Chegada de D. João IV (1959)

Fresco no Palácio de Justiça do Montijo
(Dimensões: 4,60 x 3,90m)
 
 
(Sala de audiências)
 
MEMORIAL:
     "A restauração da independência em 1 de Dezembro de 1640 foi consagrada nas Cortes de 1641.
     Aí se declarou só ao Reino competir resolver sobre seus destinos.
     O Duque de Bragança D. João aclamado pelo povo em Lisboa na madrugada do 1º de Dezembro de 1640, recebeu no dia 3 à noite no Paço de Vila Viçosa, Pedro de Mendonça e Jorge de Melo emissários dos governadores do reino, que lhes foram dar conhecimento do sucesso da revolução.
     D João IV chegou pelo Aguilham a aldeia galega do Ribatejo, hoje Montijo, no dia 5 onde o aguardavam muitos fidalgos e clérigos idos de Lisboa.
     Não pôde utilizar a galeota real que no cais o esperava porque se levantara vendaval passando a noite de 5 para 6 no palácio do Conde de S. Miguel de que actualmente só resta o pátio, onde deu o primeiro Conselho Régio, o beija-mão e nessa noite ali foi nomeado um Conselho de Guerra permanente e expedidas várias ordens para os fronteiros do reino; no dia 6 seguiu para Lisboa mas numa falua por oferecer mais estabilidade."
 Referência: P. Alberto Gonçalves
                     Prior de Vila Viçosa
                     Pinheiro Chagas
 Nota: S. Majestade apareceu em Montijo vestido à lavrador.
 
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     Segundo o "Livro Quarto" da biografia de "D. Luísa de Gusmão", de Hipólito Raposo, D João IV chegou a Aldeia Galega na noite de 4ª-feira, 5 de Dezembro de 1640, data em que ali recebeu algumas pessoas da Nobreza, do Clero e do Povo que o estavam esperando. Na manhã seguinte, embarcava para Lisboa, acompanhado apenas de sete pessoas, tendo chegado, inesperadamente, à ponte da Casa da Índia, pelas nove horas da manhã.
 
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     Na "Relação do notável sucesso, e aclamação del Rey Dom João o 4º". pub in "Anais das Bibliotecas e Arquivos", nºs 57-60, 1942, págs. 145 e seg. Art. de Durval Pires de Lima; Manuel de Faria e Sousa, ob. cit., pág 384, diz-se:
     "Na mesma tarde (1º de Dezembro de 1640) sairão por mandato dos grandes Pero de Mendonça Furtado, alcaide-mor de Mourão, e Josse de Mello, irmão do monteiro-mor, a notificar o Duque como o tinhão levantado por Rey destes Reynos".
 
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     Ainda, segundo Hipólito Raposo, cujas fontes de informação, além de muitas outras, são:
   - Cartas Reais do Arquivo Cadaval
   - Lusitania Liberata
   - Manuel de Faria e Sousa
   - Rebelo da Silva
   - Documentos do Vaticano
   - Histª da Companhia de Jesus
     etc. etc....
chega-se à conclusão seguinte:
     Pedro de Mendonça e Jorge de Melo, chegaram a Vila Viçosa na manhã de 2ª-feira, 3 de Dezembro de 1640, quando se celebrava a festa de S. Francisco Xavier. Logo a seguir, chegavam também ao Paço, vindos de Évora, o Marquês de Ferreira e o Conde de Vimioso.
     Depois das primeiras reverências aos novos Soberanos, tratou-se de aprontar a partida para Lisboa para a manhã seguinte (3ª-feira, 4 de Dezembro de 1640).
     Saiu pois D. João IV do Paço de Vila-Viçosa, num coche, a 4 de Dezembro de 1640, acompanhado de Pedro de Mendonça Furtado, Jorge de Melo, Marquês de Ferreira e Conde de Vimioso. Seguiam-no de perto alguns cavaleiros e criados de sua Casa, sem outra escolta nem tropa de guarda.
     A viagem fez-se pela Venda do Duque, Arraioços, Montemor, Vendas Novas e Aldeia Galega, aonde chegaram na noite de 4ª-feira, 5 de Dezembro.
     Pelas 9 horas da manhã do dia seguinte (5ª-feira 6 de Dezembro de 1640) chegava a Lisboa, indo atracar à ponte da Casa da Índia, tendo sido o Marquês de Ferreira o primeiro a saltar em terra para dar a mão ao Rei, tendo - nessa altura - lembrado ao Rei a profecia de Leonor Rodrigues, a que El-Rei respondeu: "Vamos que Deus é connosco".
 
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Outra referência:
     "Partindo da legenda "Vamos que Deus está connosco", Martins Barata mantém-se no interior dos limites da pintura histórica, celebrando a Restauração da Independência (1-12-1640), a coroação de D. João IV (15-12-1640), a governação do reino e a organização da defesa militar e diplomática. O retracto de D. João IV entronizado inspira-se directamente num quadro existente no Museu Nacional dos Coches, atribuído a Avelar Rebelo. Preenchem o cenário elementos secundários como a bandeira real, uma alusão aos 40 conjurados de 1640 (cavaleiro), as riquezas fluviais do Tejo e armamento correlacionado com a Batalha do Montijo (1644)."
(In "Justiça e Arte - Tribunais Portugueses"
da Secretaria-Geral do Ministério da Justiça, 2003)
 
 
Alguns estudos prévios
 
Outos estudos
 
Estudos de enquadramento
 
 
No dia da inauguração