|
Vol. 2
|
História de Portugal, popular e ilustrada - Volume 2:
De Aljubarrota até Afonso V
![]() |
Pág. 5 - S. Pedro de Rates
Remonta à mais alta antiguidade este monumento da arte cristã em Portugal. Segundo antiga tradição, o primitivo edifício, sobre as ruínas do qual se levantou mais tarde o que a nossa gravura representa, foi fundado por S. Pedro de Rates em 716 e neste mesmo ano destruído pelos Sarracenos. Reconstruído em 1100 pela mulher do conde D. Henrique, para nele estabelecer os Monges da Caridade, foi mais tarde, 1152, aumentado, reedificada a igreja, e construído o túmulo de S. Pedro de Rates. Esta rainha, bem como seu marido, doaram o mosteiro e deram-lhe grandes privilégios. Em 1315 sabe-se que ainda era mosteiro de cónegos regrantes, perdendo-se a notícia dele até à data de 1566, em que se sabe que passou à comenda de Cristo. No adro da igreja de Rates veem-se ainda muitas sepulturas bastante antigas. O corpo de S. Pedro de Rates é que já lá não existe, porque foi trasladado em 1552, com a maior pompa, para a Sé de Braga, por ordem do arcebispo D. Frei Baltazar Limpo.
|
|
|
Pág. 8 - Castelo de Torres Novas
Aqueles velhos panos de muralhas que o leitor vê foram testemunhas de grandes e notáveis acontecimentos, que neste pequeno espaço de uma nota nem sequer rememorar podemos. A data da fundação delas é ignorada, ou pelo menos atribui-se-lhe uma tal origem que chega a perder-se nas brumas do tempo, constando até que foram os Gregos quem fundaram a primitiva fortaleza, a que deram o nome de Neupergama (Torre nova); que esta fortaleza se conservara por mais de 550 anos em poder dos vários povos que foram habitando sucessivamente a Lusitânia, até que foi arrasada e incendiada no ano de 209 A. C. pelos Romanos; que, reedificada pelos Cartagineses, estes lhe deram o nome de Kais pergama (Torre queimada), denominação que conservou até ao ano 64 A. C. em que os Romanos, já senhores de toda a Lusitânia, a reconstruíram e ampliaram, dando lhe o nome de Nova Augusta. Passaram os tempos, foram-se sucessivamente assenhoreando daquela Torre os Godos, os Vândalos, os Suevos e os Alanos, que lhe restituíram o seu antigo nome, alterando-o um tudo nada, chamando-lhe Torres Novas, por serem bastantes as torres que de onde a onde, interrompiam a linha das muralhas. Os Árabes, quando, em 716 da nossa era, invadiram a Lusitânia conservaram esta fortaleza, mantendo-se senhores dela até 1148, em que foi tomada por D. Afonso Henriques. Conquistada de assalto em 1185 pelo Miramolim de Marrocos, Joseph-Aben-Jacob, foi por ele mandada arrasar; retomada por D. Afonso Henriques, foi por este mandada reconstruir; mas logo em 1191 o irmão do Miramolim falecido a tomou de novo e a mandou novamente destruir. Foi D. Afonso II, o filho de D. Sancho, quem definitivamente a reconquistou para os Portugueses, reconstruindo-a mais uma vez. Daí para cá, não nos consta que este castelo figurasse de novo na história do nosso país. Mas os feitos que à sua sombra se praticaram dão-lhe jus a figurar na nossa galeria.
|
||
|
Pág. 9 - Os habitantes dos arredores de Lisboa acolhendo-se à capital
Representa-se aqui uma das cenas mais pitorescas daquele movimentado período da História portuguesa, e acha-se descrito este interessante episódio, que o nosso colaborador artístico tão inteligentemente soube interpretar, a pág. 540 do 1.º volume da nossa edição.
|
||
|
Pág. 13 - Sé de Miranda do Douro
Apesar de não ter já honras de Sé, sendo uma simples igreja matriz, o templo representado pela nossa gravura é majestoso no seu aspecto geral, mas não tanto que se possa pelo exterior avaliar as belezas arquitectónicas que ele encerra. Foi seu fundador D. João III, sendo lançada a primeira pedra em 1511. Foi sede de bispado durante 212 anos, criando-se ali, depois que lhe foram tiradas essas honras, uma colegiada, que nunca chegou a constituir-se de facto por lhe faltarem os rendimentos, de modo que foi suprimida em 1825. Desde 1764 até 1834 foi esta Catedral regida por dois párocos; desta data para cá, por um apenas. Escusado é dizer que no espaço que decorreu de 1552 até agora, o edifício em questão sofreu numerosas alterações, de modo que hoje não apresenta exteriormente nada do aspecto que tão majestoso templo devia ter em meados do século XVI.
|
||
|
Pág. 16 - Mestre de Aviz
Aparte o traje, com que, com muita correcção e estudo o nosso colaborador artístico completou o quadro, este retrato é uma fiel reprodução, como se lê nas poucas palavras que acompanham a epígrafe da nossa gravura, do retrato a óleo do século XV, existente na galeria imperial de Viena.
|
||
|
Pág. 17 - Bloqueio de Lisboa
Veja-se a págs. 559 e seguintes do 1º volume a brilhante descrição que deste notabilíssimo episódio da História pátria, com tanta verdade interpretada pelo nosso ilustrador, faz M. Pinheiro Chagas.
|
||
|
Pág. 21 - Capela e Castelo de N. S. da Glória
O arcebispo D. Gonçalo Pereira (1325-1348) mandou construir esta capela e castelo, que lhe serve de sacristia, principiando a obra em 1330 e concluindo-se a 27 de abril de 1334. Para este fim obteve ele um Breve de João XXII, e o consentimento do cabido para se unirem à obra umas casas que lhe ficavam contíguas, pertencentes à Sé e chamadas do Conselho. Um dos vidros do centro da janela sobranceira à porta perece ser coevo da capela. Tem uma preciosa pintura, a cores, representando a Virgem com o Menino no colo e na extremidade inferior: Tota pulchra es (sic). Toda tu és formosa. Dois anos depois de concluir a capela, mandou-se dar princípio à construção do túmulo de pedra de Ançã, que ainda hoje se vê ao centro, com a sua figura de pontifical em cima, e tendo em volta, dentro de pequenas ogivas, 24 estatuetas, que representam os 12 apóstolos e 12 clérigos cantando. Às cabeceiras, Cristo crucificado, a Virgem e os emblemas dos quatro evangelistas. É notável o facto de usar um anel prelatício em cada mão e de se representar com os pés voltados para o altar-mor. Na cornija do túmulo, hoje vestida de madeira, tem esta inscrição:
«1348. Aqui jaz o arcebispo D. Gonçalo Per.º, avô do condestável de Portugal D. Nuno Álvares Pereira, do qual procede o imperador Carlos Quinto, e em todos os reinos cristãons da Europa ou os reis, ou rainhas deles, ou ambos &. Reformada pelo deão administrador D. Luiz no ano de 1789.»
O patriotismo deste grande prelado não se revelou somente na batalha do Salado protegendo D. Afonso IV; no testamento com que faleceu, entregando ao deão da Sé a administração da sua capela, diz: contanto que sejam portugueses, e não o sendo passe a referida administração para o chantre, etc.
|
||
|
Pág. 25 - Nuno Álvares Pereira
É copiado de um dos mais autênticos, senão do mais autêntico retrato que se conhece do valeroso condestável, o que a nossa gravura representa, pois que é a reprodução do que aparece na Chronica do Condestabre, edição de 1326. Simplesmente o nosso director artístico, tirando-lhe todo o aspecto primitivo que o desenho apresentava, conservou-lhe o essencial, que são os traços fisionómicos, o trajo guerreiro e até a posição que lhe dera o autor do primeiro retrato.
|
||
|
Pág. 29 - A espada do condestável
Sobre esta preciosa relíquia do grande condestável, diz Ignacio de Vilhena Barbosa no seu inapreciável livro Monumentos de Portugal: «Pela extinção das ordens religiosas em 1834, foi nomeada uma comissão composta de três religiosos deste convento (do Carmo) para fazer entrega dos vasos sagrados e alfaias. Por essa ocasião, fr. António Simões, presidente da comissão, foi ao paço entregar nas mãos do sr. D. Pedro, duque de Bragança e regente do reino, a espada do condestável D. Nuno Álvares Pereira. A folha desta espada é, segundo dizem as crónicas antigas, a mesma que o alfageme de Santarém concertou, sem querer receber paga. Guarda-se actualmente esta preciosa relíquia no gabinete de arqueologia e numismática d'el-rei o sr. D. Luiz, no palácio real de Nossa Senhora da Ajuda. Está encerrada em um estojo, com a seguinte inscrição gravada em uma chapa de metal na tampa:
Espada de D. Nuno Álvares Pereira, que S. M. o senhor Duque de Bragança, de gloriosa memória, mandou tirar do convento do Carmo de Lisboa, no dia 28 de maio de 1884; e que os frades do referido convento tinham mandado cortar e transformar para ser apropriada à mão de uma imagem de Santo Elias.»
|
||
|
Pág. 32 - Púlpito de Santa Cruz de Coimbra
O precioso púlpito que a nossa gravura representa, e de que se encontra a reprodução em gesso no Museu Arqueológico de Lisboa, reprodução que já figurou numa das exposições universais de Paris, é uma maravilha de escultura e decerto a peça mais brilhante no género que existe no vetusto mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. É uma das obras-primas do tempo de D. Manuel e é tão galante, tão delicada, tão finamente trabalhada, que mereceu ao conde de Rackzinsky, um dos estrangeiros que mais se extasiaram perante as belezas artísticas do nosso país, estas lisonjeiras palavras: «É uma verdadeira joia que dá vontade de encaixar num medalhão ou até num simples anel.»
|
||
|
Pág. 33 - Batalha dos Atoleiros
O grandioso feito com que para assim dizer se encetou a série de gloriosos combates que terminaram pela batalha de Aljubarrota, e que inspirou ao nosso ilustrador o movimentado quadro que o leitor tem à vista, encontra-se descrito por M. Pinheiro Chagas, com a inigualável elegância que todos lhe reconhecem, a pág. 553 do 1º volume da nossa edição.
|
||
|
Pág. 37 - Altar-mor da Sé de Miranda do Douro
A confirmar o que ficou dito a pág. 617, quando tivemos que referir-nos à fachada deste monumento da arquitectura em Portugal, temos a presente gravura, pela qual se pode fazer ideia da elegância e riqueza das obras de arte que aquele templo encerra dentro em si. Este altar-mor é, por certo, uma das suas mais brilhantes peças, e contém 56 imagens e pinturas de santos, alguns de grande merecimento artístico, atraindo especialmente a atenção o retábulo, que representa a Assunção.
|
||
|
Pág. 41 - Eanes de Azurara
Mal procederíamos se não enriquecêssemos a nossa galeria de retratos com o deste vernáculo escritor do século XV, o elegante cronista, que nos deixou os melhores documentos para a História dos primeiros descobrimentos dos portugueses, especialmente na sua Chronica do descobrimento e conquista de Guiné. Este retrato de Gomes Eanes de Azurara é feito sobre a estátua que do grande cronista se vê no pedestal do monumento a Camões em Lisboa, obra do insigne escultor Victor Bastos.
|
||
|
Pág. 45 - Castelo de Ourem
Sem dúvida uma das mais brilhantes manifestações do gosto artístico nas construções guerreiras de Portugal é este castelo, que se impõe pela originalidade e pela beleza da sua edificação. Erguem-se as majestosas ruínas deste celebre castelo a cavaleiro da vila de Ourem, ficando-lhe em frente uma torre, e para a direita uma ampla planície, a rodear o monte, que foi em tempos remotos cercada de muralhas, de que restam poucos vestígios. A fortaleza, quando completa, tinha seis torres, comunicando entre si por galerias subterrâneas, tendo a última dessas torres uma escadaria, que servia, em caso de perigo, para dar saída para o sítio denominado Vale Bom, ao sul da povoação.
|
||
|
Pág. 48 - Sino de S. Geraldo
Relíquia de passados tempos, este sino, que conta quase nove séculos, está suspenso nos quatro arcos que formam a cúpula da torre do lado direito da Sé de Braga, e colocou-se ali em 1724, por ordem do arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, a expensas de quem foi levantada a actual fachada com as respectivas torres. É o sino do relógio. O povo denomina-o de S. Geraldo por ser feito no ano 1000 do Senhor, como se lê nos ombros em caracteres góticos: - ANO. DNI. MILÉSIMO., e porque a tradição lhe diz que o referido sino tocava sem auxílio estranho todas as vezes que o santo arcebispo saía à rua.
|
||
|
Pág. 49 - Os Castelhanos matando os Portugueses pela asfixia
Na guerra, como na guerra; e quando assistimos na época actual aos actos de ferocidade que entre si praticam os povos em combate, não nos devemos admirar de que no século XIV se dessem factos como este descrito na nossa edição da História a pág. 548, do 1º volume, e que Roque Gameiro tentou ressuscitar pelo pincel.
|
||
|
Pág. 53 - Estandarte do condestável Nuno Álvares Pereira
Fora ideado pelo nobre paladino da independência de Portugal o interessante pendão que a nossa gravura representa e que era simultaneamente uma revelação dos piedosos sentimentos do santo condestável. «Era, diz Oliveira Martins, uma bandeira branca, dividida ao centro em quatro campos por uma cruz vermelha: a cruz do escudo de Galaaz, tinta no sangue do Redentor; em cada quarto havia uma imagem piedosa, e nos quatro cantos outros tantos escudos da linhagem de Nuno Álvares. No primeiro quarto, o superior, junto à haste, via-se Jesus Cristo crucificado e aos pés da Cruz sua mãe, a Virgem Maria, de um lado e do outro S. João, o discípulo amado. No segundo quarto, superior, estava a Virgem, com o Menino ao colo. No terceiro, inferior, S. Jorge de joelhos, rezando a Deus, de mãos postas. No quarto finalmente, o apostolo das Espanhas, S. Tiago, na mesma atitude».
|
||
|
Pág. 57 - Porta do Sol, na Sé de Braga
Assim se denomina a riquíssima porta lateral românica da Sé, talvez por estar voltada para o sul. É obra do século XII, como o arco e colunas da porta principal, a que o arcebispo D. Diogo de Sousa ajustou outro de sarapanel. Primitivamente esta porta lateral, assim como se vê, esteve um pouco mais acima entre os dois últimos contrafortes ou gigantes que a gravura nos mostra. Foi mudada por ocasião de se cometer um assassinato à entrada para a missa do galo. Estava onde hoje se vê o altar de Santa Bárbara. Defronte abriu-se então a que fica junto à pia batismal, e que dantes estava fronteira à primeira, onde hoje se vê o altar de S. Bento.
|
||
|
Pág. 61 - Capela de S. Jorge, próximo de Aljubarrota
Tendo D. João I feito mercê a D. Nuno Álvares Pereira do senhorio de Ourem, o valente condestável no dia seguinte àquele em que dela tomou posse, dirigiu-se para o sítio chamado de S. Jorge, em cujo lugar estava a bandeira real no dia da batalha de Aljubarrota, e ali mandou edificar a capela que a nossa gravura representa, sob a invocação de Nossa Senhora da Victória e de S. Jorge, por ser este tanto tomado como padroeiro de Portugal, desde aquela batalha. Mais tarde foi mandado construir por D. João I o sumptuoso templo da Batalha, a que foi dada a invocação de Nossa Senhora da Victória, e a capelinha fundada por Nuno Álvares ficou desde então sendo denominada simplesmente de S. Jorge.
|
||
|
Pág. 64 - Túmulo de Nuno Álvares
O memorável terramoto de 1735, que tanta beleza arquitectónica sepultou em suas ruínas, também arrasou o grandioso templo do Carmo, e com ele o magnificente túmulo de jaspe em que, junto ao altar-mor, fora sepultado o seu fundador, o denodado Nuno Álvares. Este túmulo fora mandado de França pela sua quarta neta, a duquesa de Borgonha. Na frente dele, armado de armas brancas, havia o vulto de D. Nuno, que também se via sobre a campa, deitado, mas vestido com o hábito dos carmelitas. Felizmente já era bem conhecido esse túmulo e dele há uma cópia em madeira, existente no Museu Arqueológico do Carmo, e da qual foi tirada a fotogravura que ilustra a nossa edição.
|
||
|
Pág. 65 - Combate naval no Tejo
Para nós, os deste século, que conhecemos todos os progressos da arte da guerra e da navegação, a gravura que temos presente parece una brinquedo de crianças. No entanto, ela dá-nos uma ideia bem nítida de como se combatia no mar naquela época longínqua, em que os tiros de pólvora e de melinite não estorvavam os habitantes da mais nobre e leal cidade de Lisboa de assistirem a esses prélios gigantes dados quase corpo a corpo. Vem a págs. 566 e 567 do 1º vol. da nossa História a descrição deste terrível combate, em que mais uma vez se manifestou o ardor guerreiro do valeroso povo português.
|
||
|
Pág. 69 - Capela de Nossa Senhora da Conceição, em Braga
Está situada na extremidade da rua de S. João de Souto e foi construída em 1525, a expensas do doutor João de Coimbra, provisor do Arcebispo D. Diogo de Sousa, instituindo nela morgado e dotando-o com bens de raiz por autorização de D. João III, datada de Lisboa, a 12 de março de 1527. Foi consagrada à Virgem Mãe de Deus, no ano de 1528. O palacete do instituidor ainda hoje se conserva em frente da capela com as suas riquíssimas janelas rendilhadas. Breve, porém, será demolida para seguimento da rua Nova d'El-Rei. (Vide Inscripções e lettreiros, por Albano Bellino).
|
||
|
Pág. 73 - D. Filipa de Lencastre
É cópia de um retrato feito por Simão Beninc, existente no manuscrito nº 12.531 do Museu Britânico, a que nas notas apensas ao primeiro volume desta História por mais de uma vez nos referimos, o que agora apresentamos da virtuosa e inteligente esposa de D. João I. Além deste retrato, o único que de D. Filipa de Lencastre se conhece é o que existe em pedra sobre o seu túmulo, e que em seguida vem reproduzido nesta nossa edição da História.
|
||
|
Pág. 77 - Túmulos de D. João I e de D. Filipa de Lencastre
Escusado será encarecer a sumptuosidade deste mausoléu, existente na capela chamada do fundador, no majestoso convento da Batalha. É o túmulo inteiriço, todo de mármore branco, tendo sobre a tampa as estátuas jacentes dos dois reais esposos, cujas cabeças repousam sobre duas almofadas, e debaixo de dois baldaquinos finamente rendilhados. A figura de D. João segura na mão esquerda uma espada e dá a direita a D. Filipa, que lhe dá também a direita, sustentando na esquerda um livro. Ornamentam as duas faces do túmulo os brasões de Portugal e os da rainha, com leões e flores de lis. Nas faces laterais lêem-se os epitáfios, quase biografias, dos dois monarcas. No friso superior, em toda a volta há um silvado com flores e amoras, tendo do lado da rainha esta divisa, em gótico, Pour bien, e do lado do rei esta outra Il me plait. Por ocasião da invasão francesa, este, como tantos outros monumentos da nossa bela arquitectura, sofreu muitos estragos, ficando bastante deteriorada a face da cabeceira, onde se via esculpida a cruz da jarreteira, com a sua conhecida divisa Hony soit qui mal y pense.
|
||
|
Pág. 80 - Relicário de Ourem
É uma das mais preciosas obras da ourivesaria portuguesa do século XV, tão rica neste género, o elegantíssimo relicário, que a nossa gravura representa. Tem muitas relíquias de grande devoção para os crentes e foi doado à colegiada de Ourem pelo seu fundador, D. Afonso, conde de Ourem, neto de D. João I, e que faleceu em 1464. A data da fundação do templo de Nossa Senhora das Misericórdias, em que foi estabelecida aquela colegiada, é de 1445, podendo supor-se também ser desta data o relicário em questão. O templo foi destruído em parte pelo terramoto de 1755, e em suas ruínas se perderam muitas joias importantes do tesouro da colegiada. Felizmente escapou o relicário, da elegância e delicadeza do qual o leitor pôde fazer ideia pela gravura que tem presente.
|
||
|
Pág. 81 - Nuno Álvares, rezando durante a batalha de Valverde
A piedade do santo Condestável, que era um dos seus característicos mais salientes, revelou-se sempre nos actos, ainda os de aspecto mais extravagante, do heroico vencedor de Aljubarrota. Não nos admira, pois, que esta cena, a que se faz referência a pág. 36 deste volume da nossa História, sugerisse ao nosso ilustrador esta inspirada composição.
|
||
|
Pág. 85 - Torre de menagem do castelo da cidade de Braga
Nesta torre esteve, segundo o testemunho de D. Rodrigo da Cunha, a seguinte inscrição: «O moi nobre rey D. Fernando mandou fazer este castelo. Era MCCCXIII». É, porém, de crer que date do tempo de D. Diniz, a quem se deve a fortificação da cidade e que em 1375 fosse apenas reparada, como o foi depois por D. João IV em 1642, pelo arcebispo D. João de Souza em 1696 e por D. Rodrigo de Moura Teles em 1717. Este castelo está hoje anexo à cadeia civil de Braga.
|
||
|
Pág. 89 - D. Fr. João de Évora
Este religioso trino, que foi bispo de Viseu e confessor de D. João I, foi um dos mais preclaros e virtuosos varões do seu tempo; nem de outro modo se compreenderia como o príncipe de Boa Memória, que foi sempre considerado como protótipo da rectidão e justiça, pudesse conceder-lhe as honras que concedeu a D. Fr. João de Évora. Acompanhou em 1415 D. João I a Ceuta, donde voltou com inumeráveis cativos que foram resgatados naquela ocasião. Faleceu em Lisboa em 1426 e foi sepultado na capela-mor do convento da Trindade. O retrato que nós damos do ínclito varão é reprodução do que vem no livro já hoje pouco vulgar Retratos e Elogios dos Varões e Donas, etc., lendo-se na biografia que o acompanha o seguinte: «Fizemos copiar o retrato que oferecemos de um painel de pintura muito amiga, que está na portaria do Convento (da Trindade), de Lisboa, que o representa ao natural, e de corpo inteiro; também está na Casa do De profundis do Convento de Santarém, mas de pintura moderna».
|
||
|
Pág. 93 - Igreja de Freixo de Espada à Cinta
Examinando minuciosamente este velho monumento cristão, vê-se que não foi de uma assentada que ele se construiu, mas sim aos poucos e poucos e demoradamente, como se verifica pela história da sua fundação, que é simples. O povo de Freixo de Espada à Cinta requereu em 1842 a D. Afonso IV que lhe desse a terça da sua igreja, para concluir a sua vila, o que o rei lhe concedeu, e que prova que a igreja remonta a mais alta antiguidade ainda, parecendo que fora principiada até por D. Diniz. Depois, com essas mesmas terças continuaram a igreja, que esteve incompleta por muitos anos por o rendimento delas não dar para a sua conclusão. Em 1650, estavam ainda por fazer o coro, o púlpito e os remates. Nesse tempo pertenciam já à coroa as terças de todo o reino, pelo que os habitantes de Freixo pediram a D. João IV a terça que lhes pertencia para a conclusão da igreja. O templo tem belezas arquitectónicas, de diversos estilos, merecendo especial menção a frontaria, de que damos aqui a gravura, e as duas portas laterais, que mais adiante reproduzimos.
|
||
|
Pág. 96 - Elmo e espada do Mestre de Aviz
Eram numerosas as preciosidades artísticas, históricas e arqueológicas que se guardavam nos armários e gavetas de excelente madeira muito bem trabalhada que guarneciam a sacristia do mosteiro de Alcobaça. Destas curiosidades desencaminharam-se não poucas por ocasião da extinção das ordens religiosas, para irem sabe Deus para onde. Felizmente que o quase nulo valor intrínseco do capacete e do elmo do fundador da dinastia de Aviz fez com que ninguém se tentasse com estes objectos, decerto os de maior valor ali existentes, e lá se conservam ainda no tesouro de Alcobaça, como padrão de passadas glórias.
|
||
|
Pág. 97 - Foram acolhidos com grande espanto seu...
Representa mais um dos brilhantes progressos dos nossos ilustradores a composição a que nos referimos, e cuja descrição histórica se encontra a página 569 do 1º volume.
|
||
|
Pág. 101 - Cruz de D. Sancho
Existe no Museu real da Ajuda esta preciosidade artística e arqueológica do século XIII. D. Sancho II, em seu testamento, deixava ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde quis ser sepultado, dois objectos de ouro de seu uso, para com eles se fazer uma cruz e um cálice. Nesta cruz esteve durante muitos anos um pedaço do Santo Lenho que pertencera a D. Afonso Henriques. É ela floreteada, como a de Aviz, muito ornada de pedras preciosas, filigrana e ornatos abertos a buril. Tem 41 pedras, sendo 28 safiras e 13 rubis, todos eles cercados de pérolas e aljôfares. Pesava 7 marcos e 6 onças, o que correspondia a 1778 gramas e meia; actualmente pesa 1873 gramas e meia, ou seja, mais 95 gramas, o que é devido a um acrescente de prata que lhe puseram para servir de cruz processional.
|
||
|
Pág. 105 - D. Juan Afonso
Não porque o seu nome venha citado na nossa História, mas porque, sendo raros os retratos da época, encontramos, na Iconographia de Carderera, o deste fidalgo castelhano morto na memorável batalha de Aljubarrota, pareceu-nos que ele ficaria bem na galeria dos homens ilustres que mais ou menos estiveram em contacto com factos da História portuguesa.
|
||
|
Pág. 109 - Torre das Cabaças, em Santarém
Também chamada o Cabaceiro; é o relógio oficial de Santarém. Esta torre foi construída por D. Manuel, e acerca dela correm várias lendas. É bastante alta, quadrada, de boa e soberba alvenaria, com os cantos de grossa cantaria, tendo ao cimo um sino sustido por quatro varões de ferro que se estribam nos quatro ângulos. Apesar de ser o relógio oficial, parece que não se lhe ouviam as horas em toda a cidade, pelo que se lembraram de o cercar de oito bilhas vidradas suspensas nos varões de ferro, com as bocas voltadas para o sino. Algumas já se partiram, e as restantes estão muito deterioradas, assim como a torre. Ainda que principiada por D. Manuel, parece que não foi no seu reinado que esta torre se concluiu, pois que no sino se lê uma inscrição latina, com a data de 1604. Corre acerca desta torre uma anedota muito curiosa; o leitor que a deseje conhecer, procure o interessante livro do sr. Zefirino Brandão, Monumentos e lendas de Santarém, a pág. 508.
|
||
|
Pág. 112 - Costas do velho paço arquiepiscopal de Braga
Presume-se que desde a sua origem nunca mudou de local a habitação dos prelados bracarenses. O que é certo é que a parte que a nossa gravura representa ocupa um pequeno espaço no fundo do actual edifício, ao qual ainda teremos ocasião de referir-nos. Esta parte é do século XII, como o testemunham, além de outros vestígios, a porta ogival, as paredes almofadadas e ainda uns restos da parede que dá para o jardim.
|
||
|
Pág. 113 - Levantamento do cerco de Lisboa
Nada temos que dizer sobre o assunto desta gravura cuja descrição se lê a pág. 576, 1º vol. da nossa edição.
|
||
|
Pág. 117 - Antiga igreja de Aljubarrota
É anterior à batalha de Aljubarrota e, portanto, à fundação do sumptuoso mosteiro da Batalha a Torre que o leitor vê na gravura que tem presente, e que é o que resta apenas da velha igreja já destruída. A sua antiguidade está bem marcada pelo estilo da sua construção. O pouco cuidado que no nosso país há pelas antigualhas faz-nos supor que não será por muito tempo que ali veremos aquela Torre. Fique ao menos registado na nossa edição da História mais esse monumento dos antigos tempos.
|
||
|
Pág. 121 - D. João I de Castela
Tão grande parte tomou na história do nosso país este monarca das Espanhas, que falta seria não o darmos aqui a enriquecer a nossa galeria. É ele feito sobre o que vem na belíssima História de Espanha, de Lafuente, tão rica em documentos arqueológicos de toda a ordem.
|
||
|
Pág. 125 - Túmulo de João Afonso de Santarém
Verdadeira obra-prima da arte portuguesa, este mausoléu ainda se conserva muito bem tratado na capela de Jesus Cristo na igreja de S. Nicolau, em Santarém. João Afonso de Aguiar, ou João Afonso de Santarém, batalhou em Aljubarrota com D. João I que aí o armou cavaleiro, em 14 de agosto de 1383. Legou todos os seus bens para a fundação do Hospital de Jesus Cristo em Santarém em 1426, onde ainda existe. João Afonso foi também do conselho de D. João I.
|
||
|
Pág. 128 - Porta lateral da igreja de Freixo-de-Espada à Cinta
Veja-se o que a pág. 620 deste volume fica dito acerca da Igreja de Freixo-de-Espada à Cinta.
|
||
|
Pág. 129 - Batalha de Aljubarrota
Este prélio gigantesco, o mais notável talvez dos factos guerreiros de Portugal, vem brilhantemente descrito por M. Pinheiro Chagas nas págs. 5 e seguintes deste volume da nossa edição.
|
||
|
Pág. 133 - Porta lateral da igreja de Freixo-de-Espada à Cinta
Leia-se o que dissemos quando tratámos da edificação da igreja, a pág. 620 deste mesmo volume.
|
||
|
Pág. 137 - O cardeal de Alpedrinha
É talvez uma das maiores raridades da nossa galeria o retrato do cardeal de Alpedrinha D. Jorge da Costa. Dizemos raridade, porque é a primeira vez que aparece publicado o retrato deste insigne ornamento da igreja. reproduzido dum retrato a óleo muito antigo (1488) existente na casa de D. Pedro Corrêa de Sampaio (Castelo Novo). Devemos a posse duma preciosa fotografia desse quadro a óleo, que nos serviu para a gravura em questão, ao nosso bom amigo António Máximo Lopes de Carvalho, um verdadeiro fanático por velharias e retratos antigos.
|
||
|
Pág. 141 - Túmulo de D. Afonso I, duque de Bragança
O fundador da casa de Bragança, o opulento fidalgo da idade média, que mandou edificar para seu uso dois dos mais grandiosos palácios daquele tempo, o de Guimarães e o de Barcelos, merecia bem ter um mausoléu sumptuoso, como esse que a nossa gravura representa, e que é feita sobre uma fotografia expressamente tirada para a nossa publicação.
|
||
|
Pág. 144 - Restos de um antigo palácio da Povoa de Santa Iria
Quando esta Empresa tentou, por meio de assíduos esforços, alcançar o retrato do Sá das Galés, que se encontra a pág. 513 do 1º volume da nossa História, o artista encarregado de o ir copiar à casa dos Marqueses de Abrantes, onde ele existe, lobrigou, por entre os campos próximos a esse palácio, as ruínas que o leitor vê, e tão interessantes as encontrou que para logo as reproduziu para ornamentar a nossa História, onde nos parece ficar bem, porque é realmente duma dependência dum palácio histórico, o dos Marqueses de Abrantes, que este desenho é copia.
|
||
|
Pág. 145 - Álvaro Gonçalves Camillo, prior do Hospital, traçando, na presença de D. João I e de seus filhos, a planta de Ceuta
Ouçamos como Oliveira Martins, naquele seu estilo mágico que é todo um encanto, descreve, estribado na Chronica de Azurara, esta interessante cena que tão bem interpretada foi por Manuel de Macedo: «Estava o rei com os infantes em Cintra, talvez naquela pequenina câmara forrada de azulejos... Estava também o prior do Hospital, o que, na sua viagem da Sicília, duas vezes passara em Ceuta, para examinar o porto: vinha secretamente dar conta da sua missão... Mas o prior não se abria, não explicava, deliciando-se em ser a mira da curiosidade ávida de todos. Instado abertamente respondeu ao rei: - «Senhor, de coisa que visse nem achasse não vos hei de dar resposta até que me façaes trazer duas cargas de areia, um novello de fitas, meio alqueire de favas e uma escudela.» - «Temos o capitão com as suas prophecias?» accudiu D. João I rindo. Seriamente o prior retorquiu: - «Eu não tenho costume de jugatar com vossa mercê; mas ainda vos torno a dizer que sem as referidas coisas não vos darei nenhuma resposta.» O rei voltou se para os filhos, desculpando-se no mesmo tom: - «Vêde que bem concertadas respostas! Estou-lhe perguntando pelas coisas que lhe mandei, e falla-me em astronomia e em semelhanças de feitiços. Quem havia de cuidar que tais homens trouxessem destes recados?» Mas, com uma alegre bonhomia de velho, D. João I mandou buscar as coisas que o prior reclamava, commentando a extravagância, sem temores, pois todos sabiam que as notícias eram boas. Vindo a areia, as favas, a fita e a escudela, e fechando-se o prior num quarto, lá dentro esteve um certo tempo machinando. O rei, os infantes, numa curiosidade benévola, esperavam. Por fim, tornou o prior a chamá-los, dizendo-lhes: - «Agora podeis ver a semelhança dos meus feitos e perguntar-me por tudo o que vossa mercê fòr servido, e eu poder-vos-hei responder com experiência ante vossos olhos.» Entraram todos, e sentados em volta, examinavam, num primeiro silencio de espanto, o mappa em relevo que o prior fizera no chão com a areia. Era o estreito de Gibraltar... O prior do Hospital ia contando como a terra era uma jóia e o mar abundantíssimo em pescarias de atuns e coraes. - O infante D. Henrique, de braços cruzados sobre o peito, e com a mão segurando a barba, observava a lição de cartographia em relevo. A ideia engenhosa do prior mostrava-lhe quanto havia a lucrar com tais processos, e como a terra inteira, nos seus contornos e desenhos, podia bem conhecer-se por meio das artes graphicas. Por ventura a ideia da eschola de Sagres nasceu neste instante; e se assim não foi, pois essa eschola reunia a náutica à cartographia, tendo ao lado um porto franco, é indubitável que o alcance dos mappas lhe saltou à ideia nitidamente. Emquanto o infante scismava, os outros faziam perguntas discretas ou ociosas, a que o prior ia respondendo com a satisfação clara de quem acaba uma obra a seu contento. Revia-se no seu mappa, e lembrava-se das manhas empregadas durante a viagem à Sicília.» (Ilustração de Manuel de Macedo)
|
||
|
Pág. 149 - O castelo de Chaves
Tanto este castelo, como a maior parte das muralhas que cercam a vila, são obra de D. Diniz, pelos anos de 1200; têm sido, porém, tão consertadas, alteradas e modificadas, que talvez nada delas exista das suas primeiras fundações.
|
||
|
Pág. 153 - Arcebispo D. Lourenço da Cunha
É cópia dum retrato a óleo, contemporâneo do valeroso arcebispo, retrato ainda existente em Braga, este que pela primeira vez aparece publicado. Nomeado arcebispo de Braga, em 1371, este amigo de D. João I ocupou a cadeira arquiepiscopal até 1397, em que faleceu. Na memorável batalha de Aljubarrota, onde tão valiosos serviços prestou ao Mestre de Aviz, recebeu uma cutilada no rosto, presando-a tanto que, sendo convidado pelo escultor a examinar o seu vulto sobre a tampa do túmulo que mandou construir no centro da capela dos Reis, na qual ainda se conserva, vibrou com a sua espada um golpe na face da estátua, dizendo: o retrato está agora à minha vontade. No dia 4 de junho de 1663, foi o seu cadáver incorrupto trasladado do centro da capela para o lado da Epistola, onde está num túmulo de madeira envidraçado. O túmulo de pedra, com a figura de pontifical desapareceu! Seria soterrado no seu lugar primitivo? Na batalha de Aljubarrota trazia D. Lourenço o capacete encimado pela imagem da Virgem, de prata, que adiante apresentamos, e que mede 0,30 de altura. Guarda-se no tesouro da sé e assenta numa peanha que, no ano de 1663, lhe mandaram fazer o deão D. Inácio e Manuel Pereira de Mello, sendo juízes. Na inscrição diz-se, por engano: «mandarão fazer esta Snâr.»
|
||
|
Pág. 157 - Túmulo e verdadeira relíquia do arcebispo D. Lourenço da Cunha
É aquele o túmulo em madeira e esta a imagem da Virgem, a que nos referimos na nota precedente, que, parece-nos, aqui dispensa maiores esclarecimentos.
|
||
|
Pág. 160 - Pá de Aljubarrota
Conservou-se por muitos anos, sobre a verga de uma das portas da igreja matriz de Aljubarrota, esta pá, a qual andam ligadas gloriosas recordações, e o nome de uma varonil mulher, a celebre Brites de Almeida, por alcunha a Pisqueira, conhecida vulgarmente por Padeira de Aljubarrota. Escusado é repetir aqui a tão vulgarizada história desta padeira. Quanto à pá, devemos dizer que é de ferro e com cabo de pau, terminando por couto igualmente de ferro. Quando antigamente ia à vila alguma pessoa de qualidade, era costume expor-se na praça esta pá, empunhada por uma mulher de bom comportamento e que fosse padeira. Os Filipes, quando dominaram Portugal, mandaram ordens sobre ordens, para que a pá fosse para Castela; mas houve alguém que a escondeu em uma parede da casa da câmara, tornando só a aparecer triunfantemente em 1640.
|
||
|
Pág. 161 - Os infantes em Ceuta
Veja-se a págs. 100 e seguintes a descrição deste episódio das primeiras conquistas dos portugueses em África.
.
|
||
|
Pág. 165 - Oratório do Rei de Castela, tomado na batalha de Aljubarrota
Não nos alongaremos na descrição desta preciosa obra de arte do século XIV, existente actualmente na sacristia da igreja de Nossa Senhora de Oliveira, em Guimarães, à qual foi doada por D. João I, que lhe mandou modificar as armas, etc., quando procedeu a essa doação. Quanto à arquitectura e ornamentação é peça muito digna de ser vista e admirada; as figuras, porém, tanto em correcção como em desenho, deixam muito a desejar. A págs. 89 e seguintes do livro Monumentos de Portugal, lê-se uma minuciosa descrição deste oratório, devida à pena de Inácio de Vilhena Barbosa que, para dar ideia de qual era o peso de semelhante joia, conta que quando a foi buscar a Guimarães para a Exposição de Arte Ornamental, que em 1882 se realizou em Lisboa, eram precisos 8 homens ou 6 muito possantes para a transportarem para as carroças, etc.
|
||
|
Pág. 169 - Conde de Barcelos, filho natural de D. João I
Um pouco de história genealógica. Era 7º conde de Barcelos, em tempo de D. João I, D. João Afonso Telo de Menezes, irmão da rainha D. Leonor Teles, viúva do rei D. Fernando I. Como este conde seguisse o partido de Castela contra o Mestre de Aviz, tomou parte na batalha de Aljubarrota, onde morreu. Vago, pois, o condado de Barcelos, D. João I aproveitou essa circunstância, para com ele brindar o grande Condestável. Uma filha deste, D. Beatriz Pereira, veio a contrair matrimónio com D. Afonso, filho legitimado do rei D. João I, que com assentimento do Condestável, o fez conde de Barcelos e 1º duque de Bragança. Foi, pois, este D. Afonso o 9º conde de Barcelos; mandou ele dar o brasão de armas à vila e engrandeceu-a, como já nestas notas tivemos ensejo de dizer. É este conde de Barcelos que a nossa gravura representa, sendo o seu retrato tirado de um que existe na Biblioteca Nacional de Lisboa.
|
||
|
Pág. 173 - Batalha - Claustro real
Nem sequer pensamos em dar aqui ligeira nota desta sumptuosíssima igreja, de arquitectura normando-gótica, um dos mais belos edifícios do mundo, neste género, fundado por D. João I em memória da gloriosa batalha de Aljubarrota, em 1385. Nacionais e estrangeiros se têm extasiado perante as belezas arquitectónicas do grandioso monumento, havendo mais de uma monografia, a de Murphy e a do Visconde de Condeixa na vanguarda, acerca da sua fundação, história, etc. Apenas damos as gravuras, sem mais explicações, como espécimen do altíssimo valor artístico de cada uma das minúcias do extraordinário edifício.
|
||
|
Pág. 176 - O caldeirão de Alcobaça
Desnecessário é dizer que por lapso tipográfico, que saberão bem desculpar os que vivem neste labutar de revisão de livros, é que se compreende que o nome de Barcelos venha substituir o de Alcobaça, no tão conhecido caldeirão, uma das maiores curiosidades deste mosteiro. Este caldeirão fora tomado, bem como dois mais pequenos, por Gonçalo Rodrigues (que por este facto se ficou apelidando desde então Caldeira) aos Castelhanos na celebrada batalha de Aljubarrota, em 1385. O caldeirão, que permaneceu durante 449 anos em Alcobaça, donde desapareceu, não se sabe como, em 1834, é de metal muito fino; batendo-se nele com uma pedra, diz-se que o seu som cobria o de todos os sinos do mosteiro. Nele se fazia de comer para 293 pessoas, quando servia na cozinha do rei de Castela. Estava no claustro, sobre uma pedra, em que se lia uma inscrição em latim. Dos outros dois caldeirões, a que acima nos referimos, um foi mandado pelos frades para um lagar de azeite que eles possuíam na Fervença; este caldeirão é hoje propriedade particular; o outro foi colocado pelos frades no forno, donde foi depois mandado para a casa chamada dos Reis, onde ainda se vê, bem como o caldeirão grande que voltou, como bom filho, à sua antiga casa
|
||
|
Pág. 177 - O Infante D. Henrique
Deram-se as mãos dois grandes artistas, Roque Gameiro e M. de Macedo, para nos apresentarem, completo e montado no rigor da época, um dos mais grandiosos vultos da opulenta História portuguesa. O busto é copiado do magnífico retrato que nos dá Gomes Eanes de Azurara na sua História da Conquista da Guiné, retrato reproduzido mais tarde por Ferdinand Denis, no Portugal, por Henry Major no seu Infante D. Henrique, e posteriormente trasladado em centenas de publicações portuguesas. (Ilustração de Roque Gameiro e Manuel de Macedo)
|
||
|
Pág. 181 - Altar de S. Pedro
Tão cheia de maravilhas é esta Sé Velha, que nos dá ensejo a enriquecermos com a reprodução de muitas delas as páginas da nossa edição da História. A gravura que ora damos representa, como fica dito, o altar de S. Pedro, mandado fazer pelo bispo D. Jorge de Almeida, filho de D. Lopo de Almeida, primeiro conde de Abrantes. O seu retábulo, de pedra em relevo, é obra de grande delicadeza e primor, revelando o grande merecimento artístico do seu autor. Este D. Jorge que, durante 62 anos exerceu o episcopado, faleceu em 1543, com 85 anos de idade e jaz sepultado naquela mesma capela, sob uma campa rasa com o pavimento, tendo o brasão do ilustre prelado e um epitáfio em latim, que não reproduzimos, para não alongarmos esta notícia.
|
||
|
Pág. 185 - Canto do Claustro dos Reis, na Batalha
Veja-se o que deixámos dito a pág. 622, quando tratámos do Claustro Real.
|
||
|
Pág. 189 - Janela da casa em que nasceu D. Duarte
Das nossas antigas cidades, Viseu é, sem dúvida, uma das que mais vetustas relíquias conserva do velho Portugal. Entre elas avulta a chamada Casa da Torre, à qual pertence a janela que o leitor vê, casa, onde, segundo a tradição, nasceu D. Duarte. O que se sabe ao certo é que nela viveu o celebre infante D. Henrique, o infatigável iniciador das descobertas marítimas. Sobre a janela que a nossa gravura representa vêem-se ainda as armas da dinastia de Aviz.
|
||
|
Pág. 192 - Bandeira usada por Bernardim Sola, na batalha de Aljubarrota
É um documento de alto valor histórico que saberão bem apreciar os amadores de antigualhas esta bandeira, cuja publicação na nossa história devemos à amabilidade de um dos descendentes do celebre guerreiro do século XIV, que nos enviou dela um fiel desenho, que aqui reproduzimos.
|
||
|
Pág. 193 - Fachada principal do convento da Batalha
Veja se o que ficou dito a pág. 622 deste volume, sob a epígrafe Claustro Real.
|
||
|
Pág. 197 - Claustro dos Reis
Reportamos o leitor para a pág. 622 (Claustro Real).
|
||
|
Pág. 201 - D. Duarte
Existe na Casa Pia de Lisboa o retrato do Eloquente monarca, que serviu de modelo ao que ora damos; não se conhece outro mais autêntico. Naquele estabelecimento encontram-se ainda retratos de outros monarcas, a que recorreremos sempre que isso nos pareça necessário.
|
||
|
Pág. 205 - Feito heroico de Diogo do Avelal
Veja-se a descrição respectiva a págs. 47 e seguintes deste volume da nossa edição.
|
||
|
Pág. 208 - Trecho ornamental das Capelas Imperfeitas
Leia-se o que ficou dito a pág. 622 (Claustro Real).
|
||
|
Pág. 209 - Vista geral do lado da porta lateral do convento da Batalha
Enviamos o leitor para o que dito fica acerca da Batalha, a pág. 622 deste mesmo volume (Claustro Real).
|
||
|
Pág. 213 - Sé de Évora, vista do Sul
Já a pág. 610 do 1º volume desta obra dissemos o que se nos oferecia acerca do monumental edifício. Esta gravura que hoje publicamos, além de nos mostrar um novo aspecto daquele templo, dá-nos ainda um trecho da cidade, muito curioso por nos apresentar um cunho todo característico da sua vetustez.
|
||
|
Pág. 217 - Vasco de Lucena, oferece o seu livro ao Duque de Borgonha
Dava aso a uma interessante nota bibliográfica a descrição deste quadrinho, se este fosse lugar próprio; como não seja, apenas diremos que este Vasco de Lucena foi escudeiro de Carlos o Temerário, duque de Borgonha, vivendo, portanto, no século XV, e era reputado um dos mais ilustres sábios do seu tempo. Fez várias traduções do grego e do latim, entre as quais a da vida de Alexandre Magno, de Quinto Curcio, impressa em 1503, mas de que se conservam em vários locais cinco preciosos manuscritos; esses códices são todos delicadamente iluminados; e é duma dessas iluminuras, e do exemplar existente na Biblioteca Nacional de Paris, que é reprodução o lindo quadrinho que o leitor tem à vista. Foi Ferdinand Denis quem vulgarizou a interessante composição artística, trasladando-a em nitidíssima gravura para o seu livro Portugal, Paris, 1846.
|
||
|
Pág. 221 - Infante D. João
Condestável de Portugal e Mestre da ordem de S. Tiago da Espada, o infante D. João foi o sétimo filho de D. João I, nascido em 1400 e falecido em 1442. Era príncipe de bom aviso e muito discreto; no voto e conselho que seu irmão D. Duarte tomou para a jornada de Tanger, foi de parecer contrário, parecendo, pelas razões que expôs, antever o insucesso de tal expedição. O retrato que dele damos aqui é, à parte o trajo com que o nosso ilustrador o adornou, tirado do que vem nos Retratos e Elogios dos Varões e Donas etc., publicação para a qual ele foi copiado do que existia no convento da Batalha.
|
||
|
Pág. 225 - Páteo do Claustro do Convento da Batalha
Acerca desta gravura nada devemos adiantar, depois do que dissemos em pág. 622, ao tratarmos do Claustro Real.
|
||
|
Pág. 229 - Torre Forte da antiga muralha de Braga
Assim se denomina por ser, de todas as da antiga muralha da cidade, a mais alta e sem dúvida a mais forte. As suas paredes medem de espessura 2,30 m. Quando os Padres da Companhia mandaram construir na face norte o oratório da Senhora da Torre, colocaram no lugar das ameias as sineiras e fecharam-na de parede em toda a volta, abrindo janelas e telhando o remate que serve de resguardo à torre. Por motivo destas obras, taparam com cantaria a porta ogival da cidade, a qual ainda se vê voltada para o campo de S. Tiago, substituindo-a pela que actualmente dá passagem ao público, por baixo do edifício do Colégio, hoje Seminário Conciliar.
|
||
|
Pág. 233 - D. Fernando, o Infante Santo
O interessante livro Retratos e Elogios dos Varões e Donas, etc., que tão bons subsídios nos tem dado para a ilustração da nossa História, é que forneceu este retrato do simpático Infante Santo. Da autenticidade dele se pode fazer ideia pelas seguintes palavras que, no livro citado, acompanham a gravura nessa obra: «Tem (o Infante) altar particular (na Batalha)... no retábulo está retratada a sua imagem com os grilhões, e nos vários sucessos de seus trabalhos. O Infante D. Henrique o mandou pintar também no seu altar pela muita devoção que com ele tinha. De vulto e em pedra está sobre o seu túmulo, assim como o damos neste seu retrato, e é bem semelhante ao que traz no Anacephaleoses Regum Lusitanias o padre António de Vasconcelos, donde o copiou Daniel Papebrochio na Acta Santorum, dia 5 de junho, ainda que o acusa de lhe acomodar vestidos mais modernos, e de ser pouco fiel na estampa.»
|
||
|
Pág. 237 - O Infante D. Henrique em Sagres
Todas as estampas que demos tendentes a gravar no espírito do público a fisionomia deste homem, sem dúvida um dos vultos que mais gloriosamente honraram a sua pátria, nos parecem poucas. Em Sagres, principalmente, onde ele estabelecera o seu observatório e donde fizera o ponto de partida para as grandes excursões marítimas, é que ficava bem essa primacial figura do glorioso infante. Foi certamente esta ideia que inspirou ao nosso ilustrador a interessante composição que adorna a nossa História.
|
||
|
Pág. 240 - Um trecho ornamental da Batalha
Leia-se o que fica dito a pág. 622 ao tratarmos do Claustro Real.
|
||
|
Pág. 241 - Vista do lado do norte da igreja da Batalha
Como acima, reporíamos o leitor para o que fica dito a pág. 622 a propósito do Claustro Real.
|
||
|
Pág. 245 - Um trecho ornamental da Batalha
Repetimos o que nas linhas supra fica dito.
|
||
|
Pág. 249 - Desenho conjetural da igreja do Carmo, em Lisboa, nos fins do século XVI
Este desenho, bem como o do Castelo de S. Jorge, o da Sé de Lisboa, que já publicámos, e os de tantos outros monumentos que havemos de publicar, constituem talvez para o amador de velharias arqueológicas a parte mais interessante da nossa edição; e nós talvez lhe achemos razão. Porque, positivamente, estes desenhos conjeturais, quando eles são feitos com a consciência com que o foram os que até agora temos dado, são como que uma ressurreição dos tempos passados, que tanto nos comove e nos interessa. Este, devido ao lápis do distinto arquitecto Raul Lino, sobre revelar um belo merecimento artístico dá a perceber os vastos conhecimentos do ilustre arquitecto sobre a constituição da velha capital portuguesa, naquele extraordinário período de riqueza e de glória da nossa querida pátria. (Ilustração de Raul Lino)
|
||
Pág. 253 - O Infante D. Pedro
Serviu de modelo, não nos trajes e no toucado, mas nos traços fisionómicos, para o retrato que aqui damos dum dos mais simpáticos vultos da História portuguesa, o que vem publicado no celebrado Livro Retratos e Elogios dos Varões e Donas, etc.; para esta publicação fora o retrato reproduzido do que existe no convento da Batalha, onde o Infante D. Pedro tem magnífico túmulo, mandado fabricar por seu pai, o glorioso D João I.
|
||
|
Pág. 257 - O adail saindo a dar nos Mouros
Vem no capítulo consagrado à tomada de Ceuta a descrição deste memorando feito dos Portugueses em África.
|
||
|
Pág. 261 - Túmulo do arcebispo D. Gonçalo Pereira
Existe este túmulo, mandado fazer pelo próprio arcebispo, na capela de Nossa Senhora da Glória (Veja-se pág. 617) por ele igualmente mandado edificar no século XIV, em Braga. Como se vê tem a sua estátua deitada e vestida de pontifical. É o único retrato autêntico do valeroso arcebispo, progenitor da casa de Bragança e varão querido de D. Afonso IV, pelos serviços que lhe prestou na batalha de Salado.
|
||
|
Pág. 265 - Fonte da Batalha
Não descrevemos esta, como não descrevemos, nenhuma das maravilhas do sumptuoso Mosteiro, pelas razões expostas a pág. 622, quando nos referimos ao Claustro Real do grandioso edifício.
|
||
|
Pág. 269 - D. Leonor, Aragonesa, mulher de D. Duarte
Não querendo cingir-se às formas clássicas adoptadas, o nosso ilustrador vestiu de roupas, que de certeza estudou com muito cuidado, o busto da orgulhosa rainha, não deixando, contudo, de reproduzir com a maior fidelidade todos os traços fisionómicos do retrato que se vê nos Retratos e Elogios dos Varões e Donas, publicados por Pedro de Figueiredo, e reproduzido pelo sr. Benevides, no seu curiosíssimo livro Rainhas de Portugal. Esse retrato é tirado da estátua tumular da mulher de D. Duarte existente no convento da Batalha.
|
||
|
Pág. 273 - Morte de D. João I, Mestre de Aviz
A descrição desta cena angustiosa, tão bem interpretada pelo nosso ilustrador, acha-se a págs. 110 e seguintes deste 2º volume da nossa edição.
|
||
|
Pág. 277 - Porta românica da capela do capítulo, no claustro da colegiada de Guimarães
É este um dos poucos vestígios que resta da primitiva fundação do majestoso edifício, ao qual já nos referimos a pág. 609 do 1º volume da nossa obra, e de que se encontra uma desenvolvida e muito curiosa notícia nos Monumentos de Portugal, de Inácio de Vilhena Barbosa.
|
||
|
Pág. 281 - Vasco Mouzinho de Quebedo
Bem merecia ser memorado na nossa monumental edição este ilustre cantor dos feitos do último rei cavaleiro, feitos tão superiormente descritos em belas estrofes no seu poema Afonso Africano. Do famoso poeta do século XVI não se conhece retrato algum, sendo o que nós aqui publicamos reproduzido da magnífica estátua de Victor Bastos, uma das oito que circundam o monumento a Camões, em Lisboa.
|
||
|
Pág. 285 - Colunas de azulejos da Sé Velha de Coimbra
Não são das menores belezas do vetusto templo as duas fileiras de colunas, todas revestidas de azulejos, que separam em três naves a sumptuosa igreja. Não podemos precisar a data em que eles foram fabricados, e estranhamos não encontrar a tal respeito notícia nos vários livros que conhecemos tratando da formosa cidade de Coimbra; e não são poucos esses livros.
|
||
|
Pág. 288 - Um trecho ornamental da Batalha
Nada temos a acrescentar ao que dissemos a pág. 622, quando nos referimos ao Claustro Real.
|
||
|
Pág. 289 - Claustro do convento de Tomar
Ainda por um lapso tipográfico saiu Batalha, onde deveria ter saindo Tomar, de cujo claustro é reprodução o desenho que o leitor tem à vista. De todos os edifícios religiosos é o de Tomar o que maior número de claustros encerra, pois que conta nada menos de oito. O que a nossa gravura representa, e que é chamado do cemitério, porque nele se fazia o enterramento dos cavaleiros de Cristo, é um lindo espécimen da arquitectura gótica, ainda no seu estado de pureza; esse claustro tem uma só galeria, de quatro lances, com arcos de ponto subido ou ogivais, sustentados por colunas duplas, delgadas, e rematando em graciosos capitéis guarnecidos de folhagem. Há nele magníficos mausoléus, entre os quais se destaca o que encerra os restos de D. Diogo da Gama, esmoler de D. Manuel, falecido em 1552, e que a mesma gravura deixa ver muito bem. O claustro do cemitério é um dos que ali fundou o infante D. Henrique.
|
||
|
Pág. 293 - Arco da Conceição, em Alenquer
O subtítulo, porta antiga do castelo, bem está indicando a ancianidade da sua construção. Era esta a porta da praça, mas não lhe podemos marcar época de fundação, porque não a encontrámos em documento algum dos que procurámos para a confeção destas notas. Porque lhe foi dado o nome de porta da Conceição, é que se sabe muito bem, por ser facto relativamente moderno. Em princípios do século XVIII havia sobre aquele arco um quadro representando N. S. da Conceição, com a qual o povo da vila e dos arredores tinha grande devoção, cobrindo as paredes, em volta do quadro, de promessas e ex-votos. O prior da Várzea vendo isto, em 1740, mandou então construir sobre o arco uma capela, onde colocou o quadro, fazendo também ali sua casa de residência, o que tudo lhe custou 400.000 réis. Casa e capela pertencem actualmente à junta de paróquia.
|
||
|
Pág. 297 - Um trecho ornamental da Batalha
Veja se nestas mesmas notas o que deixamos dito, a pág. 622, acerca do Claustro Real.
|
||
|
Pág. 301 - O altar-mor da Sé Velha de Coimbra
Obra do bispo de Coimbra, D. Jorge de Almeida, que exerceu o episcopado durante 62 anos, de 1488 a 1543, este altar-mor, todo em talha, é um trabalho delicadíssimo, de muito bom gosto, ostentando em seus lavores e rendados grande mimo e elegância. No capitulo XXXII da sua Conquista... de Coimbra, diz Gasco que é no género o trabalho mais curioso e subtil que se sabe haver em Espanha; no seu precioso livro Les Arts en Portugal, o conde de Rackzinsky considera-o do mais puro estilo gótico; na Lyrica, diz Garrett que é este o mais fino, perfeito e delicado lavor gótico em talha de que teve notícia e que talvez exista; e Vilhena Barbosa, a pág. 386 do Panorama, de 1855, classifica-o entre as obras que revelam a um tempo, na prodigiosa variedade de desenhos, uma imaginação viva e fecunda; na perfeição do trabalho, aquele estudo e esmero que só podem nascer do amor pela arte; e, finalmente, na concepção de tantos primores, aquele gosto apurado que, em qualquer nação, caracteriza a florescência das artes.
|
||
|
Pág. 305 - Álvaro Vaz de Almada, em Alfarrobeira
O tristíssimo episódio, representado pela nossa gravura encontra-se descrito a págs. 380 e seguintes do presente volume.
|
||
|
Pág. 309 - Antiga muralha de Viseu, mandada construir por D. Afonso Henriques
Por mais de uma vez tivemos já ocasião de dizer que, das cidades de Portugal, é Viseu uma das que maior número de monumentos antigos encerra. Esta cidade toda cingida desde tempos imemoriais por urna cerca de que ainda em tempo de D. Afonso Henriques se divisavam vestígios, supondo-se até que essas muralhas deviam já ter quatrocentos anos. Afonso Henriques entendeu que, para a defender de invasões do inimigo, devia levantar nova cerca, o que fez, sendo a porta que a nossa gravura representa ainda uma das da nova cerca.
|
||
|
Pág. 313 - Entrada para a casa do capítulo, na Batalha
Leia-se a pág. 622 o que fica dito a respeito do Claustro Real.
|
||
|
Pág. 317 - Um trecho ornamental da Batalha
Repetimos quanto a esta gravura o que acabamos de dizer quanto à de pág. 313.
|
||
|
Pág. 320 - Antiga muralha de Viseu - Outro aspecto
Sobre esta gravura nada temos a acrescentar ao que fica dito era meia dúzia de linhas acima sobre a antiga muralha de Viseu.
|
||
|
Pág. 321 - Sé da Guarda
Esta catedral é uma das mais vastas e sumptuosas de Portugal, de bela arquitectura gótica, sendo exteriormente construída de boa cantaria e interiormente ornada de belos mármores e de primorosa talha dourada. Durou a sua construção mais de um século, pois que tendo começado em tempo de D. João I, logo depois das guerras com Castela, só terminou no reinado de D. João III. Antes desta tinha havido outras igrejas servindo de Sé: a primeira, pequena, de fábrica humilde, tora começada em 1197 por D. Sancho I e concluída em 1214 por D. Afonso II. Como era pequena, D. Pedro mandou construir outra em sítio mais espaçoso, fora dos muros da cidade, em 1360. Foi, porém, arrasada por ordem de D. Fernando I, a fim de desafrontar as fortificações da cidade, ficando a Guarda sem catedral, até que D. João I, solicitado pelos bispos, mandou construir a que a nossa gravura representa, e que se encontra em magnífico estado de conservação.
|
||
|
Pág. 325 - Claustro do convento da Batalha
Leia-se o que fica dito a propósito do Claustro Real, a pág. 622 deste volume.
|
||
|
Pág. 329 - Diogo Gonçalves Travassos
Fidalgo ilustre e criado muito valido d'El-Rei D. João I, Diogo Gonçalves Travassos fez parte dos valerosos varões que tomaram Ceuta, sendo em 1415 armado cavaleiro pelo infante D. Pedro. Foi muito honrado até depois da sua morte, pois que teve o privilegio de ser enterrado dentro da igreja da Batalha, na qual, além das pessoas reais, ninguém podia ser sepultado. Ainda que modificado nos trajes, o retrato que damos conserva todos os traços fisionómicos daquele de que foi copiado, que é o que vem no já por nós tão citado livro Retratos e Elogios dos Varões e Donas. No elogio que o acompanha vemos que é esta a origem do retrato: «Damos o seu retrato da mesma forma que nos foi remetido do dito Convento (da Batalha), quando o mandámos pedir, com o mesmo escudo de armas que se vê na sepultura».
|
||
|
Pág. 333 - Altar do Sacramento da Sé Velha de Coimbra
Transcrevemos para aqui do excelente livro de Augusto Mendes Simões de Castro, Guia Histórico do Viajante em Coimbra, o que aquele erudito escritor diz acerca da monumental capela: «É toda de pedra e torna-se apreciável pela sua forma elegante e pelo esmero e bom efeito das suas esculturas. É quase circular e guarnecem-na duas ordens de nichos com belos lavores, nos quais se veem as estátuas de Cristo e dos Apóstolos cinzeladas com primor. A abóbada também se ostenta elegante e aprimorada nos medalhões e outros delicados lavores que a adornam. Nela se vê esculpida a data de 1566. Foi mandada construir esta capela pelo bispo conde D. João Soares. Este prelado jaz sepultado nesta mesma capela sob uma campa rasa e sem brasão, epitáfio nem sinal algum das suas altas dignidades».
|
||
|
Pág. 336 - Casa onde nasceu o infante D. Henrique
Existem no Porto, entre a antiga rua dos Ingleses, actualmente rua do Infante D. Henrique, e a Fonte Taurina os restos dos antigos paços dos reis portugueses naquela cidade, e onde nasceu o glorioso infante. Ainda lá se vê, como a nossa gravura o mostra, um brasão com as armas reais, junto à porta principal da velha alfândega. Sobre a porta desta casa histórica foi mandada colocar, em 1894, por ocasião do centenário do grande iniciador dos descobrimentos portugueses, uma lápide comemorando o facto do nascimento naquela casa do grandioso vulto. A nossa gravura bem claramente mostra essa lápide, que está dentro de uma linda moldura de cantaria, estilo manuelino.
|
||
|
Pág. 337 - Ângulo do Claustro Real da Batalha
A pág. 622 ao tratarmos deste Claustro já dissemos o que devíamos aqui dizer acerca do sumptuoso edifício da Batalha.
|
||
|
Pág. 341 - Caravelas do infante D. Henrique, passando por Sagres
Serve esta gravura para mostrar ao público qual a forma das caravelas que a tão longínquas paragens levaram a fama do nome português, e bem assim o aspecto que naqueles séculos atrasados apresentava o abrupto promontório, em que D. Henrique estabelecera o observatório, donde mais tarde havia de irradiar todo o grande renome e glória dos navegadores portugueses.
|
||
|
Pág. 345 - Portal das Capelas imperfeitas da Batalha
Remetemos o leitor para o que acerca do Claustro Real do mesmo edifício dissemos a pág. 622 deste volume.
|
||
|
Pág. 349 - Casa do Infante D. Henrique, e Capela em Sagres
A vila de Sagres foi fundada, ou, com mais probabilidade, reedificada em 1419, pelo glorioso infante que lhe deu o nome de Terça Naval ou Vila do Infante, ou Vila Nova do Infante, nomes pelos quais a povoação foi conhecida. Nela assentou ele a sua residência, para dirigir as descobertas que os portugueses realizaram em terras de além-mar. Foi ele quem ali fundou o primeiro observatório astronómico de Portugal, estabelecendo em seu próprio palácio as aulas de matemática, náutica, geografia, astronomia, cosmografia e comércio. Foi nestas escolas que se criaram os grandes navegadores que tanto honraram o nome e a pátria portuguesa. Na casa em que o infante morreu, foram mandadas colocar em 1839 duas lápides de mármore, numa das quais se veem gravadas as armas do infante, tendo por timbre uma cabeça de serpente alada, com a divisa do infante: Talent de bien faire, e aos lados um globo terrestre e um navio à vela, e na outra uma inscrição rememorando os relevantes serviços pelo infante prestados à sua pátria.
|
||
|
Pág. 352 - Construção de uma caravela, segundo desenho antigo
A ingenuidade do desenho bem está marcando a época em que ele foi feito e que deve ser justamente aquela em que nos estaleiros portugueses se fabricavam aquelas originais embarcações com que parece quase um milagre que se atravessassem milhares de léguas pelo oceano.
|
||
|
Pág. 353 - Tumultos populares durante a regência de D. Pedro
Prolonga-se pelas págs. 173 e seguintes deste volume a descrição do período tumultuoso com que se iniciou a regência do infante D. Pedro, e que inspirou ao nosso ilustrador o interessante quadro que o leitor tem ante os olhos.
|
||
|
Pág. 357 - Fonte de S. Lourenço, em Torres Vedras
Esta fonte, vulgarmente conhecida pela denominação de Fonte dos Canos, é um dos mais antigos e curiosos monumentos da velha vila de Torres Vedras. Consta de dois tanques, um superior e outro inferior e corre-lhe em volta, em semicírculo, uma arcada com cinco arcos ou pórticos de pedraria lavrada e fabricada segundo a arquitectura gótica. Por cima dos arcos e em todo o semicírculo existem ameias e fogaréus, e na frente dos mesmos arcos está metida uma lápide em que está esculpida uma inscrição latina, que, em vulgar, quer dizer: Esta obra foi levantada debaixo da inspecção do licenciado Duarte Velho, juiz, por mandado da Infanta Nossa Senhora, no ano de 1561. Esta infanta, donatária então da vila, devia ser D. Maria, filha de D. Manuel, falecida em 1577. Posteriormente este monumento sofreu várias modificações, sendo a mais notável em 1831, como se pode ver pelas duas outras inscrições latinas que se leem por cima da segunda e da quarta ogiva da arcada.
|
||
|
Pág. 361 - Face lateral da igreja da Batalha
Pelas razões já expostas a pág. 622 deste volume, quando tratámos do Claustro Real, não damos aqui nota alguma acerca do monumental edifício.
|
||
|
Pág. 365 - Promontório de Sagres
Este promontório, padrão de glórias pátrias porque sobre ele construirá o infante Navegador o primeiro observatório de Portugal, forma uma península chamada a Ponta, de 1.000 metros de comprido por 445 de largo, sendo toda composta de um escalvado rochedo, quase todo minado pelo mar.
|
||
|
Pág. 368 - Afonso Domingues, Arquitecto do convento da Batalha
É de Afonso Domingues e não de Mateus Fernandes o busto representado na nossa galeria; e provém a troca do nome na epígrafe de ser sob a denominação de Mateus Fernandes que ele se encontra nos Retratos e Elogios dos Varões e Donas, etc. Este Afonso Domingues, que foi quem planeou e dirigiu a grandiosa obra do convento da Batalha, era natural de Lisboa, da freguesia da Madalena, sendo, porém, ignoradas as datas do seu nascimento e da sua morte. O retrato que publicamos é, como dissemos, copiado da dos Retratos e Elogios dos Varões e Donas, que por sua vez o copiaram da sua estátua que serve, como de cariátide a um dos arcos da casa do capítulo no convento da Batalha.
|
||
|
Pág. 369 - D. Duarte, lendo o Leal Conselheiro
Não há ninguém que ignore que D. Duarte, que, pelo seu amor às ciências e às letras, mereceu o cognome de Eloquente, foi o primeiro rei português que em seus paços ordenara livraria, a qual se compunha de oitenta e duas obras diversas. Esta tendência pela literatura e pela ciência cultivou-a o ilustrado monarca, escrevendo várias obras de alto valor, que até à primeira metade deste século permaneceram ignoradas, sendo apenas conhecidos os seus títulos. Das suas obras a mais notável é o Leal Conselheiro, cuja primeira edição, de Paris, 1842, tem o seguinte título: Leal Conselheiro, seguido da Arte de bem cavalgar. Dado pela primeira vez à luz sobre o manuscrito original da Biblioteca Real de Paris, com notas philologicas e um glossário das palavras antigas, por José Ignacio Roquete: é in 4º máximo com um fac-simile do manuscrito. Há uma segunda edição deste livro feita em Lisboa, na Typographia Rollandiana, 1843. Acerca desta célebre obra, que inspirou ao nosso ilustrador a magnífica cena que o leitor tem presente, há nos tomos 8º e 9º dos Annaes das Ciências das Artes e das Letras, Paris 1820, um trabalho filológico, muito digno de apreço de Cândido José Xavier.
|
||
|
Pág. 373 - A Pena, em Sintra, no século XV
A primitiva ermida que existiu no sítio em que actualmente se vê o grandioso palácio da Pena, foi fundada pelos anos de 1372, por D. Henrique Manuel de Vilhena, tio de D. Fernando I, para nela se encerrar uma imagem de N. Sra que, segundo a tradição, ali foi encontrada nessa época; é o elegante desenho da ermida nesse tempo que a nossa gravura representa copiado do livro de Duarte d'Armas. A capelinha foi criando fama e devotos, até que D. Manuel, depois de haver pedido licença a Alexandre VI, mandou destruir a ermida, aplanar e alargar o terreno em que ela se levantava, despontando a grande penha a ferro e fogo, o que foi obra de grande trabalho e despesa, e construir de madeira uma nova casa que doou aos Monges Jerónimos. Poucos anos volvidos, em 1503, andando o mesmo monarca à caça naquele sitio, diz a tradição que ele avistara uma frota de nove velas que demandava a barra de Lisboa, e que mostrava ser parte da expedição que em 1502 enviara pela segunda vez à Índia, capitaneada por Vasco da Gama; em memória de tão feliz e inesperado regresso, mandou o venturoso monarca destruir a antiga casa de madeira e erigir outra moderna, capaz de estabilidade, encarregando da sua construção o arquitecto italiano João Potassi; fez-se outra nova igreja, claustro, dormitório, oficinas, campanário, etc., tudo de laçaria de pedra, com todo o primor da arte arquitectónica daquele tempo. Muito posteriormente, Filipe II mandou-lhe fazer várias reparações necessárias, entre as quais a colocação de azulejos nas paredes da igreja, para a preservar da humidade. O sacrário de alabastro que ainda se admira nessa igreja, foi doação de D. João III, que o mandara fabricar pelo notável escultor Nicolau Romano. Decorreram anos, o tempo foi causando danos no mosteiro, o que vendo D. João V, o mandou logo reparar em 1743. Suprimidas as ordens religiosas em 1834, ficou aquele régio edifício completamente abandonado até 1838 em que D. Fernando II o adquiriu por compra, ordenando que se procedesse a novas obras e se reparassem as antigas, guardando sempre a mesma primitiva ordem de arquitectura. Interiormente mudou as celas em grandes salas e camarins, transformando assim no primoroso palácio acastelado que é a delícia de quantos o veem o antigo Mosteiro dos Monges Jerónimos.
|
||
|
Pág. 377 - D. Afonso V
A Manuel de Macedo, tão conhecedor de velharias e costumes antigos, se deve o primoroso retrato que temos na nossa presença do rei cavaleiro, notando-se em todas as suas minúcias e mais detalhados pormenores tanto no trajo e armas do monarca, como nos arreios e jaezes do cavalo, o maior rigor histórico. (Ilustração de Manuel de Macedo)
|
||
|
Pág. 381 - Fachada principal do palácio real de Sintra
O edifício primitivo em que hoje se levanta o gracioso palácio de Sintra era Alcazar de Mouros, onde residia o governador do castelo, e de que ainda restam vestígios, como são a sala, que se supõe ter sido de banhos, e que é sem dúvida um dos mais belos monumentos da antiguidade, e os fragmentos de uma Mesquita. Aqui pernoitava D. Afonso IV quando ia para as matas de Sintra, a caçar, o que, como se sabe, era uma das suas diversões prediletas. Quanto à época de sua reedificação, há dúvidas, sendo, porém, certo que é ela devida a D. João I, supondo-se com bons fundamentos que esse facto se realizasse em 1415, quando o valeroso monarca voltou da conquista de Ceuta. El-rei D. Manuel o acrescentou, quando o reedificou em parte, pelos anos de 1507 a 1519, conservando-lhe sempre a mesma ordem de arquitectura. O erudito abade de Castro, na sua interessante monografia Descripção do Palácio real na vila de Cintra, etc., diz acerca da construção geral do sumptuoso edifício o seguinte: «Todo ele é construído de boa cantaria, e de uma solidez e firmeza que parece afrontar os séculos. As suas fachadas, colunas, arcos, capitéis, e bases são guarnecidas de um número imenso de engraçados ornatos, esculturas e baixos-relevos; a cada passo está sobressaindo a elegância, a graça, a fantasia e delicadeza do antigo cinzel oriental. Arquitectura sublime e majestosa, colossal, não monótona e compassada, mas rica de variedade; não silenciosa e muda, mas animada e viva, fazendo falar as pedras que os nossos antepassados souberam tão felizmente imitar, e conservar até ao glorioso reinado d'el-rei D. Manuel». Referindo-se à parte do edifício que a nossa gravura representa, escreve o douto abade:... «com a frontaria para o sul, e composta de seis membros, diversos uns dos outros no tamanho, na altura, e no feitio, mas cada um deles sobre si, com harmonia de frontispício, nos diferentes ornatos de que se compõe a arquitectura árabe, ou mourisca: contendo ao todo quarenta janelas em frente distribuídas em duas ordens fora de simetria como é beleza nesta ordem de arquitectura. No centro do edifício, na porta externa está uma varanda estendida ao longo cercada de balaustres de mármore branco, para a qual se sobe por treze degraus de igual cantaria, e no meio da referida varanda ergue-se uma perene fonte com quatro bicas desaguando, de uma concha circular, dentro de um tanque lavrado, e deixando-o cheio, some-se nele, e vai ao lago do pátio».
|
||
|
Pág. 385 - Claustro de D. Diniz, no convento da Alcobaça
Este claustro, em que há muito que ver e que apreciar, é formado por duas séries de arcos ogivais duma beleza delicadíssima; no plano superior, são muito dignos de especial reparo, para quem ama a arte, os quatro arcos abatidos nos ângulos de cada face do plano. Na face deste claustro, que olha ao poente, foi construído por D. Manuel, segundo diz Fr. Bernardo de Brito nos seus Elogios dos reis de Portugal, o primeiro panteão real, a que ele deu o nome de Galilé, e que mais tarde foi chamado Casa dos Reis. Posteriormente, D. Diniz, quando mandou construir este claustro, deixou, ainda duas faces inferiores reservadas para o mesmo fim; assim é que lá vamos encontrar grande número de campas, entre as quais a que encerra os ossos dos heróis mortos em Aljubarrota. A um dos lados do claustro de D. Diniz há um tanque, que é uma verdadeira obra de arte pelos belíssimos relevos que apresenta nas suas faces externas e pela elegância do meio em que está colocado.
|
||
|
Pág. 389 - Palácio real de Sintra
O que em poucas linhas acima dissemos acerca deste palácio, quando tratámos da sua fachada principal, dispensa-nos de nos referirmos aqui a ele pela segunda vez.
|
||
|
Pág. 393 - Castelo de Évora-Monte
Situada num alto, donde se avista uma grande parte da província do Alentejo, Évora-Monte é uma povoação antiquíssima, não se sabendo ao certo quem foram os seus fundadores, atribuindo-se-lhe uma origem que a faz remontar a mais de 3.800 anos de existência. Parece que já tinha algumas obras de fortificação do tempo dos Romanos, mas foi D. Diniz quem a cingiu de muralhas e lhe edificou o castelo, em 1312. O espantoso tremor de terra de 1531, que se repetiu por intermitências durante oito dias, causou grandes ruínas nesta vila, demolindo muitas casas e parte das fortificações. D João III mandou reedificar a parte arruinada das muralhas e algumas das casas das mais pobres. Têm, porém, passado os anos, o castelo ficou de todo abandonado, e é por isso que ele se encontra muito arruinado, como se vê pela nossa gravura.
|
||
|
Pág. 397 - Igreja e convento da Flor da Rosa, em Crato
Deve este majestoso edifício a sua fundação ao grão-prior do Crato, D. Álvaro Gonçalves Pereira, pai do santo condestável; foi construído em 1356, sendo a capela dedicada a Nossa Senhora das Neves. É, como se vê, de arquitectura gótica e de excelente fábrica. Este edifício, que mais é castelo do que templo, foi o alcáçar do seu fundador e devia então ser uma inexpugnável fortaleza, pois é todo construído de robusta cantaria e coroado em toda a sua extensão de ameias, guaritas e cubelos. Quase todo o edifício se encontra em completa ruína, à excepção da igreja, a meio da qual se vê o túmulo em mármore do fundador, mandado erigir, ao que parece, pelo filho, o condestável; no cruzeiro existe ainda outro túmulo igualmente de mármore, sobre seis leões, no qual está sepultado o grão-prior do Crato, D. Diogo Fernandes de Almeida.
|
||
|
Pág. 400 - Pia batismal da Sé de Braga
É um belo espécimen da escultura em pedra do século XVI, e foi construído por ocasião das grandes reedificações a que se procedeu na velha catedral de Braga, naquela época.
|
||
|
Pág. 401 - Túmulo de D. Duarte de Menezes
Esta formosa peça de arquitectura do século XV fora mandada fabricar logo depois da morte do valeroso soldado de Ceuta pela condessa de Viana, sua esposa, no convento de S. Francisco, de Santarém, donde no último quartel deste século foi trasladada para o Museu distrital da mesma cidade, como obra muito digna de ser conservada e admirada. Este D. Duarte de Menezes, filho natural de D. Pedro de Menezes, foi um valente guerreiro e um dos mais belos homens do seu tempo. Nascera em 1414, e aos 15 anos mostrou tanta bravura num ataque contra os Mouros, que seu pai, mesmo no campo de batalha e à vista do inimigo, o armou cavaleiro. Foi alferes-mor na jornada de Tanger, alcaide-mor e fronteiro-mor do castelo de Beja, general no tempo do regente, e embaixador em Castela, onde prestou relevantes serviços à pátria; acompanhou D. Afonso V a Alcácer-Ceguer, onde excedeu em prudência e bravura os maiores capitães portugueses, sendo por este facto nomeado governador daquela praça. Chamado à pátria por aquele monarca, em 1460, foi por ele recebido com grandes distinções e feito conde de Viana. Regressando a tomar conta do seu governo em Alcácer-Ceguer, teve de lutar novamente com os Mouros, sendo por estes despedaçado num recontro em 1464, com 50 anos de idade apenas. O seu cadáver desapareceu completamente. Mas a esposa, que muito quis honrar a memória do marido, mandou levantar aquele grandioso mausoléu, depositando nele um dente que D. Duarte de Menezes lhe dera pouco antes da sua partida para a África.
|
||
|
Pág. 405 - Igreja de S. Cristóvão, de Coimbra
Neste país, que era um verdadeiro filão de monumentos arqueológicos de todas as épocas, parece que houve sempre o mau sestro de destruir e danificar tudo quanto representasse uma manifestação de arte; e isto bem se podia compreender e desculpar nos séculos transatos; no presente século não se compreende nem se desculpa. Vem esta ligeira consideração a propósito do vandalismo cometido há anos em Coimbra, onde, para se edificar um pardieiro, que dá pelo nome de teatro D. Luiz, se deitou abaixo a vetusta igreja de S. Cristóvão, que era um dos mais delicados espécimes da arte românica, contemporânea da Sé Velha, e que fora mandado construir em 1110 por D. João Peculiar. Felizmente que uma gravura antiga, que ainda existia, representando esse edifício, permitiu que se não perdesse de todo a memória dele; pois que foi dessa velha gravura que o sr. Júlio do Vale e Sousa copiou a preciosa aguarela que enriquece as páginas da nossa monumental edição da História de Portugal.
|
||
|
Pág. 409 - Exterior da Capela-mor da Sé de Braga
O arcebispo IX Diogo de Sousa (1505-1532), vendo prestes a cair em ruínas o edifício da sua Sé Catedral, deu princípio à obra de reparação no corpo do vasto templo e reconstruiu a capela-mor, entregando a execução desse trabalho a artistas biscainhos que habitavam numa das ruas cujo nome ainda os torna lembrados. É um belo espécimen do estilo manuelino. Pouco abaixo da janela do centro vê-se esculturada em pedra uma imagem de Nª Sa do Leite com o escudo de D. Diogo de Sousa à esquerda e o de el-rei D. Manuel à direita, repetidos ambos no alto do edifício e no interior da capela-mor, que mede 10,56 m de comprido por 6,73 m de largo. A abóbada de pedra, belamente coberta de nervuras, está pintada... a fingir pedra! Desde 1533 até maio de 1877 conservaram-se ao fundo da capela-mor os dois túmulos que encerram os restos mortais do conde D. Henrique, falecido em Astorga no ano de 1112 e sepultado a seu pedido na Sé de Braga; assim como os da rainha D. Teresa, falecida em Coimbra no 1º de novembro de 1130 e transportada para ali por ordem de seu filho D. Afonso Henriques. Para a colocação destes túmulos mandou D. Diogo de Sousa cortar do lado direito o altar-mor de pedra de Ançã, que representa a ressurreição de Cristo e os 12 apóstolos colocados aos pares dum e outro lado, tudo primorosamente esculturado entre formosos arabescos. Que o desacato foi cometido no tempo de D. Diogo de Sousa prova-o o frontal bordado a matiz e ouro que el-rei D. Manuel mandou fazer na Índia, oferecendo-o com as dimensões exatas do altar cortado. É, pois, de supor que este precioso altar esculturado em pedra pertencesse à anterior capela-mor do tempo do conde D. Henrique. Hoje está vestido de madeira!
|
||
|
Pág. 413 - Porta da Vila de Niza
Não é a primitiva vila de Niza a actual povoação deste nome; a primeira não se sabe quando nem por quem foi fundada, sendo com toda a certeza povoação de fundação anterior ao século VIII. Segundo a tradição, essa vila primitiva foi mandada arrasar por D. Diniz em castigo de tomar partido por seu irmão, o infante D. Afonso que em 1287 lhe quis disputar a coroa; tem, porém, poucos visos de verdade esta tradição, pois se sabe que foi justamente o infante D. Afonso quem a saqueou e a incendiou. Arrasada e deserta, D. Diniz tratou da sua reedificação em local mais ameno e apropriado, encarregando da direcção das construções a D. Frei Lourenço Martins que era ao tempo mestre dos Templários. Isto foi em 1290; em 1296 estavam já as obras concluídas, tendo-se para elas aproveitado todo o material da antiga cidade, muralhas, castelo, etc. A nova vila foi também cercada de muralhas, guarnecidas de torres e cubelos, com seis portas, uma das quais a nossa gravura representa. Em breve, porém, o recinto não pôde conter a povoação que se alastrou para fora dessas portas, a ponto de ocupar hoje uma área quatro vezes maior do que a que lhe fora demarcada pelo fundador.
|
||
|
Pág. 417 - Bartolomeu Dias colocando o primeiro padrão
Começa a época das descobertas e com ela a colocação daqueles monumentos com que os Portugueses iam demarcando os terrenos que tomavam e com os quais alargavam o âmbito do nosso poderio, que atingiu um apogeu, a que nunca povo algum antes do nosso conseguira chegar. É uma dessas cenas, que constituem decerto uma grande festa para os denodados marinheiros portugueses, que a nossa gravura tão expressivamente reproduz.
|
||
|
Pág. 421 - Túmulo do infante D. Afonso, filho de D. João I
Está este túmulo, que é de cobre, dentro de um arco aberto na parede interior da fachada da Sé, à direita de quem entra. O infante faleceu em Braga a 22 de dezembro de 1400 e foi sepultado na Sé. Anos depois encerrou-se neste túmulo de cobre dourado que para esse fim veio de Borgonha oferecido por sua irmã a infanta D. Isabel, mulher do duque D. Filipe o Bom. As colunas da frente assentavam sobre dois leões de cobre e à cabeceira do infante havia um anjo do mesmo metal com as mãos postas. Uma e outra coisa desapareceram, assim como a perna direita da figura e parte dos caracteres góticos da inscrição que tem no friso.
|
||
|
Pág. 425 - Túmulo de D. João I, na Batalha
É a meio da capela do fundador que existe este túmulo, uma das muitas e preciosas obras de arte do grandioso edifício. Já a pág. 77 deste volume damos este monumento, que neste lugar repetimos, para se poder avaliar a beleza arquitectónica da capela, que é sem dúvida uma das obras mais primorosas que encerra o templo da Batalha. A descrição deste túmulo deixamo-la nós feita a pág. 619.
|
||
|
Pág. 429 - Porta joanina da extinta capela interior do paço dos duques de Bragança, em Guimarães
Este paço, que ficava situado perto do venerando castelo de Guimarães, era um edifício de vastas e agigantadas proporções, cujas paredes se acham hoje quase todas desmoronadas, mantendo-se apenas de pé a frontaria do norte, cujo corpo central é quase todo ocupado por formosíssimas janelas de mais de sete metros de altura, as quais são um precioso exemplar de gótico puro. Estas janelas pertenciam à capela, cujo pórtico, que o leitor vê na estampa que lhe damos aqui, é formado de delgadas colunas e guarnecido de lindos silvados; deitava ele outrora para uma sala ou galeria do andar nobre e actualmente cai sobre o pátio, pois quase de todo se desmoronou a fachada deste lado. Tinha as dimensões de uma grande igreja esta capela.
|
||
|
Pág. 432 - Igreja românica de Serzedelo
Fica esta povoação a cerca de 9 quilómetros de Guimarães, e aquela igreja é ainda um dos melhores espécimes da arte românica em Portugal, podendo talvez atribuir-se a sua fundação ao século XII. Esta igreja foi de um mosteiro de monges beneditinos, passando no século XV a ser abadia secular, e mais tarde reitoria.
|
||
|
Pág. 433 - Nuno Tristão, armando cavaleiro a Antão Gonçalves
Vem a pág. 308 a referência a esta cena magnificamente tracejada pelo nosso erudito ilustrador Manuel de Macedo. (Ilustração de Manuel de Macedo)
|
||
|
Pág. 437 - Túmulo do bispo D. Tibúrcio, na Sé de Coimbra
Ao sr. Vale e Souza devemos o prazer de reproduzir com tanta verdade e exatidão o túmulo do famoso bispo que tanto concorreu para a deposição de D. Sancho II. A reprodução que damos é tão perfeita que até nela se veem os defeitos do ingénuo artista que esculpiu a estátua tumular.
|
||
|
Pág. 441 - Templo de Diana, em Évora
Acerca deste notável monumento romano, que tem sido assunto de tantos e tão variados escritos, encontramos num pequenino opúsculo intitulado Roteiro da cidade de Évora e breve notícia dos seus monumentos, uma pequena notícia que, por ser clara e sintética, para aqui reproduzimos: «Saindo da Biblioteca encontra o viajante as magnificas ruínas do templo romano, a que os Eborenses e muitos escritores chamam Templo de Diana. Não é fácil, senão antes impossível, saber hoje a que pagã divindade foi sagrado o templo. O que se alcança com certeza é que desde os Pirenéus até à extrema ocidental da península não há umas tão belas ruínas arquitectónicas do grande povo, e que em Portugal é este arruinado templo o único monumento, embora mutilado, da graciosa arte romana que possuímos. As bases e os capitéis coríntios são de mármore alvíssimo e os fustes e a arquitrave de granito. Até ao mês de junho de 1870, estiveram estas belas colunas meio escondidas em grosseira alvenaria da idade média; hoje ostentam sua graça primitiva despida dessas paredes dando a lembrar ao viajante uma das muitas ruínas, que ainda abrilhantam a cidade dos Césares, a rainha do Tibre, a grandiosa Roma. Ali se guardam hoje muitas inscrições romanas, godas e portuguesas de várias épocas, treze das quais foram da numerosa colecção do Museu Sisenando, criado em Beja por Cenáculo, e por diligência do Bibliotecário o sr. dr. Simões para ali trazidas. Esta colecção epigráfica é a mais numerosa de Portugal. Por escavações feitas há anos sabe-se que as águas do aqueduto romano ali vinham cair em grandes tanques que havia em volta do templo».
|
||
|
Pág. 445 - Arco de D. Isabel
A história dá-nos notícia de três cintos de muralhas em Évora, conhecidas pelos nomes de romana, fernandina e afonsina. Da romana, há claros vestígios em diversos pontos da sua periferia. Começava numa torre junto ao colégio do Espírito Santo, seguia pelos palácios dos condes de Basto e Ferreira, que ainda existem, Salvador, S. Paulo, Alcárcovas, Misericórdia, Freiria, passando pelo arco que a nossa gravura representa, e que fica antes do Salvador, indo a abraçar-se com a mesma torre, que se chamava Mouchinha, e que já neste século foi arrasada. Não se pode saber qual fosse a época da sua construção. Quer-nos parecer que a denominação que o arco tem de D. Isabel lhe fora dada para honrar a memória da infanta D. Isabel, filha de D. João I, que em Évora nascera em 11 de fevereiro de 1397.
|
||
|
Pág. 448 - Traseiras do Paço dos duques de Bragança, em Guimarães
O que poucas linhas acima dissemos acerca deste palácio, quando tratámos da porta joanina da sua capela, dispensa-nos de nos alargarmos mais sobre a assunto, pois que em tão ligeiras notas como estas são, não lemos a pretensão de fazer a monografia dos diversos assuntos tratados.
|
||
|
Pág. 449 - Igreja matriz e castelo dos duques de Bragança, em Barcelos
A pág. 573 do 1º volume desta obra já nós demos uma estampa representativa de Barcelos; esta, porém dá-nos um aspecto muito diverso da vila, deixando-nos ver muito claramente a igreja matriz e o castelo, dois monumentos que honram Barcelos. Sobre a origem da igreja não se conhece informação alguma segura, sabendo-se apenas que foi o duque D. Afonso o seu principal reformador e o que primeiro aí pensou em criar uma colegiada como se deduz da provisão do arcebispo D. Fernando Guerra dada em Braga nos anos de 1433, 1434 e 1436; mas essa colegiada só foi erecta em 1464, pelo duque D. Fernando. O templo é vasto, de três naves com formosos azulejos antigos, e a sua porta principal revela a sua veneranda antiguidade. Quanto ao castelo, contentamo-nos em transcrever o que acerca dele se lê na curiosa monografia Memória Histórica de Barcelos, Barcelinhos e Famalicão: Junto da ponte de Barcelos, na margem direita do seu rio Cávado, numa forte e formosíssima torre, toda de cantaria e altura notável, principiava o espaçoso palácio dos condes e duques de Barcelos e Bragança, com comunicação para a colegiada por um passadiço que já não existe, mas do qual ainda se observam vestígios na cachorrada de pedra existente e embutida no exterior da torre dos sinos, da mesma colegiada, do lado do sul, e na pequena porta existente ainda na mesma linha e lado, por cima do telhado da casa do despacho da confraria das Almas. Por baixo da torre deste palácio, havia três portas de arcaria... O paço foi mandado construir, como o fora o de Guimarães, pelo duque D. Afonso, sendo encarregado da inspecção dessa obra Tristão Gomes Pinheiro, senhor da casa solar dos Pinheiros, que ainda lá existe em Barcelos.
|
||
|
Pág. 453 - Antão Gonçalves, apresentando ao infante D. Henrique os primeiros escravos
Dá-se conta desta cena a pág. 309 deste segundo vol. da nossa História.
|
||
|
Pág. 457 - Carlos, o Temerário
O facto de correr nas veias deste duque de Borgonha sangue português, do que ele muito se orgulhava, demonstrando realmente pelos actos de valentia praticados que nele predominava justamente a parte portuguesa do seu sangue e as relações que ele teve com D. Afonso quando este monarca se dirigiu a França são motivos mais que suficientes para que o seu retrato figure na galeria da nossa História. O que aqui publicamos é cópia do que vem na História de França, de Henri Martin.
|
||
|
Pág. 461 - Sé Velha de Coimbra
É mais um aspecto deste celebrado e majestoso templo, um dos principais e mais históricos monumentos de Portugal, que ora damos. Como diz Augusto Mendes Simões de Castro no seu erudito Guia histórico do Viajante em Coimbra e arredores, antiguidade veneranda, aspecto imponente, e grandioso, belezas e excelência de arquitectura, notabilidades artísticas, restos de pessoas ilustres que encerra este edifício e recordações de notáveis acontecimentos a ele ligados, tudo concorre para fazer célebre e importantíssima esta velha catedral. Donde, não é para admirar que publiquemos tão variados detalhes do venerando monumento.
|
||
|
Pág. 464 - Pelourinho de Pinhel
O pelourinho, esse emblema de ignomínia que campeava num grande número de vilas e cidades de Portugal, deu ensejo a grandes manifestações artísticas, da parte dos escultores a quem era confiada a sua fábrica. Era Portugal há-os lindíssimos, de uma fantasia extraordinária, numa finura e delicadeza de execução estranha, alguns deles verdadeiras obras de arte. Não é dos menos interessantes, pela elegância com que está lançada a sua coluna, o de Pinhel, uma das mais antigas povoações da Lusitânia.
|
||
|
Pág. 465 - Porta principal do convento da Batalha
Depois do que dissemos a pág. 622 ao tratarmos do Claustro Real, nada podemos aqui acrescentar sobre o grandioso pórtico da Batalha.
|
||
|
Pág. 469 - Um aspecto das Naves da Sé de Coimbra
Escusado será dizer que é da Sé Velha este novo aspecto representado pela nossa gravura; como por ela se vê, o interior do templo em nada desdiz da nobre e veneranda aparência da parte externa. A sua arquitectura simples, mas majestosa, o seu aspecto de ancianidade, uma claridade moderada tão propícia aos actos e sentimentos piedosos, tudo nos enche a alma, como disse Garrett, de um certo não sei que entre gozo, respeito, devoção, melancolia e suavidade, que podemos ali estar horas esquecidas sem nos lembrar nem importar mais nada.
|
||
|
Pág. 473 - D. Fernando V de Castela
A parte activa que este monarca castelhano tomou nas relações com Portugal exigiu a reprodução do seu retrato na nossa galeria. Esse retrato é calcado sobre o que aparece na História de Hespanha de Lafuente.
|
||
|
Pág. 477 - Túmulos dos infantes na Batalha
Ao lado sul da capela do fundador, estão abertos no grosso da parede quatro arcos, que a nossa gravura representa, contendo os jazigos dos quatro infantes, filhos de D. João I. O primeiro, do lado do poente, é o do filho mais velho, o duque de Coimbra D. Pedro, que veio a morrer na infausta batalha da Alfarrobeira; a par do seu túmulo, para a parte interior do arco, está outro encerrando as cinzas de sua mulher D. Isabel, filha do conde de Urgel, D. Jaime; no friso do túmulo tem a seguinte legenda em letra gótica: DÉZIR. No segundo arco, a seguir, está o mausoléu do 2º filho de D. João, o infante navegador, D. Henrique; na orla do túmulo tem como legenda a sua divisa: TALENT DE BIEN FAIR. É do terceiro filho do Mestre de Aviz, o infante D. João, condestável do reino, o terceiro túmulo; também a par dele, dentro do mesmo arco, está o túmulo de sua mulher, D. Isabel, filha do primeiro duque de Bragança; a legenda que corre na orla do friso é esta: J'AI BIEN RAISON. No quarto monumento repousam os restos do venerando infante Santo, trazidos das mãos dos infiéis para este reino em tempo de seu sobrinho D. Afonso V; no friso do mausoléu lê-se a seguinte inscrição: LE BIEN ME PLAIT.
|
||
|
Pág. 480 - Pelourinho de Vila do Conde
Aí tem o leitor um dos mais elegantes monumentos desse género existentes em Portugal, que os conta por centenas. «Se não fora o foral que lhe (à Vila do Conde) foi dado por D. Manuel em 1516, e no qual se provou a estima em que o rei afortunado teve esta povoação, aí estava esse pelourinho como documento artístico... para demonstrar quanto se opulentou de galas no tempo de D. Manuel a joia engastada por D. Sancho no diadema da sua formosa amante». Esse trecho que aí fica, transcrevemo-lo nós de José Augusto Vieira (Minho Pittoresco), para autenticar a época em que o elegante pelourinho de Vila do Conde foi levantado.
|
||
|
Pág. 481 - Sé Velha de Coimbra, antes de restaurada
É feita sobre uma belíssima gravura a talho doce de Lemaitre, gravura que adorna o excelente livro de Ferdinand Denis, Portugal (1846) a magnífica estampa que aqui damos, representando a majestosa catedral antes de restaurada. A página 245 do primeiro volume da nossa História já demos o aspecto da mesma fachada depois de restaurada, e nas notas apensas no fim desse volume, o que acerca de tão venerando monumento poderíamos dizer.
|
||
|
Pág. 485 - Cruzeiro de Porto de Mós
Esta interessante povoação da Extremadura ergue-se a cerca de 15 quilómetros de Leiria e é cheia de poéticas tradições. São célebres as ruínas dos seus arredores e bem mereceriam ser visitadas por um arqueólogo conhecedor. Ao meio da sua praça principal, levanta-se o pequeno cruzeiro que a nossa estampa representa, e que apresentamos ao leitor não como um vestígio das velhas idades, mas como um espécimen daquelas lindíssimas cruzes de pedra que com tanta frequência se encontram no nosso país.
|
||
Pág. 489 - D. Isabel I de Castela
Foi decalcado sobre o magnífico retrato desta notável princesa, que vem na esplêndida edição da História de Espanha, de Lafuente, o que vem enriquecer a galeria de retratos históricos que adornam a nossa edição. No texto de M. Pinheiro Chagas, encontrará o leitor a notícia das relações daquela princesa com o nosso país, que bem justificam o aparecimento desse retrato na nossa História.
|
||
|
Pág. 493 - Entrada para o Castelo de Évora-Monte
A pág. 628 deste volume, nestas mesmas notas já tratámos deste castelo, do qual agora damos a gravura representando a sua entrada.
|
||
|
Pág. 496 - Túmulo de D. João Frei Coelho, em Leça do Bailio
Ainda que pouco já alguma coisa dissemos nas notas do primeiro volume desta História, acerca de Leça do Bailio, pelo que não devemos tornar-nos agora mais extensos. Quanto ao túmulo representado pela nossa gravura acha-se ele na capela chamada de N. S. do Rosário, vulgo Capela de ferro, à direita do altar, debaixo dum arco. Este Dr. Frei João Coelho fora chanceler-mor de Rodes, e faleceu em 25 de novembro de 1515. Como se vê sobre o túmulo está a sua estátua jacente. Na face do túmulo, está esculpido um anjo de pedra tendo nas mãos uma bandeira, contendo o epitáfio do sepultado; aos lados veem-se as armas dos Coelhos.
|
||
|
Pág. 497 - D. Afonso V tentando fugir para a Terra Santa
Veja-se a pág. 471 a descrição deste estranho episódio da vida de D. Afonso, o Africano.
|
||
|
Pág. 501 - Claustro em restauração da Sê Velha de Coimbra
Nunca serão demais as gravuras que demos sobre este edifício pelas razões já expostas nas pequenas notas de que temos acompanhado neste livro as gravuras já apresentadas.
|
||
|
Pág. 505 - Luiz XI, rei de França
São de tal ordem as relações mantidas entre D. Afonso V de Portugal, e o rei de França Luiz XI, que nos pareceu do nosso dever dar o seu retrato, que é a reprodução dos clássicos retratos conhecidos do manhoso monarca, que com tanta astúcia e habilidade soube destruir o feudalismo em França.
|
||
|
Pág. 509 - Túmulo de Fernão Teles, no mosteiro de S. Marcos
A pouca distância da cidade de Coimbra, encontra-se o celebrado mosteiro de S. Marcos, construção do século XVI, que encerra uma esplêndida colecção tumular, como nos parece que não há outra igual no país. É ali o panteão dos Silvas, um dos quais, João da Silva, foi um valente capitão de D. João II. O túmulo que a nossa gravura representa é a do denodado guerreiro Fernão Teles de Menezes.
|
||
|
Pág. 513 - Nuno Tristão assaltado pelos negros
Começam as navegações dos portugueses, e com elas a série de episódios que tornaram a nossa história uma das mais brilhantes do mundo, onde, pelo ardor belicoso e valentia dos nossos maiores, Portugal conseguiu ocupar um belo lugar. A cena representada pela nossa gravura vem referida a pág. 308 deste volume.
|
||
|
Pág. 517 - Uma das portas do feudo dos condes de Basto, mostrando a torre denominada de «Sertório», em Évora
O viajante curioso que ainda hoje quiser ver em Évora um espécimen perfeito de um solar da idade média, procure o Páteo de S. Miguel, próximo da Sé, e a Torre chamada vulgarmente de Sertório. Aí verá o palácio antigo, formado a nordeste da muralha romana, e cercado de um grande número de habitações isoladas dele, mas suas dependências, que, ao modo de uma aldeia, poderiam ser habitadas por muitas famílias, e cujo único senhor feudal era o conde de Basto. Duas portas de arco redondo, uma das quais a nossa gravura mostra dão entrada para ele: uma a oeste e outra a sudoeste. Por cima de cada arco existe ainda uma pedra de mármore, com o brasão das armas do conde de Basto.
|
||
|
Pág. 521 - Condestável D. Álvaro de Luna
A Iconographia de Carderera, que, pela consciência com que foi organizada, é o melhor repositório de retratos autênticos dos personagens que mais ilustraram vizinha Espanha, tem-nos dado belos subsídios para a nossa História; é ela que nos fornece mais este excelente retrato de D. Álvaro de Luna, que, pelas suas especiais circunstâncias, tanta intervenção tomou nos negócios de Portugal.
|
||
|
Pág. 525 - Castelo de Pinhel (Torreão ou prisão)
Seja Pinho Leal quem mais uma vez nos ajude a dar conta aos nossos leitores da história dos velhos monumentos de Portugal. Eis como ele nos descreve as fortificações e as torres de Pinhel, de uma das quais nós damos um aspecto: «... as muralhas, das quais ainda resta uma grande parte, eram de grande espessura e muito fortes. Das seis torres que tinha a praça apenas existem vestígios, e a do relógio foi nos princípios deste século substituída por outra que se vê sobre um angulo da praça, ainda com um relógio. No alto da parte murada, havia um castelo, com fortes muros (hoje quase completamente demolidos) também com duas torres muito altas, que ainda lá se veem muito firmes, apesar dos rijos empuxões das tempestades e do peso de cinco a seis séculos, pois foram mandadas fazer por el-rei D. Diniz, último restaurador desta praça, em 1312. A torre do lado N. defendia a porta principal do castelo, e a outra torre estava, e está, um pouco mais ao S. São ambas de granito superior, e bem trabalhado, ambas ainda conservam parte das ameias que as coroavam, e a do lado do S. tem a meio uma espaçosa janela, com mimosos lavores, e no topo, em um dos ângulos, uma pedra, que avulta cerca de metro e meio além do prumo da torre, com um buraco, por onde jorrava a água do eirado. Representa aquela pedra uma mulher em posição caprichosa, mas indecentíssima; ofende porém pouco a honestidade pública, porque o castelo hoje está ermo, e a tal estátua, pela grande altura em que se acha a custo se distingue da base da torre; e tanto esta como a sua companheira, já não tem escadas, nem pavimentos, e por conseguinte não pode observar-se de perto a figura que serve de embornal... É muito para lamentar o abandono em que se acham estas duas torres, tão antigas, tão altas e tão sólidas, e que ainda com tanto garbo e tão perfeito aprumo desafiam os séculos e os vendavais, porque, além de serem dois importantes padrões da nossa história, são marcos que se avistam de muitas léguas de distância, e do alto deles, em dias de sol, se deve descobrir um dos mais largos horizontes de Portugal... Prescindindo do seu valor histórico e arqueológico, oferecem estas duas torres dois mirantes de subido merecimento, e estou certo de que, apenas sejam acessíveis, não irá a Pinhel um único hospede, que as não visite e se não recorde delas com saudade.»
|
||
|
Pág. 528 - Convento de Espinheiro, em Évora
Lê-se a págs. 30 e 31 do Roteiro da cidade de Évora e breve notícia dos seus principais monumentos: «O mosteiro de Nª Sa do Espinheiro, cujos restos ainda hoje existem na distância de 5 quilómetros de Évora, para o lado nordeste, foi erguido por mandado dos monges de S. Jerónimo em 1566 sobre as ruínas do antigo, que lhes mandara fazer o Bispo D. Vasco Perdigão em 1458. Assenta em sítio coberto de arvoredo, ameno e um tanto elevado, quase ao centro do mesmo trato de terreno, em que são mais numerosas e melhores as fazendas vizinhas do concelho. O templo é tão alegre, tão majestoso e tão apuradamente acabado, que, ao velo assim abandonado e deserto, o coração aperta-se de mágoa. Ainda ali se conservam várias sepulturas e mausoléus de pessoas bem insignes da nossa pátria, e uma capela do Senhor Morto que chama a atenção dos visitantes, pela finura e lavor de seus preciosíssimos mármores. O convento está muito estragado e privado de todos ou quase todos os objectos valiosos e notáveis que possuía, vendo-se ainda na cerca, prestes a desabar, a capela em que foi sepultado o grande Garcia de Rezende. Nesta casa recebeu el-rei D. Manuel as primeiras faustosas notícias do descobrimento da Índia. A ida a este lugar é um dos mais deliciosos passeios que o viajante pode dar em volta de Évora».
|
||
|
Pág. 529 - Os Mouros abandonaram a cidade de Tanger
Veja-se a págs. 410 e seguintes deste volume a descrição do episódio pela nossa gravura representado.
|
||
|
Pág. 533 - Vista geral da cidade de Pinhel
Segundo a opinião de autorizados geógrafos nacionais e estrangeiros, Pinhel é povoação fundada pelos Túrdulos no ano de 500 A. C. Com o peso dos séculos e das guerras achava-se naturalmente em lastimoso estado no tempo de D. Afonso Henriques que, portanto, em 1170, a povoou e restaurou, dando-lhe foral e grandes privilégios depois confirmados e ampliados por D. Sancho I, pelos outros reis seus sucessores. A última restauração foi a de D. Diniz, em 1312, que mandou fazer as duas torres no castelo, como já acima tivemos ocasião de dizer.
|
||
|
Pág. 537 - D. Isabel de Portugal, rainha de Espanha
O belíssimo retrato que da formosa infanta portuguesa aqui damos, é decalcado sobre o que vem na Iconographia de Carderera, que tão valiosos subsídios nos tem fornecido para a ilustração da nossa História.
|
||
|
Pág. 541 - Castelo do Alvito
Foi mandado construir o castelo de Alvito em 1454 por D. João II, que dele fez doação a João Fernandes da Silveira, chanceler-mor do reino, vedor da Fazenda, escrivão da puridade e embaixador de Portugal nas cortes estrangeiras por várias vezes. Tem cinco torres e acha-se magnificamente conservado. É a fortaleza antiga mais robusta e mais bem conservada do nosso país. A torre de menagem, que é toda de cantaria, não chegou a concluir-se. Dentro do castelo existe a igreja do Espírito Santo, que é capela dos seus possuidores os condes-barões de Alvito (conde de Oriol e barão de Alvito). Sobre a porta principal do castelo vê-se a seguinte inscrição: «Esta fortaleza se começou a 1 de agosto de 1454 por mandado d'el-rei D. João II N. S. e acabou-se no tempo d'el-rei D. Manuel o I. Fêl-a, por seus mandados, D. João Lobo, barão de Alvito».
|
||
|
Pág. 544 - Castelo (Torre de Menagem), em Pinhel
O que acima dissemos acerca deste castelo dispensa-nos de dar aqui mais amplas informações a seu respeito.
|
||
|
Pág. 545 - D. Isabel de Castro, em Alcácer-Ceguer
Descreve-se a pág. 408 deste volume da nossa História o episódio a que se refere a gravura em questão.
|
||
|
Pág. 549 - Castelo e capelinha do abade João, em Montemor-o-Velho
É vila notável pela sua antiguidade esta que a nossa gravura nos representa. O castelo que lá se vê reedificado pelo conde D. Henrique em 1109, por seu filho D. Afonso Henriques, e por D. Sancho II em 1210, tinha capacidade para aquartelar uma guarnição de cinco a seis mil homens, e, apesar de muito arruinado, conserva ainda as muralhas do seu recinto, com as suas ameias, torres e seteiras, bem como três cisternas ou subterrâneos no seu centro; uma para munições de guerra, outra para munições de boca, e a terceira para depósito de água. Dentro do castelo existe ainda a capelinha do abade João, onde se diz que o famoso abade que lhe deu o nome, tio de D. Ramiro I de Leão, animava os habitantes da vila com os seus sermões patrióticos a combater os Mouros. Também dentro do castelo estão os restos dum antigo palácio real que se supõe ter sido mandado construir pela rainha D. Urraca, irmã de D. Tareja, mãe de D. Afonso Henriques, e bem assim os da igreja de Santa Maria de Alcáçova, construída por ordem do conde D. Sisenando, no tempo de D. Afonso VI de Leão. Vem a propósito contar aqui algumas das proezas deste famigerado abade. Era abade do mosteiro de Lorvão no século IX, ou foi ali posto pelo rei leonês seu tio, esse famoso padre, a quem seu sobrinho deu o governo do Castelo de Montemor-o-Velho. Em breve deu o valeroso abade evidentes provas de que sabia tão bem cantar matinas e laudes na igreja, como manejar o seu pesado montante nos combates. Abd-el-Ramari, califa de Córdova investe contra o castelo desta vila, no ano 848, com um poderoso exército; porém a heroica defesa e bravíssima resistência do abade e dos seus companheiros o fez levantar o cerco, para ser derrotado por D. Ramiro I na gloriosa batalha de Clavijo. Pouco depois, levantaram-se contra o rei os condes de Alderedo e Pinelo. O abade sai com parte da sua gente, do castelo, e submete-os. Marcha na direcção de Viseu e derrota os Mouros em um rude combate. Diz-se que este combate foi dado nas imediações da actual freguesia de S. Miguel, e que foi por essa ocasião que o bispo de Salamanca descobrira a sepultura de Rodrigo, último rei godo. Mas enquanto o abade João se ocupava destas expedições, Garcia Janhes, renegado, que tinha sido familiar do abade João, combinava com o califa de Córdova, a perda dos cristãos da Lusitânia. O califa dá-lhe um formidável exército com o qual o renegado dá inopinadamente sobre Montemor, pondo-lhe um apertadíssimo cerco. A povoação da vila e o abade e monges de Lorvão, que se tinham posto ao abrigo da fortaleza, resistem com denodo à agressão; mas a praça estava desprevenida de vitualhas e a fome principiou a afligir a guarnição. Então os Montemorenses, imitando os bravos de Sagunto, decidiram morrer matando. Resolvidos a romper por entre as hostes agarenas, degolaram todas as pessoas das suas famílias que os não podiam acompanhar, e saíram decididos a vingar as suas mortes e as dos seus. Com tal furor, porém, atacaram os Mouros desprevenidos, e que não esperavam tamanho arrojo dos cercados, que aqueles foram completamente desbaratados. O renegado Garcia e quase todos os seus ficaram mortos no campo, retirando poucos, na maior desordem e a passos de cavalo. Segundo uma lenda, referida por muitos historiadores, quando os cristãos voltaram à vila encontraram ressuscitadas todas as pessoas que no acto da sua heroica desesperação, tinham assassinado. Em memória deste milagre ainda agora, no mês de agosto, se fazem em Montemor-o-Velho umas festas populares.
|
||
|
Pág. 553 - Mausoléu de D. Isabel de Portugal e de D. João de Espanha, na Cartuxa de Miraflores (Burgos)
Apenas terminou a edificação da igreja da Cartuxa de Miraflores, em 1489, logo se procedeu à construção do sumptuoso mausoléu cujo desenho publicamos, mausoléu que é uma obra-prima de arte e das mais bem acabadas que no seu género existem. Foi Gil Syloe, pai do celebrado arquitecto de Burgos Diogo de Syloe (o famigerado director da catedral de Granada), quem traçou e dirigiu o túmulo, por ordem da rainha D. Isabel I, terminando, a sua construção em 1493.Tem a forma octogonal, apresentando, vistos de cima, o aspecto de uma estrela de oito pontas. Sobre ele veem-se as estátuas jacentes de D. Isabel de Portugal e de D. João II, de Espanha, deitadas a par. Em volta da base e até nos recantos, veem-se vários leões em atitude de defenderem o sagrado deposito confiado à sua guarda. Nas diversas faces do mausoléu sobressaem, admiravelmente esculpidos, altos relevos servindo de molduras a estátuas diversas, de apóstolos e de santos.
|
||
|
Pág. 557 - Vista geral de Angra do Heroísmo
Justo é que, à falta de outros documentos, com que ilustremos a nossa História, relativos aos primeiros descobrimentos dos portugueses, nós publiquemos a vista desta vila, uma das mais pitorescas dos Açores, primeiro lugar a que aproaram as caravelas portuguesas, que se dirigiam à conquista de novos mundos.
|
||
|
Pág. 560 - Portalegre - Parque do convento de S. Bernardo
Dedicado a Nossa Senhora da Conceição, este convento de freiras bernardas, que fica extramuros de Portalegre, foi fundado cm 1172, pelo bispo da Guarda D. Jorge de Mello, cujos restos jazem em um tumulo sumptuoso na capela da Senhora da Conceição. O trecho do edifício, que a nossa gravura deixa entrever, dá-nos uma ligeira ideia da beleza do convento. Nele faleceu, em 1074, com 100 anos de idade, a freira D. Francisca de Paula da Costa Murta.
|
||
|
Pág. 561 - Primeira entrevista de Frederico III da Alemanha com D. Leonor, Irmã de D. Afonso V
Faz-se referência a este episódio da História portuguesa neste segundo volume da nossa edição. Adrêde vem trasladar-se para aqui, do magnífico livro do sr. Benevides, Cainhos de Portugal, a parte em que, a largos traços, se história a vida desta princesa D. Leonor, o seu casamento, etc. «A infanta D. Leonor nasceu em Torres Vedras, a 18 de setembro de 1434, e casou com o imperador Frederico III, o Pacífico, o qual havia nascido a 21 de setembro de 1416, tendo sido eleito imperador em 17 de março de 1440, e coroado em Aix-la-Chapele, em 17 de junho de 1442. Foi por intervenção do rei D. Afonso V, o Sábio, de Aragão e Nápoles, que o imperador pediu a mão da infanta D. Leonor a seu irmão, o rei D. Afonso V de Portugal. Os contractos matrimoniais foram feitos em Nápoles, sendo embaixador de Portugal D. João Fernandes da Silveira, primeiro barão de Alvito, grande ministro, que foi onze vezes embaixador, e sendo o bispo de Trieste o procurador do imperador. - O rei de Portugal dava à noiva sessenta mil florins de ouro de Camera, correntes na cúria romana; e o imperador, segundo o antigo uso germânico, dava a sua esposa, propter nuptias (Tratado de casamento da infanta D. Leonor com o imperador Frederico III, Arquivo da Torre do Tombo, gaveta 17, maço 3, n.º 12 transcrito na História genealógica da casa real, tomo I das Provas, pág. 585), também sessenta mil florins de ouro de Camera. - Fez-se o casamento por procuração em Lisboa, a 9 de agosto de 1451, sendo o imperador representado por Jacob Motz, bacharel em teologia e seu capelão. Foi este acto objecto de uma pompa extraordinária, fazendo-se o embarque em Lisboa, a 20 de outubro do mesmo ano, precedendo uma missa festiva na igreja da Sé, indo a noiva a cavalo com grande préstito, levando cada cavaleiro as rédeas do palafrém da sua dama; el-rei D. Afonso V ia com a imperatriz Leonor, a rainha D. Isabel com o infante D. Henrique, e a infanta D. Joana com D. Afonso, marquês de Valença e conde de Ourem; todos os mais iam a pé. Fez-se o embarque na grande ponte dos cães da Ribeira. - Foi a imperatriz acompanhada a bordo da esquadra pelo marquês de Valença, pela sua camareira-mor, condessa de Vila Real, pelo primeiro conde de Atalaya, primeiro conde de Abrantes e outros fidalgos. Depois de embarcados, levantou-se tão mau tempo, que só passados oito dias pôde a esquadra sair a barra, fazendo escala, por Ceuta, aonde fundeou a 5 de dezembro, sendo governador D. Sancho de Noronha, depois conde de Odemira. A 1 de fevereiro de 1452 aportou a Leorne onde se fez o desembarque, indo a imperatriz encontrar o imperador em Siena; em memória deste acontecimento se gravou uma lápide com as armas do império e de Portugal, que se conserva naquela cidade. - De Siena seguiram os esposos para Roma, onde o papa Nicolau V os casou a 16 de março do mesmo ano, sendo coroados com a coroa de ouro a 19 do mesmo mês. Os imperadores em seguida visitaram Nápoles, e, passando a Alemanha, foram coroados reis de Boémia e Hungria. - Faleceu a imperatriz Leonor em Neustadt, em 3 de outubro de 1467. Jaz no mosteiro de Cister daquela cidade. O imperador Frederico III, seu marido, faleceu em Lintz, em 7 de setembro de 1493. Jaz em Viena de Áustria.
|
||
|
Pág. 565 - Castelo de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo
Sobre a fundação deste castelo, obra dos fins do século XVI, lê-se a pág. 265 da História Insulana, do padre António Cordeiro, edição de 1717: «Chegado pois o tempo em que Castela entrou no governo de Portugal, & que emfim entrou na ilha Terceyra... fez o prudente Felippe II tal conceyto de quanto lhe importava esta Ilha, como cabeça das mais, e tal juizo do sobre descrito monte do Brasil, que logo tratou de fundar nele hum Castelo, que não só lhe defendesse a Terceyra, mas ainda as mais Ilhas, ou as restaurasse ao menos, se por inimigos fossem entradas; que assim passado o ano de 1590, & o decimo depois de ter tomado a Coroa de Portugal, (tempo em que faleceo o Doutor Gaspar Fructuoso, ano de 1591, quando ainda desta Fortalesa não podia dizer mais) então, haverá 124 anos pouco mais, ou menos, sendo nomeado para Governador da dita Fortalesa hum Castelhano, chamado Don António de la Puebla, & Bispo de Angra D. Manoel de Gouvea, por ambos foy lançada, & com grande festa, & assistência, a primeyra pedra de tal Fortalesa; & he muyto de notar que houve logo ali quem declarou, & disse, que nela fundavão hum grilhão para toda aquela Ilha, &c. & o tempo depois mostrou... quanto este dito parece ter sido hüa profecia.» Segue depois uma minuciosa descrição da Fortaleza, que, sendo aliás mui curiosa, não reproduzimos, por ser demasiado extensa para as ligeiras notas que aqui pensamos em dar.
|
||
|
Pág. 569 - Mértola - Vista geral
Segundo a tradição, data do tempo dos Fenícios a fundação desta vila, que é, por esse motivo, considerada uma das mais antigas da Lusitânia. Com o decorrer dos tempos e com a repetição das guerras, sofreu ela extraordinariamente, a ponto de estar quase em ruínas nos primeiros anos da monarquia. Em tempo de D. Sancho foi conquistada aos Mouros, parece que em 1219 ou que em 1242. O rei mandou-a povoar, deu-lhe foral, e doou-a à ordem militar de S. Tiago, com a condição de a fortificarem e defenderem das invasões dos Mouros, que só em 1250, reinando D. Afonso II, se conseguiu expulsar do Algarve. D. Diniz e D. Manuel também lhe doaram forais. Tanto no terreno ocupado pela povoação, como nas suas imediações, têm-se encontrado, em várias épocas, muitos objectos antiquíssimos, sendo alguns de grande apreço artístico como vasos, estátuas, colunas, etc. Entre esses achados há o de uma estátua primorosamente gravada, da qual D. Frei Amador Arraes fez uma minuciosa e interessante descrição; e Rezende diz terem também ali aparecido em umas escavações que mandou fazer dez magníficas estátuas romanas. Os Godos e os Árabes destruíram a maior parte dos monumentos deixados pelos Romanos para com esses materiais construírem as muralhas da praça. Em Mértola nasceu S. Fabrício, bispo de Évora, que foi martirizado. Houve perto de Mértola dois antigos conventos cristãos, um de S. Salvador, fundado no ano 630, outro de S. Domingos de Coimbra, destruídos pelos Mouros no ano X, sendo nessa ocasião assassinados todos os frades e freiras que os habitavam, pois que os mosteiros eram dobrados, que assim se chamavam os conventos em que professavam simultaneamente homens e mulheres. A cerca de 10 quilómetros de Mértola mostra-se uma gruta onde, segundo a tradição, viveu no século VII o frade beneditino S. Varão, falecido no ano de 700. As lendas e tradições que correm acerca deste santo, bem como de S. Fabrício, são muitas, e não as trasladamos para aqui, para não alargarmos demasiadamente estas notas.
|
||
|
Pág. 573 - Pinhel - Ruínas da antiga igreja da Trindade
Que a fundação desta igreja deve ser atribuída aos primeiros anos da monarquia, não há que duvidar; basta olhar-lhe para o seu aspecto; não podemos, porém, conseguir averiguar a data dessa fundação, sabendo nós apenas que em 1757 era uma das freguesias de Pinhel, curato da apresentação do comendador de Malta, rendia 10$000 réis de côngrua e o pé de altar, e tinha 21 fogos. Actualmente já nem tem telhado e acha-se completamente abandonada.
|
||
|
Pág. 577 - Tentativa da tomada de Tanger
Veja-se a págs. 405 e seguintes deste segundo volume a descrição deste episódio da nossa História.
|
||
|
Pág. 581 - Igreja românica de Serzedelo (vista de frente)
Já a pág. 629 deste mesmo volume nos referimos a esta relíquia da velha arqueologia portuguesa.
|
||
|
Pág. 585 - Viana do Alentejo - Igreja (vista do interior)
Matriz de Viana do Alentejo, esta igreja, que fica encostada à muralha que circunda parte da povoação, foi fundada por D. Diniz, em princípios do século XIV, e reconstruída por D. João e por D. Manuel. É um templo claro, espaçoso, muito elegante, de estilo manuelino, e de três naves, tem seis altares laterais e o altar-mor. Nas suas janelas tinha magnificas pinturas em vidro, que o tempo e os homens foram destruindo, conservando-se apenas uma com os primitivos vidros, em que está pintada uma magnífica imagem de S. Pedro. A capela do Santíssimo é de construção muito moderna, pois que foi feita em 1851 à custa do legado do pároco desta freguesia, padre Luiz António da Cruz.
|
||
|
Pág. 589 - Ilha do Pico - Vista do cais da Horta
É uma das maiores dos Açores, tendo 18 léguas de comprido e quatro de largo. Deu-lhe o nome que tem o famoso monte que a nossa gravura bem deixa ver, e em cujo cume há uma cratera dum vulcão já extinto. Na ilha da Horta, que está no primeiro plano, vê-se bem a fortaleza, que é uma das suas melhores obras, mas de fundação relativamente recente.
|
||
|
Pág. 592 - Túmulo do D. Estevão da Gama, no mosteiro de Cete
A pág. 615 do primeiro volume desta obra já tivemos ensejo de nos referirmos a este mosteiro, dando nessa nota uma breve informação acerca da sua fundação, etc. Aqui limitar-nos-emos a dizer que este D. Estevão da Gama, que viveu no século XIII, foi um dos reformadores do mosteiro de Cete, e que o seu túmulo, que a nossa gravura representa, dessa mesma época, se encontra na capela-mor da dita igreja.
|
||
|
Pág. 593 - Tomada de Alcácer-Ceguer
Veja-se a págs. 405 e seguintes deste volume da História a narração dessa terrível batalha.
|
||
|
Pág. 597 - Castelo de Amieira
Amieira é uma vila do Alentejo, situada numa baixa ao sul do Tejo, que tem foral do tempo de D. Manuel, que lho concedeu em 15 de novembro de 1512. Tem hospital e misericórdia muito antiga, à qual, em 1642, D. João IV doou as fazendas da capela de Nossa Senhora de Sanguinheira, com obrigação de reparar e conservar várias capelas da freguesia. Amieira nunca foi cercada de muralhas, mas desde os primeiros séculos da monarquia, talvez desde o tempo de D. Diniz, que possui na praça um forte castelo de quatro torres, que D. Nuno Álvares reedificou e que a nossa gravura representa. A torre principal era a de menagem, e o castelo tinha cisterna com água permanente. Gozou de bastante importância este castelo, pois que teve alcaides-mores. Foi um deles, em tempo de D. Manuel, Ruy Dias da Ribeira, passando, por sua morte, a alcaidaria a seu filho Damião Dias da Ribeira, escrivão da camara e fazenda de D. João III. A este Damião Dias da Ribeira, que casou com uma filha bastarda de D. Duarte de Menezes, deu D. João III brasão de armas, em 1 de abril de 1526, assim constituído: Em campo azul um leopardo de prata, passante-chefe de ouro, carregado de três estrelas de púrpura, de cinco pontas em aspas elmo aberto de prata; timbre um leopardo, como o das armas, tendo na espádua uma das estrelas. São oriundos da vila de Amieira os condes de Aveiras e os marqueses de Montemor.
|
||
|
Pág. 601 - Portalegre - Convento de S. Bernardo
Temos aqui outro aspecto deste velho mosteiro de religiosas, ao qual já acima nos referimos (pág. 633).
|
||
|
Pág. 605 - Ilha do Faial - Vista da Baía do Varadouro e freguesia do Capelo
É uma das grandes ilhas dos Açores, distando da Terceira cerca de 100 quilómetros. Tem aproximadamente 25 quilómetros de comprido por 15 de largo. Foi descoberta em 1453 por navegantes da Terceira, S. Jorge e Graciosa, tomando o nome das muitas faias que la havia. Tem muitas igrejas e ermidas, vários fortes e rochas inacessíveis. Foi seu primeiro donatário Jorge de Utra, flamengo, casado em Lisboa com D. Brites de Macedo, dama do Paço. Foi ele quem, à sua custa, e com vários compatriotas, todos católicos, começaram a povoar o Faial.
|
||
|
Pág. 608 - Capiteis da Sé de Lisboa
A grande antiguidade desta catedral, faz com que, apesar dos sucessivos terremotos que a têm lançado por terra, se conservem no seu interior diversos tipos de arquitectura. Isto explica a variedade de estilos, cada um deles marcando sua época, dos treze capitéis, que a nossa gravura tão nitidamente reproduz. E, a propósito da Sé, com que prazer nós transportaríamos para aqui, se pudéssemos, as elegantíssimas páginas da Lisboa antiga, do sr. Júlio de Castilho, a respeito deste monumental edifício, cuja fundação se não sabe ainda bem a quem é devida, tais as dúvidas que sobre o assunto têm sido suscitadas. Entretanto, como não podemos satisfazer aquele nosso desejo, porque o sr. Júlio de Castilho quase consagra um volume da sua obra ao estudo desta catedral, não resistimos ao prazer de trasladarmos para aqui o que ele diz, analisando o interessante livro de Mendes Leal, Monumentos nacionais acerca da sua fundação, e que nos parece altamente curioso: «Em três grupos se repartem as opiniões dos eruditos quanto à fundação deste magnífico templo, que é de todos os de Portugal (segundo aprecia o sr. dr. Filipe Simões) aquele sobre que «mais se tem escrito, e de cuja fundação mais várias e memoráveis opiniões correm.» - Primeiro grupo: os que pensam fosse edificado nas primeiras eras da igreja. E enumera-as o sr. Mendes Leal. Em dois sub-grupos se dividem: 1.º os que o têm por obra romana, da mão de Constantino; 2.º os que o atribuem a suevos ou godos. - Segundo grupo: os que julgam fôra mesquita principal de Lissibona, convertida ao culto cristão pelo nosso rei; e enumera-os. - Terceiro grupo: os que veem na Sé edificação nova do primeiro soberano português; e também os cita. Quanto aos primeiros: - 1.º sub-grupo: Não se opõe perentoriamente o sr. Mendes Leal a que a Sé fosse obra romana de Constantino, isto é, dos princípios do IV século. Só pondera que da estructura do templo actual (único argumento) nada se pode inferir. Os monumentos religiosos dos séculos primeiros eram geralmente mesquinhos, e de pouca dura, por serem quase tudo madeira. A suposta semelhança, da actual catedral com Santa Sofia, nada prova, porque da basílica primitiva de Constantinopla, obra de Constantino, nada resta. Se o plano do nosso edifício actual ainda apresenta, como é certo, a feição das basílicas, isso também não colhe, por ser comum a muitas catedrais de origem relativamente moderna. Logo, dos traços do templo nada se pôde concluir acerca da sua origem e fundação romana. - 2.º subgrupo: Também o sr. Mendes Leal não nega a presumida origem sueva ou goda; o que diz é que de todo faltam provas. Os do segundo grupo querem (e com razão plausível) que houvesse já ao tempo da conquista sido a sé mesquita de mouros. - Mas há quem objecte... Nada mais verosímil, portanto, do que admitir que ali houvesse sido a mesquita maior. Nada mais verossímil (e eu acrescentarei: nada mais provável), que ali fosse, desde o século IX, o edifício que Abd-el-Rhaman, sumptuoso Califa, em Lissibona levantou, ou muito mais provavelmente acrescentou sobre paredes de templo cristão, como sucedeu noutras partes da península. - Restam-nos ainda os argumentadores do terceiro grupo. Esses aduzem os testemunhos: de Azenheiro...; do Livro velho da mesma sé...; do chantre Estevão... Começa o sr. Mendes Leal por invalidar o peso das afirmações de Rodrigues Azenheiro e do Livro velho... Quanto ao chantre Estevão, certo é que as suas palavras as traduzia assim o excelente latinista D. Rodrigo da Cunha: igreja que o Rei de seus próprios fundamentos levantara. - Depois pergunta o sr. Mendes Leal: se estes escritores, que não assistiram aos factos, merecem crédito para alguns, não o mereceriam muito mais as crónicas menos antigas, e as se que referem detidamente aos pormenores da conquista? Ora essas é que nada dizem de tal, ao passo que são muito explícitas acerca da fundação de S. Vicente e de nossa Senhora dos Mártires... Adopto a opinião do sr. Mendes Leal. Foi a mesquita maior mudada em tempo cristão, e apropriada ao novo culto. Não me resta dúvida; com quanto não deva escurecer que me fez muito peso ver que um dos nossos mais profundos sabedores de arqueologia, o chorado Augusto Filipe Simões, parece não se dar por convencido.
|
||
|
Pág. 609 - Entrevista de D. Luiz XI de França
O episódio que esta gravura representa vem descrito a págs. 402 e seguintes da nossa História.
|
||
|
Pág. 611 - Convento de Vila do Conde (visto do Forte de S. João)
Tem três obras monumentais esta nobre vila do Douro: a igreja matriz, o aqueduto e o convento de Santa Clara. A igreja matriz não a deixa ver bem a nossa gravura; mas do aqueduto vê-se um trecho, e mais longe um trecho também do convento, que é fundação de D. Afonso Sanches, filho natural de D. Diniz, que lá tem seu túmulo. Mas ouçamos, quanto ao convento, o que nos diz José Augusto Vieira, naquele seu estilo tão colorido e tão sugestivo: «O convento ergue-se senhorilmente em sítio um pouco elevado e sobranceiro à vila. A primeira fábrica de D. Afonso Sanches conservou-se com algumas obras de reparo até ao século passado. Achando-se então o convento muito deteriorado, e ameaçando ruína, foi mister proceder-se a uma reedificação desde os alicerces. E tão avultadas eram as suas rendas ainda nesta época, apesar do muito que tinham diminuído, quando foram tirados às freiras os direitos senhoriais da vila, que a nova fábrica, verdadeiramente sumptuosa, foi levantada à custa da ordem. Não chegou a concluir-se, mas ainda assim é um dos mais vastos mosteiros que há no reino, e quanto à singularidade, beleza, e majestade de sua arquitectura, é muito superior aos melhores de Lisboa, e a todos os que conhecemos no país. A frontaria principal que está voltada para o ocidente, era digna de um palácio real. Compõe-se de três andares com dezassete grandes janelas em cada um, e divide-se em cinco corpos por duplicadas pilastras. O do centro é coroado por um frontão, ornado no tímpano com um baixo-relevo, no vértice com uma estátua colossal, e nos critérios com quatro vasos. Cada um dos corpos das extremidades tem quatro vasos ou piras por decoração superior. A igreja é boa, e contém alfaias de muita riqueza e primor.»
|
||
|
Pág. 613 - A tomada de Arzila.
O feito histórico dos Portugueses que esta gravura representa vem magistralmente descrito a pág. 410 neste mesmo volume da nossa História.
|
|
Vol. 2
|


























































































































































































