Camponeses da Beira

Camponeses da Beira-Baixa
 
Aguarela sobre papel
1939
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     Raquel Gameiro ilustra nesta composição uma conjuntura social relativa a migrações sazonais de gente do povo, habitantes de zonas do país, mais desfavorecidas economicamen­te. Esta situação verificava-se, habitualmente, na época das ceifas, das vindimas e da apanha da azeitona.
     Destaca-se, nos rostos dos camponeses, o desalento pela incerteza da situação vivida. A cabeça do homem inclina-se para o chão, como que impulsionada pelo peso de uma exis­tência que os impele a andar de terra em terra, numa atitude de aceitação fatalista. As rou­pas que envergam atestam um estado de acentuada pobreza.
     A pintora dá particular destaque a este grupo de figuras em função do espaço em que os inseriu: delineou-os através de um traço acentuado e por um conjunto de gamas tonais de castanho-escuro. Apenas algumas peças de roupa de um branco sujo cortam essa unifor­midade e definem zonas de alguma luminosidade. Por detrás deste grupo a paisagem atenua-se numa indefinição de referente.
Maria Lucília Abreu
in A Aguarela na Arte Portuguesa, ACD Editores, 2008