francez o retrato que lhe serviu de modelo para o busto - Diz o visconde de Juromenha no seu soberbo estudo sobre Luiz de Ca­mões (vol. 1.º, pag. 421): «Tenho um molde em ges­so, que devo á obsequiosa amabilidade de Mr. Ferdi­nand Denis, que m'o remetteu de Paris. Tem uma pequena base quadrada onde se lêem as seguintes inscripçóes: Na frente, 1825, Camões, 1579  na parte opposta, D'après un portrait du XVI siécle communiqué par Mr. Ferdinand Denis 1844. Jules Droz. - No lado esquerdo, Os Lusíadas. Lisboa, 1512 Rythmas, 1555. - Do direito. Pátria, ao menos morro com ella. - Á amabilidade d'um distincto militar, Álvaro de Lemos, moço de grandes espíritos e com pronuncia­do gosto pelas nossas antiqualhas e em geral por to­das as glorias pátrias, qualidades raras em pessoa de tão verdes annos, devemos a photographia, que man­damos aguarellar para figurar na nossa Historia, co­mo era de direito.
 
Vol. 4