Exposição “A Tribo dos Pincéis”

 
Exposição de Artes Plásticas
da família Roque Gameiro e seus descendentes
 9 a 18 de Novembro de 2006
 (das 10.00 às 18.00h) 
Museu da Água - Mãe d’Água das Amoreiras
Praça das Amoreiras, 10
1250-020 Lisboa    Tel.: 218 100 215
Organização: ACD Edições - Calçada dos Mestres, 84 - 1º  1070-179 LISBOA  Tel.: 213 859 213
 
 
 
 
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"A Tribo dos Pincéis": Roque Gameiro e seus descendentes
 
Artigo MAGAZINE - Grande Informação (Janeiro de 2007)

Sobre Roque Gameiro, escreve Fernando de Pamplona,

no seu Dicionário de Pintores e Escultores
(Livraria Civilização Editora), que

Pode dizer-se que foi ele entre nós quem deu à aguarela pergaminhos de nobreza,

criando uma verdadeira tradição. O que, neste domínio, havia antes dele quase não conta:
o que de bom se fez depois dele muito deve ao seu mestrado.
(…) Roque Gameiro deixou uma obra admirável,
que pede meças às dos melhores aguarelistas europeus da sua época.

Acrescenta ainda Pamplona que

Roque Gameiro não se contentou em nos deixar um punhado de obras-primas:

legou-nos também, em seus filhos e discípulos, um punhado de artistas,
que lhe continuaram e honraram o nome.

A exposição "A Tribo dos Pincéis" pretende justamente lembrar o nome de Roque Gameiro.

Nesta exposição estarão representadas cinco gerações de artistas
– desde os filhos até aos trinetos de Roque Gameiro –
que, seguindo o gosto do Mestre pela pintura
– e participando de alguma forma dos seus dotes artísticos –,
se dedicaram às mais variadas artes visuais: desenho, pintura, escultura, etc.
A exposição incluirá também várias obras do próprio Roque Gameiro que,
por pertencerem a colecções particulares, não são facilmente acessíveis ao público.
 
 
A lista que se segue inclui os artistas que estarão representados na exposição de Novembro de 2006. 
Junto a cada nome, inclui-se indicação do parentesco com Roque Gameiro, bem como uma breve biografia.
 
 
Alfredo Roque Gameiro (1864-1935)
 
 
          
 
 
Raquel Roque Gameiro  (1889-1970)
 
               Filha de Roque Gameiro.
    Nasceu em Lisboa em 1889 e faleceu, também em Lisboa, em 1970.  Distinguiu-se como aguarelista e ilustradora.  Expôs pela primeira vez na Sociedade Nacional de Belas Artes, em 1909, tendo recebido uma menção honrosa.  O seu trabalho de aguarela foi repetidamente exposto e galardoado com vários prémios, incluindo a medalha de honra na Sociedade Nacional de Belas Artes.  Em 1923, participou na exposição de aguarelistas portugueses, em Madrid.  Ilustrou numerosas obras (e.g., o Livro do Bebé) e colaborou em várias publicações periódicas (e.g., Diário de Notícias, O Século, O Comércio do Porto).
 
          
 
 
Manuel Roque Gameiro (1890-1944)
 
 
Filho de Roque Gameiro.
    Manuel Roque Gameiro nasceu em Lisboa em 1892; e faleceu, também em Lisboa, em 1944.  Distinguiu-se na pintura de aguarela, que frequentemente assinava com o pseudónimo Manuel Migança, o nome por que era conhecido o seu avô paterno.  Foi distinguido pela Sociedade Nacional de Belas Artes, tendo o seu trabalho sido incluído em várias exposições.  Colaborou como caricaturista em vários jornais humoristas.
 
 
 
Helena Roque Gameiro  (1895-1984)
 
 
Filha de Roque Gameiro.
    Helena Roque Gameiro expôs pela primeira vez quando tinha apenas quinze anos. Para os filhos de Roque Gameiro, pintar era tão natural como comer ou brincar. Na casa da Amadora, o desenho e a aguarela ocupavam um lugar de honra nas tarefas diárias. Helena, a terceira filha, pintou aguarelas a vida inteira. Participou em inúmeras exposições, dentro e fora de Portugal, e foi, durante muitos anos, professora e directora das Oficinas de Arte Aplicada da Escola António Arroio. Casou com José Leitão de Barros em 1923. Foram-lhe atribuídos vários prémios pela Sociedade Nacional de Belas Artes. A paisagem rural e as flores do jardim foram os grandes temas da sua pintura.
 
     
 
 
José Leitão de Barros (1896-1967)
 
 
Casado com Helena Roque Gameiro.
    José Leitão de Barros destacou-se como homem de múltiplos interesses: depois de concluir o Curso da Escola Normal Superior da Universidade de Lisboa, foi professor do ensino secundário, cineasta, dramaturgo, cenógrafo, jornalista e pintor. Tem inúmeros quadros expostos em museus portugueses e no Museu de Arte Contemporânea de Madrid. Foi secretário-geal da Exposição do Mundo Português, e organizou, em 1934 e 1935, os cortejos históricos das Festas da Cidade de Lisboa. Escreveu no seu estilo de aguda e anedótica observação, durante os últimos dez anos da sua vida, os «Corvos», crónicas semanais publicadas no jornal Diário de Notícias. Ganhou com o filme «Ala Arriba!», em 1942, um prémio na Bienal de Veneza. Intitulava-se «pintor falecido» quando deixou definitivamente de aguarelar, para se dedicar, sobretudo, à sua obra cinematográfica.
 
     
 
 
Màmía Roque Gameiro  (1901-1996)
 
 
Filha de Roque Gameiro.
    Estudou com Mily Possoz.  Pintou aguarela, guache e óleo.  Realizou a primeira exposição individual em 1923, tendo também participado na 16ª Exposição da Sociedade de Belas Artes.  Ilustrou inúmeros livros infantis e publicações periódicas. Distinguiu-se também como primorosa miniaturista, nomeadamente em trabalhos de representação de histologia.
 
               
 
 
Jaime Martins Barata  (1899-1970)
 
 
Casado com Màmía Roque Gameiro.
    Jaime Martins Barata nasceu em 1899 no Alto Alentejo e faleceu em Lisboa em 1970.  Estudou na Escola Normal Superior e em 1922 iniciou, no Liceu de Pedro Nunes, a carreira de professor de desenho.  Frequentou as salas de desenho da Sociedade Nacional de Belas Artes, onde desenvolveu o interesse pela aguarela.  Em 1940, contribuiu para a Exposição do Mundo Português com a sua primeira obra em óleo; e começou uma colaboração com os CTT, tornando-se em 1947 Consultor Artístico dessa instituição.  Da obra artística de Martins Barata, destacam-se pinturas de grande dimensão (óleo, têmpera, fresco); inúmeros selos, notas e moedas; e várias obras de cavalete (óleo, têmpera, aguarela, guache).  Mas a vocação “renascentista” do Mestre reflecte-se também em muitos outros interesses e contribuições: ilustração, fotografia, arqueologia naval, inventos diversos, etc.
 
          
 
 
Ruy Roque Gameiro  (1906-1935)
 
 
Filho de Roque Gameiro.
    Ruy Roque Gameiro nasceu em 1906 na Amadora.  Formou-se em escultura na Escola de Belas Artes.  Expôs pela primeira vez em 1029, na Sociedade Nacional de Belas Artes.  Recebeu vários prémios e ganhou vários concursos de escultura.  A promissora carreira artística veio a ser interrompida com o inesperado falecimento em 1935, vítima de acidente de viação.
 
 
Guida R G O (Coimbra) (1916-1992)
 
 
Filha de Raquel Roque Gameiro.
     
 
 
José Pedro R G Martins Barata
 
 
Filho de Màmía Roque Gameiro.
    Arquitecto. Desempenhou funções como Consultor Artistico dos CTT; produziu cerca de 50 originais para selos postais e escreveu livros sobre temáticas postais. Tern editado gravuras em "talhe-doce". Exerceu funções no M. da Educação, no Instituto Nacional de Administração e na CM. de Lisboa. Entre 1991 e 1999 foi professor no I.S. Técnico.
 
     
 
 
Luísa Silva Bastos (1940-1986)
 
 
Casada com José Pedro R G Martins Barata.
    Frequentou a Escola de Artes decorativas António Arroyo. Em 1958 participou na Exposição dos 50 Independentes na SNBA. Dedicou-se à gravura, tendo editado numerosas obras através da Cooperativa dos Gravadores Portugueses "Gravura". Como pintora participou nas exposições de Arte Moderna da SNBA em 1960, 1961 e 1962. Produziu cartões para tapeçarias e numerosas peças têxteis em "patch-work".
     
 
 
Chunxa (Maria d'Assunção) G Martins Barata
 
 
Filha de Màmía Roque Gameiro.
     
 
 
Rui Ottolini Castelo-Branco
 
 
Nasceu em Lisboa.
    Advogado a tempo inteiro apenas lhe restam os fins-de-semana para se dedicar à pintura que cultiva como passatempo. A formação é escassa embora tenha tido algumas (não tantas quanto desejaria), aulas de desenho com a sua Avó Raquel por volta dos 15 anos de idade. Pelos anos 70 fez alguma coisa mas foi em 1985 que se dedicou mais a sério, sobretudo em aguarela. Mais tarde entraria definitivamente no óleo.
    Expôs em 1986 e nos anos seguintes na Santa Casa da Misericórdia da Ericeira. Posteriormente passou a fazer exposições, quase anualmente, na Junta de Turismo da Ericeira e na Galeria de Arte Eduardo Burnay, também esta na Ericeira. Em 1992 apareceu na Casa da Imprensa, em Lisboa e em 1993 em Minde no Centro de Artes e Ofícios Roque Gameiro. Mais tarde voltou aí numa colectiva.
    As marinhas são o seu tema e o seu espaço quase fica pela Ericeira e arredores. Insiste nas praias da zona e raramente foge disso. A paisagem urbana ericeirense foi tema de anos.
    Se não está em erro, encontra-se representado no Museu da Santa Casa da Misericórdia da Ericeira e, naturalmente, em colecções particulares, sobretudo de Ericeirenses como o próprio.
     
 
 
Ana Mantero
 
 
Filha de Maria Helena R G L B Mantero, por sua vez filha de Helena Roque Gameiro.
    Ana Mantero nasceu em 1952. Estudou Arquitectura de Interiores no IADE e Pintura na ESBAL, e estuda Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Lecciona a disciplina de Educação Visual na Escola Básica 2,3 da Terrugem, em Sintra. Começou a pintar, em pequena, com a sua avó Helena. Participou em diversas exposições como artista plástica, sendo a última, em Outubro do corrente ano, nos jardins de Monserrate onde apresentou uma instalação integrada na Natureza. Gosta de recorrer a técnicas mistas, como a pintura a óleo sobre areia, ou a colagem e o desenho. A geometria da grande máquina da Natureza é o seu tema preferido.
     
 
 
Manolo Mantero
 
 
Filho de Maria Helena R G L B Mantero, por sua vez filha de Helena Roque Gameiro.
    Nasceu em1956.  Pintor durante a semana.  Fez várias exposições.
     
 
 
Rui Mantero
 
 
Filho de Maria Helena R G L B Mantero, por sua vez filha de Helena Roque Gameiro.
    Rui Mantero nasceu em 1959. Estudou Arquitectura de Interiores e Design de Equipamento no IADE e Desenho de Modelo e Pintura no ARCO. Trabalhou com o Arquitecto Miguel Arruda e com António Antunes (cartunista e designer gráfico). Esta última experiência permitiu-lhe iniciar uma carreira na área das artes gráficas que, ainda hoje, se mantém. Trabalhou com o pai, Arquitecto José Mantero, como artista plástico, tendo executado diversos painéis de azulejo para o novo Aeroporto de Faro. Desde essa altura realizou inúmeras obras de arte pública (e privada), utilizando sempre a técnica do azulejo embrechado (ou alicatado) que consiste na justaposição de cacos de azulejo, cortados e colados minuciosamente.
     
 
 
Pedro Cabral
 
 
Filho de M Antónia R G M B Cabral, por sua vez filha de Màmía Roque Gameiro. 
    Pedro MB Cabral nasceu em Lisboa em 1954.  Formou-se em arquitectura, na ESBAL, em 1978.  Desenha com mais frequência desde que a arquitectura passou das rotring para os CAD.  Em 1996 incluiu alguns trabalhos na colectiva “Arquitectos Expõem-se” (Galeria Maria Lebre, Tomar).  Desde Setembro 2005, expõe regularmente no blog BONECOS DE BOLSO (http://www.bonecosdebolso1.blogspot.com)
          
 
 
Luís Cabral
 
 
Filho de M Antónia R G M B Cabral, por sua vez filha de Màmía Roque Gameiro. 
    Luís Cabral nasceu em Lisboa em 1961.  É doutorado em Economia pela Universidade de Stanford e Professor de Economia na Universidade de Nova Iorque, cidade onde reside.  Gosta de pintar em óleo e acrílico, mas  principalmente aguarela.  O seu trabalho foi exposto em várias exposições colectivas em Lisboa e Nova Iorque entre  1991 e 2004.  Em Novembro de 2005, realizou a sua primeira exposição individual, no Atelier de Artistas (Lisboa).
          
 
 
Paulo S B Martins Barata
 
 
Filho de José Pedro R G Martins Barata, por sua vez filho de Màmía Roque Gameiro.
    Paulo Martins Barata nasceu em Lisboa em 1965. Arquitecto pela FA.UTL, doutorado em arquitectura pelo Instituto Politécnico Federal de Zurique (ETH), e MBA pela Universidade de Edinburgo. Trabalhou em diversos ateliers na Finlândia, EUA e Portugal, e é desde 1989 sócio do Promontório Arquitectos, em Lisboa. Académico visitante em várias universidades norte-americanas (Columbia, Minnesota, Texas).  Colaborador em diversos acontecimentos de Arquitectura e, desde 2003, membro do Parlamento Cultural Europeu.  Autor de Álvaro Siza 1954-1976 (Blau GG: Lisboa, 1998), e Museu de Serralves (White & Blue: Lisbon, 2001), publicou diversos ensaios sobre teoria e crítica de arquitectura.
 
 
Pedro Silveira Machado
 
 
Filho de Vanda O C-B, por sua vez filha de Ana Maria R G Ottolini, por sua vez filha de Raquel Roque Gameiro.
    Nasceu em 1965. Estudou desenho Livre no ARCO e design gráfico no IADE. Trabalhou com o Arquitecto Miguel Arruda e na Agência de publicidade Latina. Desde 1987 que colabora como ilustrador com várias editoras e revistas. Foi gráfico residente na Companhia de Teatro de Almada. Colaborou com a Primeira fábrica de relógios de Moscovo e com o importador em Portugal. Dedica-se Desde 2002 ao restauro e reconstrução de relógios antigos e de colecção.
     
 
 
Maria Matos Silva
 
 
Filha de Rita M B Cabral, por sua vez filha de M Antónia R G M B Cabral, por sua vez filha de Màmía Roque Gameiro.
    Maria Matos Silva nasceu em Lisboa em 1984. É finalista do curso de Arquitectura Paisagista no ISA. Completou o primeiro ano de pintura no ARCO embora seja Desenho o que mais gosta de praticar.
     
 
 
Maria Madalena C Ogando
 
 
Filha de Clara M B C Ogando, por sua vez filha de M Antónia R G M B Cabral, por sua vez filha de Màmía Roque Gameiro.
    Nasceu em Lisboa em 1983. Está actualmente a concluir o curso de Pintura na FBAUL (antiga ESBAL). Participou com obras na colectiva "Mostra d'Arte", em Abril de 2006, e ilustrou já dois livros, sendo o mais recente "Nossa Senhora na História da Nossa Vida" (ed. Patris/Lucerna).
         
 
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Durante a inauguração
 
Ana Mantero, Luís Cabral, Rui Mantero, Pedro Cabral, Madalena Ogando,
José Pedro Martins barata, Maria Matos Silva, Rui Castelo Branco e Pedro Machado