Arco da Adraga

Arco da Adraga
Aguarela sobre cartão
42 x 60,5 cm
1925/8
Arco da Adraga
Aguarela sobre papel
     Reconhece-se nestas duas versões do Arco da Adraga, a adopção de idêntico ponto de vista na perspectivação da imagem. O pintor repete em ambas as composições a configuração da trilogia dos elementos naturais: o mar, o areal, e o imenso rochedo escavado na base. A aguarela não datada aparenta constituir um estudo prévio, sendo executada, em seguida, uma segunda versão, procedendo-se à adjunção de minúsculas figurinhas. Além de introduzirem uma nota de vida no contexto paisagístico, elas permitem ao observador, por contraste, ter uma melhor noção das gigantescas proporções do penhasco. A figura de mulher que se dirige para a entrada algo sombria da caverna, pela sua posição neste contexto, pela dinâmica do movimento sugerido e pela mancha vermelha do chapéu de sol, torna-se um ponto de referência para o olhar.
     Roque Gameiro possuía o inimitável domínio técnico e a exímia capacidade de traduzir, com absoluta fidelidade e impressionante realismo, a complexa estrutura das configurações rochosas e a sua diversidade cromática e, se esta imagem se impõe à nossa vista, é devido essencialmente, à expressividade com que retrata a realidade.
     A intensa luminosidade que inunda a paisagem torna ainda mais expressivos os cambiantes das águas do mar. Este apresenta-se revolto, e as sucessivas ondas que se desfazem em espuma, vão recuando, deixando marcas mais escuras impressas na areia.
Maria Lucília Abreu
in Roque Gameiro - O Homen e a Obra, ACD Editores, 2005
 
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